O Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas divulga obras sobre gestão resiliente em tempos de COVID-19

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O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA),  está circulando duas publicações recentemente traduzidas para o português com potencial uso por formuladores de políticas públicas e tomadores de decisão. O PNUMA é a principal autoridade ambiental global que determina a agenda internacional sobre o meio ambiente, promove a implementação coerente da dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável no Sistema das Nações Unidas e serve como autoridade defensora do meio ambiente no mundo.

Diante de nossa missão e da situação de pandemia que a humanidade enfrenta, enxergamos a COVID-19 como um lembrete de que a saúde humana está profundamente ligada à saúde do planeta. Seguindo essa linha, gostaríamos de compartilhar dois materiais que acreditamos ter grande serventia na formulação de políticas públicas, nacionais e locais. 

O primeiro é a cartilha “Trabalhar com o meio ambiente para proteger as pessoas: resposta do PNUMA à COVID-19”, publicado pelo PNUMA  em maio de 2020. Nela, discutimos a origem de doenças zoonóticas, tais como a COVID-19 que nos aflige atualmente. Buscamos também apresentar suas origens e implicações, destacando o papel da natureza e de sua preservação na interrupção do ciclo de doenças zoonóticas. Por fim, apresentamos como o PNUMA se reorganizou para responder à crise atual e evitar crises futuras. As zoonoses representam cerca de 75% de todas as doenças infecciosas emergentes. Para evitar futuros surtos, devemos enfrentar as ameaças aos ecossistemas e à vida selvagem, incluindo perda de habitat, comércio ilegal, poluição e mudanças climáticas.

O segundo é o relatório “Construindo sociedades resilientes após a pandemia do COVID-19: principais mensagens do Painel Internacional de Recursos”, publicado pelo PNUMA e pelo Painel Internacional de Recursos (IRP) em maio de 2020, que fornece recomendações de políticas e exemplos extraídos de avaliações científicas do IRP para apoiar uma recuperação econômica inteligente em termos de recursos, guiada pela proposta de repensar a maneira como geramos riqueza, a maneira como nos movemos, vivemos e comemos.

A poluição por plásticos pode ser reduzida em 80% com a adoção de medidas ambiciosas

Em um estudo publicado pela “Science”, os especialistas estimam que as liberações de plástico no meio ambiente podem quase triplicar até 2040 na ausência de mudanças nas políticas.

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Lixo plástico despejado em uma praia havaiana em 2016. MEGAN LAMSON / AP

Por Sylvie Burnouf para o Le Monde

O desperdício de plástico está sufocando nosso planeta. Mas quebrar a onda de poluição que está prestes a nos sobrecarregar ainda parece possível, de acordo com um estudo de modelagem publicado quinta-feira, 23 de julho, na revista Science , que examina o impacto que nossos esforços poderiam ter sobre os lançamentos de plástico para a atmosfera. escala global até 2040.

Em particular, revela que, na ausência de uma mudança de política, as quantidades de plástico liberadas no meio ambiente a cada ano podem quase triplicar até 2040. Mas também que elas podem ser reduzidas em quase 80% graças à implantação um conjunto de estratégias destinadas a limitar essa poluição. Os lançamentos anuais seriam 40% inferiores aos medidos em 2016.

Essas estratégias já existem e o desafio agora é que sejam implementadas por todos e em qualquer lugar. Eles combinam menor consumo de plástico, substituição com outros materiais, como papel, reutilização e melhor coleta e reciclagem.

Para Jean-François Ghiglione, diretor de pesquisa do CNRS no observatório oceanológico de Banyuls-sur-Mer (Pirineus Orientais), os resultados relatados neste estudo – do qual ele não participou – são “uma grande mensagem de ‘esperança’, uma ‘lufada de ar fresco’. “A poluição plástica é hoje uma grande poluição, considerada o marcador do Antropoceno: quando nossos filhos e netos olharem nosso tempo nas diferentes épocas geológicas, saberão que estávamos a era do plástico ”, lamenta.

No entanto, “este estudo é o primeiro a mostrar que é possível reduzir a poluição plástica em 80%, simplesmente com o nosso conhecimento atual” , diz ele. Se conseguíssemos, seria um verdadeiro desafio para a humanidade que seria aceito, porque hoje não enfrentamos nosso desperdício. “

Falta de uma verdadeira estratégia global e concreta

Este trabalho inovador, publicado em conjunto com um relatório destinado ao público em geral e aos tomadores de decisão e intitulado ”  Quebrando a Onda Plástica  “, foi realizado por um painel de dezessete especialistas internacionais com habilidades variadas no campo de plásticos e microplásticos. , que se reuniam em intervalos regulares em 2018 e 2019 em grupos de trabalho e sessões plenárias. O financiamento foi fornecido pela organização não governamental americana The Pew Charitable Trusts.

Esse esforço internacional partiu da constatação de que havia uma estratégia real, abrangente e concreta para reduzir o desperdício de plástico no mundo, apesar da crescente conscientização sobre a extensão do problema.

Os pesquisadores se propuseram a avaliar a relevância de várias estratégias destinadas a reduzir a poluição plástica em escala global até 2040. Para isso, desenvolveram um modelo que integra dados, para 2016, de estoques e fluxos de macroplásticos do lixo doméstico, bem como microplásticos gerados por têxteis sintéticos, desgaste de pneus, grânulos de plástico (usados ​​na fabricação de produtos de plástico) e produtos de higiene.

Em seguida, eles estudaram como o vazamento anual de plástico no ambiente evoluiria em cinco cenários diferentes, variando desde o status quo (“business as usual”) até uma combinação de intervenções.

Eles estimam que hoje, quase 40 milhões de toneladas de plástico são lançadas no meio ambiente a cada ano, das quais mais de 23 milhões estão em terra e quase 14 milhões estão em água. E se nada fosse feito para aumentar a luta contra essa poluição, a quantidade descarregada em ambientes terrestres e aquáticos a cada ano seria multiplicada, respectivamente, por 2,8 e 2,6 até 2040. Como resultado, o vazamento em 1,3 bilhão de toneladas de plástico no espaço de vinte anos.

O valor do lixo plástico está caindo

No entanto, os atuais compromissos políticos a favor da redução da poluição por plásticos, como a proibição européia de plásticos descartáveis ​​ou micro-esferas de plástico, reduziriam a extensão dessa poluição apenas 7 %, sublinha Julien Boucher, diretor de Ação Ambiental (EA), um centro suíço de design ecológico e co-autor do estudo. “A mensagem é que precisamos ser muito mais ambiciosos do que somos agora”, diz ele . Não basta agir sobre uma ou outra dessas medidas, é necessário agir em todas as frentes. “

Portanto, isso envolve ”  reduzir plásticos desnecessários” e implantar um ”  canal de reprocessamento real, que trabalha com a reciclagem e o uso de materiais reciclados” , mas também com a “coleta real” , explica Julien Boucher.

O valor dos resíduos de plástico vem caindo nos últimos anos, devido à queda no preço do barril, mas também porque a demanda é baixa: os plásticos reciclados não são usados ​​em recipientes de alimentos, pois estão potencialmente contaminados. No entanto, “deve haver valor suficiente no lixo plástico para que as pessoas possam viver com ele” , enfatiza Boucher, pedindo à indústria que “use mais plásticos reciclados” .

Ele também garante que a reciclagem, como praticada nos países desenvolvidos, é “claramente uma fonte importante de lixo plástico” , principalmente por causa de sua exportação para a Ásia ou a África, por exemplo. Cerca de 50% dos resíduos coletados na Europa são exportados. “Do ponto de vista ambiental, é um desastre , deplora o Sr. Boucher, denunciando as condições de reciclagem  absolutamente não controladas nesses países” , muitas vezes ao ar livre.

O estudo também destaca outro aspecto muito sombrio: mesmo assumindo que todas as medidas disponíveis até o momento para combater a poluição por plásticos sejam implementadas, não são menos de 710 milhões de toneladas de plástico que seriam lançado no meio ambiente no espaço de vinte anos, dos quais 250 milhões de toneladas contaminariam rios, mares e oceanos. E se a implantação dessas estratégias fosse adiada mesmo por cinco anos, 300 milhões de toneladas adicionais se acumulariam nos ecossistemas.

Acelere as alterações de política

Poderíamos, portanto, fazer melhor? Certas fontes de poluição são, nesta fase, difíceis de compactar, responde Julien Boucher. Por exemplo, enquanto os microplásticos gerados pelo desgaste dos pneus contribuem “de maneira importante” para a poluição de plásticos “, não identificamos uma solução possível para gerenciar esse problema” com as tecnologias atuais, explica. ele.

Há também um aspecto comportamental que deve ser levado em consideração: os usuários ainda liberam muito plástico no ambiente, seja intencional ou acidental. Isso pode ser limitado no futuro, graças ao design de produtos sem peças destacáveis, acredita Julien Boucher.

De qualquer forma, ele espera que o lançamento dos dados acelere as mudanças nas políticas, dizendo que “se não podemos fazer as coisas com isso, isso é um sinal muito ruim”. 

Jean-François Ghiglione, por sua vez, está otimista, acreditando que “as pessoas com visão nunca foram tão verdes” , seja por parte de consumidores, fabricantes ou governos. Mas, para que isso funcione, “todos os jogadores realmente precisam começar” .

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Este artigo foi escrito originalmente em francês e publicado pelo jornal Le Monde [Aqui!].

Entrevista ao Programa Faixa Livre: a questão ambiental no governo Bolsonaro

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O geógrafo e professor associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Marcos Pedlowski explicou o paradoxo criado pela gestão de Jair Bolsonaro, que deixou de lado a preservação do meio ambiente, provocando a saída de investimentos estrangeiros do país, e comentou as reações a essa política de destruição da biodiversidade.

Ouça a entrevista de Marcos Pedlowski

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Este material foi inicialmente publicado no site do Programa Faixa Livre [Aqui!].

Indústria de hedge funds prefere ativos que incorporam fatores de sustentabilidade

Um número cada vez maior de investidores está exigindo que os gestores de hedge funds incorporem fatores de sustentabilidade como os ambientais, sociais e de governança às atividades de investimento. Tais executivos agora veem esses três aspectos como algo que atende aos interesses do grupo a longo prazo, assim como os da sociedade. Essas são as principais constatações do novo relatório da KPMG intitulado “Investimento sustentável: acelerando sua evolução” (do original em inglês, Sustainable investing: fast forwarding its evolution).

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A pesquisa foi realizada com 135 investidores institucionais, gerentes de hedge fund e gerentes de investimentos em títulos de longo prazo, de 13 países, e que juntos totalizam 6,25 trilhões de dólares em ativos. O estudo mostrou que esses investidores esperam que os gestores de ativos proporcionem retornos financeiros atraentes e, ao mesmo, tempo considerem os riscos ambientais e sociais associados aos investimentos.

“A forma tradicional de investimento que leva em conta apenas o risco e o retorno está sendo reformulada para incluir os fatores ambientais, sociais e de governança. Na indústria de hedge fund, esses aspectos deixaram de ser algo interessante para ser uma obrigação”, afirmou o sócio-líder de gerenciamento de ativos da KPMG no Brasil, Lino Júnior.

O relatório apontou também que 45% dos investidores institucionais agora alocam os investimentos em hedge funds que consideram fatores ambientais, sociais e de governança porque acreditam que eles oferecem oportunidades de geração de grandes retornos e, ao mesmo tempo, uma carteira mais defensiva que enxerga além dos mercados que não priorizam a precificação dos riscos relacionados aos fatores ambientais, sociais e de governança.

Empresas de hedge funds estão avançando

Já os gestores de hedge funds disseram na pesquisa que estão avançando no ciclo de adoção normal dos fatores ambientais, sociais e de governança. Atualmente, 15% deles afirmaram que as empresas que presidem estão no estágio “maduro”, no qual os fatores ambientais, sociais e de governança estão sendo incorporados por meio de políticas, comitês, pesquisas e dados apropriados. Outros 44% estão no estágio de “em andamento”, ao passo que 31% ainda estão no estágio de “aumento da conscientização”; sendo que os 10% restantes estão no estágio de “nenhuma adoção até o momento”.

Nesse processo, três etapas principais foram implantadas pelos gerentes de hedge fund ouvidos na pesquisa: a incorporação dos fatores ambientais, sociais e de governança no processo de investimento (52%), exclusão de títulos que não se coadunam com os valores pessoais dos investidores (50%) e a participação do acionista (31%).

“A sustentabilidade irá remodelar o ecossistema dos mercados de capital e o comportamento dos participantes. Ela exige que haja uma mudança na forma pela qual os investimentos têm sido feitos historicamente”, afirmou o sócio-líder de serviços financeiros da KPMG na América do Sul, Ricardo Anhesini.

Sobre a KPMG

A KPMG é uma rede global de firmas independentes que prestam serviços profissionais de Audit, Tax e Advisory. Estamos presentes em 154 países e territórios, com 200.000 profissionais atuando em firmas-membro em todo o mundo. No Brasil, são aproximadamente 4.000 profissionais, distribuídos em 22 cidades localizadas em 13 Estados e Distrito Federal.

Orientada pelo seu propósito de empoderar a mudança, a KPMG tornou-se uma empresa referência no segmento em que atua. Compartilhamos valor e inspiramos confiança no mercado de capitais e nas comunidades há mais de 100 anos, transformando pessoas e empresas e gerando impactos positivos que contribuem para a realização de mudanças sustentáveis em nossos clientes, governos e sociedade civil.

Twitter: http://www.twitter.com/@kpmgbrasil

Site: kpmg.com.br

Linkedin: www.linkedin.com/company/kpmg-brasil

Descumprimento das regras de comércio e meio ambiente pode afetar negociações internacionais do Brasil

Retomada econômica consciente depende do cumprimento de tais regras, sob pena de inviabilização do acordo com a União Europeia e a participação do Brasil como membro da OCDE

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O Brasil ainda precisa trabalhar no cumprimento das regras ambientais contidas nos acordos internacionais dos quais o Brasil é parte. Esse cenário pode afetar negativamente a análise feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para acessão do Brasil à qualidade de membro. Quem faz o alerta é Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington e Londres e presidente do conselho superior de Comércio Exterior da FIESP, durante webinar do Veirano Advogados.

O evento, realizado em 25 de junho, teve como tema “Brasil e OCDE: Ganhos Ambientais e Econômicos”, com o objetivo de debater os ganhos nacionais decorrentes da harmonização de normas ambientais brasileiras com os instrumentos da OCDE. Contou com a participação de Leopoldo Butkiewicz, diretor de Meio Ambiente e América Latina na Secretaria de Relações Internacionais do Ministério do Meio Ambiente; Rubens Barbosa, embaixador do Brasil na Inglaterra e nos Estados Unidos (1994-2004) e presidente do conselho superior de Comércio Exterior da FIESP e moderação de Ana Luci Grizzi, sócia da área Ambiental do Veirano Advogados.

Segundo Ana Luci Grizzi, esta é uma pauta estratégica, em pleno andamento no Governo Federal e Governos Estaduais. “Apesar da pandemia e do cenário instável em que nos encontramos, a agenda não foi e nem será paralisada, já que representa um grande benefício econômico ao Brasil. Temos potencial para lançar o país à liderança de assuntos que podem nos trazer vantagens competitivas. Neste sentido, a OCDE apresenta enorme oportunidade, trazendo inovação e desenvolvimento ambiental como diretriz de planejamento estratégico. A base de trabalho é Federal e Estadual, com vários Estados se mobilizando em relação aos instrumentos que podem solucionar problemas nacionais diversos”.

O Brasil já é parceiro-chave da OCDE desde 2009, tendo aderido a diversas normas, inclusive ambientais, durante os anos. O pedido de acessão à OCDE na qualidade de país-membro ocorreu 2017. A OCDE propõe a colaboração e a discussão de políticas públicas e econômicas que devem servir como modelo para os países-membros. Atualmente, representa aproximadamente 80% da economia mundial.

No entanto, segundo Rubens Barbosa, o país ainda não segue a rigor os parâmetros propostos pela Organização. “A entrada no Brasil na OCDE o tornará um país normal. Nós não cumprimos as regras internacionais na área de comércio e meio ambiente, então, o grupo irá trazer a necessidade de seguirmos as práticas regulatórias, não por obrigatoriedade, mas por representar interesses. Precisamos ter em vista que o processo será bastante longo, dificultado ainda mais por conta das transformações ocorrendo na Europa, de reformulação de novas políticas industriais de meio ambiente, para adequação ao novo normal pós-pandemia. A evolução trará influência, possivelmente negativa, para o exame que a OCDE fará do Brasil”, analisa.

Barbosa aponta que apesar de alguns setores nacionais não aderirem plenamente a uma reapresentação da política de meio ambiente e da retórica do governo, a questão da mudança de clima e meio ambiente não sairá da agenda global. “Após a pandemia, os temas ficarão ainda mais intensos, com questões ligadas à questão alimentar e saúde, por exemplo, em pauta. Somos exportadores de produtos primários. Sabemos que medidas de cautela e restrição serão tomadas por países exportadores. E o que estamos fazendo para nos adequar? Temos interesses a preservar, afinal, o consumidor tem papel importante e a política ambiental está diretamente relacionada às negociações comerciais. Não temos como evitar o assunto. Por realismo, tanto setor privado quanto governo terão de se ajustar às novas realidades”.

Leopoldo Butkiewicz, por sua vez, informou que o Brasil se relaciona intensamente com OCDE desde 1990. “Certamente, somos o país mais engajado com a organização, mesmo não sendo membro efetivo. Trabalhamos para aderir às práticas e às políticas públicas, independentemente da aceitação no grupo. Já aderimos a 84 dos 254 instrumentos legais. 60 estão em processo de adesão. A aderência também é viável para outros 59. Apenas 20% permanecem em análise do governo e consultas públicas. Não há país no mundo que trate com mais seriedade a questão ambiental que o Brasil. Podemos sofrer uma série de restrições e ataques, mas a situação de hoje é que somos uma potência ambiental e temos a condição de demonstrar para outros países como se protege o meio ambiente efetivamente. 60% do nosso solo é de vegetação nativa. Também temos reservas indígenas, com vasto patrimônio. Podemos prover serviços ambientais para o mundo todo”.

Butkiewicz reforça que o governo tem trabalhado para aprimorar o geoprocessamento dos dados, entender os gargalos nacionais e estabelecer medidas que os solucionem. “A OCDE trará a inteligência, transparência e capacidade de gestão que precisamos. Queremos internalizar todos estes ensinamentos e oferecer maior segurança jurídica aos investidores internacionais. Temos de valorizar o bem ambiental, com nomes bem estruturados, afinal, intervir erroneamente é aumentar a destruição. Temos muito o que ganhar com a adesão ao grupo. O trabalho está sendo feito e ainda seremos vistos com respeito”.

Os debatedores também falaram sobre o andamento do acordo entre Mercosul e União Europeia, que estabelece diálogo político, cooperação e livre comércio. Para Rubens Barbosa, podemos enfrentar uma nova etapa, tão difícil quanto a primeira: o processo de ratificação no próximo ano. “Depois de um longo processo, com mais de 20 anos de estudos, o acordo foi finalizado, mas ainda não assinado. Pode começar a haver uma oposição dos parlamentos europeus, graças à política ambiental brasileira. Precisamos sair da defensiva e desenvolver uma nova política agrícola. Não se trata de gostar ou não. Devemos nos ajustar por pragmatismo, caso contrário, teremos dificuldade na aprovação do acordo e até mesmo nas finanças. Precisamos de resultados concretos de redução de desmatamento, controle de queimadas e garimpo ilegal. Só o discurso não é válido para a comunidade internacional. Temos que recuperar nossa credibilidade por meio dos resultados”.

Leopoldo Butkiewicz conta que o Ministério do Meio Ambiente e seus secretários estão trabalhando com foco em criar instrumento de mercado para inserir na cadeia ambiental o valor que é dado pelos países europeus. “Vemos eles usando instrumentos de acordos e normas internacionais como barreiras não tarifárias para nossos produtos, é a maneira de se protegerem. Temos oportunidade de mudar o jogo e atacar os problemas que temos em diversos biomas. Procuramos países parceiros para desenvolver políticas públicas de governo, que também sirvam como políticas de estado”.

O evento é parte da programação de debates on-line, criada pela equipe do Veirano Advogados durante o isolamento social, que aborda diversos temas relevantes para os negócios, com panoramas durante e pós-pandemia de COVID-19.

Observatório do Clima lança plataforma “Fakebook.eco” para combater a disseminação de fake news ambientais

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Hoje é aniversário do ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o pessoal do Observatório do Clima decidiu não “deixar essa boiada passar em branco”, e decidiu lançar a primeira plataforma de combate à desinformação ambiental do Brasil, que foi denominada de “Fakebook.eco“.

Considero essa ação do Observatório do Clima como fundamental, pois é importante aumentar o conhecimento e afastar as notícias falsas que são lançadas para avançar a destruição ambiental no Brasil. 

De minha parte, espero que Ricardo Salles se sinta lisonjeado com a coincidência entre seu aniversário e o aparecimento da Fakebook.eco.

Educação ambiental em quadrinhos para escolas dos ensinos fundamental e médio

Será lançado na próxima sexta-feira, 5 de junho, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, o e-book Falando de Meio Ambiente em Quadrinhos que reúne 21 histórias criadas e ilustradas por alunos da graduação de Engenharia Ambiental da Universidade Veiga de Almeida (UVA). O material traz conceitos de ecologia e sustentabilidade de forma didática e criativa para ser usado como ferramenta de educação ambiental por professores dos ensinos fundamental e médio.

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A organização do conteúdo teve a curadoria da professora da disciplina Ecologia e Sustentabilidade, Viviane Japiassú. Ela reuniu o material, inseriu as informações conceituais e distribuiu as tirinhas em três capítulos: sucessão ecológica e produção primária; indivíduos, população e comunidades; espécies exóticas nativas e endêmicas.

Além de adotar a linguagem dos quadrinhos, que conversa diretamente com o público jovem e adolescentes, no fim de cada capítulo o e-book traz um jogo de palavras-cruzadas e um quiz. “Esse conteúdo adicional é um incentivo para interação uma vez que a proposta é que sejam realizados desafios on-line entre os estudantes. Isso é muito positivo nesse cenário de isolamento social ocasionado pelo novo coronavírus”, destaca Viviane.

A professora avalia que a pandemia da COVID-19, além de todos os impactos socioeconômicos, também provocou questionamentos sobre a forma como lidamos com o planeta. “Não existe economia sem os recursos naturais e pessoas. Por isso, é preciso pensar nos próximos passos para nos adaptarmos à nova realidade. E a educação ambiental é uma importante aliada na construção de seres conscientes e engajados”, conclui.

O e-book Falando de Meio Ambiente em Quadrinhos já é resultado do novo modelo pedagógico UVA Maker, implantado no começo deste ano pela instituição de ensino, cujo objetivo é que o aluno se transforme em protagonista do processo de aprendizagem, através de ações atreladas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O e-book será distribuído para as Coordenadorias Gerais de Educação do Munícipio (CREs) e também estará disponível para o download no site da universidade.  

Ricardo Salles comete sincericídio e sugere uso da COVID-19 para enfraquecer as leis ambientais no Brasil

ricardosalles-abreNa reunião de 22 de abril, Ricardo Salles pediu que o governo Jair Bolsonaro aproveitasse a atenção da imprensa voltada à pandemia de COVID-19 para aprovar “reformas infralegais de desregulamentação e simplificação” na área do meio ambiente e “ir passando a boiada”.  

Um dos momentos mais interessantes e reveladores do que já foi mostrado na divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril veio na fala do ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles (ver sequência de imagens abaixo).

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Dentre as pérolas oferecidas por Ricardo Salles está o pedido para que o governo Jair Bolsonaro aproveitasse a atenção da imprensa voltada à pandemia de COVID-19 para aprovar “reformas infralegais de desregulamentação e simplificação” na área do meio ambiente e “ir passando a boiada“.  

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Além disso, Salles afirmou que “então para isso precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de COVID e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”.

Salles ainda sugeriu que o governo fizesse mudanças relacionadas ao meio ambiente sem o aval do Congresso Nacional.  Para que isso seja possível, Salles ressaltou que a  Advocacia Geral da União (AGU) precisaria ficar de prontidão para eventuais contestações do governo na Justiça.  Nesse sentido, Salles afirmou que “então pra isso nós temos que tá com a artilharia da AGU preparada para cada linha que a gente avança ter uma coi … mas tem uma lista enorme, em todos os ministérios que têm papel regulatório aqui, pra simplificar“.

Em suma: para Ricardo Salles, a pandemia da COVID-19 seria proveitosa no sentido de avançar o processo de desmanche da governança e da legislação ambiental, evitando que tais mudanças tivessem que passar pelo Congresso Nacional. Se isso não for o suprassumo do oportunismo político, sinceramente não sei o que seria.

Em minha modesta opinião, será essa fala de Ricardo Salles que criará mais embaraço para o Brasil nas relações econômicas e políticas, pois fica explícito o processo de desmanche que ele comanda à frente do Ministério do Meio Ambiente. É que, ao contrário do que parecem acreditar os membros do governo Bolsonaro, o período pós-pandemia não será tão tolerante com a destruição ambiental em curso no Brasil.

Mas mais do que nunca, Salles tem carimbado na testa o rótulo de “Exterminador do meio ambiente”.  Nada mais justo para quem se aproveita de uma pandemia mortal para destruir a governança ambiental duramente construída no Brasil.

No vídeo abaixo é possível ver o momento exato da fala “passa a boiada” de Ricardo Salles.

Como o isolamento social tem impactado no meio ambiente?

Em um mês de quarentena, uma única pessoa pode deixar de emitir cerca de meia tonelada de CO2

Pandemia-reduz-poluição-do-arSatélite mostra a redução de CO2 no planeta.  Foto: Reprodução/Web

Por Rafael Castelo*

A pandemia de coronavírus fez com que o mundo enfrentasse uma realidade totalmente inesperada. A cidade de São Paulo, por exemplo, que possui algumas das ruas e avenidas mais movimentadas do planeta, chegou a registrar 0 km de trânsito durante vários dias após o início da quarentena decretada no dia 24 de março. Os dados são da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Não coincidentemente, os números oficiais divulgados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) apontam que o índice de poluentes liberados diretamente no ar apresentou diminuições sensíveis, perto de 50%, neste período de isolamento.

Segundo o Relatório de Emissões Veiculares da CETESB, o Estado de São Paulo detém cerca de 40% da frota automotiva do país e chega a emitir, em um ano, mais de 400 toneladas de CO2. Um cálculo simples pode nos ajudar a entender o impacto de um único veículo a menos nas ruas.

Imagine que uma pessoa vá trabalhar usando seu veículo próprio todos os dias, e que a distância média entre o trabalho e sua casa é de 10 Km, portanto em ida e volta, serão 20 Km por dia. Considerando que esta pessoa trabalhe 22 dias uteis por mês, utilizando um veículo básico, flex 1.0, ela emitira 0,43 toneladas de CO2 (dióxido de carbono) por mês. Para compensar esta emissão seriam necessárias aproximadamente 3 árvores.

Ilhas de calor

Por sua vez, a queda na taxa de poluição, além de melhorar a qualidade do ar, também diminui a formação de ilhas de calor, fenômenos climáticos que ocorrem principalmente nas cidades com elevado grau de urbanização e se caracterizam por apresentar uma temperatura média mais elevada do que nas regiões rurais próximas.

A formação e presença de ilhas de calor no mundo são negativas para o meio ambiente, pois favorecem a intensificação do aquecimento global, e faz com que a umidade relativa do ar fique baixa nestas áreas.

A cidade de São Paulo também costuma sofrer muito com esse fenômeno, por sua grande concentração de asfalto (ruas, avenidas) e concreto (prédios, casas e outras construções), além do alto nível de poluição já comentado.

O que a quarentena nos deixa de lição?

Nesse período, percebemos que muito paradigmas e pré-conceitos quanto ao trabalho remoto foram desmistificados. As pessoas, e as empresas, perceberam que o que antes parecia improvável, e talvez impossível, tornou-se, por obrigação, possível e viável. Talvez esse seja um caminho sem volta.

Manter o trabalho remoto para as atividades que se mostraram viáveis durante o isolamento pode gerar ganhos mútuos para as empresas e colaboradores.

Podendo dispor de menos espaços físicos para alocar pessoas, horários mais flexíveis e uma infraestrutura mais simples e econômica, a empresa conseguirá gerar ganhos de produtividade e redução de custos e despesas. Para o indivíduo, passar um tempo muito menor no deslocamento, organizando melhor sua rotina de trabalho, é uma vantagem significativa.

E também há ganhos para as cidades: com uma ampliação desta modalidade de trabalho, as vias ficam mais liberadas (gerando redução de emissões de poluentes e economia no consumo de combustíveis) e a demanda pelo transporte público é reduzida (gerando uma oferta mais eficiente e racional). Ou seja, pontos importantes que não podem ser negligenciados.

* Rafael Castelo é professor do departamento de Engenharia Civil do Centro Universitário FEI.

Para conhecer mais sobre as iniciativas do Centro Universitário FEI no combate ao COVID-19 acesse www.fei.edu.br /coronavirus ou siga a Instituição nas redes sociais em fei.edu.br/redes.

Em um ano, Bolsonaro destruiu a imagem do Brasil de respeito ao meio ambiente

Investidores estrangeiros, consumidores ao redor do mundo dos produtos brasileiros e organizações de defesa do meio ambiente vem avisando o governo do Bolsonaro que o bicho vai pegar se nada for feito em defesa da Floresta Amazônica

fogo(Foto: Getty Images – Carl de Souza)

Por Carlos Wagner

O prejuízo é incalculável. Nos últimos quarenta anos, os brasileiros gastaram muito dinheiro e tempo, enfrentando dificuldades, para provar aos consumidores dos nossos produtos ao redor do mundo que o país respeitava o meio ambiente, em especial a Floresta Amazônica. A tal ponto que as leis ambientais brasileiras estão entre as mais perfeitas da Terra. Muita gente pagou com a vida. Conheci e trabalhei no caso de uma dessas vidas perdidas nos conflitos pelo meio ambiente: Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes. Às vésperas do Natal de 1988, ele foi alvejado e morto a tiros no pátio da sua casa, um modesto chalé em Xapuri (AC), por Darci Alves, que agiu a mando do pai, o fazendeiro Darly Alves e Silva. Chico Mendes chamou a atenção do mundo para a devastação da Floresta Amazônica. Assim como o agrônomo, pesquisador e ecologista José Lutzenberger (falecido em 2002) alertou sobre o uso indiscriminado de venenos agrícolas no Brasil, em especial nas lavouras de soja do Rio Grande do Sul.

O legado de Chico Mendes e Lutzenberger lançou as bases sobre as quais foram construídas as leis ambientais do Brasil. Nas viagens que fiz pelos confins do Mato Grosso, Pará, Amazonas, Rondônia e Roraima, realizando reportagens sobre conflitos de índios, garimpeiros e madeireiros, encontrei gente de vários cantos do mundo trabalhando ombro a ombro com os brasileiros na preservação do meio ambiente. Certa vez, conheci um jovem casal de ingleses no interior do Acre, na fronteira com o Peru. Lembro-me que era uma noite muito quente e que ficamos bebendo cerveja e conversando sobre a visão deles a respeito do que estavam vivendo. Eu assisti e documentei em reportagens o nascimento do agronegócio no Brasil. Ao contrário da ideia geral de que consistem apenas de plantadores de grãos – soja e milho -, os pequenos e médios agricultores brasileiros produzem suínos, frangos, leite e muitos outros produtos. Por que? Porque eles são os principais fornecedores de uma vasta rede de agroindústrias que geram alguns milhões de empregos pelo interior do país.

Todos os mercados consumidores de produtos de origem animal e vegetal que o Brasil tem hoje ao redor do mundo foram duramente conquistados. O grande diferencial dos nossos produtos era a grife que o país tinha de respeitar o meio ambiente. Já escrevi sobre isso. Em 31 de agosto do ano passado, fiz o post “É conversa para boi dormir o decreto de Bolsonaro que proibiu queimadas por 60 dias?” Por que volto a escrever sobre isso? Em 24 de janeiro, em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente do Banco Itaú Unibanco, Candido Bracher, falando sobre o que tinha visto e conversado durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, disse que a imagem do país perante seus colegas é a de que “o Brasil não é um país ambientalmente correto”.

Isso é mais do que um recado. É a confirmação que segue a deterioração da imagem do Brasil que começou com o incêndio criminoso da Floresta Amazônica no ano passado. Na ocasião, grandes fundos de pensão alertaram o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido-RJ) sobre a intenção de não associar seus investimentos ao que acontecia na Amazônia. Como se noticiou, em Davos a questão ambiental foi um dos assuntos principais entre os grandes investidores do mundo. Foi uma demonstração de ignorância sobre as questões ambientais a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que a pobreza é a responsável pela depredação do meio ambiente. De uma maneira educada, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos (1993 a 2001), Al Gore, explicou que Guedes simplificou exageradamente a sua manifestação. Ecologista, jornalista e político, Gore é autor do documentário Uma verdade inconveniente.

O governo Bolsonaro está brincando de roleta-russa com as questões ambientais do Brasil. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não é só desinformado sobre sua pasta: é arrogante. Aqui, quero conversar com meus colegas em início de profissão. Os empresários que apoiaram a eleição de Bolsonaro sabem que o “bicho vai pegar” e vão perder mercados internacionais se não for feito nada para melhorar a imagem do Brasil em questões do meio ambiente. Tanto que o governo anunciou, em 21 de janeiro, o Conselho da Amazônia, que será dirigido pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Li, ouvi e vi tudo que se falou sobre o assunto, inclusive entrevistas de Mourão. Tem de esperar para ver no que vai dar. Mas de uma coisa eu tenho certeza: o avanço dos madeireiros clandestinos e dos grileiros sobre a Floresta Amazônica vai continuar, porque eles se sentiram autorizados a fazer isso pelo conteúdo dos discursos e pronunciamentos do presidente. É só revisar o que Bolsonaro disse durante a campanha eleitoral e nos primeiros meses de mandato. Está tudo lá: eles levaram a sério. É simples assim.

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Este artigo foi originalmente publicado no blog “Histórias Mal Contadas” [Aqui! ].