O cinismo do discurso sobre o direito de “ir e vir”

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O inciso XV do artigo 5 da Constituição Federal Brasileira consagra que “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens“.  

Pois bem, essa cláusula constitucional foi usada ontem “ad nauseam” por jornalistas, empresários e políticos para criticar a realização da greve geral que ganhou manchetes mundiais, mas que aqui no Brasil teve uma cobertura jornalística restrita e tendenciosa.

Agora, vejamos, ao trabalhador brasileiro se quer garantir o direito de “ir e vir”, enquanto se cassam as suas garantias fundamentais de trabalhar com salários compatíveis e de se aposentar com dignidade? Sim, é isso mesmo!

A verdade é que toda essa conversa sobre direitos negados pela ação organizada da classe trabalhadora é só uma mera cortina de fumaça que é lançada para ocultar o que de fato está em jogo no Brasil. E o que está em jogo é o desmonte das garantias básicas que a Constituição Federal de 1988 possui, e que as elites oligárquicas deste país querem destruir para ficarem ainda mais podres de ricas, enquanto a maioria do nosso povo padece sob um regime de profunda exclusão social e econômica.

Então, que me desculpem os defensores desse direito de ir e vir que só servem para os ricos, a classe trabalhadora e a juventude brasileira têm a obrigação de reagir com as ferramentas que lhes estão à mão.

 

Versos íntimos de Augusto dos Anjos para Eike Batista

VERSOS ÍNTIMOS

Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

O poema acima foi escrito por Augusto dos Anjos e publicado em seu único livro no ano de 1912 me parece perfeito para descrever o momento por que passa o ex-bilionário Eike Batista e , por ora, fugitivo internacional.  

É que agora ele certamente sentirá o outro lado da moeda a que se referia Augusto dos Anjos em relação à dualidade que nos cerca na vida em termos de relações humanas, especialmente quando se trata de figuras que apenas se aproximam pela possibilidade da obtenção de vantagens. Nessas horas a bajulação é uma das ferramentas pelas quais vantagens são obtidas e concedidas, muitas vezes por cima das leis vigentes.

Mas abaixo seguem imagens que mostram que Eike Batista teve um trânsito largo com políticos no momento em que estava por cima da carne seca, e que ultrapassou os limites partidários. Eike Batista foi, por exemplo, um doador multipartidário de campanhas eleitorais, e agora parece ficar claro o porquê disso. 

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Mas que ninguém se engane, Eike Batista não virou o maior vendedor de ventos do planeta sem que tivesse ajuda generosa das elites políticas e econômicas do Brasil.

E que Eike não se engane, ele será negado mais que as 3 vezes que Pedro negou Jesus Cristo. É que na hora da desgraça, os bajuladores e amigos de ocasião são sempre os primeiros a desaparecer.

Finalmente, uma palavra para a mídia corporativa que agora espezinha Eike Batista: sem a ajuda dos barões da mídia, o fenômeno “X” nunca teria chegado onde chegou. Assim, principalmente graças à internet, será sempre possível acessar as capas e matérias grandiloquentes sobre as propaladas habilidades de Eike Batista que agora se sabe nunca passaram de uma excelente capacidade de jogar conversa fora.

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