O cinismo do discurso sobre o direito de “ir e vir”

greve 18

O inciso XV do artigo 5 da Constituição Federal Brasileira consagra que “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens“.  

Pois bem, essa cláusula constitucional foi usada ontem “ad nauseam” por jornalistas, empresários e políticos para criticar a realização da greve geral que ganhou manchetes mundiais, mas que aqui no Brasil teve uma cobertura jornalística restrita e tendenciosa.

Agora, vejamos, ao trabalhador brasileiro se quer garantir o direito de “ir e vir”, enquanto se cassam as suas garantias fundamentais de trabalhar com salários compatíveis e de se aposentar com dignidade? Sim, é isso mesmo!

A verdade é que toda essa conversa sobre direitos negados pela ação organizada da classe trabalhadora é só uma mera cortina de fumaça que é lançada para ocultar o que de fato está em jogo no Brasil. E o que está em jogo é o desmonte das garantias básicas que a Constituição Federal de 1988 possui, e que as elites oligárquicas deste país querem destruir para ficarem ainda mais podres de ricas, enquanto a maioria do nosso povo padece sob um regime de profunda exclusão social e econômica.

Então, que me desculpem os defensores desse direito de ir e vir que só servem para os ricos, a classe trabalhadora e a juventude brasileira têm a obrigação de reagir com as ferramentas que lhes estão à mão.

 

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