Um ocaso triste

Estou em Campos dos Goytacazes desde janeiro de 1998 e desde então assisti ao desaparecimento de vários jornais, incluindo “A Notícia”, “A Cidade”, “Monitor Campista” e “O Diário”.  Cada um deles teve um final mais ou menos melancólico, pois perderam espaço para novas formas de comunicação que emergiram com muita força a partir da construção da internet. Mas cada um desses jornais teve um ocaso mais ou menos honroso, sem que seus últimos suspiros fossem marcados pela disseminação de textos  escritor por personagens que neles depositam seus devaneios e frustrações mais profundas.

Mas como cada um tem o Iago  ou Juliana que faz por merecer, e há quem esteja preferindo ter um ocaso triste e marcado por um capítulo final que só reforça a necessidade de que um veículo que até já teve alguma capacidade de influenciar a opinião pública deixe de existir. 

Felizmente, tenho assistido à proliferação de outras formas de comunicação que trazem o necessário frescor e substituem o cheiro azedo de redações que se esvaziaram em função de sua própria insignificância. E para isso não há Feijoada que dê jeito.

Vida que segue.

Jair Bolsonaro aprofunda agonia da mídia corporativa ao dispensar publicação impressa de documentos oficiais

print electronic media

Já tem algum tempo que mídia corporativa brasileira vem vivendo uma lenta agonia por sua incapacidade aguda de se ajustar à emergência das mídias eletrônicas. Em função disso, muitos veículos tradicionais já desapareceram e outros tantos estavam vivendo um processo crônico de definhamento.  

Essa situação de agonia é mais explícita nas cidades do interior onde inexiste uma base ampla de leitores e assinantes, o que torna a manutenção de edições impressas quase que um desperdício de papel jornal, pois a maioria dos potenciais interessados já migrou para plataformas eletrônicas que são muito mais eficazes em obter informações e transmiti-las quase em tempo real.

Essa agonia toda tem feito que muitas sirenes tenha soando e resultando no que se convenciona chamar no meio jornalístico de “Passaralhos” com demissões de redações inteiras, as quais estão sendo substituídas por contribuições externas sob a forma dos manjados artigos de opinião, ou pela contratação de estagiários parcamente remunerados (muitos mal entrados nos cursos de comunicação).

Como aquilo que está ruim sempre pode piorar, o presidente Jair Bolsonaro resolveu extinguir uma das últimas fontes de renda da mídia corporativa ao desobrigar a publicação impressa de editais de concursos e licitações em jornais. 

Além de ser uma tremenda ingratidão de Jair Bolsonaro com um segmento empresarial que lhe foi muito útil na caminhada para a presidência, essa desobrigação deverá causar o fechamento de muitos veículos tradicionais e outros nem tradicionais assim.

Mas, convenhamos, os principais afetados por essa transição toda serão os vendedores de frutas e hortaliças que ainda utilizam folhas velhas de jornais para embrulhar seus produtos.  É que não há sequer vácuo a ser preenchido em função da transição quase completa para as mídias eletrônicas. É que se pode repetir o velho adágio de que “o rei está morto. Longa vida ao rei”.

E vida que segue!