Mineração: mais para praga do que para benção

mineração

A condição de colônia portuguesa por mais de 300 anos deu ao Brasil um legado de exploração que tem na mineração uma das facetas mais persistentes (a outra notável é a forte concentração da propriedade da terra) de sua formação econômico enquanto Estado independente.  Um aspecto que cerca a mineração é que, apesar de todos os danos socioambientais que a acompanham, ela é normalmente vendida como dádiva econômica, já que nosso país possui grandes reservas de vários minérios estratégicos para o desenvolvimento mundial.

Em função disso, os eventuais questionamentos que são feitos sobre a propensão das atividades mineradoras de causarem menos benefícios do que seus empreendedores anunciam são normalmente rejeitadas como coisa de “ambientalista” ou de anti-desenvolvimentistas.  E para que essa visão se perpetua, as mineradoras realizam um forte lobby na mídia e no congresso nacional para que sejamos convencidos de que mineração é uma benção.

Felizmente, há um crescente corpo de literatura que mostra a outra face da mineração a partir de estudos realizados sobre os efeitos da mineração e de seus grandes projetos. Assim, graças a um dos estudantes que compõe o meu grupo de pesquisa à obra da autoria de Tádzio Peters Coelho, que aparece abaixo, e que aborda os efeitos da implantação do projeto “Grande Carajás” no estado do Pará.

carajas 1

Selecionei duas tabelas de um dos capítulos em que o livro foi dividido, as quais considero bastante didáticas para que possamos entender o balanço que deve ser feito de um dos maiores projetos de mineração ainda em realização no Brasil.

carajas 2
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O que essas tabelas mostram de forma é que não apenas existem uma série de impactos intrínsecos ao processo de mineração, mas como também os efeitos negativos são bastante numerosos e complexo que acompanham esta atividade. E, pior, se considerarmos o que há de positivo poderemos notar que se reduzem a benefícios fiscais que não levam em conta a necessidade de se reparar e compensar os danos causados pela mineração.

Aliás, quem já visitou áreas sob efeito da mineração verá logo que o caos socioambiental que a atividade gera implica também numa forte implicação no aumento da concentração da riqueza. Só isso me basta para apontar que a mineração está muito mais para praga do que para a benção que as mineradoras e seus áulicos tentam nos empurrar.

Vídeos e apresentações do Seminário Mineração na América Latina

MINERODUTO

Por Gesta UFMG

Cada vídeo e a apresentação(pdf) do seminário está disponível abaixo em seu respectivo link, em azul.

Conferência de Abertura Extrativismos: Conceito, tendências e efeitos derrame

Eduardo Gudynas (Centro Latino Americano de Ecologia Social, CLAES – Uruguai)

Apresentação em pdf: Eduardo Gudynas

Mesa 1  –  Mineração e Lutas territoriais: Colômbia, Chile e Brasil (PA e MG) 

Parte 1 e Parte 2

Coordenador: Rômulo Barbosa (NIISA-UNIMONTES)
Expositores: Edna Castro (NAEA – UFPA), Júlio Fierro (Grupo de Investigación en Geología Ambiental – Colômbia), Paola Bolados García (Instituto de Historia
y Ciencias Sociales de la Universidad de Valparaíso, Chile), Maria Teresa Viana de Freitas Corujo (Movimento pelas Serras e Águas de Minas).

Debatedor: Klemens Laschefski (GESTA-UFMG)

Apresentações em PDF:

Julio Fierro

MariaTeresa Viana

Mesa 2 – Mineração e Lutas territoriais: Argentina, Brasil (MG e ES) Arquivo Único
Coordenador: Klemens Laschefski (GESTA-UFMG)

Expositores: Andréa Zhouri (GESTA-UFMG), Lorena Boratto e Marian Sola Alvarez (Universidad Nacional de General Sarmiento, Argentina), Cristiana
Losekann (Organon/UFES), Patrícia Generoso (REAJA – Atingidos pelo empreendimento Minas-Rio; Articulação da Bacia do Santo Antônio); Noêmia
Magalhães (Liderança vinculada a ASPRIM/atingida do empreendimento Minas-Rio/Porto do Açu).
Debatedor:  Bruno Milanez (PoEMAS-UFJF)

Apresentações em PDF:

Andréa Zhouri

Lorena Bottaro e Marina Sola Alvarez

Cristiane Losekann

Patrícia Generoso

Mesa 3 – Mineração e Lutas territoriais: Bolívia, Chile, Brasil (Maranhão)

Parte 1 e Parte 2

Coordenador: Eder Jurandir Carneiro (NINJA-UFSJ)

Expositores: Horácio Antunes (GEDMMA-UFMA), Marco Antonio Gandarilas (Centro de Documentación e Información Bolivia); Hugo Romero (Facultad de Ciencias Sociales e Historia, Universidad Diego Portales – Chile), Bruno Milanez (PoEMAS-UFJF), Roseane Mendes Cardoso (Movimento de Atingidos pela Mineração e da Rede Justiça nos Trilhos) e Maria Júlia Gomes Andrade (Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração)

Debatedora: Edna Castro (NAEA – UFPA)

Apresentações em PDF:

Hugo Romero

Bruno Milanez

FONTE: http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/noticias/video-e-apresentacoes-do-seminario-mineracao-na-america-latina/

Brasil made in China: Neodesenvolvimentismo extrativista

Garimpo-Oldair-Lamarque-Agência-Publica

Por Verena Glass*

“Com tiros de arcabuz, golpes de espada e sopros de peste” – assim os conquistadores espanhóis avançaram sobre o território asteca no início do século XVI. “Como porcos famintos que anseiam pelo ouro”, foi como descreveu, em 1971, o escritor uruguaio Eduardo Galeano o processo que poderia ser considerado, com a devida relativização, o primórdio da sanha megaextrativista na América Latina.

‘As veias abertas da América Latina, obra que fez de Galeano um dos mais admirados autores de esquerda do nosso tempo, buscou retratar, de maneira contundente, os processos de “cinco séculos de pilhagem” do continente americano. Escrito em um período no qual boa parte dos Estados sul-americanos se encontrava sob regimes militares – que, novamente com a devida relativização, guardavam semelhanças com o conquistador Hernán Cortez no que tange metas e métodos na exploração e dominação das populações, dos territórios e seus bens naturais –, o livro foi proscrito em países como Brasil, Chile, Argentina e Uruguai nos anos seguintes à sua publicação; o que, obviamente, só fez crescer a sua influência no arcabouço analítico das esquerdas sobre a região, “especializada em perder”, como a definiu o escritor uruguaio.

Passados mais de 40 anos do lançamento de As veias abertas, é preciso reconhecer que o mundo mudou. Caíram os regimes totalitários, Estados Unidos e Europa passaram por reconfigurações no tocante a métodos e capacidades de mobilidade no tabuleiro geopolítico da região, a América do Sul se reinventou em processos sociopolíticos progressistas que impactaram o mundo e o Sul global deixou de esquentar o banco dos reservas, abandonou o posto de gandula e passou a jogar e apitar seu próprio jogo em seus próprios campos.

É neste contexto que surge o presente livro. Quando, na virada deste século, as forças progressistas foram paulatinamente ganhando espaço na América do Sul – processo acompanhado pela inclusão, no reordenamento das relações multilaterais, de uma nova estratégia de aprofundamento de relações Sul-Sul –, foi se materializando enquanto realidade cada vez mais presente um novo playerdo capitalismo do século XXI em nossa região: uma potência chamada China, que vende quase tudo que você usa e compra uma boa parte do que é produzido nos monocultivos, nas minas e nos poços de petróleo do país.

A bem da verdade, como se verificará na leitura deste livro, as relações dos países latino-americanos – e, em especial, o Brasil – com a China não são tão recentes. Mas, como é pontuado aqui, a percepção de que “o mundo é made in China” tem se imiscuído no cotidiano de um espectro cada vez mais amplo de pessoas, e de forma cada vez mais aguda. Do sojicultor à vendedora de batom, do camelô aos presidentes de grandes empreiteiras, da garotada ávida por tecnologia ao indígena espoliado por projeto barrageiro na Amazônia, todos comungam da presença chinesa em suas vidas, para o bem ou para o mal.

Para o leitor que baliza sua medida de aprovação das políticas de desenvolvimento nos preceitos da economia, a atuação da China na América Latina e no Brasil, detalhada neste livro, certamente merecerá calorosos aplausos. Como principais compradores de commodities e bens naturais da região, os chineses têm adotado, em troca, um crescente protagonismo nos investimentos em infraestrutura e demais facilitadores do processo produtivo (numa relação win-win bastante bem-vista pelo mercado). Com a vantagem adicional de que, diferentemente de Cortez e seus “tiros de arcabuz” (ou dos EUA e seus marines), a China é (por enquanto) declaradamente pacifista e se ocupa dos territórios exclusivamente através de acordos comerciais, mercados ávidos e investimentos vultosos.

Esta mesma sanha consumista de mercadorias primárias da nossa região e o concomitante empenho em fomentar nos territórios latino-americano e brasileiro mecanismos de barateamento dos custos das respectivas cadeias produtivas, porém, assumem contornos bem menos atraentes se vistos pelo prisma dos direitos humanos e da natureza, das populações tradicionais e dos indígenas, das soberanias alimentar e energética, da preservação ambiental e da biodiversidade e, principalmente, das resistências ao aniquilamento das diversidades em nome do que se achou por bem chamar de progresso e crescimento.

O neodesenvolvimentismo, adotado em larga medida pelos governos sul-americanos (dos mais aos menos progressistas), tem embasado, nas últimas décadas, os discursos e as políticas que transitam da singular “aceleração do crescimento” à promoção e sustentação de programas sociais e de combate à pobreza (em boa medida via rentismos). Marcadamente neoextrativo, teve o mérito de, paulatinamente, suprimir do consciente coletivo progressista o paradoxo que é a promoção de “bem-estar” via exploração predatória bens naturais.

Mas o que realmente promete este “progressismo de resultados”? O ideário progressista-desenvolvimentista – que em grande medida logrou a diminuição de desigualdades e da pobreza, mas não foi capaz de operar as transformações estruturais no cerne político, social e econômico do poder – vem abandonando os “envoltórios sociais” de seus projetos de crescimento econômico, e o que tem emergido de forma nua e crua são as estruturas das cadeias produtivas da extração de bens primários (incluindo aí a terra e a água usadas na produção agropecuária extensiva), numa lógica made in Chinade busca por eficiência.

É o que evidencia o debate a partir do capítulo “China na Amazônia” desta publicação. Descrito em minúcias, o projeto de intervenção produtiva do governo brasileiro na Amazônia, em boa parte impulsionado pelas demandas chinesas por maior eficácia nos processos produtivos e de escoamento de grãos, minérios, madeira e petróleo, inclui estradas, hidrovias, hidrelétricas e linhas de transmissão que rasgam e violam sem pruridos alguns dos territórios mais ricos do país em biodiversidade e mais frágeis em proteção às suas populações nativas.

O estilo veni, vidi, vici adotado pelo governo na implantação de projetos como as hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio, no rio Madeira (RO), Belo Monte, no rio Xingu (PA), São Manuel, no rio Teles Pires (MT) e agora São Luiz do Tapajós, em gestação no rio Tapajós (PA), evidenciam um fator preocupante: estes, como todos os demais projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) em andamento na região, já foram alvo de protestos, revoltas ou ocupações. Todos acumulam um sem número de ações judiciais, todos se transformaram em vetores de conflito, e nenhum cumpriu as condicionantes sociais e ambientais obrigatórias dos processos de licenciamento.

Esse desenvolvimentismo “conquistador” vem impregnado de uma ameaça grave ao Estado de Direito, à medida que sua capacidade de avanço depende, cada vez mais, do atropelo das legislações sociais, ambientais e (inclusive) econômicas – ou, mais além, da inobservância intencional de preceitos constitucionais. Cada vez mais autorreferendados, os representantes dos chamados setores produtivos em todas as esferas de poder (inclusive no Judiciário) têm adotado uma ousadia crescente nos ataques ao que consideram entraves e obstáculos à expansão e segurança de seus investimentos, fazendo com que cada vez mais a Constituição seja incapaz de garantir proteção às vítimas desse processo.

O retrocesso ético que tem marcado as políticas desenvolvimentistas de vários governos progressistas vem acompanhado de outro elemento que remete aos tempos – os históricos da narrativa e o cronológico da publicação – de As veias abertas: a violência do Estado contra os “retardatários do progresso”, numa reprodução profundamente colonial da supremacia da “urbanidade moderna” sobre os “territórios serviçais”. Ou seja, a priorização absoluta das necessidades intrínsecas ao urbano – energia, matérias primas, proteína, etc. -, que é também a força motriz e o horizonte do desenvolvimento chinês, que se dá com o sacrifício daqueles que “não cabem mais neste tempo”; porque não se inserem nas cadeias de consumo, não se inserem na matriz produtiva, não servem ao capital e insistem em ocupar territórios riquíssimos com o singular propósito de neles viver.

É importante salientar que, quando se fala em violência de Estado, não é apenas a psicológica, política e jurídica que está sobre a mesa, mas a física, com uso de armas e incursão de forças policiais e militares contra as insurgências sociais. Não à toa, o governo brasileiro criou sua própria força militar – a Força Nacional de Segurança –, que, com a Polícia Federal, tem assumido os processos repressivos contra indígenas, camponeses e trabalhadores descontentes para garantir os interesses público-privados do capital público-privado, sob um discurso não de repressão, mas de proteção e segurança. Mais além, esse mesmo discurso transforma em interesse nacional os investimentos do capital privado, e em ameaças à soberania e à segurança do país quaisquer movimentos de resistência (inclusive os advindos do Ministério Público em forma de ações judiciais que questionam violações legais e/ou constitucionais).

Ora, se é esse o pacote que acompanha a “dimensão incontornável nas reconfigurações civilizatórias em curso, que estão redefinindo em grandes linhas os fluxos de matéria e energia no planeta e o metabolismo do capitalismo no século XXI”, como é descrito neste livro o advento da nova era made in China, não é abusivo questionar até que ponto o jogo no campo Sul-Sul não segue as mesmas regras do modelo hegemônico do Norte. Até que ponto a aposta em uma força contra-hegemônica como os BRICS, por exemplo, não reproduz a mesma relação de subordinação colonizada das populações que historicamente foram vitimadas sob a dominação do capitalismo euro-americano? Para o camponês ou a comunidade indígena, faz alguma diferença se o agrotóxico que os contamina é americano ou chinês? Se a mineradora é canadense ou chinesa? Se a soja que ocupa seus territórios alimentará suínos na Espanha ou chineses na China? Como justificar que “o ‘sonho chinês’ materializa pesadelos desenvolvimentistas em escalas inéditas”, como aponta esta publicação?

Essas são algumas das reflexões que o livro apresenta a seus leitores, a partir da dissecação do papel da China em nosso país e em nossas vidas. Provavelmente haverá momentos em que o leitor pensará consigo mesmo que, dada a voracidade dos mercados internacionais e o mata-mata no ringue global do capitalismo, na falta de para onde correr até que o emaranhamento inexorável de Brasil e China não é assim tão mal. Afinal, trata-se de uma relação de mútuo benefício.

Será mesmo? De fato, o olhar atento captará, inclusive nas linhas que relatam as vantagens econômicas de uma determinada fatia da sociedade brasileira nas relações com a China, que este livro é uma convocação urgente para o questionamento dos rumos que o Brasil vem trilhando. Apenas garantir o ter (como tem buscado o governo com suas políticas de facilitação de acesso ao consumo), sem garantir a liberdade plena de ser, não é o bastante.

Muito já se falou em estabelecer limites ao desenvolvimento. Muito já se lutou pela garantia dos direitos da parcela da população mais frágil de nosso país. Muito já se criou, em termos de alternativas, para provar que a premissa de que “não há outro jeito” é falaciosa. Então como é possível que as lutas por avanços das conquistas sociais e que as bandeiras reivindicatórias pela multiplicação de diversidades venham sendo suplantadas e substituídas pela urgência agônica das resistências contra os retrocessos que ameaçam o que já havia sido garantido? Quanto do esbulho da América Latina relatado em As veias abertas não tem sido reproduzido (de forma repaginada ou ipsis litteris) sob olhares condescendentes e/ou coniventes dos discípulos do neodesenvolvimentismo?

Em sua trajetória no Brasil, no Cone Sul, na América Andina e na América Central, a Fundação Rosa Luxemburgo tem buscado entender, introjetar, apoiar, instrumentalizar e difundir processos emancipatórios que rompam com o modorrento pensamento único imposto por um tradicionalismo colonialista transvestido de urgência da modernidade. Este livro é, assim, mais uma pequena contribuição para o debate sobre o que fomos, o que estamos e o que seremos – ou podemos ser.

* Verena Glass é coordenadora de projetos na Fundação Rosa Luxemburgo. Este texto é o prefácio do livro O Brasil made in China

Foto: Oldair Lamarque, Agência Pública

FONTE: http://rosaluxspba.org/o-brasil-made-in-china-2/

Minério: guerra se anuncia

Um sinal de alerta para o Pará se acendeu diante da estratégia da Vale de aumentar ainda mais o já abusivo volume de produção de minério de ferro em Carajás.

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Por Lúcio Flávio Pinto, Em seu blog

Um sinal de alerta para o Pará se acendeu diante da estratégia da Vale de aumentar ainda mais o já abusivo volume de produção de minério de ferro em Carajás.

A estratégia da Vale é de aumentar ainda mais o volume de produção de minério de ferro em Carajás. É a estratégia da mineradora para derrubar concorrentes menos afortunados pela sorte de dispor de uma jazida tão rica e explorá-la com custos menores, e, a médio e longo prazo, conseguir a recuperação dos preços do produto, sobretudo junto ao seu principal cliente, a China.

Movimento também seguido pelos seus principais concorrentes, justamente os maiores produtores de ferro de custo inferior, que se armam para enfrentar uma competição selvagem, que interessa diretamente ao Pará, maior exportador para a China e segundo maior produtor do minério no Brasil.

Andy Xie, antigo economista-chefe do Morgan Stanley, hoje consultor independente, garante que a queda nos preços do minério ainda não terminou, podendo chegar na faixa de 30 dólares a tonelada neste ano, porque a demanda por aço na China prossegue em baixa, enquanto a oferta continua crescendo.

Com a intensa especulação desencadeada pela queda do mercado de ações na China, provocando a suspeita do início de uma bolha, o preço do minério de ferro sofreu 10 dias seguidos em queda, atingindo no dia 8 a maior baixa diária desde 2009. Com as medidas adotadas pelo governo chinês para segurar as bolsas, o minério de ferro teve alta de 9,9%, a maior diária em seis anos, e fechou em US$ 48,99.

“Olhe para a Austrália, onde novos projetos estão por vir. Olhe para tudo isso que está aí, para BHP, Rio Tinto, Vale. Eles não vão cortar a produção, porque não faz sentido. Por que você cortaria a produção e deixaria os produtores de alto custo voltarem ao mercado?”, disse Xie à agência de notícias.

Em fevereiro, o economista disse que o minério de ferro cairia abaixo de US$ 40 a tonelada, devido à expansão da oferta de baixo custo e ao encolhimento da demanda. Xie, que também trabalhou no Banco Mundial e negociou por mais de 20 anos na China, disse na semana passada que permanece com a mesma perspectiva de queda nos preços.

A previsão do economista para o crescimento da oferta se confirma com as projeções da Austrália. Os embarques do país, que é o principal exportador de minério, vão aumentar 10% no ano que vem, mais do que o dobro do ritmo previsto para 2015, segundo dados do governo australiano, informou a Bloomberg.

“No longo prazo, nós precisamos apenas dos grandes produtores de baixo custo. Todos esses produtores marginais que apareceram por causa dos preços altos precisam desaparecer”, afirmou o economista. Se suas previsões continuarem a se realizar, será uma perspectiva favorável para a Vale. Mas nem tanto para o Pará, que não terá rendimento proporcional ao da empresa.

Alíquota do imposto

Há dois anos o projeto do novo Código de Mineração está paralisado na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, em Brasília. Seu relator, o deputado Leonardo Quintão (do PMDB de Minas Gerais), acha que pode colocá-lo para votação com a inclusão no texto de quatro variações de alíquotas.

Quando o minério ficar abaixo de 60 dólares a tonelada (como está agora), as empresas pagariam 1% do faturamento bruto com a exploração. A alíquota subiria para 2% quando a tonelada do ferro ficasse entre US$ 60 e US$ 80, e 3% de US$ 80 a US$ 100. Ela atingiria 4% apenas quando o preço ultrapassar a barreira de US$ 100 a tonelada.

O deputado espera poder pautar a votação do projeto até o próximo mês. Entretanto, seu texto ainda não foi apresentado à comissão especial que analisa o tema.

FONTE: http://www.mst.org.br/2015/07/15/minerio-guerra-se-anuncia.html

Organizações e Movimentos Sociais realizam seminário sobre mineração no Norte de Minas

Contra o autoritarismo das mineradoras, pela soberania socioambiental Brasileira

MINERAÇÃO MG

Organizações e Movimentos Sociais realizam seminário sobre empreendimentos de mineração no Norte de Minas

Uma nova ameaça aflige o Norte de Minas. Os empreendimentos de mineração estão sendo implantados na região sem nenhum plano ambiental de recuperação das áreas degradadas, sem estudos claros sobre como os empreendimentos podem afetar as águas e o abastecimento das populações do campo e da cidade. Em uma região que historicamente sofre com problemas hídricos de escassez e racionalização, é viável a implantação de um mineroduto que utilizará um volume de água maior que o total utilizado por toda a cidade de Montes Claros. O contexto de implantação desses empreendimentos na região é extremamente nebuloso, em um momento em que financiamentos privados a campanhas eleitorais são usados como moeda de troca de favores, precisamos questionar porque as licenças ambientais foram concedidas sem estudos claros de impacto ambiental, e mais, porque não houve processos de consultas públicas?

Para discutir essas e outras questões as seguintes organizações sociais: Comissão Pastoral da Terra – CPT, Articulação do Semiárido Mineiro – ASA Minas, Centro de Estudos e Ação Social – CEAS da Bahia, Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas – CAA/NM,  Sindicatos de Trabalhadores Rurais e o Movimento dos Atingidos por Mineração – MAM se reuniram e discutiram uma série de alternativas para o modelo autoritário de implantação dos projetos de mineração no Norte de Minas. Dentre as alternativas foram levantadas as seguintes proposições:

  • Classificação de áreas livres de mineração: Não se deve minerar perto de barragens que abastecem cidades, em balneários e lugares que possuem patrimônio histórico-cultural/arqueológico, ou seja, é preciso uma classificação das áreas de mineração de forma a evitar maiores danos ambientais.  
  • Ritmos de mineração: a exploração não pode ser feita de qualquer maneira, pois as reservas minerais são finitas e o impacto ambiental da mineração em larga escala é irreversível. Só será possível existir soberania nacional no desenvolvimento minerário quando os empreendimentos forem construídos de forma a respeitar os povos, as águas e o desenvolvimento sustentável.
  • Assegurar direitos trabalhistas: o histórico de violação dos direitos trabalhistas e acidentes em áreas de mineração é muito alto, por esse motivo é preciso traças estratégias que protejam a integridade física e social dos trabalhadores.
  • Áreas indígenas: o Brasil é signatário da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho que trata especificamente dos direitos dos povos indígenas e tribais no mundo. O Estado Brasileiro precisa respeitar essa convenção, as licenças de exploração das minas devem observar o respeito, a preservação e os direitos dos povos indígenas.
  • Democracia e transparência: os processos de licenciamento não são transparentes e os agentes do governo envolvidos, geralmente tiveram suas campanhas financiadas por empresas de mineração, gerando conflito de interesses. É fundamental garantir a participação de agentes idôneos durante os processos de fiscalização, averiguação e estudo dos impactos ambientais. Acima de tudo é preciso, que os pareceres sejam respeitados e transparentes para que a sociedade civil tenha conhecimento real das condições de operação dos empreendimentos.
  • Direito de consulta e veto das comunidades – audiências públicas: as comunidades atingidas diretamente pela mineração, e as do entorno, devem ter direito de consulta e veto sobre o empreendimento.  Faz-se importante a realização de audiências públicas em que o direito de fala dos empreendimentos e das comunidades seja igual.
  • Plano de Fechamento das Minas: após a finalização das atividades é preciso que exista um plano que as empresas cumpram para garantir a recuperação ambiental.

Os debates sobre os empreendimentos minerários no Norte de Minas Gerais evidenciaram que projetos de mineração não podem ser desenvolvidos de forma tão autoritária e sem controle. Priorizar o diálogo com a sociedade civil é fundamental para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática. E o Estado tem um papel a cumprir nessa construção, que é o de assegurar os direitos sócio-políticos dos povos. 

FONTE: http://www.caa.org.br/biblioteca/noticia/organizacoes-e-movimentos-sociais-realizam-seminario-sobre-empreendimentos-de-mineracao-no-norte-de-minas/

Mineração é a grande vilã do consumo de água na Grande Belo Horizonte, aponta especialista

Setor é responsável, juntamente com a indústria, por um dos maiores consumos na Grande BH, mas até agora nenhuma medida foi tomada pelo governo para frear o gasto desses segmentos da economia

Por Thaís Mota – Minas Livre

Foto: Vale/Divulgação

 Em meio a uma crise hídrica sem precedentes, os mineiros estão sendo solicitados a economizar até 30% de água. Além disso, o Governo do Estado estuda a possibilidade de adotar medidas mais enérgicas de contenção do consumo, como o racionamento ou a aplicação de multas e sobretaxas aos consumidores que extrapolarem a média registrada no ano anterior.

No entanto, as medidas são veementemente criticadas pelo engenheiro civil e sanitarista e ex-secretário executivo do Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do rio Paraopeba (Cibapar), Mauro da Costa Val, que garante que a fatura pela falta de água não pode ser paga pela população

“Discordo de se aumentar a tarifa para reduzir o consumo. O cidadão não tem nada a ver com essa crise, inclusive o uso dele é infinitamente menor”, afirma ao se referir ao consumo total dos setores de mineração, siderurgia, indústria e agroindústria. Ainda conforme ele, em volume de demanda, o segmento de saneamento vem depois de todos os outros citados anteriormente.

Em nota a Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente), responsável pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), confirmou que o volume de água do rio Paraopeba destinado ao abastecimento é menor que o destinado à indústria e mineração e à irrigação. Conforme dados do órgão, 42,85% da demanda hídrica do Paraopeba é o consumo humano enquanto 39,59% vem da indústria e mineração e 16,31% é utilizada para irrigar plantações.

Ainda conforme o engenheiro, o Estado emitiu várias outorgas a empresas mineradoras e siderúrgicas nos últimos anos para retirada de água da bacia do rio Paraopeba, um dos responsáveis pelo abastecimento na região metropolitana de Belo Horizonte e que pode entrar em colapso dentro de três meses.

“Há cerca de 30 ou 40 usuários, compostos por empresas de mineração e siderurgia, que consomem um volume muito grande de água do Paraopeba. Em somente uma delas, a retirada diária equivale ao volume de água necessário para abastecer uma cidade de 700 mil habitantes por dia. Ou seja, um usuário único consome o equivalente a um município e o cidadão comum, que gasta em média 120 litros de água por dia, é que vai ter que economizar?”.

Essas informações foram obtidas durante o período em que Costa Val permaneceu no Cibapar e constam em um estudo sobre a situação da bacia do Paraopeba, entregue ao governo do Estado na época. Ele sugere ainda que, diante da crise de falta de água pela qual passa o Estado, o Igam reúna os principais usuários, defina metas de reuso da água e também de redução da captação até que volte a chover no Estado.

“Outorga é isso. É um instrumento temporário e que é caracterizado pelo fato de o governo poder determinar mudanças em casos de escassez, sendo que nesses casos, a Política Nacional de Recursos Hídricos, define como prioritário o abastecimento público e a dessedentação animal”.

Por meio de nota, a Semad informou que nenhuma outorga foi revogada como medida para evitar o desabastecimento de água, como prevê o artigo 15 da Política Nacional de Recursos Hídricos. O órgão também não estabeleceu metas de economia para estes setores da economia e não informou o número de outorgas para uso de recursos hídricos concedidas no Estado.

FONTE: http://minaslivre.com.br/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=3006#.VNJv5Z3F9sh

A sede insaciável de água dos projetos de mineração

FECHE A TORNEIRA DA MINERAÇÃO!

O agronegócio, a mineração e a siderurgia são os maiores consumidores e os maiores poluidores de água do país.

Segundo a ANA – Agência Nacional de Águas, no ano de 2011, a mineração consumiu sozinha cerca de 5 quinquilhões de litros de água.

A mineração a céu aberto, modelo que se expande no Brasil, é extremamente danosa aos nossos recursos naturais. Para separar a terra do minério, são usados jatos de água com produtos químicos. O modelo leva a um gasto brutal da nossa água e à morte da terra local. É fundamental rever nossos parâmetros de desenvolvimento!

Foto: NINJA

FONTE: https://www.facebook.com/MarceloFreixoPsol/photos/a.869909146382676.1073741862.128416167198648/870598249647099/?type=1&theater

Livro sobre danos causados pela mineração no Brasil está disponível na internet

Estudo confirma impactos da mineração no Brasil

Divulgação
Mineração

Mineração: de acordo com o estudo, estão em funcionamento no país 3 mil minas e 9 mil mineradoras

Alana Gandra, da AGÊNCIA BRASIL

Rio de Janeiro – Durante os últimos três anos, pesquisadores do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação estudaram 105 territórios em 22 estados brasileiros que sofreram impactos da mineração e confirmaram que a extração de minerais é uma atividade “extremamente impactante nas regiões onde está instalada. Ela gera um conjunto de consequências ambientais e socioeconômicas”, de acordo com o pesquisador do Cetem, Francisco Rego Chaves Fernandes.

A pesquisa resultou no livro “Recursos Minerais e Comunidade: impactos humanos, socioambientais e econômicos”, que pode ser baixado na internet para consulta na página do Cetem (www.cetem.gov.br). Francisco Fernandes relatou que as consequências são verificáveis em termos de queixas das populações, danos à flora, à fauna e à água e poeira no ar.

Doutor em engenharia mineral, Fernandes explica que uma das questões ambientais mais complicadas nos territórios de mineração diz respeito à água, pois “o reuso da água ainda é um sonho e as práticas de sustentabilidade estão muito atrasadas”. Ele lembrou que o Brasil depende hoje de um modelo exportador que gera riqueza e reservas importantes para o país mas, ao mesmo tempo, os territórios acabam sendo fragmentados com isso.

“Há um conflito muito grande porque o país tem muitas áreas sensíveis, como as áreas indígenas, de populações tradicionais como os quilombolas e áreas de preservação ambiental, o que resulta em muitas queixas”.

Fernandes destacou o papel importante desempenhado pelo Ministério Público Federal (MPF), que tem exigido que as mineradoras se comportem o mais possível dentro de boas práticas sustentáveis. “Mas esse é um caminho muito longo. A impressão que dá é que somos muito permissivos com isso”.

Segundo ele, em muitos países, além de uma licença ambiental, se exige que a atividade mineradora negocie previamente uma licença social com a população do território onde pretende se instalar.

Há no Brasil, conforme Fernandes, “uma licença ambiental pouco fiscalizada e bastante frouxa e nenhuma licença social, e a mineração parece ter predominância sobre tudo e sobre todos”.

O resultado apresenta, de um lado, montanhas de dólares e de outro, cidades inchadas como Carajás, no Pará, principal empreendimento minerador brasileiro, que em dez anos viu a sua população crescer 300%, indicou. Em contrapartida, os serviços de infraestrutura, entre os quais se destaca o saneamento básico, são precários, afirma o pesquisador.

Um abuso detectado em territórios indígenas são os garimpeiros que entram para pegar ouro e diamantes e os assoreamentos provocados nos rios por materiais para uso imediato da construção civil. A produção é de baixíssimo teor de ouro, porque uma tonelada de terra tem apenas um grama de ouro. “Isso é feito com água, com produtos químicos”, segundo Fernandes.

De acordo com o estudo, estão em funcionamento no país 3 mil minas e 9 mil mineradoras, além de uma centena de garimpos legais e clandestinos.

O setor mineral emprega cerca de 200 mil trabalhadores e responde por 4% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma dos bens e serviços fabricados no país. Os investimentos programados pelo setor somam US$ 75 bilhões entre 2012 e 2016.

O estudo aponta que os estados com maiores problemas são Minas Gerais e Pará, “porque são os maiores estados produtores de substâncias minerais metálicas, como ouro, zinco, chumbo, minério de ferro, bauxita, que é o minério do alumínio, cujos problemas são mais complicados”.

Fernandes acredita que o estudo poderá servir de subsídio ao Congresso Nacional para a votação do marco mineral brasileiro: “É importante quando a gente mostra os impactos socioeconômicos da mineração”. Ele levanta questões como empobrecimento, aumento da prostituição e, em alguns casos, trabalho infantil em regiões mais longínquas, como Marabá (PA), onde crianças e jovens, na faixa de 12 a 14 anos, são colocados para trabalhar com carvão vegetal para produção de ferro gusa. Sem falar nos impactos ambientais, com destaque para poluição da água, assoreamento dos rios, desmatamento, erosão, mudança da paisagem do solo, danos à flora e à fauna.

Segundo o pesquisador, o estudo pode subsidiar também o MP, associações e movimentos sociais que tratam dessas questões, e caminhar para casos de sucesso, que seriam acordos entre mineradoras e comunidades afetadas para que a atividade fosse sustentável ou controlável.

Nesse sentido, salientou o acordo firmado entre a empresa Alcoa e a população ribeirinha do município de Juruti (PA), após intenso conflito. A mineradora investiu US$ 1 bilhão no empreendimento e a contrapartida para os moradores somou US$ 40 milhões, sob a forma de escolas, hospital e ações de empreendedorismo, que criaram uma economia local que gera renda e emprego na própria região.

Procurado para comentar o estudo, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), representante das empresas e instituições que atuam no setor, está em recesso a partir de hoje (22), até o dia 4 de janeiro de 2015.

FONTE: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/estudo-confirma-impactos-da-mineracao-no-brasil