Mais de 50 mil mortos pelo calor na Europa: a crise climática já está cobrando vidas, e o Brasil pode ser o próximo a pagar uma conta ainda maior

Pesquisa revela que o aquecimento global provocado pelas atividades humanas responde por aproximadamente dois terços das mortes associadas ao calor no verão europeu de 2026. Os resultados reforçam alertas já publicados no Blog do Pedlowski sobre a mortalidade invisível e a falta de preparação do Brasil para enfrentar temperaturas extremas

Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (23/10) pela London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), em parceria com o Imperial College London, apresenta números que deveriam provocar uma reação imediata dos governos de todo o planeta. Durante o verão europeu de 2026, mais de 50 mil pessoas teriam morrido em consequência do calor extremo em áreas urbanas, sendo que aproximadamente dois terços dessas mortes foram atribuídos ao aquecimento global provocado pelas atividades humanas. Estamos falando de mais de 33 mil mortes que, segundo as estimativas científicas, não teriam ocorrido nas mesmas condições em um planeta sem o aquecimento causado pela humanidade. 

O estudo, publicado na revista científica Nature Health, analisou 854 áreas urbanas distribuídas por 30 países europeus, abrangendo aproximadamente 40% da população desses países. O resultado é particularmente perturbador porque o verão de 2026 apresentou a maior mortalidade estimada relacionada ao calor desde 2000, superando amplamente os registros estimados para os verões de 2003 e 2022, quando aproximadamente 28 mil e 29 mil pessoas, respectivamente, morreram em consequência das temperaturas elevadas nas mesmas áreas analisadas.

Esses números não representam uma contagem direta de atestados de óbito, mas estimativas epidemiológicas construídas a partir da relação entre temperatura e mortalidade. Ainda assim, revelam uma realidade que se torna cada vez mais difícil de esconder: o aquecimento global deixou de ser uma ameaça projetada para as próximas décadas e já constitui um fator concreto de adoecimento e morte em larga escala.

A mortalidade invisível que já havíamos apontado

Os resultados europeus confirmam uma preocupação apresentada no Blog do Pedlowski em 4 de setembro, no texto intitulado “O calor mata mais do que mostram as estatísticas — e o Brasil precisa se preparar para o El Niño de 2026–2027″.

Naquela ocasião, destaquei uma investigação da National Public Radio (NPR), realizada em parceria com pesquisadores da Boston University, indicando que as mortes relacionadas ao calor nos Estados Unidos poderiam ser aproximadamente cinco vezes superiores aos números oficialmente registrados. O problema é que o calor frequentemente atua como fator desencadeador ou agravante de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais, sem aparecer nas declarações de óbito.

A nova pesquisa europeia reforça essa constatação. Ao recorrer a modelos epidemiológicos, os pesquisadores conseguem identificar uma parcela da mortalidade que permanece escondida nas estatísticas convencionais. É justamente essa invisibilidade que permite que governos continuem tratando ondas de calor como simples desconfortos meteorológicos, quando deveriam reconhecê-las como emergências de saúde pública.

Há aqui uma manifestação daquilo que o pesquisador Rob Nixon denominou violência lenta: processos de destruição que não necessariamente produzem imagens espetaculares, mas que acumulam vítimas de maneira progressiva, frequentemente longe da atenção da mídia e das prioridades dos governos.

O calor não escolhe suas vítimas de maneira socialmente neutra

Outro aspecto importante do estudo europeu é que a mortalidade não ficou restrita às regiões tradicionalmente mais quentes. Países do norte e do oeste europeu, historicamente acostumados a verões mais amenos, também registraram impactos expressivos. Somente nas 135 áreas urbanas analisadas no Reino Unido, os pesquisadores estimaram aproximadamente 4.500 mortes relacionadas ao calor.

Embora os idosos tenham sido os mais atingidos, aproximadamente 6 mil mortes estimadas ocorreram entre pessoas com menos de 65 anos. Isso demonstra que a exposição ao calor extremo não constitui um problema exclusivo do envelhecimento populacional.  Entretanto, existe uma dimensão que precisa ser incorporada à interpretação desses resultados: a capacidade de escapar do calor depende profundamente das condições materiais de existência.

Uma pessoa que vive em uma residência bem ventilada, arborizada e climatizada enfrenta riscos muito diferentes daqueles suportados por trabalhadores obrigados a permanecer ao ar livre ou por famílias que habitam casas pequenas, com coberturas que absorvem e retêm calor, em bairros com pouca vegetação.

Portanto, embora o aquecimento global afete o conjunto da sociedade, suas consequências são profundamente desiguais. A crise climática também é uma crise de classe, porque a exposição aos seus efeitos e a capacidade de proteção são distribuídas de maneira desigual.

E o Brasil, que se prepara para enfrentar um El Niño excepcional?

A divulgação desses resultados ocorre em um momento especialmente preocupante para o Brasil. Em setembro, publiquei no Blog do Pedlowski o texto “El Niño, 13 mil mortes e o silêncio da política brasileira diante da crise climática”, discutindo projeções internacionais que colocavam o Brasil entre os países potencialmente mais afetados pela mortalidade adicional associada ao calor durante o atual episódio de El Niño.

Mais recentemente, em 23 de outubro, voltei ao tema no texto “El Niño fora da escala: o planeta se prepara para um choque climático, mas quem vai pagar a conta?“.

O ponto central dessas análises é que o El Niño não atua isoladamente. Seus efeitos se manifestam sobre um planeta já aquecido pela emissão acumulada de gases de efeito estufa, principalmente aqueles associados à queima de combustíveis fósseis. Isso significa que alterações naturais da circulação atmosférica e oceânica podem produzir consequências mais severas em um sistema climático cuja temperatura média já foi significativamente elevada.

É importante observar que as projeções de mortalidade para o Brasil não constituem previsões de óbitos inevitáveis. São estimativas condicionadas a cenários climáticos e modelos de exposição. Mas justamente por isso deveriam servir para orientar políticas preventivas, e não para justificar a inação.  O que ocorreu na Europa durante o verão de 2026 oferece uma demonstração contundente de que mesmo sociedades com sistemas de saúde relativamente estruturados estão encontrando dificuldades para proteger suas populações contra temperaturas extremas. Se isso acontece no continente europeu, quais serão as consequências em um país marcado por profundas desigualdades habitacionais, precarização do trabalho e insuficiência de infraestrutura urbana?

Quando o calor chega às cidades brasileiras, a desigualdade amplia seus efeitos

Em cidades como Campos dos Goytacazes, onde o aumento das temperaturas se combina com a redução da cobertura vegetal em determinadas áreas, a impermeabilização do solo e a expansão de espaços construídos pouco adaptados às condições climáticas, os riscos não podem ser tratados como abstrações.

É necessário perguntar quantas escolas públicas possuem condições adequadas de ventilação, quantas unidades de saúde estão preparadas para atender a um aumento de casos associados ao estresse térmico e quantos trabalhadores precisam permanecer expostos ao sol durante os períodos mais quentes do dia. A ausência de respostas para essas perguntas demonstra que a vulnerabilidade climática não decorre apenas das condições atmosféricas. Ela também resulta de decisões políticas sobre planejamento urbano, habitação, serviços públicos e proteção social. 

Nesse sentido, os resultados europeus deveriam funcionar como um alerta para prefeitos, governadores e autoridades federais. Não basta emitir comunicados recomendando hidratação e evitar exposição ao sol. É preciso estabelecer sistemas de vigilância epidemiológica, protocolos de proteção para trabalhadores, planos de contingência para escolas e hospitais e investimentos em arborização, sombreamento e infraestrutura urbana.  Também será necessário enfrentar a questão estrutural que alimenta a crise: a continuidade de um modelo econômico fortemente dependente de combustíveis fósseis, cuja expansão frequentemente é apresentada como sinônimo de desenvolvimento, mesmo quando seus custos ambientais e sanitários são transferidos para a população.

A crise climática já tem um custo humano. A questão é quem continuará pagando

O aspecto mais inquietante da pesquisa divulgada pela LSHTM talvez seja sua demonstração de que aproximadamente dois terços das mortes estimadas durante o verão europeu de 2026 estão associados ao aquecimento provocado pelas atividades humanas. Trata-se de uma evidência científica de que decisões econômicas e políticas tomadas ao longo de décadas possuem consequências diretas sobre a sobrevivência das populações.

Não estamos diante de uma fatalidade natural inevitável. Estamos diante de riscos agravados por um modelo de desenvolvimento que continua elevando as emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo em que os investimentos necessários à proteção das populações permanecem insuficientes.

A Europa acaba de oferecer mais uma demonstração de que o calor extremo pode matar dezenas de milhares de pessoas em poucos meses. O Brasil, por sua vez, aproxima-se de um verão potencialmente agravado por um El Niño de intensidade excepcional.  A pergunta que precisa ser feita não é apenas quantos recordes de temperatura serão quebrados, mas quantas vidas poderiam ser preservadas caso os governos tratassem a emergência climática com a seriedade que ela exige.

Afinal, quando mais de 50 mil pessoas morrem em um único verão europeu em decorrência do calor, continuar tratando a crise climática como um problema secundário deixa de ser apenas um erro de avaliação. Passa a ser uma escolha política cujas consequências podem ser medidas em vidas humanas.

Em 13 anos, desastres naturais tiram mais de 49 mil anos de vida no RJ

Desastre em Petrópolis no ano de 2022 visto em sobrevoo de helicóptero

Entre 2010 e 2022, o estado do Rio de Janeiro registrou 752 desastres naturais — como chuvas intensas, deslizamentos, enchentes e alagamentos — que resultaram em 1.523 mortes e mais de 49 mil anos de vida perdidos. Os dados são de um estudo da Universidade Federal Fluminense, publicado nesta sexta (18) na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os autores destacam que os impactos foram especialmente severos para mulheres e moradores de cinco municípios: Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, Niterói e Rio de Janeiro.

O cálculo de “anos de vida perdidos” — uma métrica de saúde pública que estima o tempo de vida interrompido por mortes precoces — chegou a 49.031,76 anos. Mais da metade desse total (54,2%) corresponde a vítimas do sexo feminino, que também foram maioria entre os óbitos (50,1%). As mulheres, segundo os autores, estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos dos desastres, por fatores como menor renda, alto número de dependentes e menor acesso a infraestrutura básica.

A pesquisa combinou dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres da Defesa Civil com os registros do Sistema de Informações Hospitalares do SUS. Foram considerados eventos naturais extremos classificados como movimentos de massa, inundações, alagamentos e chuvas intensas. Os autores identificaram que apenas cinco dos 92 municípios fluminenses concentraram 79,3% das mortes, revelando áreas prioritárias para ações de prevenção e resposta.

Além das perdas humanas, os desastres causaram prejuízos materiais estimados em R$ 12 bilhões. A maior parte ocorreu em unidades habitacionais (R$ 7,7 bilhões) e em obras de infraestrutura urbana (R$ 4 bilhões), afetando diretamente o cotidiano da população e a prestação de serviços essenciais como saúde e educação.

A faixa etária mais atingida foi a de 15 a 59 anos — economicamente ativa —, o que amplia o impacto socioeconômico das perdas. Os autores alertam que a perda de anos de vida representa também perda de produtividade e renda para o país. “Mesmo utilizando dados do SUS, que podem não conter a totalidade dos óbitos atribuíveis aos eventos, os resultados foram elevados”, afirma a pesquisadora Roberta Fernanda da Paz de Souza Paiva, uma das autoras do estudo.

Segundo Paiva, a identificação de áreas e grupos mais vulneráveis é fundamental para a formulação de políticas públicas mais eficazes. “A população vem sentindo impactos de diversas dimensões, reduzindo seu bem-estar, e principalmente desses grupos”, conclui. 


Fonte: Agência Bori

Estudo da Lancet aponta que o número oficial de mortos em Gaza provavelmente está subestimado em 41%

gaza deathsUma mãe chora após seu filho ser morto por um ataque aéreo israelense em Deir al-Balah, Gaza, em 9 de janeiro de 2025. (Foto: Ali Jadallah/Anadolu via Getty Images)

Por Jake Johnson para “Common Dreams”

Uma análise revisada por pares publicada na The Lancet na quinta-feira descobriu que o número oficial de mortos em Gaza relatado pelo Ministério da Saúde do enclave entre 7 de outubro de 2023 e 30 de junho de 2024 foi provavelmente uma subcontagem de 41%, uma descoberta que ressalta a devastação causada pelo ataque de Israel ao território palestino e as dificuldades de coletar dados precisos em meio a bombardeios implacáveis.

Durante o período examinado pelo novo estudo, o Ministério da Saúde de Gaza (MoH) relatou que 37.877 pessoas foram mortas em ataques israelenses. Mas a análise da Lancet estima que o número de mortos durante esse período foi de 64.260, com mulheres, crianças e idosos respondendo por quase 60% das mortes para as quais os detalhes estavam disponíveis.

Essa contagem inclui apenas “mortes por ferimentos traumáticos”, deixando de fora mortes por fome, frio e doenças.

Para chegar à sua estimativa, os autores do novo estudo “compuseram três listas a partir de dados sucessivos coletados pelo Ministério da Saúde sobre necrotérios hospitalares, uma pesquisa on-line do Ministério da Saúde e obituários publicados em páginas públicas de mídia social” e “extraíram manualmente informações de plataformas de mídia social de código aberto, incluindo páginas específicas de obituários paraGaza Shaheed, mártires de Gaza, eO Centro de Informações Palestino criará nossa terceira lista de captura e recaptura.”

“Essas páginas são espaços de obituário amplamente usados, onde parentes e amigos informam suas redes sobre mortes, oferecem condolências e orações e homenageiam pessoas conhecidas como mártires (aqueles mortos na guerra)”, escrevem os autores. “As plataformas abrangem vários canais de mídia social, incluindo X (antigo Twitter), Instagram, Facebook, WhatsApp e Telegram. Durante todo o período do estudo, essas páginas foram atualizadas periodicamente e consistentemente, fornecendo uma fonte abrangente de informações sobre vítimas. Os obituários normalmente incluíam nomes, idade na morte e data e local da morte, e eram frequentemente acompanhados por fotografias e histórias pessoais. Traduzimos postagens em inglês para o árabe para corresponder nomes em listas e excluímos mortes atribuídas a ferimentos não traumáticos.”

O grupo de autores — que inclui acadêmicos do Reino Unido, Estados Unidos e Japão — disse que as descobertas “mostram uma taxa de mortalidade excepcionalmente alta na Faixa de Gaza durante o período estudado” e destacam “a necessidade urgente de intervenções para evitar mais perdas de vidas e esclarecer padrões importantes na condução da guerra”.

Estabelecer uma contagem precisa do número de pessoas mortas no ataque de 15 meses de Israel à Faixa de Gaza, que começou na esteira de um ataque mortal liderado pelo Hamas, foi extremamente difícil devido ao bombardeio incessante e à destruição da infraestrutura médica do enclave pelo exército israelense. Também há dezenas de milhares de pessoas que se acredita estarem desaparecidas sob as ruínas de casas e edifícios em Gaza.

O estudo da Lancet observa que “a escalada das operações militares terrestres israelenses e os ataques a instalações de saúde interromperam severamente” os esforços de coleta de dados das autoridades de Gaza. Antes de 7 de outubro de 2023, o MoH “tinha alcançado boa precisão na documentação de mortalidade, com subnotificação estimada em 13%”, observa a nova análise, e seus números foram amplamente considerados confiáveis .

Mas desde que Israel lançou sua resposta catastrófica ao ataque liderado pelo Hamas, os legisladores e líderes dos EUA que apoiaram o ataque de Israel — incluindo o presidente Joe Biden — lançaram abertamente dúvidas sobre os dados do ministério. Atualmente, o MoH estima que mais de 46.000 palestinos foram mortos desde 7 de outubro de 2023.

No mês passado, o Congresso dos EUA aprovou um amplo projeto de lei de política militar que incluía uma disposição impedindo o Pentágono de citar publicamente como “autoritários” os números de mortes do Ministério da Saúde de Gaza. Biden sancionou a medida em lei em 23 de dezembro.

“Esta é uma anulação alarmante do sofrimento do povo palestino, ignorando o custo humano da violência contínua”, disse a deputada Ilhan Omar (D-Minn.), que votou contra a legislação, ao The Intercept após a aprovação da medida pela Câmara.


Fonte: Common Dreams

Em uma estimativa conservadora, cientistas culpam as mudanças climáticas por 4 milhões de mortes desde 2000

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Esta história foi publicada originalmente pela Grist  e é reproduzida aqui como parte da  colaboração Climate Desk .

Por Zoya Teirstein

No início da década de 2000, enquanto a negação climática infectava instituições políticas em todo o mundo como uma praga malévola, um epidemiologista australiano chamado Anthony McMichael enfrentou uma questão científica peculiar e mórbida: quantas pessoas estavam a ser mortas pelas alterações climáticas? A equipe de pesquisa de McMichael calculou quantas vidas foram perdidas devido a doenças diarreicas, desnutrição, malária, doenças cardiovasculares (um indicador de doenças relacionadas ao calor) e inundações, em todo o mundo, no ano 2000. Os pesquisadores então usaram modelagem computacional para analisar a percentagem dessas mortes atribuíveis às alterações climáticas. Os resultados obtidos mostraram que as alterações climáticas foram responsáveis ​​por 166.000 vidas perdidas naquele ano. 

O mundo mudou muito desde então. A negação climática já não é a política climática de facto do mundo, em grande parte porque os impactos do aumento das temperaturas se tornaram impossíveis de ignorar. O campo da investigação climática tem crescido rapidamente, e a ciência por detrás de como as alterações climáticas afectam tudo, desde espécies ultra-raras de rãs à velocidade das bolas de basebol e à intensidade das ondas de calor , secas , inundações e furacões , tornou-se surpreendentemente precisa. Mas a investigação que avalia quantas pessoas estão actualmente a ser mortas pela crise climática permaneceu visivelmente estagnada. Embora um pequeno número de estudos tenha tentado quantificar o efeito das alterações climáticas na mortalidade nas próximas décadas , o padrão McMichael, uma relíquia ambiciosa do início da década de 2000, ainda é a única estimativa deste tipo. 

Esta semana, um investigador do clima e da saúde publicou um comentário na revista Nature Medicine que leva o padrão McMichael à sua conclusão lógica. Até ao final deste ano, Colin Carlson, biólogo das alterações globais e professor assistente na Universidade de Georgetown, escreveu no comentário fornecido exclusivamente a Grist , as alterações climáticas terão matado cerca de 4 milhões de pessoas em todo o mundo desde a viragem do século. Isso é mais do que a população de Los Angeles ou Berlim, “mais do que qualquer outra emergência de saúde pública não relacionada à COVID que a Organização Mundial da Saúde já declarou combinada”, disse Carlson, que também dirige um instituto focado na previsão e prevenção de pandemias. 

E 4 milhões de vidas perdidas devido às alterações climáticas, um número espantosamente elevado, ainda é uma estimativa subestimada – provavelmente um grande problema. O padrão McMichael não inclui mortes ligadas a surtos provocados pelo clima de muitas doenças não relacionadas à malária transmitidas por mosquitos, como a dengue e o vírus do Nilo Ocidental. Não incorpora mortes causadas por bactérias mortais, esporos de fungos, carrapatos e outras doenças ou portadores de doenças que mudam de alcance e extensão à medida que o planeta aquece . Não examina os impactos dos incêndios florestais e da fumaça dos incêndios florestais na longevidade. Não analisa as consequências para a saúde mental do calor extremo e das condições meteorológicas extremas e o aumento relacionado de suicídios que foram documentados nos últimos anos. “Na altura em que o fizemos, já sabíamos que era conservador”, disse Diarmid Campbell-Lendrum, co-autor do estudo de McMichael de 2003 e actualmente chefe da unidade de alterações climáticas e saúde da Organização Mundial de Saúde. 

A lista de potenciais impactos que teriam de ser avaliados para se obter uma imagem completa do número de mortes climáticas é longa e, até agora, nenhum investigador se esforçou para fazer uma contabilização completa. “As alterações climáticas estão a matar muitas pessoas, ninguém as conta e ninguém se move no sentido de contá-las”, disse Carlson. “Se não se tratasse de alterações climáticas, estaríamos a tratá-las em termos muito diferentes.” 

Wael Al-Delaimy, epidemiologista multidisciplinar da Universidade da Califórnia, em San Diego, concordou que 4 milhões de mortes desde 2000 são “definitivamente uma subestimativa”. Uma falta significativa de dados de mortalidade em países de baixo e médio rendimento é um dos maiores obstáculos que impede uma actualização adequada do padrão McMichael. “O principal desafio é que a mortalidade não está bem documentada e medida em todo o mundo, e os países de baixo e médio rendimento são os que mais sofrem porque não estão preparados, e não existem estudos epidemiológicos reais que tentem ligá-la às alterações climáticas”, disse Al. –Delaimy disse. 

A escassez de dados epidemiológicos limita, em primeiro lugar, os métodos utilizados pelos investigadores para calcular a mortalidade ligada ao clima. 

Os pesquisadores que desejam investigar quantas mortes causadas por um determinado desastre são devidas às mudanças climáticas normalmente empregam um método chamado ciência de atribuição. Para compreender o efeito que as alterações climáticas têm sobre a mortalidade, os cientistas utilizarão métodos estatísticos e modelos informáticos para determinar como as alterações climáticas influenciaram os impulsionadores de um evento discreto, como uma onda de calor. Em seguida, quantificarão a parcela de mortes relacionadas com o calor que pode ser atribuída a factores relacionados com as alterações climáticas, utilizando dados de mortalidade observados. Como observou Al-Delaimy, os dados de mortalidade nem sempre estão disponíveis. A ciência da atribuição, no contexto da mortalidade relacionada com o clima, é uma ferramenta útil, especializada e – na opinião de especialistas como Carlson – limitada por dados irregulares. 

McMichael não se baseou na ciência da atribuição para chegar às suas conclusões, em parte porque a técnica ainda estava na sua infância quando ele conduzia o seu trabalho sobre mortalidade. Em vez disso, utilizou modelos climáticos existentes para aproximar a forma como as alterações climáticas estavam a afectar doenças específicas à escala global. Sua equipe de pesquisa descobriu como as doenças diarreicas, a desnutrição e outros fatores que escolheram incluir foram influenciados pelo aquecimento – por exemplo, estimaram um aumento de 5% nos casos de diarreia por cada grau Celsius de mudança na temperatura – e então basearam seus cálculos sobre essas descobertas. “Para ser honesto, ninguém tinha sido arrogante o suficiente para fazer essa pergunta antes – qual é o fardo total das doenças resultantes das alterações climáticas? – porque obviamente é uma questão muito grande e difícil”, disse Campbell-Lendrum.

Carlson acredita que o caminho a seguir se baseia neste trabalho. O sucesso depende da modelagem computacional preditiva, disse ele: pesquisas que possam simular a propagação de doenças e as condições climáticas e fazer previsões sobre como esses padrões podem mudar no futuro. A modelagem preditiva não exige que os pesquisadores rastreiem dados de mortalidade contando cada pessoa que morreu em um determinado evento climático extremo. A resposta à questão de quantas pessoas foram mortas pelas alterações climáticas, disse Carlson, pode ser respondida através do desenvolvimento de um protocolo baseado em modelos preditivos para a forma como os investigadores medem as mortes relacionadas com as alterações climáticas. Ele pretende reunir os principais especialistas mundiais em clima e saúde este ano para construir exatamente esse sistema. Fazer com que os investigadores “preparassem a mesma receita”, disse ele, poderia, em última análise, produzir uma estimativa de mortalidade climática actualizada e mais precisa.  

Desenvolver algo semelhante a um protocolo universal de mortalidade climática não será simples, mas poderá concretizar o que McMichael se propôs fazer na década de 2000: fornecer ao público uma compreensão aproximada do número total de mortes climáticas, não daqui a 50 anos, mas como está acontecendo agora. “Se não sabemos quão grande é o desafio, podemos justificar não investir nele”, disse Kristie L. Ebi, investigadora sobre clima e saúde na Universidade de Washington. Os dados de mortalidade orientam as políticas, e são necessárias mais políticas para proteger o público do que está por vir – e do que já está aqui. 

No verão de 2022 – um verão mais fresco do que o verão de 2023, que está em vias de ser eclipsado pelo verão de 2024 – o calor extremo na Europa causou mais de 60.000 mortes entre o final de maio e o início de setembro. Desde o início de 2023, nuvens de mosquitos, estimuladas por inundações incomuns e por uma estação de monções cada vez mais intensa, espalharam a dengue por grandes áreas do mundo , infectando quase 5 milhões de pessoas e causando mais de 5.000 mortes. Os acontecimentos climáticos extremos do ano passado mataram 492 pessoas nos EUA — um dos países mais bem equipados para lidar com as consequências das condições meteorológicas extremas. 

Uma tendência mortal está em andamento. Como disse McMichael numa carta aberta publicada poucas semanas antes de morrer, em 2014: “A nossa má gestão do clima e do ambiente mundial está a enfraquecer os alicerces da saúde e da longevidade”. E, no entanto, uma proporção muito pequena dos 4 milhões de mortes causadas pelas alterações climáticas até agora, escreveu Carlson no seu comentário, “terá sido reconhecida pelas famílias das vítimas, ou reconhecida pelos governos nacionais, como consequência das alterações climáticas”. O que aconteceria se as pessoas conhecessem a verdadeira extensão do risco em questão? Carlson pretende descobrir.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela Grist [Aqui!]. 

Mudança climática mata “15 vezes mais” os mais vulneráveis

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Os países mais pobres e vulneráveis, como o Haiti nesta foto, são os mais afetados pelo aquecimento global. Crédito da imagem: Jethro J. Sérémé/Comitê Internacional da Cruz Vermelha , sob licença Creative Commons (CC BY-NC-ND 2.0)

É o relatório mais abrangente publicado até hoje sobre os impactos do aquecimento global em nosso planeta.

“Muestra que los impactos climáticos están socavando nuestros medios de subsistencia, están dañando la economía mundial y amenazan nuestro sistema de soporte vital: la propia naturaleza”, declaró el presidente del IPCC, Hoesung Lee durante la conferencia de prensa de presentación en Suiza (20 de março).

“O risco de perda da biodiversidade nos sistemas naturais e humanos pode variar, dependendo do aumento da temperatura, passando despercebido ou, ao contrário, afetando até 40% das espécies, principalmente na América Central e no Caribe”.

Matilde Rusticucci, Pesquisadora Sênior do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas, Argentina

O Relatório revela que como consequência das alterações climáticas já se verificam secas mais frequentes e intensas, ameaças aalimentos e água, doenças e perda de vidas , com pandemias e conflitos que dificultam a sua gestão.

Quase metade da população mundial vive em regiões vulneráveis ​​às mudanças climáticas, de acordo com o resumo de 36 páginas para formuladores de políticas. Ele lembra que as mortes por enchentes, secas e temporais aumentaram 15 vezes nessas regiões na última década.

Mas, assim como cada aumento no aquecimento causa uma rápida escalada de perigos, Lee também observou que “várias opções viáveis ​​e eficazes já estão disponíveis” para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e se adaptar às mudanças climáticas. “A questão é se podemos implementá-los de forma rápida e eficaz”, enfatizou.

Acelerar a Agenda

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, propôs acelerar a agenda “em direção a um Pacto de Solidariedade Climática em que grandes emissores reduzam ainda mais suas emissões e apoiem as economias emergentes a fazerem o mesmo”.

“O limite de 1,5 graus é alcançável”, declarou ele na coletiva de imprensa. Ele acrescentou: “Mas será necessário um salto quântico na ação climática”.

Para manter o aquecimento global em 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais, o relatório diz que são necessários cortes profundos, rápidos e sustentados nas emissões de gases de efeito estufa em todos os setores, deixando claro que o ritmo e a escala das taxas de câmbio atuais não são suficientes.

O objetivo é reduzir as emissões quase pela metade até 2030 se o aquecimento for limitado a 1,5 grau, conforme recomendado pelo IPCC.

“Os governos não têm desculpas para ignorar o forte alerta para esta década crítica”, disse Harjeet Singh, chefe de estratégia de política global da Climate Action Network International , uma rede de mais de 1.900 organizações da sociedade civil em mais de 130 países.

“Eles devem agir rapidamente para rejeitar os combustíveis fósseis e impedir qualquer expansão de petróleo, gás e carvão”, acrescentou.

No entanto, o anúncio ocorre apenas sete dias depois que os Estados Unidos aprovaram a perfuração no campo de petróleo Willow Project , no norte do Alasca, apelidado de “bomba de carbono” por ativistas que dizem que vai bombear o equivalente ao CO2 emitido por 66 usinas de carvão.

Singh acrescentou que o relatório – que inclui contribuições de mais de 700 cientistas de todo o mundo – não é sem soluções ou esperança, mas o aumento do financiamento seria crucial .

“Os governos devem redobrar seus esforços para proteger as comunidades dos efeitos climáticos cada vez mais adversos e irreversíveis, como o aumento do nível do mar e o derretimento das geleiras , que representam uma ameaça existencial para muitas comunidades”, afirmou.

“As pessoas vão passar fome”

Aditi Mukherji, um dos 93 autores do relatório, disse que a ênfase na implementação de soluções diferencia este documento dos anteriores.

“Embora a mudança climática tenha reduzido a segurança alimentar, o AR6 mostra que existem várias opções de adaptação que podem ser eficazes na redução de seus efeitos, como o uso de culturas mais resistentes ao clima, melhor gerenciamento e armazenamento de água”, apontou.

Mukherji apontou que os pequenos agricultores são os mais afetados pelas mudanças climáticas, mas recebem menos de dois por cento do financiamento climático.

“Se não aumentarmos o financiamento climático para os sistemas alimentares, mais pessoas passarão fome”, alertou.

Chamada de atenção

O embaixador de Samoa na ONU, Fatumanava-o-Upolu III Pa’olelei Luteru, presidente da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS), disse que as conclusões devem ser um alerta para a comunidade internacional.

Ele afirmou que os ilhéus do Pacífico e do Caribe estão sendo deslocados de suas casas enquanto a indústria de combustíveis fósseis colhe bilhões de dólares em lucros.

Matilde Rusticucci, pesquisadora principal do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET), da Argentina, destaca que o relatório mostra quais serão os impactos na região conforme a temperatura média global aumente um grau e meio ou dois graus .

“Por exemplo, o risco de perda de biodiversidade em sistemas naturais e humanos pode variar, dependendo do aumento da temperatura, passando despercebido ou, pelo contrário, afetando até 40% das espécies, principalmente na América Central e no Caribe”, ele explica.

Outro impacto muito significativo que Rusticucci destaca no relatório é o impacto na saúde humana . “Dependendo da região, com um aumento de 2°C, a população estará em risco devido ao aumento da temperatura e umidade, entre 100 e 300 dias por ano. É assim que a diminuição do rendimento do milho , ou a diminuição da pesca, será mais afetada, principalmente na zona do Caribe, América Central e costa norte da América do Sul, quando a temperatura ultrapassar os dois graus”, destaca O especialista.

Este artigo foi produzido pela  SciDev.Net Global Edition, com reportagens adicionais da América Latina e Caribe .


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Este texto escrito originalmente em Espanhol foi publicado pela SciDev [Aqui!]

Como a COVID-19 afeta pessoas vacinadas e não vacinadas

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Por Katharina Buchholz para a Statista

Embora o CDC tenha parado de relatar infecções  que não terminam em hospitalização, o Departamento de Serviços de Saúde de Wisconsin começou recentemente a publicar a análise de novas infecções por COVID-19 entre pessoas vacinadas e não vacinadas. Embora os números sejam apenas um instantâneo de um estado e um mês, neste caso julho, eles dão uma impressão de como as taxas de infecções, hospitalização e mortalidade diferem entre vacinados e não vacinados.

Em julho de 2021, cerca de 125 infecções emergentes aconteceram por 100.000 habitantes de Wisconsin vacinados, em comparação com cerca de 369 casos por 100.000 habitantes do estado que não haviam sido totalmente vacinados. Em uma taxa de vacinação de cerca de 50 por cento no estado em julho, isso significa que cerca de 3 em 4 novos casos ocorreram em pessoas não vacinadas. Isso teria tornado as vacinas COVID-19 no estado 66 por cento eficazes na prevenção da infecção em condições do mundo real opostas a pessoas não vacinadas, pois para cada três habitantes de Wisconsin não vacinados que foram infectados com COVID-19, duas pessoas vacinadas foram poupadas de uma infecção, assumindo que ambos os grupos tiveram, em média, a mesma exposição ao vírus.

Quando se trata de hospitalizações e mortes, as diferenças nos resultados para pessoas vacinadas e não vacinadas foram ainda maiores. Cerca de quatro em cada cinco hospitalizações por COVID-19 ocorreram em pessoas não vacinadas em Wisconsin, traduzindo-se em uma eficácia da vacina de 73 por cento na prevenção de hospitalizações. Para prevenir a morte, as vacinas provaram ser 91 por cento eficazes, pois apenas um em cada doze habitantes de Wisconsin que sucumbiram ao COVID-19 foi vacinado.

A eficácia das vacinas COVID-19 varia de estudo para estudo, visto que não são realizadas em um laboratório, mas no mundo real, onde as condições variam. A eficácia também difere dependendo da população à qual a vacina é administrada, além do fato de que se espera que a eficácia das vacinas COVID-19 diminua com o tempo e quando confrontada com uma mutação de coronavírus de alta carga viral como a variante Delta. Uma lista de diferentes estudos de eficácia, a maioria deles realizada logo após a vacinação completa, pode ser encontrada no site do CDC.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo site Statista [Aqui!].

Cartórios de Campos dos Goytacazes registram 1º semestre com mais óbitos e menos nascimentos da história

Nunca se morreu tanto em um primeiro semestre como em 2021. Cidade também registrou crescimento vegetativo negativo pela primeira vez na história
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A pandemia da COVID-19 vem causando um profundo impacto nas estatísticas vitais da população brasileira. Além das quase de 2 mil vítimas fatais atingidas pela doença, o novo coronavírus vem alterando a demografia de uma forma nunca vista desde o início da série histórica dos dados estatísticos dos Cartórios de Registro Civil de Campos dos Goytacazes, em 2003: nunca se morreu tanto e se nasceu tão pouco em um primeiro semestre como neste ano de 2021, resultando, pela primeira vez na história da cidade, em um crescimento vegetativo negativo em um semestre completo.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (https://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

Em números absolutos os Cartórios campistas registraram 3.055 óbitos até o final do mês de junho. O número, que já é o maior da história em um primeiro semestre, é 54% maior que a média histórica de óbitos de Campos, e 32,5% maior que os ocorridos no ano passado, com a pandemia já instalada há quatro meses no estado. Já com relação a 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o aumento no número de mortes foi de 34,6%.

Com relação aos nascimentos, a cidade registrou o menor número de nascidos vivos em um primeiro semestre desde o início da série histórica em 2003. Até o final do mês de junho foram registrados 4.055 nascimentos, número 7% menor que a média de nascidos na cidade desde 2003, e 2% menor que no ano passado. Com relação à 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o número de nascimentos caiu 11% na maior cidade do Norte Fluminense.

O resultado da equação mostra que a diferença entre nascimentos e óbitos que sempre esteve na média de 2.380 nascimentos a mais, ficou positiva em 1.000 óbitos, ou seja, mesmo com a pandemia, Campos registrou mais nascimentos do que óbitos no semestre e um aumento de 58% na variação em relação à média histórica. Em relação a 2020, o aumento foi de 45,5%, e em relação a 2019 foi de 56,4%.

“O Portal da Transparência vem sendo usado por toda a sociedade para ter um retrato fiel do que tem acontecido no País neste momento de pandemia”, explica Humberto Monteiro da Costa, presidente da Arpen-RJ. “Os números mostram claramente os impactos da doença em nossa sociedade e possibilitam que os gestores públicos possam planejar as diversas políticas sociais com base nos dados compilados pelos Cartórios”, completa.

Natalidade e Casamentos

Embora não seja a regra, a série histórica do Registro Civil demonstra que o aumento no número de casamentos está diretamente ligado ao aumento da taxa de natalidade em Campos, o que deve fazer com que os nascimentos ainda demorem um pouco a serem retomados, já que no primeiro semestre de 2021 a cidade registrou o sexto menor número de casamentos desde o início da série histórica.

Apenas 10,3% menor que a média histórica de casamentos no primeiro semestre da cidade de Campos dos Goytacazes, o número de matrimônios em 2021 mostra considerável recuperação em relação às celebrações do ano passado, fortemente impactadas pela chegada da pandemia que adiou cerimônias civis em virtude dos protocolos de higiene necessários à contenção da doença. Até junho deste ano os Cartórios celebraram 1.080 casamentos civis, número 30% maior que os 833 matrimônios realizados no ano passado, mas ainda 14% menor que os 1.255 casamentos celebrados em 2019.

Sobre a Arpen/RJ

A ARPEN-RJ, entidade de utilidade pública, nos termos da lei 5462/2009, se destina, entre os objetivos estatutários, a promover o aperfeiçoamento do registro civil de pessoas naturais e de interdições e tutelas no estado do Rio de Janeiro, bem como apoiar as iniciativas nacionais nessa área.

População não vacinada registra aumento no número de óbitos em Campos dos Goytacazes

Óbitos de pessoas mais jovens e que ainda não receberam imunização foram as únicas faixas etárias que registraram crescimento absoluto e percentual superior a 30% no número de mortes no mês de abril em relação à média no período da pandemia

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O aumento percentual de mais de 30% no número de óbitos por COVID-19 de pessoas mais jovens, na faixa etária entre 30 e 69 anos e, queda, na faixa dos 70 aos 79 anos, contabilizados pelos Cartórios de Registro Civil de Campos dos Goytacazes no mês de abril, o pior desde o início da pandemia na cidade, são claros em apontar que a vacinação em massa de sua população é o melhor caminho para a crise de saúde pública causada pelo novo coronavírus.

Ainda aguardando o cronograma de vacinação para suas idades em Campos dos Goytacazes, a população mais jovem viu crescer os números absolutos e percentuais de óbitos no último mês, mesmo quando comparados a março deste ano, o mês que registrou o maior número de mortes causadas pelo novo coronavírus no País, e também em relação à média de mortes de sua faixa etária desde o início da pandemia.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (http://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

Na cidade de Campos dos Goytacazes, a faixa etária que registrou o maior percentual de aumento em relação à média desde o início da pandemia foi a da população entre 50 e 59 anos, com crescimento de 34% no número de óbitos em abril na comparação com o período que vai de março de 2020 a março de 2021. Os números absolutos de falecimentos desta faixa etária também aumentaram em abril, passando de 19 em março para 57 no último mês. Na sequência, a população com faixa etária entre 40 e 49 anos e 60 e 69 anos registrou aumento percentual de 28% nos óbitos por COVID-19, vendo os números absolutos saírem de 11 para 22 e 28 para 82 respectivamente.

Já a faixa etária que vai dos 30 aos 39 anos viu o aumento do número de óbitos crescer 19% em relação à média para esta faixa etária desde o início da pandemia. O crescimento também se deu nos números absolutos em relação a março, passando de 4 para 10.

Nas demais faixas etárias, já vacinadas, o número de óbitos caiu em relação à média desde o início da pandemia, reduzindo 13% na faixa entre 70 e 79 anos, 33% entre 80 e 89 anos, anos e 35% na faixa entre 90 e 99 anos.

Ranking Estadual

Os números do Estado do Rio de Janeiro estão à frente da média nacional em quase todas as faixas etárias. Entre a população da faixa etária de 20 a 29 anos, o crescimento percentual fluminense foi de 69%, enquanto no País foi de 38%. Na faixa que vai dos 30 aos 39, o Rio de Janeiro viu os óbitos crescerem 59%, enquanto o Brasil registrou aumento de 56%, cenário que se repetiu na faixa de 40 a 49 anos, 66% x 57%. Já na faixa etária de 50 a 59 anos, o Estado teve o mesmo crescimento percentual nacional, de 54%, estando abaixo do patamar do Brasil na população com idade de 60 a 69 anos, 21% a 22%.

Sobre a Arpen/RJ

A Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio de Janeiro (Arpen/RJ) representa os 179 cartórios de registro civil, que atendem a população em todos os 92 municípios do Estado, além de estarem presentes em todos os distritos e subdistritos, realizando os principais atos da vida civil de uma pessoa: o registro de nascimento, casamento e óbito.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Arpen Rio de Janeiro

Brasil deve registrar quase 90 mil mortes por Covid-19 até agosto, diz estudo nos EUA

O Brasil deve registrar cerca de 88,3 mil mortes por Covid-19 até o dia 4 de agosto deste ano. O número está no novo relatório do Instituto para Métrica e Avaliação de Saúde (IHME, na sigla em inglês) da Escola de Medicina da Universidade de Washington, divulgado nesta quarta-feira (13). 

hospital santo andréOs pacientes afetados pelo coronavírus são tratados em um hospital estabelecido em uma academia em Santo André, São Paulo, Brasil, em 11 de maio de 2020. AFP

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

O documento inclui ainda projeções para oito estados do país, os primeiros a registraram mais de 50 casos. São Paulo deve ser o ente da federação mais afetado, com quase 39 mil óbitos e o Paraná o mais poupado, com menos de 250.

O cenário pode ser mais ou menos desolador, a depender dos desdobramentos desta crise no país. A projeção é feita com base em uma espécie de fotografia do momento.

Como esses números são calculados por estatísticas matemáticas e consideram uma série de variáveis que serão atualizadas frequentemente, eles levam em conta uma faixa de flutuação. Isso quer dizer que, na melhor das hipóteses, o país poderá contar neste período indicado pelo estudo 30,3 mil mortos pelo novo coronavírus, e 193,8 mil, na pior.

“Desafio assustador”

“As projeções do IHME para o óbitos no Brasil indicam claramente que sistema de saúde público do país está enfrentando um desafio assustador”, disse o diretor do instituto, Christopher Murray. “O nosso objetivo ao anunciar esses dados é informar às autoridades que determinam as políticas para que possam agir e se mobilizar para lidar com a Covid-19”, completou.

Murray afirma que outros estados do país devem ser acrescentados ao estudo e reitera que as estimativas do IHME serão revistas na medida em que novos dados forem incorporados e analisados pelas pesquisas. O Brasil teve 11.519 mortes pelo novo coronavírus contabilizadas oficialmente até terça-feira, quando o número de casos chegava a 168.331.

O estudo destaca ainda a preocupação com a falta de recursos necessários para que o país possa lidar com a pandemia. Estima que o Brasil tem um déficit de mais de 3.000 leitos de tratamento intensivo, número que deve crescer ao longo da crise. A falta de leitos deve afetar os estados de maneira diferente. Segundo o IHME, só no Amazonas faltavam 1.000 leitos de tratamento intensivo até terça-feira, assim como em São Paulo.

O documento também apresenta estimativas para os outros países da região mais afetados pelo vírus: México (6,8 mil; com faia de 3,6mil a 16,8 mil) Peru (6,4 mil; com faixa de 2,7 mil a 21,7 mil) e Equador 5,2 mil; com faixa de 4,8 mil a 6,1 mil). Feito com a ajuda da Organização Panamericana de Saúde e a rede de colaboradores do IHME, que já somam mais de 5 mil pessoas em 150 países.

“É importante para os países e regiões olharem com atenção a capacidade dos hospitais, recursos necessários, e a atual trajetória dos casos do novo coronavírus. A epidemia na América Latina está acontecendo depois da Europa. É hora de sermos vigilantes, acompanhar os dados e implementar as medidas de saúde pública relevantes”, disse o diretor-assistente da organização, Jarbas Barbosa.

Projeções

O instituto ainda atualizou as projeções que já havia feito para os óbitos nos Estados Unidos em 147 mil. Trata-se de 10 mil mortes a mais do que esperava há alguns dias.

As projeções do IHME de mortes por Covid-19 em oito estados brasileiros*:

· São Paulo: 36.811 óbitos (Faixa de 11.097 a 81.774)

· Rio de Janeiro: 21.073 óbitos (Faixa de 5.966 a 51.901)

· Pernambuco: 9,401 óbitos (Faixa de 2.468 a 23.026)

· Ceará: 8.679 óbitos (Faixa de 2.894 a 18.592)

· Maranhão: 4.613 óbitos  (Faixa de 868 a 12.661)

· Bahia: 2.443 óbitos (Faixa de 529 a 8.429)

· Paraná: 245 óbitos (Faixa de 170 a 397)

Fonte: IHME (*os dados são projetados até 4 de agosto de 2020)

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Este artigo foi inicialmente publicado pela Rede França Internacional [Aqui!].

Mineração faz vítimas fatais em Minas Gerais

Deslizamento de terra em mina deixa vítimas e mobiliza bombeiros em Itabirito

Conforme bombeiros, ficaram soterrados um caminhão com o motorista, uma escavadeira com o operador e um Fiat Uno com o condutor. O secretário de Meio Ambiente, Antonio Marcos Generoso, confirmou esses três mortos no acidente

Por Luana Cruz

Na imagem é possível ver dois caminhões tombados na área onde houve deslocamento de terra (Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais )  
Na imagem é possível ver dois caminhões tombados na área onde houve deslocamento de terra

O deslizamento de terra em uma mina da empresa Herculano, em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais, mobiliza bombeiros na manhã desta quarta-feira. De acordo com a corporação, pelo menos oito vítimas foram soterradas. Os militares foram acionados por volta de 7h50 e já trabalham há mais de quatro horas no resgate de funcionários. O secretário municipal de Meio Ambiente, Antonio Marcos Generoso, confirmou três mortos no acidente e uma pessoa socorrida para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, apesar de os bombeiros tratatem como um óbito e dois desaparecidos. 

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Segundo o Corpo de Bombeiros, houve o rompimento de uma barragem desativada que contém o resto de lavagem de minério. Funcionários faziam manutenção nessa barragem no início da manhã, quando aconteceu o acidente. Uma grande quantidade de rejeitos (lama com água) desceu atingindo veículos e operários em terra. 

Conforme os militares, ficaram soterrados um caminhão com o motorista, uma escavadeira com o operador e um Fiat Uno com o condutor. Essas três vítimas estavam desaparecidas e bombeiros trabalharam com escavação manual do terreno tentando encontrá-las. O secretário Generoso confirmou as mortes desses funcionários.   

Quatro operários que estavam a pé na área do acidente foram retirados com vida pelos bombeiros com apoio de colegas de trabalho. O motorista de outro caminhão ficou preso apenas pelas pernas e foi resgatado com ferimentos. 

De acordo com o secretário de meio ambiente, a preocupação agora é ter certeza de que não há mais vítimas. A empresa informou a Generoso que não há outros desaparecidos. A Defesa Civil está monitorando a descida de água na barragem onde ocorreu o deslizamento, para que o volume seja contido. Conforme os bombeiros, outra barragem da mina está interditada pelo risco no local. 

Conforme a corporação, a situação foi desesperadora na hora do deslizamento. Muitas pessoas tentaram salvar os colegas puxando com as próprias mãos debaixo da terra, mas sem sucesso. Testemunhas relataram o pânico aos bombeiros no atendimento. Estão envolvidas no trabalho equipes de três viaturas dos bombeiros de Ouro Preto, duas de Itabirito e três de Belo Horizonte. O helicóptero Arcanjo também deu apoio no socorro às vítimas. 

O secretário afirma que ainda é cedo para falar sobre o que provocu a tragédia. “Estamos trabalhando junto com a Polícia Militar Ambiental, Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Defesa Civil para saber posteriormente as causas do acidente e os impactos disso para a cidade”, afirma Generoso. 

 (Arte Soraia Piva)

A mineradora Herculano fica na região conhecida como Sítio Retiro Sapecado, perto da BR-040 em direção ao Pico de Itabirito. Os bombeiros demoraram pelo menos meia hora para chegar ao local do deslizamento por causa da distância do pelotão até a barragem. O em.com.br tentou falar com a empresa pelo telefone da mina e da sede, mas não conseguiu. A mina está completamente fechada com proibição de entrada até para prestadores de serviços. Somente viaturas têm acesso ao local. 

 (Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais )

ACIDENTE EM AGOSTO 

O desmoronamento de um túnel em um terreno da Vale mobilizou o Corpo de Bombeiros no dia 26 de agosto também na cidade de Itabirito. Um homem morreu soterrado no acidente. Ele estava em cima da estrutura que cedeu. Outro operário também estava junto ao colega, mas conseguiu escapar. Um caminhão também foi atingido pela terra. O motorista foi retirado por socorristas da empresa.

MEMÓRIA 

Em 2001, um grave acidente em mina parou o distrito de São Sebastião das Águas Claras (Macacos), em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde ocorreu uma avalanche de rejeitos de minério. O rompimento da cava 1 da barragem de contenção da Mineração Rio Verde causou a morte de cinco operários e deixou um rastro de destruição ao longo de quilômetros. 

Quase dois anos depois, na Indústria de Papel Cataguases, na Zona da Mata, a mesma estrutura se rompeu, despejando 1,2 bilhão de litros de material tóxico no Rio Pomba e no Ribeirão do Cágado, na Bacia do Paraíba do Sul. As lavouras ficaram contaminadas. Mais recentemente (em 2006 e 2007), em Miraí, também na Zona da Mata, o vazamento de rejeitos de bauxita da Rio Pomba Mineração interrompeu o fornecimento de água e cobriu a cidade de lama. 

(Com informações de Valquíria Lopes)

FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/09/10/interna_gerais,567542/deslizamento-de-terra-em-mina-mobiliza-bombeiros-em-itabirito.shtml