Como a COVID-19 afeta pessoas vacinadas e não vacinadas

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Por Katharina Buchholz para a Statista

Embora o CDC tenha parado de relatar infecções  que não terminam em hospitalização, o Departamento de Serviços de Saúde de Wisconsin começou recentemente a publicar a análise de novas infecções por COVID-19 entre pessoas vacinadas e não vacinadas. Embora os números sejam apenas um instantâneo de um estado e um mês, neste caso julho, eles dão uma impressão de como as taxas de infecções, hospitalização e mortalidade diferem entre vacinados e não vacinados.

Em julho de 2021, cerca de 125 infecções emergentes aconteceram por 100.000 habitantes de Wisconsin vacinados, em comparação com cerca de 369 casos por 100.000 habitantes do estado que não haviam sido totalmente vacinados. Em uma taxa de vacinação de cerca de 50 por cento no estado em julho, isso significa que cerca de 3 em 4 novos casos ocorreram em pessoas não vacinadas. Isso teria tornado as vacinas COVID-19 no estado 66 por cento eficazes na prevenção da infecção em condições do mundo real opostas a pessoas não vacinadas, pois para cada três habitantes de Wisconsin não vacinados que foram infectados com COVID-19, duas pessoas vacinadas foram poupadas de uma infecção, assumindo que ambos os grupos tiveram, em média, a mesma exposição ao vírus.

Quando se trata de hospitalizações e mortes, as diferenças nos resultados para pessoas vacinadas e não vacinadas foram ainda maiores. Cerca de quatro em cada cinco hospitalizações por COVID-19 ocorreram em pessoas não vacinadas em Wisconsin, traduzindo-se em uma eficácia da vacina de 73 por cento na prevenção de hospitalizações. Para prevenir a morte, as vacinas provaram ser 91 por cento eficazes, pois apenas um em cada doze habitantes de Wisconsin que sucumbiram ao COVID-19 foi vacinado.

A eficácia das vacinas COVID-19 varia de estudo para estudo, visto que não são realizadas em um laboratório, mas no mundo real, onde as condições variam. A eficácia também difere dependendo da população à qual a vacina é administrada, além do fato de que se espera que a eficácia das vacinas COVID-19 diminua com o tempo e quando confrontada com uma mutação de coronavírus de alta carga viral como a variante Delta. Uma lista de diferentes estudos de eficácia, a maioria deles realizada logo após a vacinação completa, pode ser encontrada no site do CDC.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo site Statista [Aqui!].

Cartórios de Campos dos Goytacazes registram 1º semestre com mais óbitos e menos nascimentos da história

Nunca se morreu tanto em um primeiro semestre como em 2021. Cidade também registrou crescimento vegetativo negativo pela primeira vez na história
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A pandemia da COVID-19 vem causando um profundo impacto nas estatísticas vitais da população brasileira. Além das quase de 2 mil vítimas fatais atingidas pela doença, o novo coronavírus vem alterando a demografia de uma forma nunca vista desde o início da série histórica dos dados estatísticos dos Cartórios de Registro Civil de Campos dos Goytacazes, em 2003: nunca se morreu tanto e se nasceu tão pouco em um primeiro semestre como neste ano de 2021, resultando, pela primeira vez na história da cidade, em um crescimento vegetativo negativo em um semestre completo.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (https://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

Em números absolutos os Cartórios campistas registraram 3.055 óbitos até o final do mês de junho. O número, que já é o maior da história em um primeiro semestre, é 54% maior que a média histórica de óbitos de Campos, e 32,5% maior que os ocorridos no ano passado, com a pandemia já instalada há quatro meses no estado. Já com relação a 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o aumento no número de mortes foi de 34,6%.

Com relação aos nascimentos, a cidade registrou o menor número de nascidos vivos em um primeiro semestre desde o início da série histórica em 2003. Até o final do mês de junho foram registrados 4.055 nascimentos, número 7% menor que a média de nascidos na cidade desde 2003, e 2% menor que no ano passado. Com relação à 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o número de nascimentos caiu 11% na maior cidade do Norte Fluminense.

O resultado da equação mostra que a diferença entre nascimentos e óbitos que sempre esteve na média de 2.380 nascimentos a mais, ficou positiva em 1.000 óbitos, ou seja, mesmo com a pandemia, Campos registrou mais nascimentos do que óbitos no semestre e um aumento de 58% na variação em relação à média histórica. Em relação a 2020, o aumento foi de 45,5%, e em relação a 2019 foi de 56,4%.

“O Portal da Transparência vem sendo usado por toda a sociedade para ter um retrato fiel do que tem acontecido no País neste momento de pandemia”, explica Humberto Monteiro da Costa, presidente da Arpen-RJ. “Os números mostram claramente os impactos da doença em nossa sociedade e possibilitam que os gestores públicos possam planejar as diversas políticas sociais com base nos dados compilados pelos Cartórios”, completa.

Natalidade e Casamentos

Embora não seja a regra, a série histórica do Registro Civil demonstra que o aumento no número de casamentos está diretamente ligado ao aumento da taxa de natalidade em Campos, o que deve fazer com que os nascimentos ainda demorem um pouco a serem retomados, já que no primeiro semestre de 2021 a cidade registrou o sexto menor número de casamentos desde o início da série histórica.

Apenas 10,3% menor que a média histórica de casamentos no primeiro semestre da cidade de Campos dos Goytacazes, o número de matrimônios em 2021 mostra considerável recuperação em relação às celebrações do ano passado, fortemente impactadas pela chegada da pandemia que adiou cerimônias civis em virtude dos protocolos de higiene necessários à contenção da doença. Até junho deste ano os Cartórios celebraram 1.080 casamentos civis, número 30% maior que os 833 matrimônios realizados no ano passado, mas ainda 14% menor que os 1.255 casamentos celebrados em 2019.

Sobre a Arpen/RJ

A ARPEN-RJ, entidade de utilidade pública, nos termos da lei 5462/2009, se destina, entre os objetivos estatutários, a promover o aperfeiçoamento do registro civil de pessoas naturais e de interdições e tutelas no estado do Rio de Janeiro, bem como apoiar as iniciativas nacionais nessa área.

População não vacinada registra aumento no número de óbitos em Campos dos Goytacazes

Óbitos de pessoas mais jovens e que ainda não receberam imunização foram as únicas faixas etárias que registraram crescimento absoluto e percentual superior a 30% no número de mortes no mês de abril em relação à média no período da pandemia

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O aumento percentual de mais de 30% no número de óbitos por COVID-19 de pessoas mais jovens, na faixa etária entre 30 e 69 anos e, queda, na faixa dos 70 aos 79 anos, contabilizados pelos Cartórios de Registro Civil de Campos dos Goytacazes no mês de abril, o pior desde o início da pandemia na cidade, são claros em apontar que a vacinação em massa de sua população é o melhor caminho para a crise de saúde pública causada pelo novo coronavírus.

Ainda aguardando o cronograma de vacinação para suas idades em Campos dos Goytacazes, a população mais jovem viu crescer os números absolutos e percentuais de óbitos no último mês, mesmo quando comparados a março deste ano, o mês que registrou o maior número de mortes causadas pelo novo coronavírus no País, e também em relação à média de mortes de sua faixa etária desde o início da pandemia.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (http://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

Na cidade de Campos dos Goytacazes, a faixa etária que registrou o maior percentual de aumento em relação à média desde o início da pandemia foi a da população entre 50 e 59 anos, com crescimento de 34% no número de óbitos em abril na comparação com o período que vai de março de 2020 a março de 2021. Os números absolutos de falecimentos desta faixa etária também aumentaram em abril, passando de 19 em março para 57 no último mês. Na sequência, a população com faixa etária entre 40 e 49 anos e 60 e 69 anos registrou aumento percentual de 28% nos óbitos por COVID-19, vendo os números absolutos saírem de 11 para 22 e 28 para 82 respectivamente.

Já a faixa etária que vai dos 30 aos 39 anos viu o aumento do número de óbitos crescer 19% em relação à média para esta faixa etária desde o início da pandemia. O crescimento também se deu nos números absolutos em relação a março, passando de 4 para 10.

Nas demais faixas etárias, já vacinadas, o número de óbitos caiu em relação à média desde o início da pandemia, reduzindo 13% na faixa entre 70 e 79 anos, 33% entre 80 e 89 anos, anos e 35% na faixa entre 90 e 99 anos.

Ranking Estadual

Os números do Estado do Rio de Janeiro estão à frente da média nacional em quase todas as faixas etárias. Entre a população da faixa etária de 20 a 29 anos, o crescimento percentual fluminense foi de 69%, enquanto no País foi de 38%. Na faixa que vai dos 30 aos 39, o Rio de Janeiro viu os óbitos crescerem 59%, enquanto o Brasil registrou aumento de 56%, cenário que se repetiu na faixa de 40 a 49 anos, 66% x 57%. Já na faixa etária de 50 a 59 anos, o Estado teve o mesmo crescimento percentual nacional, de 54%, estando abaixo do patamar do Brasil na população com idade de 60 a 69 anos, 21% a 22%.

Sobre a Arpen/RJ

A Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio de Janeiro (Arpen/RJ) representa os 179 cartórios de registro civil, que atendem a população em todos os 92 municípios do Estado, além de estarem presentes em todos os distritos e subdistritos, realizando os principais atos da vida civil de uma pessoa: o registro de nascimento, casamento e óbito.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Arpen Rio de Janeiro

Brasil deve registrar quase 90 mil mortes por Covid-19 até agosto, diz estudo nos EUA

O Brasil deve registrar cerca de 88,3 mil mortes por Covid-19 até o dia 4 de agosto deste ano. O número está no novo relatório do Instituto para Métrica e Avaliação de Saúde (IHME, na sigla em inglês) da Escola de Medicina da Universidade de Washington, divulgado nesta quarta-feira (13). 

hospital santo andréOs pacientes afetados pelo coronavírus são tratados em um hospital estabelecido em uma academia em Santo André, São Paulo, Brasil, em 11 de maio de 2020. AFP

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

O documento inclui ainda projeções para oito estados do país, os primeiros a registraram mais de 50 casos. São Paulo deve ser o ente da federação mais afetado, com quase 39 mil óbitos e o Paraná o mais poupado, com menos de 250.

O cenário pode ser mais ou menos desolador, a depender dos desdobramentos desta crise no país. A projeção é feita com base em uma espécie de fotografia do momento.

Como esses números são calculados por estatísticas matemáticas e consideram uma série de variáveis que serão atualizadas frequentemente, eles levam em conta uma faixa de flutuação. Isso quer dizer que, na melhor das hipóteses, o país poderá contar neste período indicado pelo estudo 30,3 mil mortos pelo novo coronavírus, e 193,8 mil, na pior.

“Desafio assustador”

“As projeções do IHME para o óbitos no Brasil indicam claramente que sistema de saúde público do país está enfrentando um desafio assustador”, disse o diretor do instituto, Christopher Murray. “O nosso objetivo ao anunciar esses dados é informar às autoridades que determinam as políticas para que possam agir e se mobilizar para lidar com a Covid-19”, completou.

Murray afirma que outros estados do país devem ser acrescentados ao estudo e reitera que as estimativas do IHME serão revistas na medida em que novos dados forem incorporados e analisados pelas pesquisas. O Brasil teve 11.519 mortes pelo novo coronavírus contabilizadas oficialmente até terça-feira, quando o número de casos chegava a 168.331.

O estudo destaca ainda a preocupação com a falta de recursos necessários para que o país possa lidar com a pandemia. Estima que o Brasil tem um déficit de mais de 3.000 leitos de tratamento intensivo, número que deve crescer ao longo da crise. A falta de leitos deve afetar os estados de maneira diferente. Segundo o IHME, só no Amazonas faltavam 1.000 leitos de tratamento intensivo até terça-feira, assim como em São Paulo.

O documento também apresenta estimativas para os outros países da região mais afetados pelo vírus: México (6,8 mil; com faia de 3,6mil a 16,8 mil) Peru (6,4 mil; com faixa de 2,7 mil a 21,7 mil) e Equador 5,2 mil; com faixa de 4,8 mil a 6,1 mil). Feito com a ajuda da Organização Panamericana de Saúde e a rede de colaboradores do IHME, que já somam mais de 5 mil pessoas em 150 países.

“É importante para os países e regiões olharem com atenção a capacidade dos hospitais, recursos necessários, e a atual trajetória dos casos do novo coronavírus. A epidemia na América Latina está acontecendo depois da Europa. É hora de sermos vigilantes, acompanhar os dados e implementar as medidas de saúde pública relevantes”, disse o diretor-assistente da organização, Jarbas Barbosa.

Projeções

O instituto ainda atualizou as projeções que já havia feito para os óbitos nos Estados Unidos em 147 mil. Trata-se de 10 mil mortes a mais do que esperava há alguns dias.

As projeções do IHME de mortes por Covid-19 em oito estados brasileiros*:

· São Paulo: 36.811 óbitos (Faixa de 11.097 a 81.774)

· Rio de Janeiro: 21.073 óbitos (Faixa de 5.966 a 51.901)

· Pernambuco: 9,401 óbitos (Faixa de 2.468 a 23.026)

· Ceará: 8.679 óbitos (Faixa de 2.894 a 18.592)

· Maranhão: 4.613 óbitos  (Faixa de 868 a 12.661)

· Bahia: 2.443 óbitos (Faixa de 529 a 8.429)

· Paraná: 245 óbitos (Faixa de 170 a 397)

Fonte: IHME (*os dados são projetados até 4 de agosto de 2020)

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Este artigo foi inicialmente publicado pela Rede França Internacional [Aqui!].

Mineração faz vítimas fatais em Minas Gerais

Deslizamento de terra em mina deixa vítimas e mobiliza bombeiros em Itabirito

Conforme bombeiros, ficaram soterrados um caminhão com o motorista, uma escavadeira com o operador e um Fiat Uno com o condutor. O secretário de Meio Ambiente, Antonio Marcos Generoso, confirmou esses três mortos no acidente

Por Luana Cruz

Na imagem é possível ver dois caminhões tombados na área onde houve deslocamento de terra (Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais )  
Na imagem é possível ver dois caminhões tombados na área onde houve deslocamento de terra

O deslizamento de terra em uma mina da empresa Herculano, em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais, mobiliza bombeiros na manhã desta quarta-feira. De acordo com a corporação, pelo menos oito vítimas foram soterradas. Os militares foram acionados por volta de 7h50 e já trabalham há mais de quatro horas no resgate de funcionários. O secretário municipal de Meio Ambiente, Antonio Marcos Generoso, confirmou três mortos no acidente e uma pessoa socorrida para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, apesar de os bombeiros tratatem como um óbito e dois desaparecidos. 

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Segundo o Corpo de Bombeiros, houve o rompimento de uma barragem desativada que contém o resto de lavagem de minério. Funcionários faziam manutenção nessa barragem no início da manhã, quando aconteceu o acidente. Uma grande quantidade de rejeitos (lama com água) desceu atingindo veículos e operários em terra. 

Conforme os militares, ficaram soterrados um caminhão com o motorista, uma escavadeira com o operador e um Fiat Uno com o condutor. Essas três vítimas estavam desaparecidas e bombeiros trabalharam com escavação manual do terreno tentando encontrá-las. O secretário Generoso confirmou as mortes desses funcionários.   

Quatro operários que estavam a pé na área do acidente foram retirados com vida pelos bombeiros com apoio de colegas de trabalho. O motorista de outro caminhão ficou preso apenas pelas pernas e foi resgatado com ferimentos. 

De acordo com o secretário de meio ambiente, a preocupação agora é ter certeza de que não há mais vítimas. A empresa informou a Generoso que não há outros desaparecidos. A Defesa Civil está monitorando a descida de água na barragem onde ocorreu o deslizamento, para que o volume seja contido. Conforme os bombeiros, outra barragem da mina está interditada pelo risco no local. 

Conforme a corporação, a situação foi desesperadora na hora do deslizamento. Muitas pessoas tentaram salvar os colegas puxando com as próprias mãos debaixo da terra, mas sem sucesso. Testemunhas relataram o pânico aos bombeiros no atendimento. Estão envolvidas no trabalho equipes de três viaturas dos bombeiros de Ouro Preto, duas de Itabirito e três de Belo Horizonte. O helicóptero Arcanjo também deu apoio no socorro às vítimas. 

O secretário afirma que ainda é cedo para falar sobre o que provocu a tragédia. “Estamos trabalhando junto com a Polícia Militar Ambiental, Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Defesa Civil para saber posteriormente as causas do acidente e os impactos disso para a cidade”, afirma Generoso. 

 (Arte Soraia Piva)

A mineradora Herculano fica na região conhecida como Sítio Retiro Sapecado, perto da BR-040 em direção ao Pico de Itabirito. Os bombeiros demoraram pelo menos meia hora para chegar ao local do deslizamento por causa da distância do pelotão até a barragem. O em.com.br tentou falar com a empresa pelo telefone da mina e da sede, mas não conseguiu. A mina está completamente fechada com proibição de entrada até para prestadores de serviços. Somente viaturas têm acesso ao local. 

 (Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais )

ACIDENTE EM AGOSTO 

O desmoronamento de um túnel em um terreno da Vale mobilizou o Corpo de Bombeiros no dia 26 de agosto também na cidade de Itabirito. Um homem morreu soterrado no acidente. Ele estava em cima da estrutura que cedeu. Outro operário também estava junto ao colega, mas conseguiu escapar. Um caminhão também foi atingido pela terra. O motorista foi retirado por socorristas da empresa.

MEMÓRIA 

Em 2001, um grave acidente em mina parou o distrito de São Sebastião das Águas Claras (Macacos), em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde ocorreu uma avalanche de rejeitos de minério. O rompimento da cava 1 da barragem de contenção da Mineração Rio Verde causou a morte de cinco operários e deixou um rastro de destruição ao longo de quilômetros. 

Quase dois anos depois, na Indústria de Papel Cataguases, na Zona da Mata, a mesma estrutura se rompeu, despejando 1,2 bilhão de litros de material tóxico no Rio Pomba e no Ribeirão do Cágado, na Bacia do Paraíba do Sul. As lavouras ficaram contaminadas. Mais recentemente (em 2006 e 2007), em Miraí, também na Zona da Mata, o vazamento de rejeitos de bauxita da Rio Pomba Mineração interrompeu o fornecimento de água e cobriu a cidade de lama. 

(Com informações de Valquíria Lopes)

FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/09/10/interna_gerais,567542/deslizamento-de-terra-em-mina-mobiliza-bombeiros-em-itabirito.shtml

Amarildo e Douglas

Por Frei Betto*

Primeiro, mataram Amarildo de Souza. Ajudante de pedreiro, pai de família, reputação ilibada, caiu em mãos de policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da favela da Rocinha, no Rio, e desapareceu.

Sabe-se, hoje, que sofreu espancamentos até a morte atrás da cabina da Policia Militar, na Rocinha. Seu corpo continua desaparecido. Paira a suspeita de que teria sido triturado em uma caçamba de caminhão de lixo.

Agora assassinaram o bailarino Douglas Rafael Pereira, encontrado morto, com um tiro nas costas, na creche da favela Pavão-Pavãozinho, na divisa de Copacabana com Ipanema. Testemunhas viram-no em mãos de policiais militares da UPP local.

Favela não é reduto de bandidos nem a Polícia Militar uma corporação de assassinos. Moram em favelas famílias trabalhadoras sem recursos para adquirir um imóvel melhor ou pagar aluguel em áreas urbanizadas, dotadas de saneamento e vias asfaltadas.

Há, sim, entre os moradores da comunidade, bandidos e traficantes de drogas, assim como eles também são encontrados em bairros como o Morumbi de São Paulo e a Barra da Tijuca, no Rio, onde residem famílias de alto poder aquisitivo.

Nas décadas de 1970-80, a expansão de movimentos populares no Brasil se estendeu para o interior das favelas. Por razões pastorais, morei na de Santa Maria, em Vitória, entre 1974 e 1979. Naqueles cinco anos participei de uma comunidade relativamente bem organizada em torno do Centro Comunitário. No Rio e em São Paulo multiplicavam-se Associações de Moradores.

Em fins dos anos 1980 e início da década seguinte, lideranças comunitárias da periferia começaram a ser cooptadas por prefeitos e governadores. Como ocorre hoje com a UNE e as centrais sindicais, as entidades comunitárias perderam credibilidade na medida em que se transformaram em agentes do poder público junto à população, quando deveriam atuar na direção inversa.

A acefalia abriu espaço ao narcotráfico, que passou a monitorar favelas e bairros da periferia. Na ausência de serviços públicos básicos, o narcotráfico desempenha o papel de assistente social, assegurando tratamento de saúde, bolsas de estudos, transporte e crédito aos desfavorecidos.

Por sua vez a PM, um resquício da ditadura, tornou-se, no Rio e em São Paulo, o avatar na guerra contra o narcotráfico. A ação preventiva deu lugar à mera ação repressiva. Sem preparo pedagógico e psicológico, policiais militares encaram moradores de favelas como o governo dos EUA jovens muçulmanos: todos são suspeitos até prova em contrário.

Como declarou um amigo e vizinho de Douglas, os PM tratam os moradores da favela com arrogância. Muitos não admitem que a pessoa abordada mire em seus olhos. Sentem prazer sádico em ver o cidadão humilhado, de cabeça baixa, suplicando por clemência. Achacam o comerciante local, bebem e comem de graça em bares e lanchonetes da comunidade, recebem propinas do narcotráfico para fazer vista grossa frente ao crime organizado.

O governo do PMDB no Rio, com apoio do PT, acreditou ter inventado a roda ao instalar UPPs em áreas de conflitos. Cometeu duplo erro: por não fazer os serviços públicos acompanhar a entrada de policiais nas comunidades e por não capacitar os integrantes das UPPs.

A ação repressiva não veio casada com a ação educativa. Crianças e jovens continuaram sem escolas de qualidade, oficinas de arte, áreas de lazer e esportes. E por vestirem uma farda e portarem armas, PMs se arvoram em senhores acima do bem e do mal. Revistam um trabalhador como um senhor de engenho tratava um escravo em tempos coloniais.

O estranho é que muitos policiais, moradores em favelas, não se reconhecem em seus amigos de infância e vizinhos, e agem como se não fossem um deles.

Amarildo e Douglas, como tantos outros anônimos, foram sacrificados pela prepotência. Quem será a próxima vítima?

Amarildo e Douglas são mortos insepultos. Seus sacrifícios clamam por um Estado que efetivamente reduza a desigualdade social, construa mais escolas que prisões, incuta nos policiais o sagrado respeito aos direitos humanos, e puna com rigor bandidos de colarinho branco e assassinos fardados.

Se até hoje o Estado brasileiro não obrigou as Forças Armadas a abrir os arquivos da ditadura nem puniu os torturadores, não é de se estranhar que policiais se sintam no direito de ignorar a lei e a cidadania, para agir como se fossem apenas UPPs – Unidades de Policiais Pervertidos.

Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou” (Saraiva), entre outros livros.

(Adital)

FONTE: http://www.mercadoetico.com.br/arquivo/amarildo-e-douglas/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

El País: Brasil chega à Copa de 2014 como campeão de gastos em estádios

Acidentes, como o de ontem, aumentam a inquietação internacional sobre a capacidade do país de acolher o Mundial de futebol
Obras já consumiram 8 bilhões de reais, mais do que a África do Sul e a Alemanha juntas
 
FREDERICO ROSAS São Paulo

Trabalhadores no Maracanã em junho, no Rio de Janeiro. / REUTERS

Seis anos atrás, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014, o país apostava na realização do evento para mostrar ao exterior que também teria uma atuação impecável fora de campo. No entanto, incidentes como a queda do guindaste que provocou duas mortes na Arena Corinthians, em São Paulo, nesta quarta-feira, podem ter o efeito contrário, ao dar margem a dúvidas sobre a real capacidade brasileira de sonhar com grandes eventos.

Outros dois acidentes fatais, envolvendo obras dos estádios, já haviam sido registrados. Em junho do ano passado, um trabalhador despencou de uma altura de 30 metros, em Brasília, durante a construção do Mané Garrincha. Em março deste ano, outro caiu de uma altura de cerca de cinco metros, na Arena Amazônia, em Manaus.

Não bastassem as tragédias humanas, o país também apresenta um desempenho questionável no que diz respeito aos gastos para garantir a infraestrutura para a Copa. A metade deles já foi entregue e o restante está perto de cumprir o cronograma estabelecido pela Fifa. Mas, na análise sobre os gastos para construí-los ou reformá-los, o Brasil já bateu a soma do que a África do Sul e a Alemanha desembolsaram para os dois últimos Mundiais.

O valor gasto para reforma ou construção dos 12 estádios chega a 8 bilhões de reais (3,4 bilhões de dólares), segundo levantamento do Sindicato Nacional de Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), que conta com correspondentes nas 12 cidades-sedes e realiza acompanhamento mensal de projetos ligados à competição.

No Mundial da Alemanha, em 2006, foram gastos 3,6 bilhões de reais (1,57 bilhão de dólares) para o mesmo número de estádios. Na África do Sul, em 2010, o valor aproximado foi de pelo menos 3,27 bilhões de reais (1,39 bilhão de dólares), mas para 10 estádios, segundo o levantamento.

Na Matriz de Responsabilidades de 2010, a previsão brasileira era de que os gastos com estádios somassem cerca de 5,4 bilhões de reais (2,35 bilhões de dólares). O documento reunia estimativas de custos e prazos de cada cidade-sede para a conclusão das obras. Três anos antes, quando o país foi escolhido para sediar o Mundial, o valor estimado à Fifa era de pouco mais de 2,5 bilhões de reais (1,09 bilhão de dólares).

Já foram entregues o Maracanã, no Rio de Janeiro; o Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha), no Centro-Oeste brasileiro; a Arena Pernambuco, na região metropolitana da capital Recife, o Castelão, em Fortaleza, capital do Ceará; e a Fonte Nova, em Salvador, na Bahia, todos no Nordeste do país. Também o Mineirão, em Belo Horizonte, região Sudeste do Brasil, já está pronto para receber os jogos. Todas essas arenas já sediaram a Copa das Confederações durante o mês de junho.

Um trabalhador em Estádio Mané Garrincha em maio de 2013. / F. B. JR. (EFE)

No Rio, o Maracanã, palco da final do único Mundial que o país sediou até agora, em 1950, foi o estádio escolhido para receber algumas partidas da Copa de 2014. No entanto, ao contrário do que aconteceu no século passado, quando o número oficial de espectadores foi de 199.584 na decisão do torneio, o estádio terá capacidade para aproximadamente 79.000 pessoas. Ainda assim, será a arena com maior capacidade no Mundial e vai sediar a final, em 13 de julho.

O que chama a atenção, no entanto, é o valor da reforma em um estádio que já tinha sido remodelado para o Mundial de Clubes da Fifa, em 2000, e os Jogos Pan-Americanos de 2007. O Maracanã foi a segunda arena mais cara, com investimento de quase 1,2 bilhão de reais (510 milhões de dólares), ainda de acordo com o levantamento do Sinaenco. O Mané Garrincha, de Brasília, lidera o ranking de gastos, com 1,43 bilhão de reais (614 milhões de dólares).

Os estádios restantes têm previsão de conclusão das obras até o último dia deste ano, atendendo ao prazo estipulado pela Fifa. O diretor-executivo do Comitê Organizador Local da Copa (COL), Ricardo Trade, afirmou, dias antes do acidente no Itaquerão, que é “imprescindível” ter os estádios entregues segundo o cronograma. “Assim, teremos tempo para realizar eventos-teste para que a operação durante a Copa seja como os torcedores, as delegações e a imprensa merecem”, avalia.

Entre as arenas não concluídas está o que sediará a abertura da Copa em 12 de junho, em São Paulo. A cidade mais populosa do país será representada pela Arena Corinthians, também conhecida como Itaquerão, em homenagem ao bairro paulistano de Itaquera, onde está localizado. A construtora Odebrecht, responsável pela obra, informou no último dia 13 que 94% das obras haviam sido concluídas. A arena terá capacidade para cerca de 65.000 pessoas. Com o acidente de ontem, o prazo de entrega, previsto inicialmente para dezembro deste ano, deverá ser revisto. “Além da retirada do entulho, e recuperação do trecho danificado pela queda da estrutura, será preciso verificar se houve danos estruturais nas arquibancadas que já estavam prontas”, afirmou o presidente do Sindicato Nacional de Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), José Roberto Bernascon.

Em junho, a população brasileira expressou sua indignação com os gastos exorbitantes com o Mundial durante as manifestações, que levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas. Centenas de reivindicações ironizavam o esforço do governo em construir rapidamente os estádios seguindo as exigências da Fifa, em cartazes, onde se lia “Não queremos estádios – Queremos escolas e hospitais” e “Queremos escolas e hospitais no padrão Fifa”. A ideia de que o dinheiro público estava sendo desperdiçado alimentou a ira popular a tal ponto, que a presidenta Dilma Rousseff se viu obrigada a negar, em rede nacional, o uso do Orçamento da União nas obras de estádios.

Na verdade, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ofereceu linhas de financiamento através do programa ProCopa Arenas.

Também é motivo de preocupação a manutenção do público e a ocupação dos estádios após a Copa. A Arena das Dunas em Natal, por exemplo, terá sua capacidade diminuída em 10.000 espectadores depois da Copa. Serão removidos os assentos temporários instalados atrás dos gols. Além do Rio Grande do Norte, o Distrito Federal e os Estados de Mato Grosso e Amazonas apresentam médias muito baixas de público em seus campeonatos regionais e não possuem clubes na primeira divisão do Campeonato Brasileiro pelo menos desde 2007, quando o América de Natal foi rebaixado à série B.

No caso do Distrito Federal, uma das soluções encontradas, já neste ano, para a ocupação do Estádio Nacional, foi a realização de jogos de equipes de outros Estados durante o campeonato nacional. A partida entre Flamengo e Santos, na primeira rodada do torneio deste ano, por exemplo, registrou público de pouco mais de 63.000 pagantes e uma renda absoluta recorde no país até então, de quase 7 milhões de reais (3 milhões de dólares). Na ocasião, o carioca Flamengo, time mais popular do país, empatou por 0 a 0 com o Santos, e Neymar acabaria disputando sua última partida com a equipe do Estado de São Paulo, antes de seguir para o Barcelona.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2013/11/25/economia/1385384409_505409.html