No Pará, atingidos por barragem da Norsk Hydro (Alunorte) adoecem e lutam por tratamento

Há um ano, vazamento da barragem operada pela mineradora atingiu cerca de 20 mil pessoas da cidade de Barcarena e comunidades vizinhas, e tem levado a casos de doenças infecciosas e câncer

 

norsk alunorte

Mineradora Hydro Norte se nega a reconhecer as 20 mil atingidas pelo rompimento da barragem de bauxita

Por Redação RBA

São Paulo – Moradores do município de Barcarena, no interior do Pará, e de cidades vizinhas, protestaram nesta segunda-feira (18) em frente à empresa mineradora Hydro Alunorte responsável pelo vazamento de uma barragem que despejou rejeitos tóxicos na bacia do rio Murucupi e do rio Pará, contaminando a água e atingindo ao menos 20 mil pessoas.

O crime da empresa completou um ano neste mês de fevereiro, mas de acordo com denúncias dos manifestantes, até hoje a situação ainda está impune e a Hydro Alunorte se nega a reconhecer o número total de atingidos. Desde a degradação das águas dos rios que cercam diversas comunidades ribeirinhas, moradores têm convivido com doenças infecciosas até casos de câncer. “As pessoas estão morrendo caladas”, alerta a agricultura e uma das atingidas, Cleide Monteiro em entrevista à Rádio Brasil Atual

De acordo com o representante do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), no Pará, Robert Rodrigues, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado por representantes estaduais, federais e pela mineradora, foram reconhecidas 20 mil vítimas, mas, desse total, 13 mil foram cadastradas para receber indenização por parte da empresa, mas apenas 1.600 estão sendo indenizadas.

Nesta sexta-feira (15), representantes do Estado e da mineradora não compareceram à uma audiência pública marcada para determinar as próximas ações de recuperação. “O Ministério Público está sendo conivente com a empresa. E o governo do estado apesar de ter recebido no ano de 2018, R$ 250 milhões de royalties da mineração, não tem nenhum projeto, programa estadual de segurança de barragem ou um fundo que desvie esse dinheiro para ser aplicados para a população atingida”, critica o membro do MAB à repórter Beatriz Drague Ramos.

FONTE: Rede Brasil Atual [Aqui!]

Fundação Renova (a.k.a. Mineradora Samarco): poluir pode, atingido exigir direitos não

Em Mariana, Fundação Renova abandona reunião com atingidos

 Reunião foi interrompida pela Fundação Renova dizendo que os atingidos não queriam dialogar 

Aconteceu na última sexta-feira (06), uma reunião entre atingidos e atingidas pela Barragem de Fundão, em Mariana, e Fundação Renova, na comunidade de Paracatu de Cima. Os atingidos são da zona rural da cidade e cobram direito a reassentamento rural, melhoria de sinal de celular, manutenção e afastamento de estradas, fornecimento de cartão de auxílio financeiro, reposição de áreas coletivas nas comunidades, como igreja, escolas e campo de futebol.

Durante o ano de 2017, a Fundação Renova construiu critérios, junto com as famílias, para o processo de reassentamento dos atingidos. No entanto, em uma forma clara de enrolar os atingidos mais uma vez, a Fundação explicou como seria o processo de compra de novos terrenos e novas casas para os atingidos das comunidades rurais, o que causou questionamentos e indignação aos atingidos.

“No final do ano passado (2017), na reunião que fizemos com eles aqui, eles disseram que a gente podia olhar o terreno que eles iam comprar, agora vem hoje e argumentam que estão analisando ainda para quem vão comprar e para quem não vão. Assim não dá! ”, disse José Estevão, atingido da comunidade de Pedras. 

Essas explicações da Renova foram interrompidas pelas falas dos atingidos dizendo que suas propriedades não estavam à venda quando a lama chegou e que por isso o valor delas não pode ser estimado com um processo simples de análise de mercado. Maria do Carmo, atingida de Paracatu de Cima, lembrou à Fundação Renova, que todas as famílias que reivindicam novo terreno estão dentro dos critérios que foram elaborados em conjunto com a própria Renova.

 “Essa Fundação, que é uma farsa, ficou um ano construindo critérios para quem deseja novos terrenos, e agora, vai ver se a gente se ‘enquadra’? É um absurdo. Nós só vamos continuar o diálogo e a fazer essas reuniões se for para resolver alguma coisa. Estamos há um ano sem respostas e não vamos aceitar isso”, comenta Marino D’Ângelo, atingida em Paracatu.

De repente, a reunião foi interrompida pela própria Fundação Renova dizendo que não continuaria a reunião porque os atingidos não queriam dialogar e estavam sendo agressivos. Os atingidos ficaram surpresos com a reação da Renova, uma vez que são eles que estão sofrendo há dois anos e cinco meses com um crime, sem punição e sem respostas satisfatórias.

Os atingidos tentaram retomar a reunião dizendo que se a Renova possuísse algo mais claro para apresentar sobre as demandas, eles se dispunham a ouvir, mas os representantes da Fundação se retiraram da reunião. Os atingidos continuaram reunidos e reafirmaram que continuarão firme na luta por seus direitos e não aceitarão que os criminosos digam como devem ser as regras do processo. Quem dá as regras do processo de reparação são os atingidos.

FONTE: http://mabnacional.org.br/noticia/em-mariana-funda-renova-abandona-reuni-com-atingidos