Tereza Cristina: de musa do veneno a vendedora de comida fora da validade

teresa cristina

A ministra da Agricultura Tereza Cristina (DEM/MS) em momento de confraternização com o presidente Jair Bolsonaro, quer facilitar venda de comida fora do prazo

A ministra Tereza Cristina (DEM/MS) foi por muitos anos considerada a “musa do veneno” por ser uma das mentoras do projeto que busca liberar em regra qualquer agrotóxico que as multinacionais que produzem venenos agrícolas desejarem empurrar para as terras agrícolas brasileiras, muitas vezes após o banimento nos países de origem de empresas como a Bayer, Basf e Syngenta.  Como ministra, Teresa Cristina vem “passando a boiada” na liberação de substâncias altamente venenosas, tendo logrado colocar no mercado mais de 1.200 produtos.

Com o triunfo da liberação dos agrotóxicos embaixo do braço, Tereza Cristina acabou de adotar outra bandeira que é a da precarização das regras de controle do prazo de validade dos alimentos que são vendidos aos brasileiros.  Se fosse sequer mencionada em países desenvolvidos, essa proposta implicaria na queda do ministro que propusesse isso, ou mesmo do governo inteiro.

É que mexer com prazo de validade de alimentos é algo tão anti-ético que poucos com algum juízo se arriscaria a propor algo assim. Mas como estamos no Brasil e governados por Jair Bolsonaro, raras vozes na mídia corporativa brasileira apontaram para o nível do absurdo que a ministra da agricultura ecoou em um encontro realizado, surpresa das surpresas, pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). 

Os riscos que o brasileiro mais pobre, que é exatamente aquele que se encontra em graves dificuldades para colocar alimento na mesa, vai correr são enormes, dados os problemas que ocorrem quando se ingere alimento deteriorado. 

A jogada em curso é mudar o critério de aptidão para um dado alimento continuar disponível para venda é a data de validade que implica em estipular uma data para cada produto e desaconselhado o consumo depois desse prazo. Segundo a mudança que está sendo gestada a toque de caixa (fala-se em prazo de 15 dias!), o prazo de validade seria substituído pelo modelo denominado “best before” (consumir preferencialmente antes de) que assume que um dado produto pode perder frescor ou nutrientes após certa data, mas ainda pode ser seguro para uso. 

Eu que na correria já comprei produtos próximos do fim do período de validade, apenas para ver o produto estragar antes de ser consumido, imagino o que as grandes redes de supermercado irão faturar a mais com essa mudança, pois empurrar produtos perecíveis sem prazo de validade para consumidores com menor poder aquisitivo seria como vencer na loteria várias vezes.

Já quantos aos consumidores brasileiros que já convivem com um processo crescente de envenenamento via aumento dos resíduos de agrotóxicos em toda a cadeia alimentar, terão que escolher entre comer produtos que não estragarão no dia seguinte e outros que sabidamente terão de ser consumidos imediatamente sob o risco de causar contaminações que poderão ser fatais.

Como da ministra Tereza Cristina e dos seus amigos da ABRAS é isso que se pode esperar, os brasileiros vão ter que agir rápido para não terem que se defrontar com a escolha que se avizinha: passar fome ou comer comida estragada?