NASA: queimadas e gases de efeito estufa estão secando atmosfera da Amazônia

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A queima de vegetação e a liberação de gases de efeito estufa estão conspirando para secar a Floresta Amazônica, segundo as conclusões de um novo estudo.

“Observamos que nas últimas duas décadas houve um aumento significativo da aridez da atmosfera e da demanda atmosférica por água acima da floresta tropical”, diz a principal autora do estudo, Armineh Barkhordarian, do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA.

Os incêndios florestais provocados para abrir espaço para pastagens e agricultura alimentam um ciclo no qual secas e incêndios continuarão a ser mais prováveis.

No trabalho publicado na revista Nature Scientific Reports, Barkhordarian e seus colegas usaram satélites para determinar o déficit de pressão de vapor, ou VPD, na América do Sul tropical. O VPD é a diferença entre a quantidade máxima de umidade que o ar pode reter e a quantidade de umidade que realmente existe. O déficit tem crescido nas últimas décadas, criando situações de ar seco na Amazônia.

A análise deixa pouca dúvida de que os seres humanos estão por trás da mudança: “Ao comparar esta tendência dos resultados de modelos que estimam a variabilidade climática ao longo de milhares de anos”, disse Barkhordarian, “determinamos que a mudança na aridez atmosférica está muito além do que seria esperado da variabilidade climática natural”.

Em particular, as partes sul e sudeste da Amazônia, mais afetadas pelo desmatamento provocado pela grilagem, pela implantação de novas fazendas e pastagens, têm experimentado estações secas cada vez mais secas e que duram cada vez mais. Mas, mesmo nos trechos setentrionais da floresta, as “megassecas” pontuam os últimos 20 anos, sendo que a mais recente ocorreu em 2015.

As emissões de gases de efeito estufa são parte do problema. À medida que as suas concentrações aumentam na atmosfera, capturam mais energia, o que aquece o planeta e leva a condições mais secas. Os aerossóis que formam a fuligem e são libertados pelos incêndios também absorvem calor e dificultam a formação de nuvens.

Para se manterem frescas à medida que a temperatura aumenta, as árvores retiram mais água do solo. Normalmente, essa água flui através das árvores, desempenhando um papel vital no transporte de nutrientes ao longo do caminho. Quando finalmente é libertada do topo do dossel, a umidade condensa-se em nuvens e grande parte dela regressa ao solo sob a forma de chuva.

“É uma questão de oferta e demanda”, disse Sassan Saatchi, cientista sênior de pesquisa da JPL e coautor do estudo. “Com o aumento da temperatura e a secura do ar acima das árvores, estas precisam transpirar para se resfriar e adicionar mais vapor de água à atmosfera.

“Mas o solo não tem água extra para as árvores puxarem”, acrescentou.

Essas condições mais áridas tornam os incêndios mais prováveis, o que por sua vez pode secar a floresta ainda mais. À medida que a água se torna mais escassa, as próprias florestas, juntamente com alguns dos ecossistemas mais biodiversos da Terra que elas sustentam, podem estar em perigo.

“Nosso estudo mostra que a demanda está aumentando e a oferta está diminuindo”, disse Saatchi, “e, se isso continuar, a floresta pode não ser mais capaz de se sustentar”.

Como disse o jornalista Marcelo Leite no Twitter, os resultados deste trabalho são muito importantes: podemos estar observando o início da ladeira que levaria a Amazônia a ressecar-se, ficando mais parecida com uma savana. O famigerado “dieback”, espécie de colapso do bioma.

A matéria é da Mongabay.

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Este artigo foi publicado pelo ClimaInfo [Aqui!].

Demissão de chefe do Inpe é ‘alarmante’, diz diretor de centro da Nasa

bbc 1Desmatamento da Amazônia, em foto de 2007; floresta brasileira perdeu 20% de sua área desde 1970. Getty Images

A demissão de Ricardo Galvão do comando do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é “significativamente alarmante”, pois “reflete como o atual governo brasileiro encara a ciência”.

A opinião é de Douglas Morton, diretor do Laboratório de Ciências Biosféricas no Centro de Voos Espaciais da Nasa, a agência especial americana, e professor-adjunto da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.

“O Inpe sempre atuou de forma extremamente técnica e cuidadosa. A demissão de Ricardo Galvão é significativamente alarmante”, diz Morton por telefone à BBC News Brasil.

“Não acredito que o presidente Jair Bolsonaro duvide dos dados produzidos pelo Inpe, como diz. Na verdade, para ele, são inconvenientes. Os dados são inquestionáveis”, acrescenta.

Morton vem acompanhando de perto o Brasil nos últimos 18 anos, com foco especial nas fronteiras agrícolas na Amazônia e no Cerrado e na dinâmica do desmatamento, degradação florestal e manejo agrícola após conversão florestal. Em seu laboratório na Nasa, ele conduz pesquisas ecológicas em grande escala usando dados das plataformas aéreas e de satélite, modelos de ecossistemas e trabalho de campo.

bbc 2Para Douglas Morton, dados do instituto são ‘inquestionáveis’ e representam ‘verdade inconveniente’ para o presidente Jair Bolsonaro.

“O processo de análise de imagens de satélite providas por agências espaciais como a Nasa é feito com a mais absoluta transparência e imparcialidade pelo Inpe. O instituto tem prestígio internacional e sua equipe conta com funcionários gabaritados. Os dados são checados e rechecados antes de serem divulgados”, defende Morton.

“Neste sentido, a demissão de Galvão choca a comunidade científica pois envia um alerta sobre como o atual governo brasileiro encara a ciência”, acrescenta.

Morton observa ainda que, apesar de a metodologia na leitura dos dados sobre desmatamento poder variar de acordo com o organismo responsável pela análise, as discrepâncias são “muito pequenas”.

bbc 3Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cortou qualquer interlocução do Ibama e do MMA com o Inpe, disse Galvão em entrevista à BBC News Brasil

“Os dados usados pelo instituto e outras organizações são baseados em imagens de satélite. O que varia é a forma como esses dados são processados. Mas não há nenhuma diferença fundamental no tocante à metodologia que justifique colocar em dúvida as informações divulgadas pelo Inpe”, diz.

Morton explica que a Nasa apenas fornece as imagens e não faz nenhuma análise sobre cobertura florestal no mundo. Cabe a especialistas como ele e organizações especializadas observar esses dados e avaliá-los.

As informações sobre desmatamento na Amazônia produzidas pelo Inpe são veiculadas por dois sistemas – Deter e Prodes. Esses dados são públicos e podem acessados pelo portal TerraBrasilis.

O Deter – levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia – é baseado em imagens dos sensores WFI, do satélite Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-4) e AWiFS, do satélite Indian Remote Sensing Satellite (IRS).

Já o Prodes gera as taxas anuais de desmatamento na região e utiliza imagens de satélites americanos da classe LANDSAT.

bbc 4Bolsonaro acusou Galvão de estar a serviço de ‘ONGs internacionais’

Demissão

Na última sexta-feira (2 de agosto), Ricardo Galvão foi exonerado do cargo de diretor do Inpe após atritos com o governo.

Segundo afirmou Galvão em entrevista à BBC News Brasil, a crise que culminou em sua demissão foi fruto de um longo desgaste com o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) – o ministro chegou a anunciar que poderia contratar uma empresa privada para substituir o Inpe no monitoramento.

O ex-diretor disse ainda que o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, ignorou alertas feitos por ele desde janeiro deste ano, de que havia um problema de interlocução entre o Inpe e Salles.

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RICARDO GALVÃO / ARQUIVO PESSOAL. O físico Ricardo Galvão, 71 anos, é membro da Academia Brasileira de Ciências

A crise se tornou mais aguda a partir do dia 19 de julho, quando o presidente Jair Bolsonaro pôs em dúvida os dados do Instituto e disse que Galvão estaria “a serviço de alguma ONG”.

No dia seguinte, o diretor do Inpe concedeu entrevista defendendo as informações produzidas pelo instituto e criticando as declarações do presidente. Finalmente, na manhã da sexta-feira (02), Galvão foi informado por Marcos Pontes de que seria demitido.

Galvão foi nomeado diretor do Inpe em 2016 por Gilberto Kassab, que comandava à época o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações Comunicações (MCTIC). Antes disso, era professor titular da USP e presidente da Sociedade Brasileira de Física. Também é membro do conselho da Sociedade Europeia de Física e ex-diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.

O ex-diretor do Inpe é graduado em engenharia de telecomunicações pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em engenharia elétrica pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e doutor em física de plasmas aplicada pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), com livre-docência em física experimental pela USP (Universidade de São Paulo). É membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

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Este artigo foi originalmente publicado pela rede BBC [Aqui!].

Estudo da NASA aponta para mudanças drásticas na disponibilidade de água na Terra

O mar de Aral em 2015.  Este corpo aquático diminuiu drasticamente em tamanho nos últimos anos por causa da retirada de água dos rios que o alimentam. (NASA Earth Observatory)

Em um artigo publicado pela revista Nature na 4a. feira passada (16/05) sob o título de “Emerging trends in global freshwater availability“, um grupo de pesquisadores da agência espacial estadunidense (a National Aeronautics and Space Administration-NASA), da University of Maryland e da National Taiwan University apresenta os resultados de uma missão que durou 14 anos, a qual confirmou que uma redistribuição maciça de água doce está ocorrendo em toda a Terra, com cinturões de latitudes médias ficam mais secas, enquanto que os trópicos e latitudes mais altas estariam ganhando mais suprimentos de água (ver figura retirada do artigo abaixo).

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Os resultados do estudo mostram que as mudanças detectadas são, provavelmente, causadas por uma combinação de efeitos que incluem as mudanças climáticas, vastas retiradas humanas de água subterrânea e simples mudanças naturais. Entretanto, os autores do trabalho alertam que tais mudanças poderão ter profundas conseqüências se continuarem.  Um aspecto bastante problemática é que algumas regiões altamente populosas poderiam encontrar grandes dificuldades para ter acesso a quantidades suficientes de água no futuro.

Os resultados emergem da missão Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE) de 2002-2016,  complementada com fontes de dados adicionais. A missão do GRACE, que terminou recentemente, mas será substituída em breve por um empreendimento “Follow-On”, consistiu de satélites gêmeos em órbita que detectaram o peso da gravidade da Terra abaixo deles – e monitorou as mudanças em massa com base em pequenas diferenças nas medições. dois satélites.

De toda forma, ainda que possam ser revisados, os resultados deste estudo são muito preocupantes, especialmente quando se considera que as práticas que causam o alto consumo de água, como é o caso da agricultura corporativa e das grandes monoculturas, estão em processo de clara expansão, especialmente em áreas sob risco de grave escassez, como é o caso do semi-árido brasileiro.

Quem desejar baixar este artigo de acesso livre, basta clicar [Aqui!].

Painel da NASA indica que nível dos oceanos está se elevando mais rápido do que previsto

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O jornal Inglês “The Guardian” publicou ontem (27/08) um artigo produzido pela Agência Reuters mostrando que segundo estudos recentes de um painel de pesquisadores ligados à NASA (National Air Space Agency dos EUA), o ritmo de elevação dos oceanos está se dando de forma mais rápida do que antes previsto, e que a situação poderá piorar ainda mais (Aqui!).

Deixando de lado aqueles céticos irredutíveis, o que a divulgação desses resultados mostra é que a maioria do mundo está atrasada em relação ao desenvolvimento de respostas a um problema que deverá atingir uma porção significativa da população mundial que vive nas regiões costeiras da Terra. E segundo os cálculos que foram feitos, determinadas partes do mundo vão sentir os efeitos dessa mudança nos próximos 20 anos.

Além disso, um dos detalhes apontados na matéria assinada pela Reuters é de que essa aceleração da elevação dos oceanos deverá implicar no uso das informações científicas disponíveis para, por exemplo, se estabelecer novas estruturas nas regiões costeiras (portos, por exemplo).

Para quem aquele que quiserem saber mais sobre o assunto, sugiro que assistam ao vídeo postado (Aqui!).

Nasa mostra do espaço as algas que espantam banhistas no Rio

Vista do espaço, as águas do Atlântico Sul aparecem escurecidas em manchas que se estendem por 800 quilômetros

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Vanessa Barbosa, de 

NASA Earth Observatory/ Jesse Allen

 Algas que se proliferam na costa do RJ vistas do espaço

Proliferação de algas: as manchas escuras ocupam 800 quilômetros da costa carioca

São Paulo – Olhando rápido, essa supermancha escura na foto acima até poderia ser confundida com uma extensa ilha submarina. Mas está longe disso. Essa é vista espacial das algas que se proliferam aos montes nas águas das praias cariocas, levando desconforto aos banhistas.

No dia 19 de janeiro, a Nasa captou imagens dos micro-organismos que têm aparecido com frequência na costa do Rio de Janeiro, com ajuda do Modis (Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer), instrumento no satélite Aqua.

Vistas do espaço, as águas do Atlântico Sul aparecem escurecidas em manchas que se estendem por 800 quilômetros. Na imagem, os fios inchados de branco sobre o mar são nuvens.

Biólogos consultados pela Agência americana afirmam que os micro-organismos são conhecidos como Myrionecta rubra, uma alga que não é tóxica para os humanos, nem para outros organismos marinhos.

Segundo a Nasa, a alga tem uma cor avermelhada, mas na foto espacial ela aparece escurecida devido à forma como o oceano absorve a luz solar.

“A Myrionecta rubra flutua até dois metros abaixo da superfície da água, por isso os fótons de luz vermelha são absorvidos ou espalhados”, explica a Agência em seu site.

FONTE: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/algas-que-molestam-cariocas-formam-supermancha-escura