Enquanto eles se reúnem para enxugar gelo, a Praia do Açu encolhe

Aproveitando que hoje é o dia em que deverá ocorrer mais uma reunião patrocinada pela prefeitura de São João da Barra para discutir o processo de erosão que está devorando a Praia do Açu, estive na localidade de Barra do Açu para coletar espécimens do que animal que resolveu invadir o resto da faixa de praia. Após coletar um indivíduo vivo para trazê-lo para estudos no Laboratório de Ciências Ambientais da UENF, sob supervisão do Prof. Carlos Eduardo Rezende, resolvi dar uma caminhada pela praia e posto abaixo algumas imagens que eu considero bastante reveladoras do avanço da frente erosiva.

Por fim, acho interessante que em mais essa visita que faço à Praia do Açu, não encontrei nenhum técnico ou secretário municipal no local. Será que não seria mais interessante que essas reuniões que estão sendo feitas ocorressem na área em que o fenômeno está ocorrendo? 

Bom, pensando bem, não. É que ai as reuniões teriam de passar da fase do enxugamento de gelo para a ação prática para conter o fenômeno. Mas para isso acontecer tudo indica, tomando-se como base as notícias sendo circulações pela mídia corporativa regional, que a Prumo Logística Global é quem vai ter que querer que isso aconteça. E ai, já viu!

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E o “Troféu Abacaxi” vai para a Prefeitura de São João da Barra!

A mídia corporativa local anunciou nos últimos dias a realização do “I Festival do Abacaxi” de São João da Barra. A matéria produzida pelo site “Ururau” teve até espaço para uma declaração curiosa do prefeito  Neco que teria declarado que “a cultura do abacaxi cresce a cada dia em São João da Barra, principalmente no quinto distrito, e a administração municipal caminha ao lado do produtor rural incentivando e prestando todo apoio necessário. Os investimentos no setor agrícola continuarão a serem feitos para que os resultados sejam cada vez melhores” (Aqui!).  Essa declaração é, no mínimo, curiosa já que a desapropriação de cerca de 7.500 hectares de terras onde o abacaxi era uma das culturas âncoras, e como não assisti nenhum aumento nas áreas restantes que compensasse o que foi tirado da agricultura familiar para beneficiar Eike Batista e seu conglomerado de empresas pré-operacionais, essa declaração de Neco parece ser um tanto descolada da realidade. Terra essa hoje que repousa nas mãos da corporação multinacional EIG Global Partners, diga-se de passagem.

O verdadeiro quadro no V Distrito está muito distante dessa realidade rósea que a prefeitura de São João da Barra tenta pintar com a realização desse festival. O fato é que os agricultores que teimam em continuar trabalhando para produzir alimentos agora estão pagando caro para arrendar terras, o que aumenta os custos sem que haja qualquer apoio para seja agregado valor para aumentar a lucratividade da produção. É até penoso ouvir a narrativa desses agricultores em relação ao suplício que sua labuta na agricultura, pois um número significativo deles continua esperando algum tipo de apoio oficial, inclusive para que se acelere o pagamento das compensações devidas pela expropriação de suas terras.

Assim, o verdadeiro festival do abacaxi de São João da Barra foi promovido por Eike Batista que usou dos seus contatos para expropriar terras produtivas e construir um grande latifúndio improdutivo em terras de agricultores humildes que tiravam da areia toneladas de alimentos todos os anos sem muito apoio oficial, diga-se de passagem.

E nunca é demais lembrar que está em curso um processo de salinização que pode ameaçar o que restou de área livre para a prática da agricultura! Aliás, com a volta das chuvas esse processo deverá mostrar seus efeitos nas áreas em que a cultura ainda é pratica. Assim, em vez de fazer um festival “fake” do abacaxi, o que a prefeitura de São João da Barra deveria estar fazendo era monitorar o andamento desse processo de contaminação ambiental. Bom, ai já é pedir demais de quem vende a imagem de que o Porto do Açu é a salvação da lavoura, não é?

Por essas e outras, é que no melhor estilo do Chacrinha, a prefeitura de São joão da Barra deveria receber o “troféu abacaxi” pelo tratamento dispensado aos agricultores desapropriados no V Distrito!

Antes tarde do que nunca. Prefeito se movimenta para tratar dos problemas da erosão costeira no Açu

Avanço do mar no Açu na pauta de reunião

Prefeito Neco discutiu assunto nesta terça-feira com diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias

(Victor de Azevedo)

O avanço do mar na praia do Açu, litoral de São João da Barra, foi tema de uma reunião entre o prefeito José Amaro de Souza Neco e o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), Domenico Accetta. Durante o encontro, que contou com as presenças do secretário municipal de Planejamento, Sidney Salgado, e do procurador geral do município, Jeferson Fernandes, foram discutidos assuntos relacionados ao estudo que vem sendo realizado pelo INPH sobre o problema.

Para o prefeito Neco, é de suma importância que se descubra a razão do avanço do mar, até mesmo para garantir a segurança das pessoas que moram e visitam a praia. “Queremos identificar qual a causa deste problema. Assim que houver uma sinalização do que se trata, vamos em busca da solução para manter a tranquilidade de moradores e veranistas. Confio na equipe do INPH e esperamos pelo resultado do estudo”, disse. 

O órgão é o mesmo que realizou nos últimos meses o estudo sobre o avanço do mar em Atafona. Segundo Domenico, a recuperação da orla de Atafona é possível e viável. O projeto conceitual foi apresentando em agosto. O projeto final deve ser entregue dentro de três meses e a previsão é que a obra seja orçada entre R$ 140 e 180 milhões.

Para referendar a sua ideia, Domenico Accetta mostrou casos similares onde o INPH conseguiu recuperar, como Marataízes e, principalmente, Conceição da Barra, que também é um pontal, ambas no Espírito Santo. O engenheiro também apresentou detalhes do projeto inicial. A princípio seriam recuperados quatro quilômetros de praia, no sentido Atafona -Grussai, e aumentada a faixa de areia em cerca de 100 metros.

FONTE: http://www.sjb.rj.gov.br/noticia-3383/avanco-do-mar-no-acu-na-pauta-de-reuniao

Prefeito Neco e a salinização em São João da Barra

O prefeito de São João da Barra, o Sr. José Amaro de Souza, o Neco, parece estar empenhado na luta contra a transposição das águas do Rio Paraíba do Sul pelo governo do estado de São Paulo. Mas uma declaração dada ao Jornal Folha da Manhã (Aqui!) me deixou curioso. É que segundo a declaração atribuída à Neco, a transposição das águas do Paraíba do Sul aumentaria a penetração da cunha salina no canal principal do rio, criando a possibilidade real do desabastecimento na cidade que ele governa. 

Eu não poderia concordar mais com o prefeito Neco que deve estar sendo bem orientado pelo seu secretário de Meio Ambiente nessa questão. Pena que Neco tenha tido uma posição oposta a essa, que é correta, quando o assunto é a salinização causada pela construção do Porto do Açu que causou e continua causando danos aos agricultores familiares do V Distrito de São João da Barra sem que a Prefeitura de São João da Barra mova uma palha para minimizar a situação.

Alguém precisa avisar ao prefeito Neco que sal é sal, seja aquele que pode ser trazido pela transposição ou que aquele que já foi derramado pela construção do Porto do Açu. E, salinização de solos, é para sempre!