Um rara análise sobre futebol e sobre um certo jornalismo anti-Abel Ferreira

4 lições de liderança testadas por Abel Ferreira no Palmeiras | Exame

Quem me conhece sabe que sou torcedor da Sociedade Esportiva Palmeiras, coisa que faço desde que eu era uma criança que ouvia jogos pelo rádio onde o Palmeiras podia encarar o Santos Futebol Clube de Pelé e companhia sem medo de ser goleado. Com isso, deixo claro que torço pelo Palmeiras há mais de seis décadas, ainda que minhas idas a estádios sejam raros. Ao longo de 60 anos, tive momentos de alegria, tristeza e vergonha, mas nunca deixei de ser palmeirense. É como dizia Joelmir Betting, “Torcer para o Palmeiras não precisa de explicação. É amor!” 

Mas esclarecido o que foi esclarecido acima, também tenho que dizer que no início do ano proferi em casa uma frase que pode parecer contraditória: esse ano não vamos ganhar nada.  É que dadas as decisões de trocar praticamente o time inteiro,  uma pessoa minimamente racional saberia que em qualquer esporte há que se ter um mínimo de tempo para que se possa almejar títulos ou medalhas. E chegando ao final da temporada de 2025, eis que realmente o Palmeiras não conseguiu nenhum título, apenas dois vice-campeonatos. Olhando com um viés minimamente racional, esses dois vice-campeonatos vão muito além do que poderia ser esperado. E os tais 700 milhões que foram gastos pela diretoria? Esperemos para ver a evolução que ocorrerá, ou não, em 2026 e aí poderemos ter uma avaliação mais segura. Como parece que não haverá troca da comissão técnica e a maioria dos jogadores ficará, esse parece ser o caminho mais correto para se avaliar o trabalho de Abel Ferreira e companhia.

Mas se eu estou certo, por que então a imensa maioria dos jornalistas esportivos do eixo Rio-São Paulo, especialmente os de São Paulo, teimam em classificar o ano do Palmeiras como um fracasso e seu técnico, Abel Ferreira, como um fracassado?  Eu diria que as explicações misturam várias coisas que nem sempre são óbvias. Podemos colocar pitadas de clubismo (já que muitos desses jornalistas são torcedores também), xenofobia, interesses econômicos, e ressentimento.  São todas essas coisas que me parecem colaboram para que o Palmeiras e Abel Ferreira sejam merecedores de críticas tão ácidas.  Ah, sim, o estilo “eu sou a maioral” da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, também não ajuda a açúcar as análises, na medida em que é a única mulher no cargo que ocupa no futebol brasileiro, e ela parece suscitar as piores tendências em determinadas figuras que surgem e somem no cenário jornalístico brasileiro.

Eu adoraria ter tempo para conduzir uma pesquisa sobre as manifestações de determinados jornalistas que abordasse suas falas e seu texto a partir do método científico, com técnicas estabelecidas. É que eu procederia as análises a partir de parâmetros explícitos, e não com os padrões com que eles julgaram o ano do Palmeiras e o trabalho de Abel Ferreira e sua comissão técnica.  Com certeza iria ser uma contribuição interessante sobre como determinados conteúdos jornalísticos refletem agendas que não são necessariamente aquilo que parecem.

Uma palavra sobre Abel Ferreira. Tem horas que eu não entendo suas escalações e substituições que nem sempre me parecem as mais corretas ou justificadas. Mas isso não quer dizer que eu não veja, mesmo em um ano em que não se ganhou título, o brilhantismo óbvio que caracteriza o trabalho dele desde que se tornou técnico do Palmeiras.  Lembro que a primeira vez que vi Abel Ferreira eu o fiz por meio de uma tela de TV no aeroporto de Londres em um jogo em que dirigia o Sport Club Braga em algum campeonato europeu.  Ainda recordo que o locutor disse que ali estava um jovem técnico com grande futuro no futebol europeu. Quando foi contratado pelo Palmeiras em 2020, achei estranho que ele tivesse decidido cruzar o oceano para se estabelecer em São Paulo. Afinal de contas, vir para o futebol brasileiro não seria uma aposta que eu faria como opção de carreira. Mas cinco ano depois da sua chegada, até o mais corneta dos palmeirense sabe que ele já se tornou o maior treinador da história centenária do clube.  Negar isso deveria ser deixado para os jornalistas esportivos que parecem ter um jeito peculiar de avaliar fracasso e sucesso.

Recentemente respondi a uma enquete em um grupo de palmeirenses sobre se Abel Ferreira deveria continuar sendo técnico da Sociedade Esportiva Palmeiras. Respondi de forma dúbia: para o bem do Palmeiras, ele deveriaficar; para o bem do próprio Abel, ele deveria “vazar”.   Mas ele ficar, que nos brinde com sua versão mais ácida, chutes em microfones, repostas duras para perguntas burras, e, se der, com mais títulos.   

Maurício Galliote envergonha raízes do Palmeiras ao dar espaço para a mensagem de Bolsonaro

trofeu

Jair Bolsonaro, que não compareceu a debates por estar colostomizado, levanta troféu de 15 Kg do campeão brasileiro de 2018.

 Me  vejo torcendo pela Sociedade Esportiva Palmeiras desde que lá pelos meados de 1965 meus tios colocavam o rádio a pilha para ouvir a equipe esmeraldina fazer frente ao Santos de Pelé, Dorval, Coutinho e Pepe. De lá para cá, passei muitas vergonhas e alegrias como qualquer outro torcedor de futebol.

Confesso que raramente vou a estádios, e a última vez que fui ver o Palmeiras jogar foi contra o Americano em Campos dos Goytacazes, em uma partida pouquíssimo memorável, mas que acho que acabamos vencendo.

De lá para cá, dada a distância de São Paulo e a indisposição para enfrentar a violência que rola nos estádios da capital fluminense, acompanho o Palmeiras pela TV, pelo rádio ou pelo computador. 

Nos últimos anos, o Palmeiras voltou a vencer, primeiro pelas mãos do milionário Paulo Nobre, e agora com Maurício Galliotte que vem sendo turbinado pela Crefisa e pela Faculdade das Américas (FAM) da senhora Leila Pereira. Confesso que ver essas duas empresas crescendo às custas de um financiamento barato às custas da camisa da camisa do Palmeiras já vinha me incomodando, pois somos um time que nasceu a partir do movimento de trabalhadores imigrantes.

Esse desconforto cresceu ao ver o jogado Felipe Melo fazer campanha para Jair Bolsonaro e a diretoria de Maurício Galliotte nem se coçar para dizer que, a despeito das posições pessoais, Felipe Melo não fala em nome de todos os palmeirenses. E falando em Felipe Melo, é duro para mim que já vi um meio campo composto por Dudu e Ademir da Guia ter que aturar a violência dele sendo cometida com a nossa camisa.  Aliás, é preciso lembrar que Ademir da Guia  sempre ostentou posições que  fizeram a maioria dos palmeirenses orgulhosos de suas tradições.

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Agora, o que se passou ontem na entrega do troféu de campeão brasileiro de 2018 passou de todos os limites toleráveis.  É que a diretoria comandada por Maurício Galliotte passou de todos os limites aceitáveis ao dar espaço não apenas para Bolsonaro ocupar um espaço nobre que a maioria dos trabalhadores pobres que torcem pela Sociedade Esportiva Palmeiras terão recursos para frequentar, como também colocou o presidente eleito em meio aos jogadores campeões, numa demonstra de subordinação política a interesses que nada têm a ver com as tradições dos fundadores do nosso time.

E para que tudo isso? Primeiro,  nem se sabe se Jair Bolsonaro é realmente palmeirense, pois já posou com a camisa de inúmeras equipes em anos recentes, e recentemente foi ouvido dando o grito de “Vai curíntia” de forma bastante alegre.  Segundo, mesmo se ele fosse um palmeirense eventual, nada daria o direito dele se aproveitar da festa para promover sua mensagem de violência que vai contra as tradições do Palmeiras. 

Com o que permitiu ontem, Maurício Galliotte mereceria ser impedido de continuar presidindo o Palmeiras. Mas dificilmente haverá gente com culhões para impedir que Galliotte continue presidindo a Sociedade Esportiva Palmeiras. Mas  enquanto ele for presidente, me absterei de comprar qualquer material do Palmeiras, pois não darei um centavo para quem cobriu a nossa bandeira de vergonha. 

E, Galliotte, a história vai se lembrar de você, não como o presidente que nos levou a mais um campeonato nacional, mas como aquele que permitiu que um oportunista manchasse a nossa festa.