Os panelaços voltaram… o alvo agora é Jair Bolsonaro

Há alguns dias acompanho a movimentação nas redes sociais em prol da realização de um panelaço neste dia 18 de março a partir das 20:30 (ver um dos cartazes de convocação abaixo).

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Mas eis que na noite desta 3a. feira, 24 horas antes do protesto que está sendo convocado nas redes sociais, as principais capitais brasileiras (principalmente em suas áreas mais ricas) eclodiram um estridente panelaço, do mesmo tipo daqueles que ocorreram durante a campanha em prol do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (ver abaixo vídeo mostrando este protesto no bairro de Vila Madalena na cidade de São Paulo).

Ainda que seja precoce dizer qualquer coisa sobre a capilaridade da revolta que aparece nas áreas ocupadas pelas classes médias e altas nos setores mais pobres da população, o certo é que se o governo Bolsonaro fosse um barco, o melhor nome para ele seria “Titanic”, e o que estamos vendo hoje é apenas a ponta de um gigantesco iceberg.

Como amanhã há outro protesto marcado e com as mesmas características do que aconteceu espontaneamente na noite de hoje. Vamos conferir se a toada será a mesma ou não. Se for, poderemos afirmar coisas mais concretas.

Incrivelmente, a degradação do suporte político ao governo Bolsonaro não parece vir de nenhuma ação coordenada da chamada esquerda institucional, e sim da sequência de manifestações irresponsáveis do próprio presidente Jair Bolsonaro (incluindo as feitas sobre a pandemia do coronavírus) e sua trupe de ministros sinistros. A noite deverá ser tensa no Palácio do Planalto. Essa esquerda deve estar tão surpresa quanto os bolcheviques quando entraram no Palácio de Inverno do Czar em São Petersburgo.  E não ficarei surpreso se dentro do que se chama de “esquerda” vierem pedidos de respeito à institucionalidade. A ver!

O panelaço dos ricos é só mais um ponto na curva da luta de classes no Brasil

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Não votei na presidente Dilma Rousseff em nenhuma das vezes em que ela foi eleita, pois discordo frontalmente do modelo de governo que ela e o PT escolheram para o Brasil. Entre as questões que mais me afastaram de qualquer simpatia por Dilma Rousseff estão o abandono da reforma agrária e a persistente opção por uma política de financeirização da economia nacional que impede qualquer possibilidade de desenvolvimento econômico real.

Na noite de ontem que coincidentemente era o dia internacional da mulher, a presidente Dilma Rousseff decidiu fazer um pronunciamento em cadeia nacional, o qual eu sinceramente não tive o menor interesse de ouvir. É que por conhecer o discurso adotado por ela para manter suas políticas neoliberais, agora comandadas por um ministro reconhecidamente adepto desse modelo falido de gerir a economia, decidi me concentrar em outras coisas.

Pouco depois fui navegar na internet e me deparei com notícias de panelaços e xingamentos coletivos que teriam ocorrido nas áreas mais ricas de algumas cidades brasileiras. E querem saber, não me surpreendi. É que fruto de uma combinação do escândalo da Petrobras com a piora da economia, e com o acréscimo de uma inconformidade eleitoral, os habitantes das áreas ricas não estão conseguindo mais se conter em sua histeria de classe. O interessante é que não estão nesse setor francamente minoritário aqueles que mais sofrem ou sofreram na história brasileira. Nesses prédios, muitas vezes luxuosos, estão aqueles que se refastelaram com as políticas pró-mercado que o PSDB começou e o PT continuou.

Mas lamentavelmente para estes segmentos abastados, eles são franca minoria no conjunto da população brasileira. E não diga apenas numericamente, mas ideologicamente. É que a maioria, na qual me incluo, ainda lembra o que o governo de Fernando Henrique Cardoso significou para o Brasil e a maioria do povo. Esse mesmo Fernando Henrique que hoje flerta com um golpe de estado simplesmente comandou um saque sem precedentes aos bens públicos, e depois saiu do Palácio do Planalto pelas portas do fundo. Tivesse Lula feito uma auditoria das privatizações feitas pelo PSDB, talvez hoje o PT e Dilma não estivessem tão enrolados em práticas que antes condenavam.

Agora, voltando aos ricos e sua inconformidade com as migalhas de melhora que o povo trabalhador desfruta sob os governos do PT, eu diria apenas que deveriam ir para Miami e se encontrar com Rodrigo Constantino. E de preferência que fiquem por lá, pois ai assim poderão ver como é que a vaca tosse.