Parcelamento de salários é apenas a antessala da privatização total do Rio de Janeiro

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Quase metade dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro amanheceu com o gosto amargo na boca causado por parcelamento esdrúxulo dos salários do mês de Novembro (notem que eu disse Novembro!).  A maioria dos que tiveram seus salários parcelados já estão com dívidas que consumirão rapidamente cada uma das nove parcelas quando elas pingarem em suas contas bancárias. Em contrapartida, a alegria entre os banqueiros é total, pois servidor com salário parcelado rima com cidadão individado.

Um componente dessa situação dramática é o Supremo Tribunal Federal (STF), na pessoa do ministro José Antonio Dias Tóffoli, que concedeu uma liminar impedindo o arresto de contas do estado do Rio de Janeiro para fins de pagamento de salários. É importante lembrar que se o arresto estivesse sendo permitido é quase certo que quase um milhão de pessoas não estariam entrando no período natalino em meio a profundas dificuldades financeiras. Então, Dias Tóffoli é um nome a ser sempre lembrado e nunca esquecido.

Mas o que falar de personagens como o (des) governador Luiz Fernando Pezão e o (des) secretário Gustavo Barbosa? A Pezão cabe a co-autoria do naufrágio das finanças estaduais, pois ele sempre foi um parceiro estratégico nas políticas implantadas por Sérgio Cabral Filho. Já Gustavo Barbosa, depois de quebrar o RioPrevidência com a desastrosa Operação Delaware, assumiu o lugar de Júlio Bueno na secretária de Fazenda e aprofundou o percurso desastroso que seu antecessor tão bem lapidou. 

Por outro lado, esqueçamos os personagens e nos concentremos na obra. O que está sendo preparado com o parcelamento de salários é um ataque de proporções colossais ao funcionamento da máquina pública no estado do Rio de Janeiro. Além de congelamento de salários, demissão de servidores e cassação de direitos duramente adquiridos, o que vem pela frente é a tomada de porções inteiras da coisa pública pelas corporações, muitas das quais envolvidas no processo de corrupção que afundou o Rio de Janeiro no lamaçal em que se encontra.

Aos servidores que se encontram na linha de frente da resistência é importante não esquecer o aspecto estratégico do que está vindo junto com o atraso e o parcelamento de salários. Do contrário, vamos nos concentrar apenas na armadilha na qual querem nos colocar. Ainda que seja compreensível que haja angústia e apreensão já que dinheiro não nasce em árvore, não podemos esquecer do que realmente está em jogo.

Me parece que é chegada a hora de se sair do varejo das demandas salariais para o atacado que é representado pela demanda de imediata cassação dos mandatos de Luiz Fernando Pezão e Francisco Dornelles, e que seja seguida por um auditoria pública e independente das finanças estaduais. Sem isso, continuaremos sendo desrespeitados por um (des) governo que claramente não governa para a população, mas sim para as corporações.

Com a palavra os sindicatos e movimentos que representam os servidores do Rio de Janeiro!