Morte por congelamento de Réne Robert nas ruas de Paris mostra os limites da indiferença na sociedade neoliberal

Rene-Robert

René Robert estava morando em Paris, onde morreu aos 85 anos. Foto: Reprodução

Após sair para dar um passeio pela sua vizinhança em uma seção movimentada de Paris, o renomado fotógrafo suíço Réne Robert sofreu uma tontura e caiu no pavimento, sendo ali deixado por longas nove horas até que morresse por congelamento.  Esse fato agora choca a consciência coletiva dos franceses, pois Robert foi um dos maiores retratadores do flamenco que ajudou a imortalizar com suas imagens.

Uma explicação para esse caso é que a região em que Robert caiu e foi deixado para morrer por congelamento é comum ver pessoas sem teto pedindo dinheiro ou comida. Aliás, foi um sem teto que finalmente chamou o socorro para a pessoa idosa que depois se descobriu ser Réne Robert, morto pela indiferença coletiva aos 85 anos, mostrando que há mais solidariedade entre os desvalidos do capitalismo do que dentre aqueles que continuam sendo privilegiados pelo sistema.

A questão aqui é que chegamos a um ponto de indiferença e despreocupação com as multidões que foram jogadas ao relento pelas políticas de destruição do Estado do bem estar social, e a França, considerada o berço da mensagem de igualdade e fraternidade que teoricamente foi lançada pela burguesia, não ficou de fora deste processo de alijamento dos pobres das benesses que o sistema gera. Mas foi preciso que houvesse a morte de um fotógrafo famoso para que isto ficasse óbvio para os franceses.

Como vivo em uma cidade em que a população de rua explodiu nos últimos anos, parte graças à crise econômica nacional e parte por causa da destruição das políticas sociais municipais que davam um mínimo de segurança aos pobres, fico imaginando quantos ainda morreram sob nossos olhos indiferentes até que possamos sentir um mínimo de choque com as cenas explícitas de degradação humana que as políticas ultraneoliberais criaram no Brasil e em Campos dos Goytacazes.

No dia 15 de maio, Paris realizará marcha contra a Monsanto-Bayer e agroquímicos

MARCHA MUNDIAL

Em 15 de maio de 2021, pelo 9º ano consecutivo, dezenas de milhares de pessoas se mobilizarão novamente para denunciar o sistema agroquímico industrial e suas consequências desastrosas para a saúde humana e o meio ambiente em todo o mundo.

Para marchar em Paris, encontre-se na Place Stalingrad a partir das 13h para caminhar em direção à Place de la République, onde os estandes da associação serão montados.

Em 15 de maio, venha e caminhe para defender:
– a biodiversidade
– a saúde de todos
– os direitos das vítimas do sistema agroindustrial (agente laranja, clordecona, glifosato e outros agrotóxicos)
– agroecologia e criação camponesa
– comida saudável acessível a todos
– agricultura sem pesticidas sintéticos ou Organismos Geneticamente Modificados (OGMs)
– redistribuição justa do dinheiro do CAP
– justiça ambiental
– o fim dos tratados de livre comércio
– a luta contra as desigualdades


Numa altura em que se acumulam escândalos e processos judiciais (clordecona, agente laranja, glifosato, novos OGMs), devemos mobilizar-nos maciçamente (respeitando os gestos de barreira, é claro) para denunciar este agrosistema destruidor industrial e promover alternativas para torná-lo um modelo virtuoso para a saúde humana e a biodiversidade.

O evento nacional que lista todos os mercados da França: https://www.facebook.com/events/842880852933885/

Cartunista da Charlie Hebdo repudia pretenso apoio de líderes de Estado

O site Europa Press publicou hoje uma matéria com um dos cartunistas da revista francesa Charlie Hebdo que sobreviveu ao atentado que vitimou 12 pessoas em Paris. Segundo Bernard ‘Willem’ Holtrop ele não teria dúvidas em vomitar sobre esses amigos repentinos da Charlie Hebdo. Citando nominalmente o Papa Francisco, Vladimir Putin e a Rainha Isabel II, Holtrop disse que a maioria deles nunca tinha ouvido falar da Charlie Hebdo antes do atentado, 

Abaixo a matéria completa sobre o que disse Holtrop.

EUROPA

Governo francês vai pedir ajuda ao Rio de Janeiro?

paris 2 paris

As cenas acima não são da Cinelândia no centro do Rio de Janeiro, mas de Paris onde milhares de pessoas desafiaram a proibição de reunião pública e decidiram mostrar sua repulsa ao massacre em curso na Faixa de Gaza. Mas do jeito que os paralelos se cruzam em termos das táticas repressivas do Estado já que em Paris além de se proibir o uso de máscaras, se proibiu simplesmente o direito de reunião pública, não será de se admirar se o governo francês solicitar a ajuda da polícia e da justiça do Rio de Janeiro para conter a escalada de protestos.

Uma coisa é certa: a crise sistêmica do capitalismo gera reações de parte a parte que mostram que podemos até ser diferentes e vivermos em países com condições bastante diferentes, mas as táticas repressivas que visam sufocar o clamor por mudanças, essas são sim muito parecidas e estão recebendo em troca reações bastante semelhantes.

Um último detalhe: não vou me surpreender se aparecer algum delegado ou juiz dizendo que a ativista Sininho que insuflou a manifestações em Paris! Afinal, a moça é a encarnação total do Mal, não é?