Movimento que pediu pacote antiambiental a Paulo Guedes inclui Gerdau, Google, Amazon, Globo e outros

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Por Maurício Angelo para o Observatório da Mineração

Movimento Brasil Competitivo (MBC), organização que enviou ao Ministério da Economia um “pacote antiambiental” repassado ao Ministério do Meio Ambiente, foi criado e é mantido essencialmente pela siderúrgica Gerdau, uma das maiores empresas do Brasil.

Entre os parceiros do MBC, constam gigantes da tecnologia como Microsoft, Amazon, Google, Motorola, Huawei e SAP. Amazon e Microsoft são “associados master”, assim como o Itaú e o Grupo FarmaBrasil.

Entre os associados mantenedores” estão Google, Facebook, Intel, IBM e Oracle, de tecnologia, além de empresas gigantes de segmentos diversos, como 99, Airbnb, Braskem, JBS, Localiza, Suzano, Toyota, Telefonica e outros. Gerdau e GOL também constam como patrocinadores.

Já entre os membros que “compartilham dos ideais do MBC” estão Paulo Tonet Camargo, vice-presidente de relações institucionais do Grupo Globo e Silvio Barros, político, comentarista, irmão de Ricardo Barros (PP-PR), deputado federal líder do governo Bolsonaro que está enrolado em uma série de denúncias na CPI da Covid.

O pacote inclui a sugestão de dispensar de licenciamento ambiental a reutilização de rejeito e estéril de mineração”, o que tem o potencial enorme de causar ainda mais dano às comunidades que já convivem com um processo de licenciamento falho e quase que inteiramente cooptado por mineradoras.

Com o nome de “Projeto de Redução do Custo Brasil”, a série de medidas repassadas por Paulo Guedes ao Ibama, que tem prazo até 30 de setembro para responder, incluem também:

  • extinguir a lista do Conselho Nacional do Meio Ambiente que define casos em que se exige o estudo prévio de impacto ambiental (EIA);
  • prever a concessão de licenças por decurso de prazo, em razão da demora na análise dos pedidos de licenciamento ambiental;
  • revogar as regras sobre autorização de supressão de vegetação nativa que se aplicam especificamente ao bioma Mata Atlântica, bem como reduzir a participação do Ibama nesses processos autorizativos;
  • alterar o mapa de biomas do IBGE, excluindo da delimitação da Amazônia as áreas com características de Cerrado;
  • cancelar a consulta ao Iphan para empreendimentos agrossilvipastoris;
  • reduzir as exigências para fabricação de agrotóxicos voltados à exportação, com o objetivo de tornar o país um polo produtor de agroquímicos.

O Observatório do Clima, que representa diversas organizações ambientalistas do terceiro setor, repudiou o pacote.

Para Alessandra Cardoso, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o documento reforça o “caráter irresponsável e o desespero” do atual governo. “O crescimento pífio da economia brasileira, a perda de produtividade e de competitividade não são culpa da legislação ambiental do país. Este tipo de ato, em desrespeito às leis e ao Congresso Nacional, só mostra que o que temos hoje é uma gestão criminosa do meio ambiente”, disse.

Frente Parlamentar recém-lançada conta com o apoio do MBC e da Confederação Nacional da Indústria

O MBC atua como secretário-executivo da “Frente Parlamentar Pelo Brasil Competitivo”, lançada em julho, presidida pelo deputado federal Alexis Fonteyne (Novo/SP) e composta por mais de 200 parlamentares, entre senadores e deputados.

O objetivo declarado da Frente é “trabalhar para reduzir o Custo Brasil”. O meio ambiente, pelo visto, é considerado um inimigo do país.

A agenda legislativa para reduzir o que eles consideram esse custo foi lançada em 01 de setembro com a presença de Paulo Guedes. O ministro da Economia, um dos fundadores do BTG Pactual, acusado e inocentado de fraudar fundos de pensão e que atuou no Chile durante a ditadura de Pinochet, celebrou a formação da Frente e elogiou o “reformismo” do Congresso.

Essa é a mesma agenda ultraliberal da Escola de Chicago, “alma mater” de Guedes e que pautou a destruição da economia chilena durante a ditadura, incluindo a privatização de serviços essenciais e a previdência miserável que legou à população do Chile. Herança que o país tenta até hoje, às duras penas, superar.

O presidente do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo, Jorge Gerdau, se disse “extremamente otimista” com o atual momento e com o lançamento da Agenda Legislativa da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo.

“Estamos com essas três estruturas – Poder Executivo, Legislativo e setor empresarial, com o apoio da CNI – realmente engajadas no sentido de atingir os nossos objetivos de redução do Custo Brasil”, frisou o empresário. Teoricamente, o objetivo desse grupo de empresários, segundo os seus critérios, é reduzir esse custo a “zero”.

O lucro líquido da Gerdau no primeiro trimestre de 2021 aumentou incríveis 1.016% no primeiro trimestre de 2021, na comparação com o mesmo período de 2020, chegando a R$ 2,4 bilhões.

O deputado Alexys Fonteyne (Novo/SP), presidente da Frente, é sócio da Solepoxy e da Propiso, que produzem e comercializam resinas, revestimentos, areias e outros produtos que usam massivos insumos da mineração em sua cadeia e atendem a uma vasta gama de indústrias.

“A estrutura e o apoio do MBC, assim como o estudo do custo Brasil, vão servir para nortear ações em favor do Brasil mais produtivo e competitivo que queremos!”, disse Fonteyne no lançamento da Frente Parlamentar, feita na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Fonteyne declarou patrimônio de R$ 28,8 milhões ao TSE em 2018. Segundo o deputado, a Frente é uma “ferramenta propositiva e de advocacy” para pressionar por propostas que melhorem “o ambiente de negócios no Brasil”.

Além de Fonteyne, participam da frente muitos deputados do Novo e do PSL, ruralistas como Jerônimo Goergen e Alceu Moreira e senadores como Antonio Anastasia, Eduardo Girão, Jorginho Mello, Luiz Carlos Heinze, Oriovisto Guimarães, Lasier Martins, Marcelo Castro e Zequinha Marinho.

E este não é o primeiro movimento de Paulo Guedes contra o licenciamento. Em março, decreto publicado por Jair Bolsonaro, Guedes e Bento Albuquerque, de Minas e Energia, define que minerais considerados estratégicos ganharão tratamento especial no governo.

Estes minerais agora estão inseridos dentro do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e serão analisados por um Comitê que não terá a opinião do Ministério do Meio Ambiente nem de qualquer Conselho ambiental ou de representantes da sociedade civil.

Embora o licenciamento fique restrito aos órgãos competentes – como o Ibama – o Comitê dará opiniões sobre o processo, acelerando a aprovação.

Em nota enviada na sexta, MBC diz que não participou da “elaboração ou debate das proposições citadas em ofício do Ministério da Economia“

Eu procurei o MBC, o Ministério da Economia e o MMA para apurar quais critérios técnicos e quais justificativas e análises foram usadas para sugerir o pacote de medidas. As instituições não responderam até a publicação desse texto.

Atualização: diante da ausência de resposta do MBC, Economia e Meio Ambiente, procurei algumas das empresas citadas para verificar o posicionamento diante das medidas. Por enquanto, apenas o Google respondeu afirmando que “não tem nada a comentar” e que quem deve responder é mesmo o MBC.

A assessoria da SAP, mencionando o MBC, enviou o seguinte posicionamento do Movimento Brasil Competitivo às 16:52h desta sexta-feira:

“São inverídicas informações que têm circulado em alguns veículos de imprensa, desde a última quarta-feira, 22, sobre o posicionamento do Movimento Brasil Competitivo sobre a questão ambiental no país. Nos últimos 20 anos, o MBC tem defendido a competitividade brasileira baseada na economia sustentável, com foco nos pilares de governança e gestão, redução do Custo Brasil, transformação digital e educação. Diante disso, o MBC esclarece que realizou em 2019, um projeto de diagnóstico do Custo Brasil em parceria com o Ministério da Economia com o objetivo de medir os entraves em diversas áreas. Neste estudo, não constam propostas de iniciativas, somente indicadores e comparativos com a OCDE. Numa segunda etapa, o MBC apoiou o Ministério da Economia, de forma técnica, no mapeamento das iniciativas já existentes ou em desenvolvimento no governo federal que poderiam contribuir com a redução do Custo Brasil, sem entrar no mérito ou defesa de tais propostas. Não participamos da elaboração ou debate das proposições citadas em ofício do Ministério da Economia. Diante disso, reiteramos nossa posição em defesa de uma política nacional de sustentabilidade social, ambiental e econômica.”

Foto de destaque: Paulo Guedes recebe homenagem do Instituto MicroPower com a presença de Jorge Gerdau.

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Este texto foi originalmente publicado pelo “Observatório da Mineração” [Aqui! ].

Em meio a blefes, Bolsonaro oferece carestia e fome como vitrines do seu (des) governo

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A estas alturas do campeonato é perceptível um certo cansaço da maioria dos brasileiros (incluindo a base de apoio do presidente Jair Bolsonaro) em relação aos seguidos blefes acerca de um suposto uso de um golpe de força para desmantelar o frágil tecido institucional que rege as relações sociais no Brasil. É que Bolsonaro já ameaçou um golpe militar e agora se abraça a uma conjunção de aliados que combina caminhoneiros (melhor dizendo donos de empresas de transporte), setores radicalizados das polícias militares e cantores sertanejos.  Com isso, Bolsonaro reconhece de forma prática a sua incompetência para sair da figura de presidente eleito para a de um ditador.

Mas se a parte do golpe já está manjada como blefe, a parte prática do governo Bolsonaro segue firme e forte sob o comando do dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, Paulo Guedes, aquele que no desenho animado “Pinky e o Cérebro” seria o segundo, deixando para o presidente Bolsonaro, o papel de ser o Pinky. Só falta em um alguma reunião ministerial, Bolsonaro (Pinky) perguntar a Paulo Guedes (Cérebro) :  o que você quer fazer esta noite?”, e ouvir a famosa resposta “A mesma coisa que fazemos todas as noites, Pinky… Tentar conquistar o mundo!”.

Trabalhadora será indenizada após ser comparada a 'Pink e Cérebro' pela  chefe - Economia - Estadão

Esquecendo um pouco o mundo da ficção, o que temos de prático no Brasil neste momento é o êxito completo das políticas de Paulo Guedes, e que está refletido na carestia e no rápido espalhamento dos bolsões de fome nas cidades brasileiras. Para isso, Paulo Guedes já até sugeriu que restos de comida sejam aproveitados para matar a fome dos mais pobres. Aliás, a recente sugestão de Guedes para que não fiquemos chorando sentados diante do anúncio de mais um aumento nas contas de luz, não passa de uma expressão da ideologia a la Caco Antibes que dá coesão ao projeto econômico que está sendo executado pelo governo Bolsonaro.

O problema é que na impossibilidade de qualquer mudança real na execução de um projeto exitoso, Jair Bolsonaro já identificou que a via eleitoral não será provavelmente aquela que o manterá no poder. Por isso, devemos esperar mais blefes, que deverão assumir tons ainda mais ameaçadores. Resta saber como reagirão não os frequentadores das motociatas e do cercadinho bolsonarista em Brasília, mas os milhões de brasileiros que foram desempregados pelas políticas “cerebrais” de Paulo Guedes, e que hoje convivem com a fome, a falta de moradia e o castigo continuado da pandemia da COVID-19.

Dos brioches aos restos de comida, Paulo Guedes incorpora Maria Antonieta

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Uma das frases mais famosas da História, mas que jamais teriam sido ditas, é aquela em que a imperatriz responde aos franceses que pediam pão que eles deveriam comer brioches. A frase que não teria sido dita é sempre apresentada como um exemplo de como a insensibilidade dos poderosos resulta em levantes populares.  Quase 200 anos depois da frase emergir, eis que no Brasil o dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, Paulo Guedes, resolveu incorporar a imperatriz francesa que terminou decapitada, e resolveu dizer que uma das saídas para matar a fome de milhões de brasileiros pobres seria aproveitar os restos de comida que sobram nos pratos da classe média (ver vídeo abaixo);

Paulo Guedes parte do princípio do esquecimento da situação real que a maioria dos brasileiros atravessa neste momento com a combinação dos efeitos devastadores da pandemia da COVID-19 com o avanço da inflação que apresenta valores recordes, sem que haja qualquer medida de reação efetiva por parte do governo Bolsonaro para reverter ambas as situações.

Mas Paulo Guedes aposta na nossa ignorância coletiva ao afirmar que os pratos dos europeus tem menos comida do que a dos brasileiros porque eles são mais educados do que nós.  A primeira coisa é que essa é uma mentira porque os europeus se alimentam muito bem, não tendo hoje em suas populações a mesma proporção de famélicos que o Brasil possui.  Outra coisa é que já é conhecimento corrente que boa parte da destruição ambiental que ocorre hoje no Brasil, e no sul global como um todo, se deve ao atendimento de demandas alimentares dos europeus. 

Não chega a ser nenhuma surpresa que Paulo Guedes tenha o tido de raciocínio elitista e eurocentrista que verbalizou em vídeo, mas que ele não esteja firmemente repudiado por movimentos sociais e partidos que se dizem de esquerda.  É que este comportamento além de não ser novo por parte de Paulo Guedes ocorre em um momento especialmente agudo da pandemia. Ao se deixar passar batido este tipo de fala, o que se faz é que as políticas que decorrem da postura que ela expressa. Com isso, a boiada vai passando com toda tranquilidade. 

Além de ultraneoliberal, Paulo Guedes agora se revela ser anti-ciência

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Reprodução/TV Globo. Paulo Guedes, ministro da Saúde, sendo vacinado com a CoronaVac

O dublê de banqueiro e ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, vinha mantendo uma fachada de não ser anti-ciência como o presidente Jair Bolsonaro.  Em diferentes ocasiões, Guedes destoou de Bolsonaro ao ligar a realização de uma campanha de vacinação em massa à retomada da economia. Com isso, o banqueiro/ministro se manteve em uma posição que o mantinha relativamente a salvo das críticas dirigidas contra as posturas anti-científicas do presidente da república, enquanto seguia aplicando seu receituário ultraneoliberal que está reconduzindo à miséria extrema milhões de famílias brasileiras (ver vídeo abaixo).

 Mas sabe-se lá por quê, Paulo Guedes decidiu tirar a máscara, e em uma reunião do Conselho de Saúde Complementar, que estava sendo gravada,  decidiu afirmar que o “chinês inventou o vírus”, mas que a “vacina chinesa” é menos efetiva que a dos americanos.  Com isso, Guedes se alinhou completamente ao negacionismo e ao discurso anti-ciência de Jair Bolsonaro. 

É preciso lembrar que uma delegação organizada pela Organização Mundial da Saúde, que inspecionou inclusive o mercado onde o Sars-Cov-2 primeiro apareceu em Wuhan, e não concluiu que fosse possível ligar o surgimento da pandemia a algum tipo de manipulação realizada em laboratório. Além disso, a maioria da comunidade científica tem rejeitado a tese da produção artificial do novo coronavírus, na medida em que esta família de vírus está presente em populações de animais, especialmente de morcegos (estes sendo considerados como os mais prováveis hospedeiros originais do Sars-Cov-2) e pangolins. 

Além disso, já é sabido que a instalação de megafazendas industriais na China tem possibilitado o ambiente ideal para que haja o surgimento de novas variantes de coronavírus que têm logrado desenvolver a capacidade de infectar sres humanos.  São essas fazendas e a destruição dos habitats naturais de morcegos e pangolins que estão mais provavelmente por detrás da atual pandemia.

Nesse sentido,  as razões para Paulo Guedes aderir à tese do “vírus chinês” podem estar mais ligadas às suas necessidades pragmáticas para se manter à frente do Ministério da Economia, para continuar aplicando sua receita ultraneoliberal, do que uma crença propriamente dita de que isto seja verdade e não apenas mais uma teoria da conspiração dos negacionistas com quem convive no governo Bolsonaro.

Entretanto, com essa adesão Paulo Guedes também mostra que, além de ser ultraneoliberal, ele também é anti-ciência, o que, aliás, não tem nada de incoerente. Aliás, muito pelo contrário.

Vídeo “agradece” Paulo Guedes de forma bem humorada

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Recentemente o ministro Paulo Guedes, comentou em uma live que as pessoas que o encontravam em supermercados aproveitavam a ocasião para agradecer para a sua gestão à frente do Ministério da Economia. Aproveitando a deixa, um grupo de “entusiastas pauloguedianos” resolveu lançar o vídeo abaixo para agradecer publicamente a situação dos preços nos supermercados brasileiros.

Que supermercado frequenta Paulo Guedes?

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Após visualizar o vídeo abaixo, pense profundamente e responda: que supermercado frequenta o dublê de banqueiro e ministro da Economia, o Sr. Paulo Guedes?

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Este vídeo não existe

Eu pessoalmente penso que ele deve frequentar um daqueles estabelecimentos que só “Faria Limers” podem entrar. Eu que frquento os “Super Bons” da vida, não consigo me imaginar agradecendo a Guedes. 

Fome, a outra pandemia mortal assolando o Brasil

Nos últimos dias temos sido distraídos não apenas pelos altíssimos números de novas infecções e mortes pela COVID-19, mas também pela volta triunfal do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ao centro do picadeiro politico em que o presidente Jair Bolsonaro transformou o Brasil. De quebra, ainda tivemos a aprovação da famigerada PEC-186 que congela os salários dos servidores públicos até ainda longínquo ano de 2036.

Todas essas questões vem servindo para ocultar o recrudescimento de uma pandemia que há muito tempo afeta os brasileiros mais pobres, a da fome. Os sinais de que mais gente está passando fome estão por todas as esquinas brasileiras, mas a maioria da mídia corporativa trata de ocultar esse fenômeno, pois certamente sabe do potencial explosivo que o avanço da fome, em meio a reformas ultraneoliberais possui não apenas entre aqueles que já estão com a barriga roncando, mas também naqueles que a barriga irá roncar. 

Mas a imagem abaixo vinda da edição de ontem no jornal “A Tribuna” que é publicado na cidade de Santos (SP), mas que circula na maioria dos municípios da Baixada Santista mostra com clareza o processo que está germinando pelo Brasil afora que é de um grave convulsão social causada por uma mistura das duas pandemias: a da COVID-19 e da fome.

fome pandemia

Contraditoriamente, a imagem mostra uma fila quilométrica em uma unidade do chamado “Bom Prato”, a versão paulista do “Restaurante Popular”. Em tese, quem está ali terá a sua fome, ainda que parcialmente, saciada. O problema é que essa imagem mostra o grau da crise, em um momento em que a tesoura ultraneoliberal da dupla Bolsonaro/Guedes extermina várias políticas sociais que poderiam servir como apoio à da alimentação. Com isso, é muito provável que não apenas faltem recursos para novas políticas sociais, como também para a que impulsiona o “Bom Prato” e seus congêneres pelo Brasil afora.

Eu digo e repito: o que está sendo fermentado no Brasil, e a imagem acima não me deixa mentir, é uma gigantesca crise social que cedo ou tarde explodirá em dimensões avassaladoras. É que, ao contrário, do que se propala, não há povo que fique na mansidão quando a fome aguda se estabelece em proporções significativas como as que estamos gerando no Brasil neste momento. Depois que os governantes não digam que foram pegos de surpresa, pois as evidências estão aí para quem quiser ver.

Em sincericídio, Paulo Guedes admite que objetivo do governo Bolsonaro é “tirar o Estado do povo brasileiro”

guedes granadaO dublê de banqueiro e ministro, o Sr. Paulo Guedes, usou hoje a página oficial do Ministério da Economia para dizer com todas as letras que o objetivo do governo Bolsonaro é “tirar o Estado do povo brasileiro” (ver imagem abaixo).

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E para quem será entregue o Estado depois de ser tomado do povo brasileiro? Alguém se arrisca a dizer… banqueiros? latifundiários? especuladores internacionais?

Não é à toa que o governo Bolsonaro só é bom em destruir coisas, pois o objetivo desde o início é esse… tirar o Estado do povo brasileiro.

Ao menos por um momento, temos a sinceridade de Paulo Guedes, o mesmo que quer colocar uma granada no bolso dos servidores públicos.

Para se combater o governo Bolsonaro há que se separar a encenação dos seus fins práticos

 

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As cenas do presidente Jair Bolsonaro nadando (ainda que tropegamente) em meio a uma multidão de apoiadores nas águas de uma praia na Baixada Santista fez com que muitos analistas sérios o equiparassem ao ditador fascista Benito Mussolini que um dia também usou dessa estratégia para mostrar estratégia. Além de derivar comparações com um passado fascista, as cenas de Bolsonaro nadando deixaram muita gente boa atônita pelos simples fato de ainda existirem brasileiros que se disponham a tratá-lo como “mito”.  A solução para esse mistério está surgindo em narrativas de pessoas que estavam na areia da mesma praia quando as cenas envolvendo o presidente brasileiro ocorreram.  Segundo pelo menos uma testemunha, toda a situação pode ter sido simulada, provavelmente para energizar a base mais sólida sobre a qual Bolsonaro se apoia para governar.

Mas qual seria a surpresa se as cenas vindas de Praia Grande tenham sido realmente apenas uma bem elaborada encenação teatral? Para mim, nenhuma. É que ao longo de 2020, Bolsonaro foi flagrado realizando várias encenações dessa natureza, inclusive uma em que ele acena de forma animada para o vazio em um aeroporto em Goiás como se acenasse para uma multidão (ver vídeo abaixo). Coisa de um político que está há muito tempo no teatro da política, e que sabe manejar como poucos as emoções de uma base pequena, mas aguerrida, de fieis seguidores.

https://youtu.be/ji74O25kPYI

Contudo, se todos já deveriam saber que Bolsonaro e seus ideólogos são versados nas técnicas de manipulação da realidade, por que tantos ainda caem facilmente em seus truques? Em minha opinião, isso ocorre porque Bolsonaro é o espantalho perfeito para que as forças políticas que o apoiam, mas também supostamente o atacam, fujam das responsabilidades em relação ao projeto que ele e Paulo Guedes estão tendo implementar que é, basicamente, desmontar e reduzir a pó os elementos progressivos da Constituição Federal de 1988, incluindo não apenas os direitos sociais, mas também a proteção do meio ambiente e dos povos tradicionais. 

Como a imensa maioria dos partidos políticos fugindo do debate sobre o projeto que está sendo executado, à direita e também à esquerda, ficam todos apontando o dedo para Bolsonaro, enquanto Paulo Guedes continua avançando com as privatizações espúrias e com o desmanche das políticas sociais.  Essa é a tônica inclusive das análises feitas pelos chamados “intelectuais de coleira” que lotam os programas da mídia corporativa e cujas análises contribuem para esse clima de fim feira em meio à pandemia que contribui para a persistência da paralisia política. Se levarmos ao pé da letra o que muitos desses intelectuais amestrados, nem será preciso fazer eleição em 2022, pois já se sabe que Jair Bolsonaro será reeleito.

A saída para essa verdadeira “chave de cadeia” em que o Brasil está metido começa pela questão básica que é destrinchar o papel de Jair Bolsonaro no atual teatro de operações, mas continua com a identificação dos atores que estão ganhando com o avanço de seu projeto de desconstrução do sistema de direitos sociais e trabalhistas que está sendo aplicado por seu governo. Entender a relação entre a aparência e a essência da situação política que nos envolve será a principal tarefa nos primeiros meses de 2021, sob pena de ficarmos todos boquiabertos se os trabalhadores e a juventude resolverem desmontar por conta própria as caixas de ilusão de ótica que o presidente monta para esconder sua própria fragilidade.  Por isso, é essencial que se mantenha claro que com Bolsonaro só há uma verdade absoluta: nem tudo é o que parece. E isso como regra básica.

Mas mais do que a natureza e a finalidade da máquina de propaganda do Bolsonarismo, o essencial será sair da inação letárgica em que as forças políticas que dizem se opor ao projeto político convenientemente estão colocadas. E isso deverá começar por questionários desde os municípios a aplicação do receituário ultraneoliberal da dupla Bolsonaro/Guedes.  Essa será a chave para se sair das cordas e partir para a ofensiva política que a conjuntura requer.

 

Espiral inflacionária de Bolsonaro e Guedes prejudica os mais pobres

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A inflação dos alimentos, que recai sobre os mais pobres, está explodindo no Brasil em 2020. De janeiro a dezembro, óleos e gorduras subiram 55,22%; cereais, 54,84%; legumes, 51,28%. Óleo de soja saltou 94,1%; tomates, 76,5%. Inflação dos alimentos já está em 15,7% desde o início do ano. Os números, com base no  IPCA do IBGE foram consolidados pelo NAPP Agrícola, da Fundação Perseu Abramo.

Os números são expressivos: óleo de soja, 94,1%; tomates, 76,5%; arroz, 69,5%; feijão fradinho, 60%; batata 55.9%. Por grupos alimentares, a inflação está acima de 50% em três deles: óleos e gorduras; cereais, leguminosas e oleaginosas; e tubérculos, raízes e legumes. Seguem-se os grupos de hortaliças e verduras (17,68%), frutas (17,49%), leites e derivados (15,62%) e carnes (13,9%).

Veja o quadro elaborado pelo NAPP Agrícola, da Fundação Perseu Abramo.

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Este texto foi inicialmente publicado pelo Brasil 247 [Aqui!].