O neoliberalismo mostra a sua cara no Espírito Santo

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A mídia corporativa está dando uma boa quantidade de minutos aos caos instalado na região metropolitana de Vitória após a declaração de uma espécie de “greve branca” pelos policiais militares capixabas. Entretanto, pouco tem se falado sobre as causas essenciais dos problemas sociais, econômicos e ambientais que assolam o Espírito Santo que foi transformado num dos principais laboratórios das políticas neoliberais no Brasil.

Como tenho frequentado bastante o Espírito Santo nos últimos anos por força da proximidade que Campos dos Goytacazes tem com as praias e áreas montanhosas do Espírito Santo, eu não me sinto surpreso com o que está acontecendo. Aliás, a surpresa é que tenha demorado tanto a explodir. 

É que no Espírito Santo têm sido concentradas algumas das piores receitas do chamado Neoliberalismo, incluindo a regressão da legislação ambiental, a precarização dos serviços públicos, e a ampliação do controle privado do aparelho de Estado.  Não è a toa que o atual governador, Paulo Hartung (PMDB), tem como vice-governador um membro do PSDB, César Colnago. Em outras palavras, a dobradinha que foi criada após a assunção do presidente “de facto” Michel Temer no governo federal, já andava bem obrigado no Espírito Santo. 

Mas toda a atual comoção sobre o Espírito Santo não pode esconder que as políticas neoliberais ali implantadas nas últimas décadas têm criado fortes bolsões de violência, dando aos moradores de Vitória a “honraria” de pagar bastante caro (alguns dizem que o preço mais alto do Brasil) para segurar seus carros. 

Além disso, como não esquecer do processo de desertificação verde que foi imposto a partir da expansão da monocultura de eucalipto para servir aos interesses da Aracruz Celulose (hoje Fibria), e que avançou sobre terras indígenas e territórios quilombolas sem o menor constrangimento? E não pode se deixar de mencionar ainda o “pó preto” que a Siderúrgica de Tubarão joga todos os dias sobre a população de Vitória. Tudo em nome da minimização das salvaguardas ambientais em nome do aumento das taxas de lucro da multinacional Arcellor Mittal.

E como não esquecer do inesquecível senador Magno Malta (PR) cuja base política são os setores evangélicos/protestantes que lhe tem assegurado votações sólidas, a despeito de sua constante migração por uma verdadeira constelação de siglas partidárias. Parte da despolitização e da fragilização das organizações populares resultam diretamente da agenda ultraconservadora que Magno Malta difunde no seu eleitorado, o qual ironicamente vive majoritariamente nas regiões mais pobres das cidades capixabas.

Assim, que ninguém se deixe enganar pela cobertura parcial da mídia corporativa que basicamente ignora as raízes neoliberais do caos instalado no território capixaba. O fato que o que está acontecendo no Espírito Santo é uma espécie de antessala do que poderá acontecer no resto do Brasil, caso as reformas ultraneoliberais do governo Temer saiam vitoriosas no congresso nacional.  A ver!

Poluição de siderúrgicas da Vale e da ArcelorMittal Tubarão causa protestos no Espírito Santo

Sucesso do protesto contra o pó preto credencia novas ações populares
Manifestantes devem subir o tom no próximo domingo (25): haverá passeata em Camburi. Pó preto torna o ar irrespirável na Grande Vitória

Por Ubervalter Coimbra

Cerca de 1,5 mil  pessoas participaram do ato público de domingo (18), na Praia de Camburi, em Vitória. Com faixas, cartazes, entrega de pó preto coletado nas casas, e até corpos adornados com o pó,  moradores expressaram que não suportam mais a tolerância do poder público e o descaso das principais poluidoras da Grande Vtória (ArcelorMittal e Vale) ante o problema da poluição do ar que afeta a Grande Vitória.
 
“Não vale cheirar pó. Queremos saúde e qualidade de vida”. “Vitória, capital do pó preto”, denunciavam faixas exibidas pelos moradores no protesto. Do ato participaram antigos militantes dos movimentos políticos. Também crianças levadas por seus pais expressavam a revolta por sofrerem doenças claramente causadas pela poluição do ar, como alergias e doenças respiratórias.
 
A praia de Camburi, de onde se visualiza os enormes rolos de poluentes das chaminés das usinas da Vale e ArcelorMittal Tubarão, tinha um cenário diferente durante o protesto da manhã deste domingo. Como que orquestradas, as empresas reduziram as emissões de poluentes. É diferente  durante as madrugadas, quando não há vigilância sobre emissões. Neste período, as empresas aumentam a descarga de poluentes sobre a Grande Vitória.
 
Dos moradores que participaram do protesto contra a Vale e Arcellor Mittal Tubarão, 594 cidadãos enfrentaram sol e calor para assinar  um documento para ser entregue às autoridades do governo do Estado e prefeituras. “Eu, cidadão morador da Grande Vitória, assino este livro demonstrando minha indignação com a poluição do ar na Grande Vitória! Pó preto.”.
 
O protesto mostrou que a população não aceita mais a omissão do governador Paulo Hartung (PMDB). Muitos capixabas sabem que ele permitiu o aumento da poluição a níveis insustentáveis quando governou o Estado entre 2003 e 2010, e autorizou a construção da 8ª usina da Vale, no Planalto de Carapina. 
 
A região recebe o vento nordeste, dominante na Grande Vitória. Vale e ArcelorMittal emitem toneladas de pó a olhos vistos, 24 horas por dia. Nem isto sensibilizou o governador Paulo Hartung a rejeitar o projeto da Vale e outros da ArcelorMittal, desejo que a população manifestou nas audiências públicas sobre o tema.
 
O ato público também repudiou a omissão dos prefeitos a Grande Vitória em relação ao pó preto. Luciano Rezende (PPS), que governa o município que mais sofre com o pó – recebe 80% dos poluentes pariculados das empresas -, finge que não há poluição do ar, nem emprega os poderes que tem e cumpre sua responsabilidade na questão ambiental. 
 

Cariacica, do prefeito Geraldo Luiza, o Juninho (PPS), e Vila Velha, do prefeito Rodney Miranda (DEM), também nada fazem em relação à poluição do ar. A Serra, cujo prefeito é Audifax Barcelos (PSB), é também atingida fortemente pela poluição emitida pela Vale e ArcellorMittal. 

Novas manifestações

 Promovido pela Juntos SOS ES Ambiental, o ato desse domingo em Camburi contou com representação da população em geral e de ambientalistas de todos os municípios  da Grande Vitória. A mobilização poderá crescer em outras áreas muito afetadas pelos poluentes, como a Praia da Costa, em Vila Velha, e nos bairros próximos à ArcelorMittal Cariacica, na divisa com a usina, instalada em Bela Aurora e toda a região de Cariacica, onde os danos ambientais e saúde causados pela empresa são acentuados.

 Os organizadores do ato anunciam que, no próximo domingo (25), quando haverá o segundo protesto em Camburi, às 9 horas, com o ato em frente ao Clube dos Oficiais da PM, os manifestantes sairão em passeata até o píer de Iemanjá. Saem às 9h30 e retornam ao ponto de partida a seguir.
 
Manifestantes e organizadores farão no total quatro atos na atual mobilização. Além das duas deste mês, também haverá manifestações, sempre no mesmo local e horário, nos domingos um e oito de fevereiro.
 Acesse a página oficial do movimento contra o pó preto.
FONTE: http://www.seculodiario.com/20921/10/sucesso-do-protesto-contra-o-po-preto-credencia-novas-acoes-populares-1