
PCO
Não, nem todos os partidos são corruptos. As doações das empreiteiras mostram isso
Uma reportagem publicada pelo jornal paranaense Gazeta do Povo no já distante dia 27 de Novembro (Aqui! ) trouxe uma informação impressionante mesmo para mim: nas eleições de 2014, as empreiteiras envolvidas na Lava Jato (ou seja no escândalo de corrupção na Petrobras) “doaram” nada menos do que R$ 277 milhões para 28 dos 32 partidos que concorrem no pleito (ver gráfico abaixo).

E o leitor deste blog poderia se perguntar sobre quem seriam os 4 partidos que ficaram de fora desta lista de recebedores das generosidades agora sob fogo cerrado das empreiteiras. Pois bem, aí é que a porca torce o rabo para os manifestantes “coxinhas”: Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido da Causa Operário (PCO), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
Em suma, ficaram de fora os partidos da esquerda nos quais eu venho votando de forma consistente desde 1998 quando retornei ao Brasil e vi que o Partido dos Trabalhadores (PT) havia feito uma opção programática que eu considerava equivocada e antipopular em nome de uma questionável viabilidade eleitoral.
Agora que os principais partidos políticos estão literalmente chafurdando na lama, fico imaginando o que me dirão os profetas do pragmatismo neopetista que me diziam que os partidos de esquerda eram inviáveis eleitoralmente porque não aceitavam fazer o jogo como estava dado. Pois bem, eu não tenho outra saída a não ser concluir que é melhor se inviabilizar eleitoralmente do que entregar bandeiras históricas.
Se algo de bom existe nessa crise vergonhosa que assola a política partidária brasileira é oferecer aos partidos de esquerda a possibilidade, com todas as suas fragilidades e limitações, de buscarem pontes de contato com a maioria da população brasileira que nas últimas décadas votou no PT como forma de buscar a construção de uma sociedade mais justa no Brasil.
Entretanto, para que isso ocorra os partidos de esquerda vão ter que superar a comodidade de manter isolados na periferia da luta de classes como fizeram ao longo dos anos de hegemonia eleitoral do PT dentro da classe trabalhadora. Esse é um desafio formidável, e resta saber se a esquerda vai aceitar fazer as correções internas para, enfim, dialogar com a maioria da classe trabalhadora brasileira.