Carga elevada de coliformes como causa da mortandade de peixes no Canal Quitingute

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Como indicado na segunda-feira (218/11), as amostras coletadas pelo Laboratório de Ciências Ambientais da UENF no Canal de Quitingute foram submetidas à análise para verificação de presença de coliformes, e os números acabam de chegar. Segundo o que foi apurado, as águas coletadas apresentavam valores de 240.000 NMP/100ml para coliformes totais e 25.000 NMP/100 ml para coliformes fecais. Isto significa que a intensa atividade biológica pode ser considerada a causa primária do evento de anoxia que virtualmente dizimou a população de peixes no Canal de Quitingute. Se forem considerados os limites estabelecidos  pela Resolução CONAMA 357/2005 que “dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências”,  as águas do Quitingute se encontravam ainda na segunda-feira em condição proibitiva para quaisquer usos diretos e indiretos, incluindo o uso para consumo humano, irrigação de culturas e fornecimento para animais.

Por outro lado, esses números indicam que o problema que ocorreu, alegadamente por uma manobra operacional realizada pelo INEA, não pode ter dizimado apenas 10 Kg como apareceu citado em diversas reportagens, e que as perdas para os estoques pesqueiros devem ser consideráveis.

Ai resta saber como o INEA e o Comitê de Bacias vão responder às eventuais ações que sejam movidas por quem se sentir prejudicado pela situação que foi estabelecida no Canal de Quitingute.

Finalmente, é importante lembrar que amostras colhidas no dia de ontem nos mesmos pontos do Canal Quitingute indicaram ainda a persistência da ausência quase total de oxigênio, o que aumenta ainda a possibilidade de que os efeitos negativos do episódio continuam sendo assimilados pela fauna e flora daquele ecossistema.

Novas análises mostram que situação no Canal de Quitingute está longe da normalidade

Pesquisadores do Laboratório de Ciências Ambientais retornaram ao V Distrito de São João da Barra para realizar novas coletas de água no Canal de Quitingute e as primeiras medidas mostram que a situação da oxigenação da água continua crítico.

Apenas para medida de comparação, os resultados das amostras coletadas na segunda-feira indicavam que a concentração de oxigênio dissolvido era de 02, mg/l.  Já as medidas desta 5a. feira variaram entre 0,4 e 0,5 mg/l.  Essa evolução, ainda que positiva, é ainda muito pequena para que a situação da oxigenação das águas possa ser considerada normal. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, esses valores de oxigênio dissolvido estão fora de todos  limites críticos estabelecidos pela Resolução CONAMA 357/2005! Na prática, as águas do Canal Quitingute estão, neste momento, impróprias para quaisquer usos, incluindo irrigação e pesca.

O mais grave é que continuamos sem uma clara noção de como o problema foi realmente iniciado, suas causas objetivas. Isto acaba impedindo que tenhamos como oferecer um horizonte de normalização para as centenas de famílias que dependem do Canal de Quitingute para sua sobrevivência.

Canal do Quitingute: mortandade de peixes pode ser a gota final na paciência dos habitantes do V Distrito

 

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Estou recebendo nesse feriado uma série de ligações de moradores do V Distrito de São João da Barra dando conta que peixes mortos estão aparecendo em pontos mais ao norte de Água Preta. A razão disso pode ser o transporte pela corrente dos peixes mortos ou um espalhamento da onda de anoxia que causou a mortandade inicial nas proximidades da ponte que liga Água Preta a Sabonete. De toda forma, esses ligações trazem indicativos ‘in loco” de que o problema que começou na semana passada ainda não seguir o seu curso completo.

Uma informação adicional que saiu dos resultados das análises que estão sendo realizadas no Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da UENF indica que há uma forte contaminação biológica nas águas do Quitingute neste momento, o que desaconselha qualquer tipo de uso de suas águas se forem seguidas as determinações da RESOLUÇÃO CONAMA Nº 357, DE 17 DE MARÇO DE 2005. Como o LCA deverá continuar o monitoramento das águas do Canal Quitingute o certo é que teremos medidas confiáveis sobre a evolução do problema. Mas já parece seguro dizer que a situação está longe da normalidade.

A questão aqui é que o elemento ambiental está sendo agravado pela tensão social já existente, o que torna crítico que as autoridades responsáveis, a começar pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA) venham a público dar a devida publicidade sobre o que realmente aconteceu e quais são os reais prognósticos para a normalização da situação.  É bom lembrar que depois de quase cinco anos de enfrentamentos com a CODIN e o Grupo EBX, a paciência dos moradores do V Distrito está por um fio.

De qualquer forma, a indignação das pessoas estão aumentando na medida em que o fenômeno persiste e causa mais danos à população de peixes no Canal de Quitingute da qual centenas de famílias dependem para obtenção de proteína animal e geração de renda.

No Canal de Quitingute, enquanto Eike Batista atordoa, o INEA esfola

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Acabo de voltar do Canal de Quitingute na altura da localidade de Água Preta onde fui acompanhar um técnico de campo do Laboratório de Ciências Ambientais da UENF que realizou coletas de amostras de águas que serão analisadas para determinar o que causou a mortandade de peixes que assustou e indignou os moradores daquela localidade.

Agora leio matéria publicada pelo site Campos 24 Horas (Aqui!) onde o superintendente  superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renê Justen, que teria informado que “os peixes morreram porque faltou oxigênio no trecho do Canal Quitingute perto de Água Preta. Isso se deu por conta de uma manobra operacional que fizemos na semana passada na comporta do canal de São Bento, que é a mesma que abastece o Quitingute. Abrimos uma comporta do Paraíba. A falta de oxigenação que matou os peixes decorre do lodo que se soltou do fundo do canal e se misturou com a água”.

Ai é que eu me pergunto: e ficamos assim? Quem vai arcar com os prejuízos sofridos pela população que depende do Canal de Quitingute para a captação de água e obtenção de pescado?

Além disso, se era sabido que havia a possibilidade desta manobra causar este processo de liberação de lodo e de mistura na coluna d`água, por que o INEA não tomou providências para minimizar o problema ou, pelo menos, notificar a população?

Ai é que eu digo: no caso do Canal de Quitingute enquanto Eike Batista atordou com a salinização “pontual”, o INEA esfola com a “manobra operacional” que libera lodo!

Mas com as coletas que foram feitas hoje pela UENF, poderemos pelo menos saber os efeitos desta “manobra” sobre o ecossistema do Quitingute. Em sumam, o tamanho do prejuízo ambiental. A ver!

Grande mortandade de peixes evidencia crise ambiental no Canal do Quitingute

Alertado por moradores da localidade de Água Preta, estive na manhã neste domingo em um trecho do Canal do Quitingute, onde pude constatar a presença de uma grande quantidade de peixes de várias espécies de água doce mortos. Além do forte cheiro de carne em decomposição havia ainda a presença de urubus e garças que estavam se aproveitando da situação para se alimentar. Dentre as várias espécies que pude identificar pude ver tilápias, traíras, sairús e acarás.

A informação que obtive no local é de que a mortandade teria começado a ocorrer no início da semana passada quando peixes foram avistados próximo da superfície como se estivessem com dificuldade de obter o oxigênio dissolvido na água.  No entanto, ainda hoje pude ver sinais de que alguns sobreviventes estavam tentando fazer a mesma coisa, o que pode indicar a persistência do problema.

Além de fotografar, aproveitei para coletar um número razoável de amostras da água do Quitingute que serão entregues no Laboratório de Ciências Ambientais da UENF, onde deverão ser ,medidos os principais parâmetros físico-químicos, de modo a que se tenha um diagnóstico inicial do que causou esse evento.

Conversando com um agricultor que vive nas margens do Quitingute há mais de 20 anos, ele me disse que esse episódio é singular para ele, não apenas pela morte em si dos peixes, mas pela quantidade de  especimes mortos.

Agora resta esperar o resultado das análises. Mas desde já fica em dúvida a assertiva disseminada pelo INEA e pela LLX que os problemas, pelo menos no caso da salinização causada pelas obras no Porto do Açu, seriam pontuais. O que tudo indica o Canal de Quitingute está passando por um processo crítico. Resta saber agora o que está causando isso.

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