Mortandades de peixes continuam no Rio Doce

Lançamentos periódicos de rejeito de minério matam peixes, que continuam sendo consumidos pela população

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Por Fernanda Couzemenco para o Século Diário

“É contínuo. O rejeito fica no fundo, quando começa a prejudicar as turbinas das hidrelétricas, eles abrem as comportas e os peixes morrem”, declara o presidente da Associação de Pescadores de Conselheiro Pena e região (Aspec), Lélis Barreiros, ao final da reunião do Comitê Interfederativo (CIF) realizada nestas quarta e quinta feiras (27 e 28) em Vitória.

O CIF foi criado em 2016 para fiscalizar a execução dos programas de compensação e reparação dos danos ambientais e socioeconômicos advindos do rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco/Vale-BHP, ocorrido em cinco de novembro de 2015, o maior crime ambiental da história da mineração mundial e o maior do Brasil.  Realiza reuniões itinerantes mensais, assim como as Câmaras Técnicas a ele associadas.

Conhecedor da realidade dos pescadores atingidos no Espírito Santo e Minas Gerais, Lélis questionou, mais uma vez à Fundação Renova e outras entidades presentes à reunião, sobre os estudos que mostrem o grau de contaminação do pescado no Rio Doce, para que a população seja devidamente informada sobre os riscos que corre ao consumidor o pescado.

“A Fundação dificulta muito as coisas. Dizem que vão fazer os estudos, mas não apresentam nada”, irrita-se. “E mente, também. Já tive de chamar um funcionário da Renova de mentiroso durante uma videoconferência, porque ele dizia que os cadastros de todos os pescadores estava tudo certo”, conta.

Atualmente, a pesca está totalmente liberada na parte capixaba do Rio Doce e, no litoral, proibida apenas entre Barra do Riacho/Aracruz e Degredo/Linhares, na profundidade de até vinte metros. Em Minas, a proibição de pesca é apenas para as espécies nativas. As exóticas estão liberadas.

E entre as espécies mais pescadas pelos pescadores mineiros, na região da divisa com o Espírito Santo, está a corimba. “Ela é recente na região e tem um gosto forte, tipo salmão, por isso o preço é baixo. Mas é um peixe grande, chega a 12 kg, é muito pescado”, conta Lélis.

corimbaNa foto ao lado, um exemplo de uma corimba encontrada morta na região entre Baixo Guandu/Es e Aymorés/MG, e devorada por piranhas, pouco após a abertura da represa Baguari, a cerca de 30 km de Governador Valadares. “Quando o rio sobe 80 cm, eles abrem a represa e a água volta a baixar”, descreve.

Essas aberturas de comportas também acontecem na Represa Risoleta Neves, próximo a Mariana, que tem, segundos dados informados nas reuniões de Câmaras Técnicas do CIF, 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos depositados. Da última vez, conta Lélis, a água jogou poeira pro ar. “Nunca vi isso, água jogar poeira”, diz.

A Aspec está acionando o Ministério Público para que intervenha no caso e explique porque os peixes exóticos estão liberados para pesca. “Em novembro 2015, sugeri a proibição total da pesca. Eles aceitaram. Mas em maio de 2017, liberaram os exóticos. Se não sabe qual o grau de contaminação, então tem que proibir tudo. Prevenir é melhor do que contaminar a população toda”, afirma o pescador.

As críticas à liberação da pesca no Rio Doce é feita também por pescadores capixabas, sem qualquer atendimento por parte dos governos estaduais ou do Ministério Público.


Este artigo foi originalmente publicado pelo site “Século Diário” [Aqui!]

O DIÁRIO: Nível de oxigênio no Canal Quitingute ainda irregular

Blog do Pedlowski – Divulgação
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Dragagens e despejo irregular de esgoto seriam as causas dos problemas no Canal Quitingute

O nível de anoxia (falta de oxigênio) nas águas do Canal Quitingute, no município de São João da Barra (SJB), ainda não foi normalizado. A informação é do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), que desde a semana passada vem fazendo coletas e análises da água. As principais causas seriam as dragagens feitas no local e o despejo irregular de esgoto. Há menos de uma semana, o problema causou a mortandade de peixes no canal.

Entre os dias 17 e 26 deste mês, equipes da LCA fizeram três coletas e concluíram que o problema persiste. De acordo com o professor da Uenf Marcos Pedlowski, que acompanha os estudos sobre os impactos ambientais no Quitingute, a última amostra analisada, coletada no dia 26, aponta que a situação é crítica, principalmente na parte sul do canal, entre as localidades de Água Preta e Barra do Açu. “Nenhuma das amostras obedece às condições para uso direto e indireto dessa água. Simplesmente não existe oxigênio nessa água, o que é limitante à vida”, disse.

SUSPEITA DE DESPEJO DE ESGOTO

Pedlowski explica que a quantidade de oxigênio na água não atende aos parâmetros de normalidade da resolução 357/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), causando problemas quando a água é usada na irrigação, consumo e outras atividades, além da mortandade de peixes e outros organismos aquáticos.

Segundo o professor, as principais causas seriam a dragagem no local, que remexe a areia e o lodo no fundo, causando a proliferação de micro-organismos, e o despejo de esgoto. “Como não existe sistema de lançamento de esgoto, temos fortes indícios de que pessoas e indústrias o estejam despejando clandestinamente no canal”. Pedlowski acrescentou que nas coletas foram identificados altos níveis de coliformes totais e fecais e compostos químicos como a vanilina (baunilha).

LIMPEZA

Já o superintendente regional do Inea em Campos, Renê Justen, disse que a quantidade de oxigênio no canal está normal, explicando que em função de um grande volume de água que se concentrou, houve a necessidade da construção de uma barragem, rompida por moradores, há cerca de 10 dias. “A passagem de um grande volume de água levou o lodo à superfície e junto à vegetação, impediu a passagem de oxigênio, ocasionando a mortandade dos peixes. A água do Quitingute vem do Rio Paraíba e a falta de oxigênio é uma característica do local em função da vegetação”, disse Renê, acrescentando que o prefeito de SJB, José Amaro Martins, o Neco, se comprometeu a limpar o canal nos limites do município e que está tentando outra máquina para a limpeza junto ao Inea.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/nivel-de-oxigenio-no-canal-quitingute-ainda-irregular-6491.html

Análises da água do Quitingute mostram persistência da falta de oxigênio

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As imagens abaixo mostram visualmente a situação da concentração de oxigênio dissolvido (OD) nas águas do Canal do Quitingute a partir do início das medidas no dia 17 de Novembro até a última coleta realizada pelos pesquisadores do Laboratório de Ciências Ambientais na última segunda-feira (26/11).

E para entender que o problema permanece basta olhar os valores de OD e notar que a situação do Canal Quitingute é ruim em toda a sua extensão, mas atinge níveis de ausência de oxigênio a partir da localidade de Água Preta, se estendendo na malha amostral até Bajuru.

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O que esses resultados, espacializados e distribuídos num período de nove dias, indicam é que o problema de contaminação biológica do Quitingute não é pontual e nem cessou no momento em que o superintendente do INEA indicou que estávamos retornando a uma suposta normalidade.

Agora competiria ao próprio INEA, ou ao Ministério Público, tomaram medidas para identificar os pontos onde a contaminação por material orgânico está ocorrendo e identificar os responsáveis por isso. Afinal de contas, a trilha da anoxia está bem demonstrada pelas análises feitas pelo LCA/UENF.

Pescadores do V Distrito se reúnem para organizar ações para apurar responsabilidades pela mortandade de peixes no Canal de Quitingute

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Uma reunião realizada na noite de ontem (25/11), e que contou com a presença de mais de 50 pescadores de diversas localidades do V Distrito (Barra do Açu, Água Preta, Mato Escuro, Quixaba e Palacete) serviu para que uma pauta de ações fosse organizada para apurar as responsabilidades pela mortandade de peixes que vem ocorrendo no Canal Quitingute há quase duas semanas.

Entre as decisões tomadas está a apresentação de uma representação junto ao Ministério Público para que o mesmo estabeleça um processo de investigação para apurar quem vem lançando esgotos no Canal de Quitingute, já que essa é uma das causas mais prováveis da massiva mortandade de peixes que vem ocorrendo naquela importante fonte de abastecimento de água, renda e proteína animal para os habitantes do V Distrito de São João da Barra.

Presente na reunião, o vereador Franquis Areas (PR), que é morador da localidade de Barra do Açu, se comprometeu a levar o problema para apreciação da Câmara de Vereadores de São João da Barra, o que deverá ocorrer o mais rápido possível.

Como os efeitos desse processo deverão se prolongar, já que a população de peixes está sendo praticamente dizimada em período de defeso, os pescadores decidiram se manter mobilizados, e deverão realizar uma nova reunião ainda no início de Dezembro.

Mortandade de peixes continua no Canal Quitingute e desmente versão de “normalização” da situação

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Pesquisadores do Laboratório Ciências Ambientais (LCA) da UENF estiveram novamente no Canal Quitingute para coletar amostras de água nesta segunda-feira (25/11).  A primeira constatação é que a mortandade de peixes que começou há quase 15 dias continua. Essa constatação foi confirmada por moradores do V Distrito que estão encontrando peixes mortos boiando no Canal Quitingute desde Água Preta até Bajuru, numa demonstração de que o problema que causou a mortandade continua ocorrendo.

Essas constatações colocam em xeque a versão oficial do INEA de que a condições das águas do Canal Quitingute estariam voltando ao normal. Mais maiores informações sobre a qualidade das águas só deverão ser dadas até o final de hoje quando os primeiros resultados forem liberadas.

De toda forma, a situação é preocupante e agora se espera que o INEA e o Comitê de Bacias se juntem ao esforço de identificar as fontes do problema para contê-las o mais rápido possível. Agora uma coisa é certa: há algo de muito podre no reino do V Distrito, e não são só os peixes que estão aparecendo mortos que dão a pista.

G1: Amostras indicam coliformes fecais em canal no Norte Fluminense

Letícia Bucker, Do G1 Norte Fluminense

Canal Quitingute. (Foto: Reprodução/Blog do Pedlowski)Canal Quitingute. (Foto: Reprodução/Blog do Pedlowski)

Coliforme fecal. Esta foi o conclusão obtida pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), que divulgou nesta sexta-feira (22) o resultado das amostras coletadas na última segunda-feira (18) no canal Quitingute, na localidade de Água Preta em São João da Barra, no Norte Fluminense.

O professor Marcos Pedlowski, da UENF, informou que a quantidade de coliformes fecais no canal foi a responsável pela matança dos peixes. O resultado apontou 240 mil coliformes totais por cada 100 ml. O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) indica que são toleráveis 200 coliformes a cada 100 ml.

O superintendente do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, Rene Justem, informou que a quantidade de coliforme fecal na água não foi o responsável pela morte dos peixes.

“O coliforme fecal não tem nada a ver com a mortandade, ele só reforça que é um indicativo da presença de esgoto no canal. Esse esgoto é oriundo do rio Paraíba do Sul, que chega até o Quitingute através do canal de São Bento. O que causou a morte foi a queda de oxigênio por decomposição da vegetação, uma vez que as comportas foram fechadas para a medição do Quitingute”, explicou Rene.

Pedlowski informou que o consumo das águas do canal não é aconselhada, podendo causar doenças, como a de pele, por exemplo. “Esses resultados obtidos tornam o consumo da água proibido. Não é indicado para irrigar a produção agrícola, nem lavar roupa, nem consumir”, explicou.

Já o INEA diz que as águas do Quitingute podem ser utilizadas para uso agrícola e garante que o canal voltou à normalidade. A assessoria da Concessionária Águas do Paraíba, responsável pelo tratamento e abastecimento em Campos, garantiu que trata 100% do esgoto lançado no rio Paraíba.

FONTE: http://g1.globo.com/rj/norte-fluminense/noticia/2013/11/amostras-indicam-coliformes-fecais-em-canal-no-norte-fluminense.html