
Faz algum tempo que está evidente que o (des) governo Pezão adoraria ver as universidades estaduais reduzidas à cinzas. Isso começou a ficar claro quando as verbas de custeio foram suspensas, deixando as universidades funcionando sem que fossem sequer oferecidas as condições mínimas de segurança. Esse processo de sabotagem explícita foi paulatinamente estendido a todas as estruturas fundamentais dessas instituições que essencialmente dependem de estabilidade para poderem cumprir suas funções essenciais para o desenvolvimento do Rio de Janeiro.
Como toda a privação não impediu o funcionamento das universidades, o (des) governo Pezão adicionou o asqueroso confisco salarial para ver se conseguia quebrar o moral e a determinação que vem mantendo atividades essenciais praticamente intactas, apesar do furioso ataque que tem sido executado.
Agora, com o anúncio de que o salário de Agosto continuará sendo negado a 3,3% (15.375 servidores) do funcionalismo estadual por tempo ainda não determinado, a coisa assumiu um aspecto inegável de expedição punitiva contra as universidades estaduais, especialmente seus docentes e estudantes. Os primeiros ficam de fora porque o novo teto para pagamento de salários (os assombrosos R$ 6.161,00), enquanto que os estudantes são punidos com a falta de pagamento de suas bolsas, o que só vem ocorrendo após os docentes terem seus vencimentos quitados.
Alguém poderia se perguntar por que o (des) governo Pezão demonstra tal disposição de destruir as universidades estaduais. As razões provavelmente são múltiplas, mas eu arrisco a dizer que a principal é quebrar os núcleos da resistência intelectual ao projeto de destruição do Rio de Janeiro que o (des) governador Pezão e sua plêiade de (des) secretários vêm executando para melhor servir os grupos econômicos que efetivamente controlam o poder decisório deste (des) governo.
Lembremos assim que a expedição punitiva é uma operação militar empreendida para punir um Estado ou qualquer grupo de pessoas. A expedição punitiva normalmente é realizada em resposta ao comportamento desobediente ou moralmente errado percebido, seja como retaliação ou para aplicar pressão diplomática forte sem uma declaração formal de guerra. Mais comumente, no século XIX, as expedições punitivas foram usadas como pretexto para aventuras coloniais que resultaram em anexações, mudanças de regime ou mudanças nas políticas do Estado afetado para favorecer uma ou mais potências coloniais. Mas aqui no Rio de Janeiro comandado pelo (des) governo Pezão, a expedição punitiva toma a forma dessa perseguição despudorada às universidades estaduais.
Por isso, é preciso ter claro o papel que o confisco salarial ocupa na tentativa de quebrar a resistência dos que estão sendo atingidos, mas que ainda tentam se manter focados nas suas tarefas como servidores que, a despeito de todas as privações impostas, ainda precisam cumprir. A principal sendo a denúncia do perigo extremo que esse (des) governo representa para o presente e o futuro do Rio de Janeiro.