A Uenf não está fechada, ela está se insurgindo contra sua destruição pelo (des) governo Pezão

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Greves em universidades públicas são eventos indesejados porque atrapalham o funcionamento de uma série de ações que são extremamente sensíveis, desde o processo de ensino, passando pela pesquisa, e chegando na difusão do conhecimento que é gerado por meio da extensão.

Lamentavelmente nos últimos anos os diferentes segmentos que formam a comunidade universitária da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) têm necessitado usar o instrumento da greve para se insurgir contra um projeto de desmonte de uma das melhores instituições universitárias existentes no Brasil.

A atual greve decretada por servidores técnico-administrativos e professores é mais um caso de insurgência contra um (des) governo que vem tentando de tudo para inviabilizar a contribuição da Uenf para o desenvolvimento regional.  E essa greve foi decretada não apenas por causa do vexaminoso atraso no pagamento de quatro salários, mas também por causa do corte das verbas de custeio que remonta ao mês de Outubro de 2015.

Mas que ninguém se engane. A Uenf não está fechada. Aliás, muito pelo contrário, o que estamos vivenciando todos os dias é um esforço concentrado para mantê-la aberta e com a manutenção de seu caráter público, gratuito e de excelência.  

E o mais importante é entender que greves são momentos específicos dentro da trajetória de universidades que vivem sob constante ataque de (des) governos que gostariam de fechá-las em nome de um projeto econômico que quer manter o Brasil para sempre como uma Nação na rabeira do processo de desenvolvimento capitalista.

É contra esse projeto que os segmentos organizados da Uenf estão se insurgindo neste momento, pois não é possível que se aceite passivamente o que o (des) governo Pezão está tentando fazer. 

A crise (seletiva) do RJ: adoção de solução errada irá agravar e não resolver o caos atual

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Estive presente na interessante palestra que foi dada pelo economista e professor  Bruno Leonardo Barth Sobral da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) na programação oficial do aniversário de 24 anos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). 

A palestra oferecida pelo professor Bruno Sobral serviu para me educar sobre os elementos macro-estruturais da crise financeira que assola o estado do Rio de Janeiro neste momento. Ainda que já tenha oferecida a ele uma rápida crítica ao que eu considerei um subestimação das interações entre elementos estruturais da economia fluminense e os impactos da corrupção e da farra fiscal no atual cenário, vou me ater aqui a três aspectos  que ele apontou e que eu penso devem ser melhor compreendidos pelos que estão sofrendo os efeitos da crise seletiva que se abate sobre servidores e a população que depende mais diretamente dos serviços públicos.

O primeiro aspecto que quero ressaltar na fala do professor Bruno Sobral é o fato de que o Rio de Janeiro vive hoje um problema causado mais pela queda de receitas do que pelo aumento das despesas que também estão caindo.  O problema é que as receitas estão caindo num ritmo mais acelerado (ver  a figura abaixo).

BS RJ Despesa receita

Mas mais drástico ainda é a situação da chamada Receita Corrente Líquida (RCL) [1] onde o Rio de Janeiro ocupa o último lugar dentro da federação brasileira, o que evidenvia um grave problema estrutural.

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Em  segundo lugar, destaco o problema que a questão anterior causa no aumento da dívida líquida, especialmente quando comparamos com outros estados que estão igualmente em dificuldades neste momento, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. É que no caso do Rio de Janeiro, este aumento vem sendo visivelmente mais acelerado.

BS Evolução Dívida

Um terceiro aspecto que considero fundamental é que todo o receituário adotado pelo governo do Rio de Janeiro por imposição do governo “de facto” de Michel Temer.  Falo aqui da questão do peso das despesas com pessoal  no total de despesas primárias. Como se pode observar na figura abaixo, o Rio de Janeiro ocupa apenas a 13ª. posição, ficando muito próximo da média nacional. Em outras palavras, as despesas com os salários não explicam a situação caótica em que se encontram as finanças do estado.

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Mas o pior é que como foi mostrado pelo professor Bruno Sobral, o chamado “Pacote de Recuperação Fiscal” que foi assinado pelo (des) governo Pezão adota exatamente a premissa de que o problema está no aumento das despesas (com o foco principal ficando sobre os servidores) e não na queda das receitas.   Essa é mais uma aplicação da “moral de tesouraria” que despreza qualquer olhar mais amplo do problema para se concentrar, de forma equivocada, num receituário claramente recessivo.

E no caso do Rio de Janeiro, como bem demonstrou o professor Bruno Sobral, uma receita que despreza a estrutura econômica existente, o que certamente deverá agravar a crise e não resolvê-la.  Mas espero o que de um (des) governo tão desqualificado e incompetente como o comandado pelo Sr. Luiz Fernando Pezão? O problema para todos nós é de como escapar dessa armadilha que foi tramada pelo dublê de ministro e banqueiro, o Sr. Henrique Meirelles.

Quem desejar saber mais sobre estas questões tão graves para o futuro do Rio de Janeiro, sugiro a leitura do artigo “A Crise do Rio de não deve ser tratada como crise do Rio” do próprio professor Bruno Sobral, onde essas e outras questões são analisadas [Aqui!].

Rio de Janeiro: a crise não acabou, ela está apenas começando

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Após o pagamento dos salários atrasados referentes a Maio, Junho e Julho está sendo criado um ambiente que pressiona pela suspensão nas universidades estaduais e nas escolas técnicas da rede Faetec.  Essa pressão obviamente nasce de dentro do (des) governo Pezão que se vê muito fragilizado frente à uma opinião pública que possui grande desconfiança sobre a capacidade de quem criou a crise de achar caminhos para superá-la.

Entretanto, mesmo dentro das universidades e escolas técnicas reapareceu o mantra da “normalidade sacrificial” onde a fábula de que os servidores e estudantes precisam “resistir”   é repetido “ad nauseam” no estilo de repetir uma mentira mil vezes até que ela soe como verdade. Nessa prática, o único efeito objetivo é desprover o conceito de resistência de suas capacidades transformadoras, tornando-o assim um conceito desprovido de substância e que serve apenas aos interesses dos inimigos da educação pública.

Felizmente, ao menos no caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense, já existe um grupo considerável de servidores que saíram da bolha do conformismo que foi criada pela assimilação acrítica da narrativa da crise imposta pelo (des) governo Pezão.  Nessas duas semanas de greve docente o que mais vi e ouvi foi a disposição de continuar o projeto privatizante que está por detrás do confisco salarial que está sendo utilizado como um tática de guerra contra os que insistem em defender a Uenf e o que ela efetivamente foi pensada para ser pelos seus criadores.

E se essa tomada de consciência sobre as tarefas que temos no horizonte por si só não resolve tudo, pelo menos não ficaremos mais na bolha que o (des) governo Pezão nos colocou.  Se isso não resolve tudo, é certo que não ficaremos na Uenf vivendo a paz dos cemitérios que querem nos impor para mais facilmente avançar o excludente processo de privatização que está em marcha no Rio de Janeiro, principal laboratório do receituário neoliberal para a América Latina.

Abaixo segue a postagem altamente elucidativa do Conexão Servidor Público.

SERVIDORES DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – PAGAMENTO DE ATRASADOS NÃO SIGNIFICA FIM DA CRISE E DOS PROBLEMAS

BLOG PARABENIZA OS SERVIDORES PÚBLICOS DO BRASIL, EM ESPECIAL NESSE MOMENTO OS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, PELA SUA CAPACIDADE IMENSA DE RESISTÊNCIA E SUPERAÇÃO.

 

Se engana quem acha que o problema dos servidores do estado do Rio de Janeiro está resolvido com o pagamento dos três meses de salários – MAIO / JUNHO / JULHO – feito entre sexta-feira dia 14/08 e praticamente finalizado ontem, dia 16/08. Embora ainda existam algumas pendências, e servidores que reclamem ter recebido valores inferiores ao que esperavam, pode-se dizer que os salários mensais estão em dia, considerando o calendário do GOVERNO DO ESTADO.

Faltando ainda 13o. salário de 2016 para uma parcela considerável – Todos os que ganham acima de R$ 3.200,00, (excetuando-se aí os profissionais da SEEDUC e da PGE que receberam esse pagamento) + GRATIFICAÇÕES e Horas Extras, em especial aí para os profissionais da segurança, além da falta de PREVISÃO de como serão os pagamentos mensais de agora em diante, e também como será pago, se é que será pago, o DÉCIMO TERCEIRO de 2017, podemos afirmar que estamos diante de uma série de INCERTEZAS e PREOCUPAÇÕES.

O ESTADO tem ainda uma dívida imensa com fornecedores e terceirizados. Esse tipo de situação, prejudica a prestação de serviços à população, pois impede o bom funcionamento da máquina pública.

Vive-se ainda uma série de outras incertezas, como a do aumento da alíquota previdenciária, a assinatura do ACORDO ENTRE UNIÃO E ESTADO, na dependência de que o MINISTRO MEIRELLES, ameaçado no cargo, decida essa situação e permita que o Rio tome um empréstimo que pode de lhe dar um OXIGÊNIO NECESSÁRIO, e ainda se a CEDAE será ou não PRIVATIZADA. Isso para não falar na questão do ATAQUE QUE O SERVIÇO PÚBLICO COMO UM TODO VEM SOFRENDO, ou das incertezas na área políticas, como o IMPEACHMENT DE PEZÃO, CASSAÇÃO DE SEU MANDATO, ou a QUEDA DO GOVERNO TEMER diate de uma SEGUNDA DENÚNCIA apresentada pela PGR.

Como se vê, não é um CENÁRIO de HORIZONTE TRANQUILO. SEGURANÇA, EDUCAÇÃO, SAÚDE E ARRECADAÇÃO, são PONTOS CRÍTICOS.

Ainda assim, comemora-se o fato de que com os salários pagos, os servidores respiram e conseguem dar um mínimo de normalidade a sua vida. Pagam algumas contas, reduzem seu endividamento, abastecem de forma básica a geladeira e compram seus remédios. É um alívio, um tempo para se recompor e reestruturar. 

Não se pode ter, porém, a ILUSÃO de que tudo está ou estará em breve resolvido de forma completa. Por isso, é importante manter a mobilização e a cobrança, e o BLOG vai abordar todos estes problemas diariamente.

FONTE: http://souservidor.blogspot.com.br/2017/08/servidores-do-estado-do-rio-de-janeiro_17.html

Coisas do Rio de Janeiro: privatização da CEDAE será tocada pela Concremat, a da ciclovia que caiu na primeira ressaca

Quando se pensa que a capacidade do (des) governo Pezão e de seus aliados no governo “de facto” liderado por Michel Temer de causar “surpresas” no gerenciamento da coisa pública, as suas ações concretas vêm para provar que aparentemente esse é um poço sem fundo.

Para ilustrar isto,  posto abaixo uma nota abaixo publicada no blog da sempre vigilante Associação dos Analistas da Fazenda Estadual do Rio de Janeiro (Anaferj) sobre a vitória dada a um consórcio que envolve a empresa Concremat que, entre outras peculiaridades pertence à família do ex-secretário municipal de Turismo do governo de Eduardo Paes,  o Sr. Pedro Figueira de Mello para calcular o preço de venda da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE).

Mas as relações da Concremat com o PMDB vão mais além do governo de Eduardo Paes, visto que a empresa foi uma das maiores doadoras da campanha do (des) governador Pezão!

Uma das atuações mais notórias da Concremat está a construção da Ciclovia Tim Maia que desabou matando dois ciclistas, poucas semanas após sua inauguração apressada por Eduardo Paes.  Mas não se pode esquecer que a Concremat também foi a responsável pela reforma milionária do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Além disso, a empresa também atuou em obras no Porto do Açu, onde ficou responsável pela prosaica, mas também milionária, fiscalização do transporte das pedras utilizadas na construção de pelo menos um de seus terminais.

Agora, me respondam: como pode ter o consórcio da Concremat vencido a concorrência com  uma das gigantes do setor de consultorias como foi o caso da Pricewaterhousecoopers ?  

E neste contexto de relações tão próximas, alguém vai acreditar que o preço que vai ser calculado pelo consórcio da Concremat é algo próximo do que vale a CEDAE? Em minha modesta, só mesmo os ingênuos ou mal-intencionados.

CEDAE: Empresa de ex-secretário participa do consórcio da venda

A Concremat ficou famosa nacional e internacionalmente por participar do projeto e construção da Ciclovia Tim Maia. Aquela mesmo que desabou antes das olimpíadas em dia de ressaca corriqueira no nosso litoral e acabou causando a morte de 2 pessoas.
 
Durante a repercussão do caso, a imprensa descobriu que a empresa era da família do Secretário de Turismo de Eduardo Paes, do PMDB. 
 
Passado mais de um ano, a Concremat volta ao noticiário. Não por finalmente algum dirigente ter sido condenado pelos homicídios, mas sim por que essa mesma empresa, de família de políticos, vai liderar a consultoria que vai definir o modelo de venda da CEDAE.
 
Venda esta feita por um governo do PMDB.
 
Dá pra confiar?

Algumas concorrentes da Concremat no Leilão de ontem:

Deloitte Touche Tohmatsu Consultores LTDA;
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – FIPE
Pricewaterhousecoopers Serviços Profissionais LTDA

Ou seja a Concremat da ciclovia que desabou venceu uma disputa de consultoria com a Price e a Deloitte, algumas das maiores consultorias do mundo, que aconselham governos e auditam as maiores empresas do planeta.

O Banco Fator que acompanha a Concremat apareceu esse ano na imprensa, como “no vermelho” e perdendo executivos. (veja aqui)

A ANAFERJ esclarece que não está entrando na discussão ideológica do tamanho ideal do Estado ou dando uma opinião sobre a estratégia de uso e posse dos recursos hídricos/saneamento. Essa é uma discussão complexa e que deve ainda ser feita pela sociedade.

O ponto aqui é analisar se a possível venda da CEDAE está tomando forma de modo a respeitar o valor real da companhia e atendendo ao mais puro e alto interesse público.

Sob esse aspecto, uma consultoria internacional de renome poderia dar mais garantia para a sociedade da lisura da operação do que uma empresa que pertence a família de políticos ligados ao PMDB, mesmo partido do Presidente e do Governador.

 
FONTE: http://anaferj.blogspot.com.br/2017/08/cedae-empresa-de-ex-secretario.html

No aniversário de 24 anos da Uenf é preciso nos insurgir contra os que querem sua destruição

 

Neste 16 de Agosto, a Universidade Estadual do Norte Fluminense completará 24 anos de início de suas atividades que tanto impacto já causaram em nossa região e na vida de milhares de jovens que vieram até o campus Leonel Brizola em busca de formação acadêmica de qualidade sendo oferecida numa instituição pública.

O sucesso da Uenf pode ser medido de diversas maneiras, mas a que eu prefiro é na acolhida que sempre tenho entre as pessoas mais pobres de nossa população que genuinamente acreditam que podemos tornar as vidas de suas filhas e filhos em algo melhor daquilo que elas puderam ter.

O fato de que estamos atravessando uma crise que choca aos olhos minimamente sensíveis não irá nos fazer esmorecer, muito pelo contrário. Esse tipo de compromisso que vejo em muitos dos meus colegas de labuta é o que sempre me anima em face dos muitos momentos de incerteza e dificuldade que já vivi desde que cheguei a Campos dos Goytacazes no final de 1997.  

Mas não vamos negar o óbvio. O projeto de excelência com que sonharam os fundadores da Uenf se encontra sob grave risco. E o responsável por esse risco é o (des) governo comandado pelo Sr. Luiz Fernando Pezão.  E não falo aqui apenas da asfixia financeira que nos priva de verbas de custeio e de salários e bolsas pagos em dia. Essas questões são apenas facetas de um projeto muito maior que visa subtrair da Uenf a sua capacidade de formar jovens saídos das camadas médias e mais pobres da nossa população.

O real risco que vivemos é da cessação da entrega de verbas públicas para sustentar a Uenf da forma que ela foi idealizada.  A partir daí se tornará inevitável a cobrança de mensalidades para os estudantes e a venda de serviços para empresas em nome da viabilidade financeira da universidade. Se isso ocorrer, estaremos assistindo ao fim do modelo institucional visionário que foi engenhosamente desenvolvido por Darcy Ribeiro e um seleto grupo de intelectuais que se uniram a ele para criar o que viemos a conhecer pelo nome de Uenf.

Não menos importante é dizer que a Uenf e as nossas coirmãs Uerj e Uezo, como o estado do Rio de Janeiro, estão sendo utilizadas como um laboratório de destruição das universidades públicas existentes no Brasil. Esse aspecto é pouco abordado, mas é essencial que entendamos que os riscos impostos sobre a Uenf estão também colocados sobre todas as demais universidades públicas brasileiras, estaduais ou federais, e também sobre os institutos federais. É que para os impulsionadores das políticas ultra neoliberais que estão tentando quebrar a espinha dorsal do Estado brasileiro, universidades públicas e gratuitas são como espécies animais que se recusam a se tornar extintas.

Por isso mesmo, não nos contentaremos mais a dizer que resistiremos a esse projeto de destruição. A nossa obrigação efetiva é de nos insurgirmos contra os inimigos da educação pública para derrotar o seu projeto de retorno ao Século XVI. Como paranaense que sou me arrisco a dizer que nos comportaremos como as araucárias que se recusam a ser extintas e há milênios vem desafiando todas as probabilidades para se manterem  vivas.

Lembrando Darcy Ribeiro é preciso que digamos a quem quer destruir a Uenf que  só existem duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E  nós não iremos nos resignar nunca.

Longa vida à Uenf pública, gratuita e democrática.

(Des) governo Pezão: a confusão como método para avançar sua receita ultraneoliberal

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De forma súbita o (des) governo Pezão anunciou a decisão de dar um alívio na situação calamitosa em que colocou mais de 200 mil servidores estaduais e pagar os salários de Maio, Junho e Julho. Essa notícia foi recebida com natural ceticismo já que esse (des) governo raramente cumpre o que anuncia nos sempre compreensivos veículos da mídia corporativa.

Acompanhando a situação dos diversos órgãos que pertencem à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social (SECTIDS) já pude verificar um comportamento irregular nos depósitos, com determinados órgãos recebendo os meses de Maio e Junho e outros apenas a parcela restante de Maio.  Tal procedimento, evidentemente, pode ser relacionado ao caos que deve estar sendo implementar três folhas de pagamento ao mesmo tempo. Entretanto, dada a ficha pregressa deste (des) governo, o mais provável é que até neste momento esteja sendo aplicado algum tipo de justiça poética, punindo uns mais do que outros.

A verdade é que o (des) governo Pezão mescla ações de pura perseguição política com a mais básica incompetência. Nesta mistura de características quem acaba perdendo são os servidores da ativa e os pensionistas e aposentados do RioPrevidência. É que o mesmo tipo de parcimônia que é usada pelo (des) governo Pezão para decidir quem recebe ou deixa de receber não é praticada pelos credores que ficam batendo à porta dos servidores.

Além disso, o fato inegável é que o confisco salarial que vem sendo praticado de forma seletiva contra determinadas categorias é apenas mais um instrumento na guerra que o (des) governo Pezão executa contra o serviço público.  A estas alturas do campeonato não há como acreditar que qualquer coisa que ocorra no âmbito deste (des) governo seja fruto do acaso. Incompetentes sim, mas com um claro propósito, e este propósito é terminar o trabalho iniciado por diferentes (des) governos de coloração neoliberal que vem destruindo o Rio de Janeiro ao longo das últimas décadas.

Aos que já receberam os salários atrasados de Maio e Junho eu sugiro que façam o que estou fazendo: pagando contas e separando a maior parte do que foi depositado para o longo inverno adiante. E não nos iludamos com as lágrimas de crocodilo do (des) governador Luiz Fernando Pezão. Ele está apenas pensando em sua sobrevivência política e na consumação das tarefas que a ele foram outorgadas. 

 

Anaferj coloca o dedo na ferida: a venda da folha foi um fracasso, não o sucesso apregoado

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O blog da Associação dos Analistas da Fazenda Estadual do Rio de Janeiro (Anaferj) traz hoje uma análise muito pertinente sobre a chamada venda da folha de salários dos servidores públicos estaduais, a qual publico integralmente logo abaixo.

É que desde que o Bradesco adquiriu sem competição o direito de continuar gerenciando as contas salário dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, o (des) governo do Rio de Janeiro vem alardeando que o processo foi o sucesso esperado e que renderá a normalização dos pagamentos atrasados, ainda que se omita propositalmente o 13o. salário de 2016.

O que a Anaferj mostra é que por vários aspectos, esta venda longe de ser um exito, de fato representa um fracasso de uma das metas oferecidas pelo (des) governo Pezão para aderir ao chamado Programa de Recuperação Fiscal (PRF) do governo “de facto” de Michel Temer. A diferença entre o prometido e o realizado é de “meros” R$ 124 milhões.

Resta saber quantas outras metas não serão descumpridas, comprometendo ainda a inviável estabilidade que o PRF visa, em tese, obter.

Mas uma coisa é certa: só os mais ingênuos podem acreditar em qualquer coisa que emane deste (des) governo.

 

Previsão entregue ao governo federal previa 1,442 bilhão.

 

Dentre os documentos enviados pelo Estado do Rio de Janeiro para o Governo Federal há 2 semanas para a adesão ao Programa de Recuperação Fiscal, estava nos anexos o de número 28. É uma Nota Técnica de 6 páginas da Subsecretaria de Finanças que apontava, a partir de diversos cálculos, o valor da folha do Estado: 1,442 bi. 

Tabela aponta os ganhos e o valor adequado para remunerar o banco

Os cálculos, feitos dentro de uma metodologia clara e que levou em consideração todas as variáveis corretas, é um trabalho irretocável e uma demonstração da qualidade técnica do corpo funcional da Subsecretaria, conhecida internamente como “Tesouro”.

E esse valor de 1,442 bi, meticulosamente calculado, consta do plano de recuperação do estado como receita em 2017.

Foi enviado ao Governo Federal a previsão de 1.442 bi em 2017 e 1,776 bi em 2022.
Como todos sabem, não houve concorrência no leilão, já que apenas um banco participou. Pagou o valor mínimo de 1,318 Bi.

Ou seja, o leilão frustrou a expectativa de arrecadação em 124 milhões.

Considerando a média salarial do servidor estadual de R$ 4.476,70, daria pra pagar salário para quase 28 mil servidores.

O servidor pergunta: pra onde foi essa “pequena” diferença?
FONTE: http://anaferj.blogspot.com.br/2017/08/venda-da-folha-de-pagamentos-fracassa.html

Quem não luta pela Uenf?

O jornal Folha da Manhã publicou neste domingo (13/08) uma série de declarações de apoio à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) dada por vários políticos eleitos pela nossa região, trazendo ainda uma interessante interrogação como manchete principal: quem luta pela Uenf? [1]

A partir da leitura das declarações dadas por deputados que não apenas têm votado de forma consistente pelo projeto político que vem destruindo não apenas a Uenf, mas todas as universidades públicas brasileiras, eu poderia retrucar e dizer que a manchete para ser mais precisa deveria ser “quem não luta pela Uenf”.

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Começando pelos deputados estaduais Geraldo Pudim (PMDB), Gil Vianna (PSB) e João Peixoto (PSDC) não hesito em dizer que a atuação dos mesmos vem sendo desastrosa não apenas para a Uenf, mas também para toda a população do Norte Fluminense. É que estes deputados vem consistentemente aprovando projetos do (des) governo Pezão que implicam no desmanche do serviço público e na perpetuação das desigualdades sociais que afligem historicamente esta rica região pobre.

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Mas o plantel de “defensores” da Uenf ainda inclui prefeitos que objetivamente nada fizeram para apoiar qualquer esforço real de solução dos graves problemas que estão sendo infligidos pelo (des) governo Pezão na Uenf, incluindo aí a prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PP), e o prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz (PPS). A começar pelo fato de que os partidos dos dois prefeitos pertencem à base governista na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, as declarações dadas ao jornal Folha da Manhã vão de encontro ao que tem sido feito na prática por eles. No caso de Rafael Diniz, estou aguardando até hoje a contrapartida prometida à Uenf em função de espaço física para o braço ambiental da Guarda Civil Municipal.

Além disso, se olharmos para as políticas objetivas que os prefeitos estão executando em seus governos vamos notar que as mesmas emulam em grau de virulência com aquilo que é praticado pelo (des) governo Pezão contra os servidores públicos e a população mais pobre. Assim, não é surpreendente que o apoio deles apareça, quando muito, em declarações vazias e sem qualquer nexo com a sua atividade prática. 

O fato é que o único apoio genuíno que venho observando em toda a crise (seletiva) que foi imposta pelo (des) governo Pezão tem vindo da população que depende da existência da Uenf para que a juventude do norte e noroeste fluminense possa ter acesso à educação pública e gratuira.  É daí que tenho recebido diariamente o tipo de solidariedade que não existe na prática desses soldados da destruição que somente aparecem para entregar declarações que, muitas vezes, nem se dão ao trabalho de produzir, relegando isso a um dos seus muitos assessores. 

E, na real, entre este plantel de “apoiadores” e a população, adivinha em quem penso que devemos apostar? Claro que na população que se mobilizou para que a Uenf fosse criada e sempre nos oferece um apoio sincero nos nossos encontros nas ruas.

Ah, antes que eu me esqueça. Chega a beirar o exótico termos um deputado federal que já condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na “Máfia dos Sanguessugas” dando a declaração de que não tem apoiado a Uenf por falta de demandas para cumprir qualquer papel em sua defesa [2]. Isso é como o coveiro dizer que não enterrou um morto porque ninguém pediu.   Se ainda estivéssemos falando de Odorico Paraguaçu ainda passava, mas estamos falando de Paulo Feijó (PR)!


[1] http://opinioes.folha1.com.br/2017/08/13/liderancas-da-regiao-se-unem-ao-magisterio-na-luta-pela-uenf/.

[2] http://g1.globo.com/politica/noticia/stf-condena-deputado-paulo-feijo-e-decreta-perda-de-mandato-cabe-recurso.ghtml

ADUENF lança edição especial de seu jornal para celebrar os 24 anos da UENF

A Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense está celebrando os 24 anos de existência da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) com uma edição especial do seu jornal. Essa edição traz artigos sobre os desafios atuais em torno da defesa do caráter público e gratuito da Uenf e uma série de imagens de mobilizações realizadas desde 1999, período em que foram garantidas uma série de importantes conquistas, entre elas o processo de autonomia universitária.

Abaixo postamos a versão digital desta edição especial.

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FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/aduenf-lanca-edicao-especial-de-seu.html

As promessas inacreditáveis do (des) governo Pezão e o misterioso crescimento dos gastos com pessoal

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A imagem abaixo reproduz a capa da edição desta 5a. feira do jornal O DIA que mostra que o (des) governo Pezão está jogando mais para frente a promessa de finalmente pagar os salários de maio e junho, deixando o resto das dívidas acumuladas com parte do funcionalismo estadual para o dia de São Nunca.

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A novela trágica em que se transformou a resolução do calote imposto sobre mais de 200 mil servidores, pensionistas e aposentados, entretanto, é apenas uma das muitas demonstrações de que o (des) governo Pezão não leva a sério suas próprias responsabilidades para  com o Rio de Janeiro. Além disso, tudo indica que se houvesse responsabilidade, ainda sobraria muita incompetência que agrava ainda mais os impactos da seletividade da crise que assola os servidores e a população que deles depende.

Além disso, há algo de muito estranho na própria questão do que vem a ser chamado de “gastos com pessoal”. É que o professor Alcimar das Chagas Ribeiro, do Laboratório de Engenharia de Produção (Leprod) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), mostrou em seu blog, o estranho crescimento  do valor acumulado com pessoal que, no primeiro semestre deste ano foi de 73,7% das receitas correntes realizadas [1].  Mais estranho ainda, segundo os dados apresentados pelo Prof.  Ribeiro, foi que o percentual no mesmo período de 2016 foi de apenas 43,32%.  Em outras palavras, o valor absoluto da conta de salários e encargos no primeiro semestre de 2017 foi maior 97,2% do que o valor registrado no mesmo período em 2016 (ver gráfico abaixo)!

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Uma hipótese para explicar esse aumento é de que, espertamente, o (des) governo Pezão esteja incluindo na rubrica de pessoal os gastos com pensões e aposentadorias do RioPRevidência. Entretanto,  se for isso mesmo, o que temos aqui é o uso de um truque contábil para omitir o fato de que o RioPrevidência se encontra falido, muito em função da desastrosa operação feita na paraíso corporativo de Delaware pelo ex-diretor-presidente do fundo próprio de previdência dos servidores estaduais e atual secretário estadual de Fazenda do Rio de Janeiro, Gustavo Barbosa [2, 3, 4].

A verdade é que ao abrigar os custos com o RioPrevidência na rubrica de pessoal,  o (des) governo Pezão infla artificialmente os gastos de pessoal, enquanto oculta as reais responsabilidades pela quebra do RioPrevidência e que recaem diretamente sobre os senhores Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Gustavo Barbosa.

Assim, é essencial que os servidores, pensionistas e aposentados continuem a fazer pressão não apenas para que as dívidas sejam saldadas, mas para que se apure de forma rigorosa esse inchaço nos custos com pessoal e, claro, as responsabilidades na realização da Operação Delaware.

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[1] http://economianortefluminense.blogspot.com.br/2017/08/evolucao-percentual-da-conta-de-pessoal.html.

[2] https://blogdopedlowski.com/2016/04/24/gracas-a-cabral-e-pezao-rioprevidencia-e-prisioneiro-de-fundos-abutres/

[3] https://blogdopedlowski.com/2016/04/25/rioprevidencia-depois-da-ponte-aerea-rio-delaware-o-mundo/

[4] https://blogdopedlowski.com/2016/04/26/rioprevidencia-e-as-multiplas-perguntas-acerca-da-opcao-delaware/