No aniversário de 24 anos da Uenf é preciso nos insurgir contra os que querem sua destruição

 

Neste 16 de Agosto, a Universidade Estadual do Norte Fluminense completará 24 anos de início de suas atividades que tanto impacto já causaram em nossa região e na vida de milhares de jovens que vieram até o campus Leonel Brizola em busca de formação acadêmica de qualidade sendo oferecida numa instituição pública.

O sucesso da Uenf pode ser medido de diversas maneiras, mas a que eu prefiro é na acolhida que sempre tenho entre as pessoas mais pobres de nossa população que genuinamente acreditam que podemos tornar as vidas de suas filhas e filhos em algo melhor daquilo que elas puderam ter.

O fato de que estamos atravessando uma crise que choca aos olhos minimamente sensíveis não irá nos fazer esmorecer, muito pelo contrário. Esse tipo de compromisso que vejo em muitos dos meus colegas de labuta é o que sempre me anima em face dos muitos momentos de incerteza e dificuldade que já vivi desde que cheguei a Campos dos Goytacazes no final de 1997.  

Mas não vamos negar o óbvio. O projeto de excelência com que sonharam os fundadores da Uenf se encontra sob grave risco. E o responsável por esse risco é o (des) governo comandado pelo Sr. Luiz Fernando Pezão.  E não falo aqui apenas da asfixia financeira que nos priva de verbas de custeio e de salários e bolsas pagos em dia. Essas questões são apenas facetas de um projeto muito maior que visa subtrair da Uenf a sua capacidade de formar jovens saídos das camadas médias e mais pobres da nossa população.

O real risco que vivemos é da cessação da entrega de verbas públicas para sustentar a Uenf da forma que ela foi idealizada.  A partir daí se tornará inevitável a cobrança de mensalidades para os estudantes e a venda de serviços para empresas em nome da viabilidade financeira da universidade. Se isso ocorrer, estaremos assistindo ao fim do modelo institucional visionário que foi engenhosamente desenvolvido por Darcy Ribeiro e um seleto grupo de intelectuais que se uniram a ele para criar o que viemos a conhecer pelo nome de Uenf.

Não menos importante é dizer que a Uenf e as nossas coirmãs Uerj e Uezo, como o estado do Rio de Janeiro, estão sendo utilizadas como um laboratório de destruição das universidades públicas existentes no Brasil. Esse aspecto é pouco abordado, mas é essencial que entendamos que os riscos impostos sobre a Uenf estão também colocados sobre todas as demais universidades públicas brasileiras, estaduais ou federais, e também sobre os institutos federais. É que para os impulsionadores das políticas ultra neoliberais que estão tentando quebrar a espinha dorsal do Estado brasileiro, universidades públicas e gratuitas são como espécies animais que se recusam a se tornar extintas.

Por isso mesmo, não nos contentaremos mais a dizer que resistiremos a esse projeto de destruição. A nossa obrigação efetiva é de nos insurgirmos contra os inimigos da educação pública para derrotar o seu projeto de retorno ao Século XVI. Como paranaense que sou me arrisco a dizer que nos comportaremos como as araucárias que se recusam a ser extintas e há milênios vem desafiando todas as probabilidades para se manterem  vivas.

Lembrando Darcy Ribeiro é preciso que digamos a quem quer destruir a Uenf que  só existem duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E  nós não iremos nos resignar nunca.

Longa vida à Uenf pública, gratuita e democrática.

8 pensamentos sobre “No aniversário de 24 anos da Uenf é preciso nos insurgir contra os que querem sua destruição

  1. Marco Antônio disse:

    Professor Marcos quem quer a destruição da coisa pública, e principalmente da coisa pública que funciona? Usando uma frase do senhor retirada do texto “não vamos negar o óbvio” quem quer a destruição da coisa pública é o próprio povo. Se o mesmo faz consciente ou não é outra discussão (muito interessante por sinal). O caminho para mudar tal quadro é a EDUCAÇÃO e esta solução é demorada. Me solidarizo com o senhor e demais professores e alunos da rede pública. Volto a repetir: esta cambada será reeleita tranquilamente em 2018.

    • Marco Antônio, mais importante do que quem será eleito é o que vamos fazer a respeito de suas ações.

      • Marco Antônio disse:

        Desculpe “bater na mesma tecla” Professor Marcos… mas não vejo a luz no fim do túnel com esta democracia que nós temos que se resume ao voto. Nossa democracia só se limita ao voto (ao ato de votar). E para piorar as coisas a maioria da população não está nem aí para quem vai se eleger. Já está acontecendo com mais frequência parlamentares dizerem abertamente que não estão nem aí para o que o eleitor acha. Só estou externando minha opinião, e concordo em parte com o senhor, pois pesa sim em nossas vidas quem será eleito… as porcarias que o povo conduzirá ao poder em 2018.

  2. Abilio Maiworm-Weiand disse:

    “…quem quer a destruição da coisa pública é o próprio povo.” “Os negros são mais racistas que os brancos”. “As mulheres são mais machistas que os homens”. “Os trabalhadores defendem mais o capitalismo que os empresários”. “O povo é antipatriota”. “O povo brasileiro é vagabundo” Um festival de senso comum ventilado a partir de tantos e tantos meios de comunicação e ouvido até em boteco pé sujo, cuja a única função é fazer com que a vítima acredite que é a culpada por sua situação e as coisas permaneçam como estão. E há ainda os que culpam os professores (ou a educação como um todo) por tal barbaridade. Tempos muito parecidos com a ascensão do nazi-fascismo europeu durante a crise do capital na década de 30 do século XX, inclusive com o discurso vazio de combate à corrupção.

    • Marco Antônio disse:

      Amigo Abílio (posso chamá-lo assim?) por que tampar o sol com a peneira?

      • Marco Antônio disse:

        Abílio concordo em parte com você, mais especificamente com o final de seu argumento. Realmente o discurso contra a corrupção é vazio, mas acredito nisso por outra razão: a luta entre “esquerda” e “direita”. Não me refiro aos políticos e sim as tais “vítimas” a que você se referiu. Creio que a corrupção nunca foi o real problema de “coxinhas” (liberal de direita) e “mortadelas” (liberal de esquerda), o que atormenta esta turma é o combate ao político inimigo, ou seja, aos políticos com os quais não se identificam, o “coxinha” odeia Lula, Dilma, Dirceu e cia., o “mortadela” odeia Aécio, FHC, Serra, Dória e cia. Veja que eles acusam os seus inimigos de todo tipo de crimes e sempre defendem e tentam negar/amenizar os crimes de seus afetos. O que importa é a corrupção praticada no “outro lado da colina”, a nossa é invenção deles ou justifica-se como necessária para os grandes avanços. Não citarei exemplos de ambos os lados para não estender o comentário e por saber que você já sabe. Já uma grande parcela das “vítimas” que não se enquadram na situação acima, simplesmente não está nem aí para “a hora do Brasil”, se o faz consciente ou inconscientemente não o sei. Aceito o rótulo de vítima ao sujeito do interior que realmente há várias gerações de sua família não tem a mínima estrutura para uma vida descente. Já o sujeito de cidade grande não. Claro que cada caso é um caso, mas enquadrar 100% dos moradores da cidade grande como vítima do sistema é errado, imoral e hipócrita. Conheço pessoalmente vários exemplos de pobres e miseráveis que batalharam muito para progredir na vida. Existe muita desigualdade, violência, miséria, injustiça e barbaridades em todo o Brasil (cidade grande e interior) e só um louco não reconheceria isso. Mas também existe muita vagabundagem, egoísmo, malandragem e descaso com o próximo e o público por parte das “vítimas” também, 2018 estará aí para comprovar isso (eleições). É a minha opinião. Por fim fiquei curioso com a relação que você fez com o Brasil atual e a Alemanha do final dos anos 20 e início dos anos 30 do século passado.

      • Abilio Maiworm-Weiand disse:

        Marco Antônio, apesar de não nos conhecermos não vejo motivos para não iniciarmos um diálogo amistoso, mesmo virtualmente, e quiçá uma amizade. Bem, sair do senso comum não é tapar o sol com a peneira. Muito ao contrário, significa um esforço para retirar a peneira da frente do sol. Radicalizar é aprofundar a análise; Se o objetivo é transformar e não conservar o status quo é necessário radicalizar. Isto é, a análise não pode ficar na superfície, na aparência dos fenômenos. É necessário perscrutar os fenômenos em busca de sua essência. Aparência e essência fazem parte do mesmo processo, sendo aquela a forma de exteriorização transformada desta. Se a aparência dos fenômenos fosse imediatamente a sua essência não teríamos necessidade da ciência, como já afirmou Karl Marx. Aparentemente, por exemplo, o Sol gira em torno da Terra. A essência do fenômeno é exatamente o seu inverso. Por se acreditar nesta aparência, bíblica, inclusive, pessoas foram condenadas à prisão, silêncio e fogueira. Aparentemente não existe exploração de uma classe sobre outra no trabalho assalariado. Quem for a uma fábrica em busca disso pode, no máximo, pela observação encontrar condições degradantes de trabalho, mas nunca compreenderá porque quem paga enriquece-se, enquanto o assalariado permanece na mesma condição social ou com breves melhorias que lhe são tiradas na primeira crise econômica. Buscar a essência das coisas é o que o editor deste espaço busca fazer em suas análises, inclusive quando verifica que se equivocou. No mais, só posso lhe sugerir que continue a estudar para ultrapassar o senso comum e a aparência. Duvidar poder ser um passo metodológico importante. Pode-se começar pelas próprias convicções arraigadas, que por sua vez existem socialmente e não apenas vagando em sinapses de cérebros individuais. Só mais uma coisa, saber posicionar-se no interior das classes sociais em conflito é fundamental. Nós não somos privilegiados sociais e política é luta de classes, mesmo que apareça como se fosse a obra de um punhado de larápios muito espertos que são eleitos pela ignorância ou pelo mau caráter popular que vende o voto. O próprio professor Marcos Pedlowski tem mostrado que não é isso.

  3. Marco Antônio disse:

    Abílio, boa tarde, já pensei também, há muito tempo atrás, quando ouvia em conversas sobre a situação de nosso país que grande parte das mazelas sofridas pelo povo brasileiro (classe média, pobres e miseráveis) era culpa do próprio povo, que estas opiniões eram apenas o senso comum das pessoas se exteriorizando. Também achava que eram análises superficiais ou generalizações simplórias. Quando era bem mais jovem não compreendia como se poderia culpar uma pessoa que sofria em filas de hospitais ou que moravam em lugares insalubres por isso. Não compreendia como uma pessoa pudesse escolher viver nestas condições, isso era absurdo. Estariam estes críticos do povo “apenas vagando em sinapses de cérebros individuais”? À medida que fui crescendo (em idade biológica, experiência de vida e conhecimento, ou biblicamente falando, em sabedoria…) fui percebendo que “os cérebros não eram tão individuais assim”. Sim, por mais louco ou incompreensível que me parecesse, a situação do país era uma escolha de grande parte do povo. Como compreender que uma pessoa que tinha tido uma experiência dolorosa em um hospital público pudesse na primeira oportunidade apertar a mão e ser amistosa com o causador de seu infortúnio? Como essa pessoa podia reconduzir aos cargos os mesmos políticos que apenas dava-lhe migalhas? Meu espanto era maior quando em conversas com conhecidos perguntava isso, e muito incrédulo, ouvia da boca de muitos que sabiam disso, porém mesmo assim votavam nestes políticos. Com o passar dos anos vi que a situação piorou, os muitos que ouvia em minha adolescência debaterem política foram diminuindo em quantidade, assim como a quantidade de homens e mulheres de valor na vida pública. Buscar a essência das coisas… no contexto em que você colocou me pareceu ser uma coisa simples meu amigo. Confesso que tenho dificuldades… isso pode explicar meu pessimismo em relação ao nosso povo. Mas lhe garanto que procuro sempre agir, acrescentar algo de bom e concreto na vida das pessoas, ao menos nas que vivem ao meu redor, nas que tenho contato, conhecidas ou não. O trabalho do Professor Marcos é importante, assim como é os comentários dos frequentadores do blog. Agradeço-lhe o tempo que você dedicou à resposta de meu comentário. Se você reside no RJ poderia compartilhar sua opinião sobre nossos possíveis ilustres candidatos ao cargo de governador?

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