UENF e as evidências da crise causada pelos cortes financeiros ordenados por Pezão: linhas telefones mudas por falta de pagamento

Acabo de receber a informação de que as linhas telefônicas que existem na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) foram cortadas por falta de pagamento. Se esse fato se confirmar, o mesmo vem se somar ao atraso no pagamento de diversas modalidades de bolsas acadêmicas em todas as três áreas “finalísticas” da UENF, quais sejam, ensino, pesquisa e extensão.

Ainda que no ano passado também ocorrido esse “emudecimento” das linhas telefônicas, o problema agora parece ser mais grave, visto que os cortes orçamentários determinados pelo (des) governo Pezão deixam a UENF sem quaisquer perspectivas de poder honrar suas muitas pendências financeiras.  E a dúvida que muitos têm agora é sobre qual será o próximo serviço essencial a ser cortado. Se for a eletricidade, o fechamento das portas será rápido e implacável.

É preciso lembrar que enquanto a UENF e as outras universidades estaduais estão sendo asfixiadas financeiramente e têm suas atividades básicas comprometidas severamente, o (des) governo do Rio de Janeiro mantem generosas isenções fiscais que, estas sim, sangram o tesouro estadual.

Estudantes da UENF trancam entrada do campus para informar população sobre crise financeira causada por Pezão

A manhã desta 5a. feira (05/03) foi usada pelo movimento estudantil da UENF para iniciar uma campanha de denúncia contra o processo de sucateamento e desmanche que está sendo promovido pelo (des) governo do Rio de Janeiro. Desde cedo, dezenas de estudantes se reuniram na entrada do campus Leonel Brizola para uma panfletagem que teve como objetivo principal informar os motoristas que passavam pela Avenida Alberto Lamego e, principalmente, mobilizar a comunidade universitária para a luta em defesa da UENF.

Essa atividade promete a primeira de muitas, e visa criar um movimento que não apenas garanta o pagamento de bolsas atrasadas, mas também a sua equiparação com os valores sendo praticados na UERJ. Além disso, como bem explicitaram os panfletos distribuídos pelos estudantes, essa mobilização visa defender a UENF enquanto uma universidade pública e gratuita frente aos ataques que estão sendo realizados pelo (des) governo comandado por Luiz Fernando, o Pezão.

Abaixo imagens da mobilização realizada pelos estudantes da UENF.

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A defesa da UENF passa por apoiar a luta dos seus estudantes

Os estudantes realizaram uma assembléia ontem (03/03) após convocação pelo DCE-UENF. É que confrontados pelo espectro do caos financeiro que implica, entre outras coisas, no atraso do pagamento de todas as modalidades de bolsas que dependam de recursos do tesouro estadual, os estudantes optaram pelo caminho da luta organizada.

Com base nessa disposição é que fui informado que uma série de atividades políticas deverão acontecer no futuro imediato visando responsabilizar o (des) governo do Rio de Janeiro pelos diversos problemas que hoje comprometem o funcionamento da UENF. Nesse sentido, foi definida a publicização da hashtag #Pezão inimigo da educação.  Pode parecer exagero, mas não é!

Neste cenário de precarização que ameaça a UENF, é preciso ficar claro que apoiar a pauta de reivindicações formulada pelos estudantes é essencial para que a universidade possa continuar cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento econômico e social da região Norte Fluminense.

É como bem disse o bispo sul africano Desdmond Tutu, quem fica neutro em situações de injustiça, escolhe o lado do opressor. No caso da UENF,  quem ficar neutro em relação à luta dos estudantes, vai estar fazendo a opção pelo (des) governo Pezão e pelo sucateamento e desmanche que está promovendo na UENF e nas outras universidades estaduais.

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Em nova nota “Pôncio Pilatos”, reitoria dá pistas sobre o tamanho da crise financeira que assola a UENF

Certamente sob pressão da crescente insatisfação estudantil frente ao atraso no pagamento de diversos tipos de bolsas acadêmicas, a reitoria da UENF veio à público no final desta 3a. feira (03/03) com mais um nota no estilo “Pôncio Pìlatos” que, pelo menos dessa vez, foi assinada pelo reitor, Silvério de Paiva Freitas.

Apesar do tom lacônico e conformado, a nota da reitoria da UENF deixa transparecer que todas as atividades da universidade estão sendo prejudicadas pelo atraso das bolsas. O fato é que uma parcela significativa de todas as atividades em qualquer universidade brasileira são realizadas por estudantes que, em contrapartida, recebem bolsas que na maioria das vezes estão com valores completamente defasados.

Agora, o mais grave é que enquanto professores e servidores técnicos podem fazer greve, e rotineiramente o fazem para defender seus direitos, os estudantes não possuem uma estrutura sindical própria, e nem possuem quaisquer direitos assegurados em relação ao cumprimento dos prazos de pagamentos de suas bolsas. Na prática, os bolsistas ficam jogados à mercê da própria sorte, o que acaba sendo agravado pela postura submissa da reitoria da UENF frente ao processo de sucateamento e desmanche que o (des) governo comandado por Luiz Fernando, o Pezão, vem impondo às universidades estaduais.

De toda forma, apesar de todas as dificuldades que eu apontei acima, os sinais que recolho em conversas com os estudantes é que eles não estão dispostos a esperar pela boa vontade de Pezão ou da tomada de uma postura mais pró-ativa da reitoria da UENF. Assim, que ninguém se surpreenda se o caldo entornar não apenas na UENF, mas também na UERJ e na UEZO. É que se os estudantes resolverem suspender suas múltiplas atividades vinculadas às bolsas que não são pagas, a situação que já está ruim, vai ficar ainda pior.

Nota da Reitoria

Ciente dos transtornos que vêm sendo causados à comunidade universitária em decorrência do atraso no pagamento dos bolsistas, a Reitoria esclarece que as bolsas UENF em atraso são todas aquelas pagas com a chamada “verba descentralizada da Faperj”.

Trata-se de uma verba concedida pela Faperj a todas as universidades estaduais, especificamente, para que estas possam conceder bolsas para atuar em projetos vinculados às Pró-Reitorias de Graduação (PROGRAD); Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG); e Extensão e Assuntos Comunitários (PROEX).

Todos os procedimentos referentes ao pagamento de janeiro/2015 foram concluídos no tempo correto e, desde o dia 09/02/15, encontram-se à disposição da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) aguardando a sua execução. Do mesmo modo, todos os procedimentos referentes ao mês de fevereiro/2015 foram concluídos hoje, 03/03/15, restando a liberação financeira pela Sefaz.

Informamos que a Reitoria tem feito e continuará fazendo gestões cotidianas junto às diversas Secretarias de Governo, principalmente a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect), à qual a UENF está vinculada, bem como à Faperj, no sentido de solucionar este problema.

A Reitoria assegura aos bolsistas que as bolsas em atraso estão previstas no orçamento da Universidade e serão saldadas tão logo a liberação financeira seja providenciada pela Sefaz.

A Reitoria aguarda da Sefaz uma previsão de pagamento e, tão logo tenha essa informação, divulgará à comunidade da UENF.

Silvério de Paiva Freitas
Reitor

Estudantes mostram o caminho para defender a UENF: organizando a luta!

Enquanto a reitoria da UENF se mantém em completa passividade frente à ameaça de caos financeiro que paira sobre a instituição deixando centenas de bolsistas sem pagamento por tempo indeterminado, o movimento estudantil mostra que o caminho para impedir o desmanche e o sucateamento promovidos pelo (des) governo Pezão será feito por meio da luta organizada!

Para estruturar as respostas que serão dados pelos estudantes, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) está convocando uma assembleia para esta terça-feira (03/03) onde deverão ser estabelecidas as estratégias para um enfrentamento que se mostra inevitável, visto que o atraso no pagamento das bolsas é apenas o primeiro sintoma mais evidente do caos que deve se estabelecer na UENF caso os cortes orçamentários feitos por Pezão não sejam imediatamente revertidos.

Abaixo a convocatória que está sendo circulada pelo DCE-UENF.

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Crise na UENF: Diretório Central dos Estudantes convoca assembléia extraordinária para organizar a luta

 

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Assembleia Geral dos Estudantes – URGENTE

Terça às 17:00 Restaurante Universitário Cícero Guedes

O Conselho Representativo do DCE-UENF vem por meio deste comunicado convocar Assembleia Geral Extraordinária em caráter de URGÊNCIA para discutir as seguintes pautas:

1 – Atraso no pagamento das Bolsas;

2 – Discussão/organização de futuros atos;

3 – Representações das câmaras de graduação;

4 – Outros assuntos.

Vale ressaltar a necessidade de todos os estudantes estarem presentes, as assembleias convocadas pelo DCE são de suma importância por ser o espaço de deliberações dos estudantes e onde decidimos e encaminhamos as propostas de mobilizações, atos e atividades. Essa luta é de todos! Participem, Uenfianos!

FONTE: https://www.facebook.com/events/426772627489608

A política da avestruz. Essa é a fórmula da reitoria para enfrentar a crise financeira causada pelo governo Pezão na UENF

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As bolsas dos estudantes estão atrasadas? As contas de água e luz estão vencidas? Os direitos trabalhistas dos servidores estão ameaçados? O que fazer frente essa situação aflitiva que decorre da asfixia financeira imposto pelo (des) governador Luiz Fernando, o Pezão, sobre as universidades estaduais do Rio de Janeiro?

Bom, se depender do que foi dito pelo vice-reitor da UENF na reunião do Conselho Universitário desta sexta-feira (27/02), a saída é adotar a política da avestruz de enterrar a cabeça na areia toda vez que se sente ameaçada.  

É que segundo o que me foi narrado por um membro desse conselho superior, o vice-reitor, Edson Corrêa da Silva,  indicou que, como o pessoal do Palácio Guanabara não gosta de ser cobrado, a saída para os múltiplos problemas ocorrendo na UENF neste momento é esperar até que a instituição seja lembrada pelos (des) governantes do Rio de Janeiro.

Mas a sugestão oferecida pelo vice-reitor  vai mais longe ainda no uso da tática “avestruz”. É que segundo o que narrado, a sugestão do vice-reitor é que a comunidade universitária da UENF deve esperar a boa vontade dos (des) governantes, preferencialmente calada e sem fazer ruídos!

O problema, como disse um dia Garrincha ao técnico Vicente Feola na Copa de 1958, é que alguém precisa combinar o uso da tática avestruz com os russos que, no caso da UENF, são seus estudantes, professores e servidores!

 

No ranking do déficit público, o Paraná é o segundo pior. Adivinhem qual estado é o campeão da ruindade!

O professor Roberto Moraes traz em seu blog uma nova análise sobre o peso da folha de pagamentos em todos os estados brasileiros, e nos mostra que o Rio de Janeiro continua a ser o ente federativo que menos gasta com seus servidores (Aqui!), Em suma, qualquer explicação sobre a situação da saúde financeira do Rio de Janeiro não pode, nem deveria, ter os servidores como alvo de qualquer explicação. 

Mas qual é exatamente a situação da saúde financeira do Rio de Janeiro. Uma entrevista no jornal Folha de São Paulo com o (des) governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), mostra que o estado que menos gasta com servidores é também o que está nas piores condições em termos de déficit financeiro nas suas contas! (Aqui!)

E como se conseguiu essa “mágica”? Se olharmos a combinação de custos com megaeventos esportivos (Copa do Mundo e Jogos Olímpicos) e concessão de isenções fiscais, a coisa começa a ficar mais clara. Entretanto, há mais coisa nesse angu que merece e deve ser analisada. A verdade é que contando com completa hegemonia no estado, onde controla os governos municipal e estadual, e também a ALERJ, o PMDB conseguiu nos colocar numa situação totalmente deplorável. Fosse o estado do Rio de Janeiro uma empresa, a sua falência já teria sido decretada.

Resta saber se aqui também teremos a mesma reação que ocorreu no Paraná quando Beto Richa tentou emplacar um pacote de maldades contra os servidores públicos. A ver!

Pezão coloca programas de extensão da UENF em compasso de crise: bolsistas continuam sem pagamento

Estive hoje com um estudante da UENF que está engajado num dos muitos projetos de extensão que são mantidos pela instituição, e que beneficiam diversos municípios da região Norte Fluminense. Este estudante me relatou das dificuldades que está atravessando por causa da falta de pagamento dos valores referentes ao mês de janeiro de 2015. E o pior é que não há sinalização de quando o pagamento será feito!

Uma das muitas consequências nefastas deste atraso é que muitos estudantes estão tendo que se endividar em restaurantes fora da universidade onde podem usar cartões de crédito, coisa que não é permitida no restaurante universitário mantido pela UENF. 

Se a reitoria da UENF tivesse um mínimo de preocupação com seus estudantes já deveria ter adotado o mecanismo de gratuidade para todos os bolsistas que estejam com bolsas atrasadas. Pelo menos assim, as dívidas que estão sendo acumuladas ficariam menores!

Mas como sensibilidade e respeito pela comunidade universitária não é o forte dos atuais gestores da UENF, bem que o Diretório Central dos Estudantes poderia começar a cobrar a adoção urgente dessa medida. Tenho certeza que essa reivindicação seria prontamente apoiada pela ADUENF e o SINTUPERJ, que vem a ser os sindicatos de professores e servidores cujos salários ainda não estão atrasados.

Nota conjunta de sindicatos denuncia Pezão por assalto à direitos e cortes orçamentários na UENF

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MAU COMEÇO

Governo Pezão inicia com assalto aos direitos trabalhistas.

Para manter a generosa política de isenção fiscal concedida aos amigos do poder, Pezão opta por descontos inéditos nos salários dos servidores, além de cortes orçamentários que prometem criar “dificuldades na manutenção das atividades finalísticas da universidade”.

As entidades representativas da comunidade Universitária, ADUENF, SINTUPERJ e DCE, estão juntas na denúncia e mobilização para reverter a política de arrocho, cortes de direitos, descumprimento de acordos e ações ilegítimas que afetam toda nossa comunidade.

O desconto do auxilio alimentação dos “dias parados” foi um ato autoritário e ilegítimo. Já há acórdão do STF de que o servidor tem direito ao adicional integral inclusive nas férias. Mas não parou por aí, mais maldades estão sendo preparadas pelo governo, ao modificar a definição do cargo, o vínculo empregatício e omitir, do contra cheque, o % do salário a que se refere o adicional de insalubridade. Colegas que foram reenquadrados recentemente relatam que o valor do adicional de insalubridade permaneceu congelado, deixando de representar 20% do salário base.

Também contra os estudantes a desfaçatez se manifesta. Não bastasse o atraso no pagamento das bolsas e o não pagamento de modalidades de bolsa como a “Universidade Aberta”, o acordo firmado no final do ano passado, segundo o qual as bolsas estudantis praticadas na UENF teriam o mesmo valor daquelas da UERJ, não foi cumprido.

PELA MANUTENÇÃO DOS DIREITOS E CUMPRIMENTO DOS ACORDOS.

Campos dos Goytacazes, 24 de Fevereiro de 2015.

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FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2015/02/dce-sintuperj-e-aduenf-emitem-nota.html