O Diário: Uenf pede socorro para o estado que diminuiu verba

Isaías Fernandes
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Professor Pedlowski afirma que corte no orçamento vai promover um verdadeiro caos

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) passa por dificuldades e será afetada com cortes do governo do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) a Uenf terá em 2015, R$ 190.787.439,00 em caixa. Porém, segundo o Diário Oficial de 26 de janeiro, o orçamento da universidade para 2015 é de pouco mais de R$ 153 milhões, o que representa um corte de quase R$ 38 milhões.

Membro do Conselho de Representantes da Associação de Docentes da Uenf, Marcos Pedlowski disse que o orçamento inicial já era insuficiente e com o corte será um caos. Segundo ele, somente “a folha de salários da Uenf deverá chegar a R$104 milhões, o que deixaria cerca de R$49 milhões para outras despesas, incluindo pagamento de bolsas acadêmicas e serviços básicos”.

A Seplag informou que “o orçamento da Uenf para 2015 é de R$ 190.787.439,00, segundo a Lei do Orçamento Anual. Atualmente, há um Limite de Movimentação de Empenho que, no caso da Uenf, é de R$ 153.063.057,00. Este valor poderá ser revisto em abril, dependendo da evolução da capacidade de receita do Estado, após o primeiro trimestre”. A assessoria de comunicação da Uenf foi contatada, mas até o fechamento da edição não respondeu. No dia 12, a reitoria da Uenf se reuniu com representantes da Seplag para pedir reforço no orçamento.

Crise

Segundo o Extra na edição do último domingo, o corte de gastos do governo do Rio, que até o final do ano pode chegar a R$ 144 milhões, poderá ampliar antigos problemas das universidades estaduais. Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro faltam 572 professores concursados sob o risco de disciplinas não serem abertas este ano. Já o Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo), a obra da sede está paralisada e funciona nos fundos de uma escola estadual.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/uenf-pede-socorro-para-o-estado-que-diminuiu-verba-19078.html

Em nota “Pôncio Pilatos”, reitoria da UENF dá informe sobre atraso no pagamento de bolsas acadêmicas

Em uma bizarra nota apócrifa que segue logo abaixo, a reitoria da UENF informa que finalmente serão pagas diversas modalidades de bolsas referentes ao mês de Dezembro de 2014 (!), e aproveita para comunicar que bolsas ainda não pagas do mês de janeiro continuam sem previsão para pagamento.

Se a vida de centenas de pessoas não estivesse sendo afetada por essa situação esdrúxula, eu diria que a forma como a reitoria da UENF aborda essa situação beira o cômico. Mas como os problemas causados por esses atrasos estão afetando e muito o cotidiano de estudantes e profissionais contratados em condições precárias, eu digo que a nota da reitoria é trágica, com pitadas de lavada de mãos à la Pôncio Pilatos.

È importante notar que enquanto submete a UENF a este arrocho sem precedentes, Pezão esteve no Sambódromo e com um camarote que ficou lacrado para impedir o trabalho da imprensa.

Nota da Reitoria

A Reitoria informa que foram executadas nesta quinta-feira, 19/02/15, as Programações de Desembolso (P.D.s) referentes ao pagamento do restante das bolsas de dezembro/2014 (pré-Vest, Universidade Aberta, Multiplicadores, Pesquisador de Apoio Acadêmico e Professor Visitante).

Sendo assim, o dinheiro deverá entrar na conta dos bolsistas nesta terça-feira, 24/02/15.

Quanto ao pagamento das bolsas de janeiro que ainda não foram pagas, a Reitoria ainda aguarda um posicionamento da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) autorizando a descentralização dos recursos Faperj.

A Reitoria espera que esta questão seja normalizada o mais breve possível, evitando, assim, maiores transtornos financeiros para os bolsistas e possibilitando o restabelecimento da normalidade das atividades acadêmicas.

Jornal Extra faz Raio-X da crise financeira causada por Pezão nas universidades estaduais

Em universidades do Rio, faltam professores e até tinta para imprimir provas

Bruno Alfano

Falta de professores, baixos salários, obras paradas… O corte de gastos do governo do Rio, que contingenciou o orçamento de praticamente todos os setores da administração pública, amplia problemas antigos das universidades estaduais — que podem chegar, ao fim do ano, com R$ 144 milhões a menos de orçamento.

O cenário atual já é complicado, segundo docentes e estudantes. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) precisa de 572 professores concursados para começar o ano — sob o risco de disciplinas não serem abertas. O Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) funciona nos fundos de uma escola estadual, e, na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), professores alegam que precisam pagar até a tinta para imprimir as provas.

A situação mais grave é a da Uerj. Proibida pela Justiça desde o ano passado de contratar professores substitutos, a instituição precisa realizar concursos. O site da universidade exibe 245 abertos. Os outros 327 estão apenas autorizados.

— O semestre não começa sem estes professores. Várias disciplinas obrigatórias estão sem docentes — denuncia o presidente da Associação de Docentes da Uerj (Asduerj), Bruno Deusdará.

A universidade foi procurada, mas afirmou que, com a proximidade do carnaval, todos os funcionários estariam indisponíveis para dar explicações. Enquanto isso, os cerca de 23 mil alunos da instituição sofrem — e a falta de professores é só uma das faces da crise.

Maria Bubna, de 21 anos, está no terceiro período de Direito e recebe Bolsa Permanência de R$ 400. O benefício, no entanto, tem atrasado até 20 dias.

— Tem bolsista que mora na Baixada Fluminense e gasta os R$ 400 em passagem. Se ficar sem, não vem para a aula. A minha sorte é que moro aqui em frente — diz a jovem.

Para a equipe do EXTRA sair do sétimo andar da universidade, foi preciso gritar no vão do elevador. É que o botão não está funcionando, e só assim os ascensoristas sabem que há gente esperando.

A previsão de menos R$ 15 milhões no orçamento de 2015 já causou problemas para a Uezo. O reitor Alex da Silva afirmou que a construção do campus precisou ser interrompida. Hoje, a universidade funciona nas dependências do Instituto Educacional Sarah Kubitschek, um colégio estadual.

— Só devemos retomar as obras em maio. Por enquanto, está parada — afirma.

A obra, que custa R$ 18 milhões, começou em maio do ano passado, e, segundo o reitor, está em fase de terraplanagem.

Na Uenf, professores afirmam que o orçamento já está curto e a conta não deve fechar até o fim do ano. Marcos Pedlowski, membro do Conselho de Representantes da Associação de Docentes da Uenf, conta que já precisou até pagar tinta para a impressão das provas.

— O orçamento deste ano não deve dar — alerta.

De acordo com a pró-reitora de Graduação, Ana Beatriz Garcia, a contratação de mais 60 professores resolveria o quadro docente.

O Ministério Público do Trabalho vai investigar a falta de pagamento dos funcionários terceirizados da Uerj. A procuradora Valdenice Amalia Furtado já pediu esclarecimentos por escrito aos investigados.

Os funcionários da empresa Construir, responsável pela manutenção da universidade, ficaram até três meses sem receber o pagamento. Alunos de cursos como Direito e Serviço Social fizeram arrecadação de alimentos para ajudar os funcionários, já que alguns estavam sem dinheiro até para comprar comida e pagar contas.

Em uma reunião interna, o reitor Ricardo Vieiralves afirmou que vai romper o contrato com a Construir.

FONTE: http://extra.globo.com/noticias/rio/em-universidades-do-rio-faltam-professores-ate-tinta-para-imprimir-provas-15338514.html#ixzz3RoCWdvQw

Do Blog do Mário Magalhães: Governo do RJ atrasa pagamento de bolsas a cientistas e pesquisadores

Por Mário Magalhães

A cara de Pezão ao ouvir em 2014 pergunta sobre o desaparecido Amarildo – Reprodução TV Globo

O governador Pezão ao ouvir em 2014 pergunta sobre o pedreiro Amarildo – Reprodução TV Globo

 “A FAPERJ informa que, em razão de dificuldades do fluxo orçamentário do Tesouro Estadual, o pagamento de bolsas referentes ao mês de janeiro será realizado no próximo dia 24 de fevereiro.

A FAPERJ tem zelado para manter a pontualidade e regularidade no pagamento de seus bolsistas. Lamentamos o transtorno causado por esse atraso.”

*

Os dois parágrafos acima constituem o comunicado enviado a bolsistas pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, a Faperj.

Como informa o site da fundação, a Faperj “é a agência de fomento à ciência, à tecnologia e à inovação do Estado do Rio de Janeiro. Vinculada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, a agência visa estimular atividades nas áreas científica e tecnológica e apoiar de maneira ampla projetos e programas de instituições acadêmicas e de pesquisa sediadas no Estado do Rio de Janeiro”.

As bolsas aos cientistas e pesquisadores, relativas a janeiro, deveriam ter sido pagas em 10 de fevereiro. Ficaram, como se lê, para o dia 24.

São prejudicados estudantes universitários, professores visitantes, professores pesquisadores, professores pós-doutorandos. Há bolsistas de pesquisa e docência, de iniciação científica. E mais.

Como muita gente sabe, costuma ser dura a vida dos pesquisadores acadêmicos no Brasil. Paixão muita pela transmissão e produção de conhecimento, dinheiro pouco no bolso.

Muitos cientistas tiveram que atrasar o pagamento de contas e outros compromissos. Pagarão multas e juros.

A atitude do governo Luiz Fernando Pezão, sufocando a Faperj, expressa prioridades: pelo visto, ensino e pesquisa não estão entre elas.

FONTE: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2015/02/12/governo-do-rj-atrasa-pagamento-de-bolsas-a-cientistas-e-pesquisadores/

Bolsistas de pós-graduação da UENF sofrem prejuízos com atraso de pagamentos, e reitoria anuncia que novos projetos estão suspensos de forma indefinida

Hoje me foi chamada a atenção para o atraso no pagamento também das bolsas de pós graduação que são fornecidas pela FAPERJ a um parcela significativa dos pós-graduandos da UENF (seja por descentralização orçamentária ou pagamento, problema que em alguns casos já ocorre desde dezembro de 2014.

Ao entrar em contato com a FAPERJ, alguns pós-graduandos foram informados “que não há previsão de pagamento das bolsas atrasadas, e que novos atrasos poderão ser recorrentes ao longo de 2015“.

Um fato que deixou os bolsistas muito constrangidos foi que não foram dadas maiores explicações, o que agrava o clima de tensão já que as consequências dos atrasos são graves, visto que as bolsas são a fonte de renda única, e que muitos dependem do pagamento regular para permanecerem nas cidades de Campos dos Goytacazes e Macaé, onde os programas de pós-graduação strictu sensu da UENF são oferecidos.  

Em alguns programas, os pós-graduandos estão se mobilizando para cobrar posicionamento das coordenações de curso e de outras instâncias da UENF que possam participar da resolução deste problema gravíssimo. 

Ao que tudo indica, as mobilizações que já vinham ocorrendo entre os discentes da graduação também vão atingir os estudantes de pós-graduação, com resultados imprevisíveis no andamento das pesquisas em andamento na UENF. 

Aliás, nesse sentido o G1 Norte Fluminense trouxe hoje uma matéria com uma declaração do vice-reitor que os cortes feitos pelo (des) governo Pezão vão comprometer o funcionamento da UENF de forma substancial, impedindo, inclusive, o início de novas pesquisas por tempo indefinido (Aqui!).

O interessante é notar que o orçamento da UENF que já vinha encolhendo ao longo dos dois mandatos dos dois mandatos do ex(des) governador Sérgio Cabral, agora chegou a uma situação de precariedade financeira nunca vista em seus 21 anos de existência.

Finalmente, espero que isto sirva para  a comunidade universitária da UENF reagir de forma unificada para combater os efeitos nefastos da hecatombe financeira que está sendo imposta pelo (des) governador Luiz Fernando, o Pezão.

 

Torre sem fio, placas desbotadas no chão… essa é a realidade no entorno do Porto do Açu

Quem anda pelas terras tomadas dos agricultores do V Distrito de São João da Barra e que foram inicialmente entregues ao ex-bilionário Eike Batista para a construção de um “distrito industrial” pode ver duas coisas que eu considero altamente simbólicas e que aparecem nas imagens abaixo: uma linha de transmissão de energia que espera há anos pelos cabos, e  um número incalculável de placas (muitas delas caídas pelas propriedades tomadas) os “donos” das terras tomadas como pertencentes à Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) ou à extinta LL(X).

torres sem fio

Torre de transmissão incompleta, o que obriga o uso de geradores movidos a óleo diesel para fazer o Porto do Açu funcionar.

placa estilizada

Placa anunciando a área como destinada a abrigar instalações de uma siderúrgica, e que hoje jaz caída e desbotada numa terra desapropriada.

Essas imagens são altamente simbólicas do que aconteceu no V Distrito sob a batuta de Sérgio Cabral, Eike Batista e Júlio Bueno, aquele que um dia desdenhou o maxixe e hoje virou o secretário de Fazenda do Rio de Janeiro. Aliás, se alguém nutrir alguma esperança nas habilidades de Júlio Bueno para tirar o Rio de Janeiro da enrascada em que Sérgio Cabral e Pezão nos colocaram, basta olhar as imagens para ter sérias dúvidas sobre nosso futuro!

É grave a crise no (des) governo Pezão: Sérgio Ruy pediu exoneração!

A imagem abaixo reproduz uma matéria publicada pelo Jornal  O DIA que deverá ganhar maior repercussão nos próximos dias, já que atinge o alto escalão e o centro nervoso da base de sustentação da administração do (des) governador Luiz Fernando, o Pezão, menos de dois meses de sua posse. È que ela dá conta que o atual secretário de Fazenda, que foi o secretário de planejamento e gestão durante oito anos sob a batuta Sérgio Cabral/Pezão, pediu exoneração do seu atual posto.

Sergio Ruy

A saída de Sérgio Ruy representa um forte abalo na estrutura de governo, pois ele comandou com mão de ferro a Secretaria de Planejamento e Gestão (SEPLAG) e a Secretaria de Fazenda (SEFAZ). E o pior é que ele será supostamente substituído por Júlio Bueno cuja liderança na Secretaria de Desenvolvimento Econômico não é exatamente algo memorável. Aliás, ao acumular a SEFAZ e SDE, é provável que Júlio Bueno acabe causando o caos nas duas secretarias.

Agora é preciso ver que rumo tomará Sérgio Ruy, pois o seu destino poderá ser revelador das reais causas dessa repentina exoneração. 

Mas uma coisa é certa: os servidores estaduais não sentiram muita falta de Sérgio Ruy que trabalhou bastante para tornar o Rio de Janeiro o ente federativo que paga os piores salários aos seus servidores. 

 

Em nota “cifrada”, reitoria finalmente admite o óbvio: cortes de Pezão ameaçam o funcionamento da UENF

uenf salve

Apesar de terem conhecimento (pelo menos deveriam) desde o dia 13 de Janeiro que o (des) governador Pezão havia amputado o orçamento da UENF em quase 40 milhões, os membros da reitoria finalmente vieram à público para reconhecer o óbvio: esses cortes ameaçam a realização das atividades de ensino, pesquisa e extensão (as suas atividades “finalísticas”) no ano de 2015. Em outras palavras, a crise é gravíssima e ameaça o próprio funcionamento da UENF!

Agora, a receita encontrada pela reitoria para combater essa tesourada são mesmo a cara da atual administração da UENF. Em vez de mobilizar a comunidade universitária que é a principal interessada na situação, a reitoria opta por ir de pires na mão procurar os representantes do (des) governo que fizeram os cortes! E, pior, vão procurar um secretário, Gustavo Tutuca, que reconhecidamente aceita o papel subalterno a que a Secretaria de Ciência e Tecnologia foi relegada dentro do (des) governo comandado por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Já a reunião com o Conselho Curador só será útil mesmo para os seus membros, já que cada reunião rende a cada um deles um “generoso” jeton. Além disso, é preciso que se diga que, ao longo dos últimos anos, não se tem conhecimento de qualquer medida adotada por esse colegiado para defender os interesses da UENF e da sua comunidade universitária

Entretanto, essa nota serviu para, pelo menos, tornar pública uma situação que faz tempo já sentíamos na pele, e que tem contribuído para dificultar a realização de tarefas básicas dentro da UENF. Agora, resistência mesmo a esse processo de desmantelamento da universidade criada por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola terá de vir da comunidade universitária e da população que é a principal beneficiada com a sua existência em plenas condições de funcionamento. Simples assim!

 

Nota à Comunidade sobre a Realidade orçamentária da UENF

“A conjuntura orçamentária no Rio de Janeiro e no país neste início de 2015 tem sido motivo de preocupação para todos os setores do Estado. Na UENF, este cenário produziu redução significativa no seu orçamento aprovado na Alerj e sancionado pelo Governador, pela Lei Orçamentária Anual (LOA – 6955 de 13/01/2015).

Esta realidade reduz significativamente o orçamento disponível para custeio das atividades de 2015 e, se mantida, certamente resultará em dificuldades na manutenção das atividades finalísticas da universidade.

A Reitoria está fazendo gestões junto à SECT, SEFAZ e à SEPLAG para reestabelecer a capacidade orçamentária da universidade. Nesta quarta-feira (04) o reitor, Prof. Silvério de Paiva Freitas e o vice-reitor, Prof. Edson Corrêa da Silva se reunirão com o Deputado Gustavo Tutuca, Secretário de Ciência e Tecnologia, para discutir os impactos dos ajustes efetuados no orçamento no andamento das atividades da universidade e solicitar a revisão do contingenciamento e cortes anunciados. Adicionalmente, na segunda-feira (09), o reitor e vice-reitor se reunirão com o Conselho Curador da instituição, que possui membros da SECT, SEFAZ e a SEPLAG, quando será explicitada a realidade orçamentária da instituição.

Reitor”

FONTE: http://www.uenf.br/dic/ascom/2015/02/04/ascom-informa-04-02-15/

Crise da Uerj é reflexo da crise do governo Pezão

Por Bruno Deusadará, Lia de Mattos Rocha & Paulo Alentejano

Especial para o UOL

 
A Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) é, sem dúvida, um patrimônio reconhecido da população fluminense, onde muitos dos nossos jovens desejam estudar. É fácil entender a importância da universidade em um Estado como o Rio de Janeiro, que concentra fixação de conhecimento e tecnologia, formação profissional de ponta e compromisso com a justiça social.

Essa lição, porém, parece não ter sido adequadamente compreendida pelo grupo que ocupa o Palácio Guanabara há algumas décadas. Basta ver o que tem levado a Uerj aos noticiários do país. Problemas financeiros e de infraestrutura gravíssimos assolam seus trabalhadores e estudantes, comprometem sua missão institucional e têm tornado difícil exercer o ensino, a pesquisa e a extensão.

As notícias mais recentes denunciam atraso significativo dos salários de funcionários contratados (de professores à equipe da manutenção) e das bolsas de estudantes, que esperaram até a terceira semana de janeiro por seus pagamentos.

Já em dezembro, a reitoria adiantou o recesso de fim de ano e funcionários terceirizados da limpeza entraram em greve por falta de pagamentos. No entanto, as dívidas do governo estadual com a Uerj são antigas, os professores efetivos têm salários pouco atrativos para uma carreira de nível superior, sem reajuste desde 2001.

As perdas acumuladas são da ordem de 80% e afetam de maneira mais dramática nossos colegas aposentados. Os professores também não conseguem progredir na carreira, mesmo depois de comprovadas todas as exigências legais para tal. Nessa conta, somam-se ainda problemas de infraestrutura, falta de professores, investimento insuficiente na assistência estudantil, entre outros.

A grave crise soma cifras a muita negligência. O governador Pezão teve a chance de se tornar o primeiro a aprender a lição. Uma emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias pretendia garantir 6% da receita corrente líquida do Estado para as universidades públicas, como já prevê a Constituição estadual.

Segundo dados apresentados à época pelo presidente da Comissão de Educação da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), o deputado Comte Bittencourt, a aprovação dos 6% ampliaria em R$ 917 milhões os recursos para o ensino superior no Estado.

Atualmente, o governo fluminense destina R$ 1,3 bilhão para as quatro instituições de ensino superior do Rio, o que representa apenas 3,6% do orçamento de receitas correntes líquidas para 2015.

Vincular o orçamento das universidades a um percentual da arrecadação é uma medida adotada em São Paulo, cujas instituições estão entre as mais importantes do mundo. A conta é simples: quanto mais um Estado cresce economicamente, mais ele deveria investir em conhecimento e formação profissional qualificada.

Fernando Frazão/Agência Brasil

Funcionários de limpeza fazem greve na Uerj por falta de pagamento

No entanto, nem o governador Pezão, nem uma parte dos deputados estaduais ainda entenderam essa fórmula: o governador vetou essa emenda ainda no ano passado e, em seguida, o veto foi mantido com um placar de 29 deputados a favor da supressão e 15 contra (seriam necessários 36 votos para derrubar o veto).

O refrão de que “faltaria dinheiro” retorna agora com uma suposta queda da arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e dos royalties do petróleo. Porém, reportagem do jornal O Globo (26 de janeiro) desmente a tese de redução da arrecadação, uma vez que, em 2014, foram recolhidos R$ 31,4 bilhões de ICMS e a previsão para 2015 é de uma arrecadação de R$ 33,6 bilhões.

Além disso, o aumento dos impostos federais sobre combustíveis e energia elétrica vai gerar também aumento do repasse para os Estados, compensando possíveis perdas com a redução dos royalties do petróleo. Ou seja, nem matematicamente se sustenta o refrão do governo estadual, repetido pela reitoria da universidade.

Não é uma conta, mas uma opção: isenção fiscal para inúmeras empresas, reduzindo a arrecadação potencial, e dinheiro dos impostos do povo fluminense destinado a medidas impopulares, como os equipamentos para os Jogos Olímpicos e a militarização das favelas e periferias. Investir em educação pública e de qualidade ficou fora dessa opção.

A Uerj é uma das universidades mais populares do Brasil. Foi a primeira a adotar o sistema de cotas e atende estudantes de todas as partes do Estado, seja nos campi da região metropolitana, seja em suas unidades do interior.

Mesmo com as dificuldades apresentadas, seus trabalhadores e estudantes têm se destacado em diferentes áreas do cenário científico nacional. É no sentido de defender esse patrimônio do povo fluminense que reivindicamos a destinação de 6% da receita corrente líquida do Estado para as universidades públicas estaduais e investimento em pessoal, com salários mais atrativos.

Somente investindo em ciência, tecnologia, educação pública e de qualidade que o Rio de Janeiro poderá romper com uma lógica de desenvolvimento ancorada na extração de recursos naturais que, sabemos, são finitos e poluentes. A lição é simples e o governador pode mostrar que aprendeu.

Em defesa da Uerj e do ensino público e de qualidade!

FONTE: http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2015/02/03/crise-da-uerj-e-reflexo-da-crise-do-governo-pezao.htm

Crise à vista! É o que antecipam os números da tesourada de Pezão no orçamento das universidades estaduais

Há alguns dias repercuti aqui uma matéria do jornal Extra dando conta de uma grande tesourada que o (des) governo Pezão realizou contra o orçamento das universidades estaduais, mas que apenas mostrava o tamanho da perda orçamentária da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Pois bem, graças à divulgação nas redes sociais dos valores relativos à Universidade Estadual da Zona Oeste (UEZO) pude encontrar também os valores relativos às perdas infringidas à Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), e elas são consideráveis como mostram os números na tabela abaixo.

Cortes IEESA tabela mostra que No caso específico da UENF, a ALERJ havia aprovado o valor de R$ 190.787.439, o que já era insuficiente para cobrir parte das despesas que ocorrerão ao longo de 2015.  Agora, após a tesourada feita pelo (des) governo Pezão, o orçamento da UENF foi reduzido a 153.063.057,00, ou seja, um corte de R$ 37.724.382,00 (ou seja quase R$ 38 milhões!).

A coisa ficou ainda pior quando se considera que a folha de salários da UENF deverá chegar a pouco mais de R$ 104 milhões, o que deixaria em torno de R$ 49 milhões para todas as outras despesas, incluindo o pagamento de bolsas acadêmicas, e serviços básicos como limpeza, segurança, e o fornecimento de água e eletricidade!

A verdade nua que esses números não dizem é que o orçamento da UENF já seria deficitário sem a nova tesourada promovida por Pezão nas universidades estaduais, enquanto permanecem intactos os efeitos de isenções fiscais bilionárias para “amigos” do poder.

Dessa forma, que ninguém se surpreenda se 2015 for marcado por seguidas manifestações dentro das universidades estaduais, onde se produz uma parte considerável da formação de recursos humanos e da ciência no Rio de Janeiro.