Imprensa campista e seu uso peculiar de palavras nas manchetes: o caso da Favela da Linha

A remoção da Favela da Linha está sendo feita pela Prefeitura de Campos de uma forma que está desagradando parte daquela comunidade pela forma autoritária que está se dando. Falo isso porque estive numa audiência pública onde isso ficou claro a partir das manifestações orais dos secretários municipais que ali estavam presentes. Em certo momento do evento que ocorreu nas dependências do campus centro do IFF, esses secretários tiveram de ser lembrados por membros do Ministério Público que também estavam presentes que nenhum cidadão é obrigado a assinar documentos abrindo mão de seus direitos. É que os secretários haviam dito que os moradores da Favela da Linha que não aceitassem a remoção para o conjunto habitacional construído em Ururaí deveriam assinar um documento abrindo de unidades habitacionais que estavam sendo distribuídas pela Prefeitura de Campos!

Agora que a remoção está se dando de uma forma que desagrada parte considerável da comunidade da Favela da Linha e as manifestações contra a Prefeitura de Campos se tornaram inevitáveis, o meritíssimo juiz  juiz da Vara da Infância de Campos, Heitor Campinho, decidiu proibir que crianças participem dos protestos em nome da segurança delas. Tudo muito justo, pois manifestações em rodovias são sempre arriscadas, ainda que sejam justas e necessárias, e crianças tendem a ficar mais expostas do que os adultos.

Mas o que eu acho interessante nesse episódio é que a imprensa campista está publicando matérias em que o verbo usado como sinônimo para “proibir” é “proteger”. O objetivo aqui é óbvio: tornar a decisão do juiz mais simpática e palatável para pessoas que possam simpatizar com os cidadãos que protestam contra um tratamento que consideram injusto e levam seus filhos junto por não terem onde deixá-los.

Uma coisa que deveria ter sido apurada com mais profundidade, e não foi, é o porquê da insatisfação dos moradores da Favela da Linha. Aliás, eu adoraria ter visto uma matéria, por mais mísera que fosse, que analisasse a condição ambiental dos locais onde a Prefeitura de Campos dos Goytacazes está construindo seus “conjuntos habitacionais” e verificasse qual foi a designação que a maioria desses locais recebeu no Plano Diretor Municipal. Se tivessem feito isto, os jornalistas e os proprietários dos veículos da mídia campista teriam dado uma considerável contribuição à democratização da moradia na nossa cidade. Mas ai, convenhamos, já é pedir demais!

Famílias com filhos na E.M. Jocilda Givanoite vão fazer nova manifestação para protestar contra autoritarismo da PMCG

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Uma nova manifestação de familiares de crianças que estudam na Escola Municipal Jocilda Givanoite ocorrerá na manhã desta 3a. feira (11/11) a partir das 8:00 da manhã com uma forma de protesto contra o fechamento de mais uma unidade escolar na cidade de Campos dos Goytacazes. É o que me garantiu uma mãe que está inconformada com o que ela considera um tratamento autoritário por parte da Secretaria Municipal de Educação, que segundo ela está impedindo matrículas e rematrículas para forçar as famílias a buscarem colocação em escolas que são consideradas muito distantes das residências. Além disso, essa mãe me garantiu que as famílias gostam do ambiente existente na E.M. Jocilda Givanoite, e não querem que seus filhos sejam realocados em outras unidades escolares.

Essa situação tem algumas peculiaridades que eu considero absurdas, especialmente no tocante à ausência de relações democráticas dentro das unidades escolares e na relação delas com o poder público municipal. Para começar não há um efetivo processo de escolha que seja minimamente democrático para a direção das escolas. Também me causa espécie que numa cidade tão rica, a Prefeitura de Campos dos Goytacazes venha a público dizer que não existem alternativas para abrigar a E.M. Jocilda Givanoite em um local próximo do qual a unidade funciona atualmente.

Deste modo, considero importante que as famílias sejam ouvidas e que seus pleitos, básicos e justos, sejam respeitados. Se não for assim, um município tão rico quanto Campos dos Goytacazes vai continuar amargando as piores colocações no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). É que se não há um mínimo de democracia e respeito à comunidade que depende da escola pública, não há nada que consiga ser melhorado.

E não custa nada lembrar que estamos a dois anos das eleições para eleger um prefeito que não contará com a chancela direta da família Garotinho. É que os pais e mães das crianças da E.M. Jocilda Givanoite vão lembrar da forma que estão sendo tratados os interesses de seus filhos e filhos. Pode não parecer nada, mas é muito!

Cenas de esgoto: é para isto que eu pago 50% a mais na minha conta mensal?

Uma das lendas urbanas que temos hoje na cidade de Campos dos Goytacazes é que a concessionária Águas do Paraíba aumentou exponencialmente a coleta e tratamento de esgotos. Pois bem, alguém poderia me informar por que então estou vendo cada vez mais a cena abaixo nas nossas ruas e avenidas? E para onde vai o material coletado nesses caminhões?

Com a palavra, a concessionária Águas do Paraíba e, sim, também a PMCG!

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Alô PMCG, Alô Águas do Paraíba: esgoto in natura continua vazando na Avenida Sete de Setembro

Eu posso parecer implicante, mas não sou. É que todo final de semana tenho sido “premiado” pelo extravasamento de esgoto in natura que chega até o bueiro em frente do meu portão vindo de um nó da rede de esgotos situado na esquina entre a Avenida Sete de Setembro e a Rua Riachuelo. Como passei longos seis meses observando a obra, que deve ter custado caro ao contribuinte campista, me vejo na obrigação de cobrar uma solução para um problema tão trivial quanto perigoso para a saúde da população do bairro onde vivo.

Para quem tenha dúvidas de que o problema continua ocorrendo, posto imagens que mostra o início do extravasamento do esgoto in natura de que estou falando.

Então, por favores, senhores da PMCG e da concessionária Águas do Paraíba, uma solução urgente está em ordem. Ou vão esperar a eclosão de alguma epidemia para tomar providências?

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Alô PMCG, alô Águas do Paraíba: esgoto jorrando todos os dias na esquina de Sete de Setembro com Riachuelo!

Depois de passar seis longos meses sofrendo com uma obra que se destinou a modernizar a rede de esgotos e águas pluviais aqui no bairro, venho acompanhando até com certa incredulidade a repetição de um evento diário que é o jorrar de incontáveis litros de esgoto in natura que teimosamente volto ao subterrâneo na porta da minha casa.

Eu tenho visto inclusive a rotineira visita de um caminhão pipa que recolhe os resíduos que deveriam estar sendo transportados mas que, aparentemente, insistem em se acumular até o ponto de extravasar para o pavimento por longos períodos de tempo.

Como isso tudo representa um grave risco à saúde da população pagadora de impostos, a minha incredulidade já passou para a fase da credulidade, o que me faz usar este espaço para solicitar aos amigos da Secretaria de Obras e da diretoria local da Águas do Paraíba que se juntem e pensem logo numa solução. Isso antes que alguma doença comece se espalhar justamente no período eleitoral, momento esse em que os governantes estão especialmente vulneráveis aos efeitos de sua própria incompetência.

Para que ninguém ache que eu estou exagerando, coloco imagens de poucos minutos atrás. E aviso logo, o que se vê sendo levantado pelas passagens dos carros é esgoto in natura. Sem tirar, nem por.

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Audiência Pública no IFF discutirá o futuro da “Favela da Margem da Linha do Rio”

Em Campos dos Goytacazes, município do Norte Fluminense, uma de suas mais antigas comunidades usualmente chamada de favela se vê ameaçada de remoção.

A comunidade foi formada há mais de 50 anos por trabalhadores rurais da extinta usina do Queimado que, para morar perto do trabalho, ergueram seus barracos ao longo da linha férrea que naquela época fazia a linha Campos X Rio. Por isso, a comunidade foi batizada como Favela da Margem da Linha do Rio.

Em todos esses anos os moradores tiveram poucas experiências de presença do poder público. Em função disso, viveram por décadas sem serviços de água e esgoto e, tampouco, por obras de infraestrutura pública. Na verdade, ao longo desse tempo os moradores da Favela da Linha tiveram que caminhar por quilômetros para acessar a rede de ensino e de saúde.

No entanto nos últimos anos, a cidade de Campos passou a se desenvolver na direção da comunidade, e os moradores assistiram ao surgimento de condomínios residenciais de alto padrão, supermercados, galpões comerciais, etc.

Assim, não mais que de repente, os moradores da Favela da Linha passaram a sofrer ameaças de remoção dentro do Programa Municipal de Habitação Popular que aponta para a ameaça de remoção dos moradores para um distrito que fica 9 quilômetros mais afastado da atual localização.

 Assim para discutir todos estes temas, a Associação de Moradores e o IFF-Campos convidam para uma Audiência Pública a se realizar na sede do Instituto no dia 15/07/14 a partir das 18 horas. Essa audiência será fundamental para que os principais interessados (os moradores da Favela da Linha) possam se manifestar acerca do futuro que querem ter em nossa cidade.

 Para mostrar a importância de que se ouça e respeite o direito das comunidades em decidir o seu futuro coletivo, eu indico a leitura do artigo “Estado e Programas Municipais de Habitação em Campos dos Goytacazes (RJ)” que tive a oportunidade de ser o co-autor, e que pode ser acessado (Aqui!)

Ônibus gratuito em Campos? Como assim, cara-pálida?

As imagens abaixo são parte de um esforço de propaganda da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes que, aparentemente, visa promover a ideia de que medidas sérias estão sendo tomadas para superar a grave crise que atravessa o sistema de transporte público na nossa cidade. E o interessante é que as faixas que aparecem promovendo a ideia de que a gratuidade está na ordem do dia aparecem com créditos para o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

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A questão que se abate sobre a minha pessoa enquanto pagador de impostos é a seguinte: transporte gratuito, como assim transporte gratuito? Até onde eu saiba na administração pública não há nada de gratuito. O pior é que na imensa maioria das vezes, esse tipo “gratuidade” acaba saindo muito caro. E adivinha quem acaba pagando a conta? Sim, nós, os contribuintes.

 

Greve dos rodoviários só expõe a péssima qualidade do transporte público em Campos

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A greve dos rodoviários que está ocorrendo na cidade de Campos dos Goytacazes tem um mérito inquestionável que é o de mostrar a ruindade dos serviços que são prestados pela maioria ( se não pela totalidade das empresas que operam no município). Um desavisado que chegasse na cidade no meio da semana passada que se encontrasse com outro chegado no dia de hoje não poderia contar grande diferença, pois a ausência de hoje é quase a mesma de todos os dias. 

Essa situação me é exposta frequentemente por uma pessoa que trabalha comigo e precisa vir sair de Travessão de Campos logo cedo. Segundo o que já me foi dito de forma repetida, a situação do transporte piorou muito depois da instalação da dita política da passagem a R$ 1,00, pois a frequência teria, contraditoriamente, diminuído. Isto tem obrigado a que muitas pessoas usem formas irregulares de transporte. Eu mesmo já mostrei aqui a existência de uma “fila da bandalha” que opera no centro da cidade todos os dias, sem que nenhum fiscal da PMCG se dê ao trabalho de ir verificar o que aquilo. Deve ser porque todo mundo já sabe do que se trata.

Enfim, acho muito estranho que a PMCG seja tão célere para questionar na justiça o direito de greve dos rodoviários e faça tão pouco para impor um padrão mínimo de qualidade ao transporte público numa cidade que não para de crescer.