A pergunta que não quer calar: como o PMDB conseguiu falir o Rio de Janeiro?

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A crise que espreitava a população fluminense desde a campanha eleitoral de 2014 agora ganha contornos claros e desesperadores, especialmente para os servidores públicos e para as largas parcelas que dependem do trabalho do Estado para tocar o seu cotidiano.

A verdade nua e crua é que o estado do Rio de Janeiro, segunda economia da federação brasileira, está em um galopante processo falimentar.  O ponto mais óbvio deste iceberg mal enjambrado é a flagrante incapacidade do (des) governo Pezão, agora momentaneamente sob comando do octogenário Francisco Dornelles, de pagar em dia os salários de seus servidores na ativa e aposentados.  O impressionante é que o Rio de Janeiro é o estado que menos gasta percentualmente com servidores em toda a federação brasileira! Mesmo assim, agora se acena com um parcelamento vergonhoso que imporá um atraso de 15 a 30 dias para se honre os salários do mês anterior.

Mas como o custo total da folha de pagamentos dos servidores representa pouco mais de 15% do orçamento de 2016, a pergunta que deveria ser feito ao sempre serelepe secretário estadual de Fazenda, Júlio Bueno, é de como estão sendo gastos os restantes 85%. 

Mais ainda, como é que ao longo de um período em que os roaylties do petróleo inundaram o tesouro estadual com bilhões de reais podemos ter chegado a um processo de falência explícita! 

Uma primeira resposta tem a ver com os mais de R$ 138 bilhões de isenções fiscais que foram dadas a montadoras de automóveis, cervejarias, joalherias, cabeleireiros e até saunas! Entretanto, ainda vão faltar explicação porque não se consegue falir uma economia do tamanho da que o Rio de Janeiro tem apenas com opções desastradas do uso do dinheiro público. A verdade é que embaixo do caroço da falência fluminense há mais coisa a ser explicada.

Agora, como a mídia corporativa continua protegendo o PMDB fluminense, especialmente após a puxada de tapete que Sérgio Cabral e Jorge Picciani deram em Dilma Rousseff ao apoiar o desligamento do partido do governo federal, restará aos cidadãos cobrar as respostas devidas. 

(Des) governo do PMDB e a interminável farra com o dinheiro público no Rio de Janeiro

A matéria abaixo de autoria do jornalista Bruno Alfano e publicada pelo jornal Extra dispensa maiores comentários. Mas que a leitura da mesma sirva para acabar de vez com as avaliações simplórias e condescendentes com os (des) governos comandados por Eduardo Paes e Luiz Fernando Pezão. É que está mais do que demonstrado que a crise que se abate sobre o Rio de Janeiro é, acima de tudo, seletiva e direcionada.

É que para bancar jantares e outros mimos de luxo não faltam, enquanto a população e servidores públicos vivem sacrifícios imensos para tocar o seu cotidiano. É simples, mas trágica a explicação sobre a pindaíba em que estamos afundados no Rio de Janeiro.

Organização Social pagou churrascaria de luxo e jantares em boate com dinheiro da Saúde

Cejam gere Hospital Evandro Freire
Cejam gere Hospital Evandro Freire Foto: Fábio Guimarães / 23.02.2013
Bruno Alfano

 Almoço de mais de R$ 1 mil e jantares dentro de uma boate na Lagoa, na Zona Sul do Rio, foram pagos com dinheiro da Secretaria municipal de Saúde (SMS) pela Organização Social (OS) Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam). A informação é revelada em um relatório do Tribunal de Contas do Município, a que o EXTRA teve acesso com exclusividade, de auditoria nas contas da OS, entre abril de 2012 e março de 2014, na gestão do Hospital Evandro Freire, na Ilha do Governador, da Coordenação de Emergência Regional (CER) Ilha e da CER Centro. Mesmo assim, a SMS renovou parte do contrato com a OS.

As irregularidades apontadas pela auditoria chegam a quase R$ 9 milhões. Só de despesas consideradas “sem vinculação ao objeto de contrato de gestão”, como passagens aéreas, táxis e alimentação, a conta é de R$ 1,3 milhão. Segundo o relatório, em maio de 2012, foi realizado um almoço na churrascaria de luxo Fogo de Chão, em Botafogo, na Zona Sul, que custou R$ 1.713,25 aos cofres públicos. Em agosto do mesmo ano, a OS pagou uma série de jantares na boate Katmandu Sushi, na Lagoa. Eles custaram R$ 1.175, também pagos pela SMS. O TCM classificou as despesas no relatório como “extravagantes”.

Ao EXTRA, o tribunal informou que a Cejam alegou não ter encontrado médicos para contratar no Rio. Por isso, precisou trazê-los de São Paulo e pagar todas as contas de implantação da equipe.

A SMS informou que as despesas com táxi, bilhetes aéreos e refeição na Fogo de Chão já foram definidas pela Comissão Técnica de Avaliação como indevidas. “E a Cejam deve devolver os valores, como acordado com a OS”. Mas esses são só parte da quantia de R$ 1,3 milhão que o TCM considera sem relação com o contrato. A secretaria informou que o restante ainda está em avaliação.

Em setembro, a Cejam renovou o contrato da gestão com as unidades da Ilha. Já a CER Centro foi para o Gnosis. A Cejam foi procurada, mas não respondeu à reportagem.

Ontem, o EXTRA mostrou que auditorias do TCM feitas em 12 contratos de noves OSs apontam irregularidades na casa de R$ 80 milhões. Os pedidos de auditoria foram feitos pelo vereador Paulo Pinheiro (Psol).

É o lobo! É o lobo!

A Sheep in Wolf's Clothing

A Sheep in Wolf’s Clothing

Por Mauro Iasi*

Uma vez mais se apresenta o alerta sobre a possibilidade de interrupção do mandato presidencial e a possibilidade de algum tipo de golpe. Desta vez pelas declarações golpistas do PSDB, preocupado que o prazo para que a interrupção leve a uma nova eleição está para se esgotar. Como das outras vezes, intensificam-se os ataques ao governo, convocam-se novas manifestações e os meios de comunicações atacam com novas e requentadas denúncias.

Continuamos acreditando que a opção principal da direita, no sentido mais preciso dos interesses de classe ligados ao grande capital monopolista, caminha em outro sentido, qual seja, de produzir uma transição sob um governo fraco e sob cerco, enquanto se gesta uma alternativa para substituí-lo nas eleições de 2018. Alertávamos, no entanto, em outra oportunidade, que um dos mecanismos desta operação, a constante ameaça de impedimento antecipado da presidente, poderia ganhar uma dinâmica própria e se viabilizar como alternativa e, desta maneira, não estaria por princípio descartada como possibilidade pelo bloco dominante.

O cenário atual comprova a persistência deste quadro. Intensificam-se os ataques, enquanto a base de sustentação do governo no Congresso é corroída e os meios de comunicação hegemônicos, por meio de um eficiente manejo do anti-petismo, trabalham para configurar um clima de descontrole total nas hostes governistas. Ao mesmo tempo o governo reage intensificando suas concessões ao bloco dominante: implanta o ajuste e as políticas de austeridade, intensifica os ataques aos trabalhadores (como nas medidas provisórias 664 e 665, no veto às superficiais mudanças na previdência, etc.), opera cortes na educação e na saúde, e impõe arrocho sobre o funcionalismo público federal. Tudo isso sem deixar de abrir seus cofres em generosas contribuições ao agronegócio e financiar a manutenção de empregos com redução de salários e benefícios para as grandes empresas.

Há uma relação entre estes dois vetores da conjuntura que nem sempre fica tão visível. O desgaste inevitável que as concessões ao grande capital monopolista produzem gera uma igualmente inevitável depressão nos setores sociais que sustentaram a atual presidente na expectativa de uma mudança de orientação. A esquerda petista, isolada e minoritária no interior do PT, está rouca de tanta tentar alertar que o caminho escolhido contribui com a estratégia da direita de ir sangrando o governo e dilapidando sua base social para derrotá-lo eleitoralmente na próxima eleição nacional. Propõem um “cavalo de pau”, rompendo com a aliança com o PMDB e retomando o caminho de um projeto democrático popular.

Neste ponto a situação ganha uma complexidade que está longe de ser simples de ser compreendida. A analogia do “cavalo de pau” serve como imagem da urgente necessidade de uma mudança radical de rumos, mas é absolutamente inapropriada para o momento. O ato de puxar o freio de mão e produzir uma mudança abrupta de direção, inclusive valendo-se da derrapagem lateral do veículo, costuma funcionar, não sem riscos de capotagens, quando se trata de veículos leves. Mas no caso de um grande navio, há restrições de movimento por conta de suas dimensões e do tamanho de seu calado. Quando se aproxima do porto, por exemplo, uma embarcação como essa não pode nem sequer sair fora do rumo do canal, e mesmo com suas máquinas desligadas chega a percorrer milhas antes de parar. Por essas condições estruturais, ele está impossibilitado de dar o que se chamaria de um “cavalo de pau”. O governo petista está mais para um grande navio do que para um carro esporte.

No entanto, cabe nos perguntar: por que motivo o governo opera num aparente paradoxo que contribui para a estratégia daqueles que querem derrotá-lo? Podemos falar o que quisermos deste governo (muito temos falado de como ele operou uma estratégica que desarmou a classe trabalhadora conduzindo-a ao pântano da conciliação de classes), mas não que ele é ingênuo ou que lhe falta habilidade política. Aqui a analogia com o navio é ainda mais útil, pois não adianta olharmos para a superfície do mar ou para as hipnóticas luzes de bordo, pois a resposta está no canal em que navega.

O caminho escolhido pelo PT como via de desenvolvimento de sua estratégia acabou por considerar virtuosa uma configuração que segundo seu juízo constituía uma imprudência da burguesia e um cenário favorável aos desenvolvimento de “reformas” gradualistas que beneficiariam aos trabalhadores. Este equívoco se fundamenta na incompreensão de um dos elementos do Estado burguês na sua configuração contemporânea.

A FORMA DEMOCRÁTICA DA REPÚBLICA BURGUESA

Talvez possa parecer, a um olhar superficial, que a forma democrática da república burguesa e a prevalência das eleições como um meio de composição de seus governos, fosse um equívoco das classes dominantes (ou ainda, em outro registro, uma concessão que só se explica pela pressão dos trabalhadores). Afinal, sendo as eleições um jogo numérico e a classe trabalhadora inegavelmente mais numerosa que as classes dominantes, a tendência seria a formação gradual maiorias que pouco a pouco poderiam ir construindo a vontade geral como expressão dos interesses dos trabalhadores, reduzindo o poder político da burguesia à proporcionalidade de sua expressão quantitativa.

O que os atuais reformistas (a bem da verdade estes senhores acabaram ficando muito aquém do reformismo, a ponto de ter de ficar a cargo da esquerda petista a defesa da retomada do rumo das reformas), de fato desconhecem é que a burguesia já equacionou há muito tempo este problema. Podemos comprovar isso resgatando o pensamento de James Madison (1751-1836), que foi um dos destacados redatores de O Federalista (uma serie de ensaios, publicada 1788, defendendo a federação contra a forma confederada), no contexto da luta pela independência dos EUA e consolidação de sua forma política republicana.

O problema dos revolucionários norte-americanos, resumidamente, era determinar qual seria a forma de governo da jovem nação que poderia responder simultaneamente a duas exigências cruciais: manter a necessária unidade política, economia e militar das ex-colônias, e garantir a liberdade das partes aderissem à nação, evitando o risco da tirania.

Diante disso se enfrentam com o problema das facções, entendidas, nos termos de Madison, como grupos de cidadãos, maiorias ou minorias, que unidos por sentimentos e interesses comuns se opõem a outras facções, cidadãos ou mesmo interesses coletivos de uma comunidade. Parecia a Madison que as duas possibilidades apresentadas – atacar as causas das facções ou tentar controlar seus efeitos – se apresentavam impraticáveis. Isso porque as causas estariam ligadas à natureza humana, sendo portanto, incontornáveis. Quanto ao controle dos efeitos, a impraticabilidade derivaria do fato de que teria que ser operada pelos próprios seres humanos que colocariam suas vontades e paixões como critério de tal controle. A solução encontrada seria, segundo Madison, colocar tanto a natureza como seus efeitos a serviço de uma forma que possibilitasse a República. A chave para tal feito seria expressa na formula: “ambição será incentivada para enfrentar a ambição” (O Federalista, n.51).

Antes de ver como isso se materializa em uma forma política, é importante fazer uma ressalva. Apesar de localizar na natureza humana o comportamento de facção, o revolucionário norte-americano sabe que a base material da disputa dos diversos interesses que compõem uma sociedade não é a mera predisposição dos seres humanos como criaturas “ambiciosas, vingativas e rapaces”. Por isso poderá concluir, sem abandonar aquela premissa, que “a fonte mais comum e duradoura das facções tem sido a distribuição variada e desigual da propriedade”, de tal forma que “aqueles que possuem e os não-proprietários invariavelmente corporificam distintos interesses na sociedade”.

Todos são juízes de suas próprias causas. Uma vez que prevaleça o poder de uma facão ou conjunto de facções associadas, seria natural supor que esta maioria tente impor seus interesses sobre as demais, impondo os interesses dos manufatureiros sobre os donos de terra, ou o inverso, “não havendo em nenhum dos casos consideração para com a justiça ou o interesse público”. A confiança de que “estadistas esclarecidos” poderiam funcionar em prol do equilíbrio e da prevalência do bem público é descartada pelo autor com requintes de pragmatismo: “nem sempre os estadistas esclarecidos estarão no leme”.

Notem que, como fica evidente, o objetivo destes senhores é evitar a tirania da maioria. A solução de uma “democracia pura”, como a denominavam, é recusada. Ela é definida como necessariamente própria de pequenas sociedades formadas por indivíduos virtuosos (definidos como aqueles que colocam o bem comum sobre o interesse particular) e cuja base é a frugalidade, nos termos de Montesquieu. Em outras palavras, essa forma política só funcionaria num contexto de pouca riqueza e uma vida simples e estaria descartada para grandes nações poderosas econômica e militarmente. Neste ponto, a afirmação de que as facções se formam pela distribuição desigual da propriedade ganha uma dimensão decisiva.

A forma da “democracia pura” em uma sociedade moderna seria palco de “distúrbios e controvérsias” e levaria necessariamente a um quadro de insegurança e incapacidade de garantir o direito de propriedade, tendo conseguentemente, segundo o juízo de Madison, uma vida curta e um fim violento. A solução, portanto, é a uma república em que se aplica o “esquema da representação”.

Entre as várias vantagens apresentadas por Madison para defender a república contra a democracia pura, estaria em primeiro lugar o fato de que por meio da representação os “pontos de vista da população são filtrados” pelo crivo de alguns cidadãos que irão representá-los. Como o povo escolheria os “melhores” nesse processo de seleção, os seria justo dizer que os eleitos saberão discernir os verdadeiros interesses do país, graças ao seu “patriotismo e amor pela justiça”, dificilmente sacrificando estes interesses por “considerações temporárias ou parciais”, nas palavras de James Madison que chegou a ser o quarto presidente dos EUA.

Evidentemente soa estranho esse grau de fé nas virtudes morais expressa na pena do fundador do Partido Republicano, um sujeito, como vimos, dotado justamente de uma posição marcada pelo pragmatismo. Sem dúvida, Madison tem plena consciência de que indivíduos de “temperamento faccioso e propósitos maldosos” podem por vários meios, inclusive a intriga e a corrupção, conseguir os votos necessários e “depois trair os interesses do povo”. No entanto, para ele, a solução estaria na própria dimensão da república moderna, no sentido quantitativo propriamente dito.

O argumento de Madison é de que a fragmentação de uma grande população em diversas facções e partidos, pulveriza a representação. Assim, com cada um buscando apenas seu próprio interesse, fica difícil formar maiorias, obriga-se que os governantes (ainda que sendo expressão de uma maioria eleitoral) negociem com um conjunto pulverizado de interesses para lograr estabilidade em seu governo. Diz Madison ao falar da república que defende:

“alargado este campo (o do número de cidadão de um Estado) teremos uma variedade maior de partidos e interesses, tornando menos provável a constituição de uma maioria no conjunto que, alegando uma motivação comum, usurpe os direitos de outros cidadãos”.

Desta maneira, conclui Madison, teríamos uma estrutura adequada, um “remédio republicano para as doenças mais incidentes sobre um governo republicano”.

Reparem: a vacina contra a possível “doença” de uma maioria chegar ao poder em algum ponto do Estado burguês está dada desde 1788. Não é demais relembrar que tal estrutura adequada se completa com um redesenho da solução clássica da divisão de poderes, muito além da simples divisão funcional na qual quem governa não redige as leis, e quem as redige não governa, da mesma forma que aquele que julga não redige a lei, nem governa.

O MENINO E O LOBO

Agora, depois da experiência norte-americana, aplica-se uma dinâmica de pesos e contrapesos. Isto é, a cada poder de uma esfera se apresenta um poder para que a outra o controle, como no dispositivo de veto do executivo a uma lei elaborada pelo legislativo e a possibilidade de derrubada do veto pelo segundo, assim como, se houver dúvidas os tribunais são acionados e se tudo der errado há forças armadas para “garantir” a constituição em defesa da propriedade (notem como estamos hoje muito longe da necessidade deste último expediente).

No contexto atual estas chamadas estruturas adequadas não estão menos, mas muito mais eficientes e sofisticadas. Em formações sociais como a nossa, na qual a contradição entre proprietários e não-proprietários é explosiva, o risco de uma tirania da maioria é enfrentado com rigor e profissionalismo.

Além de um eventual executivo que expresse uma certa maioria eleitoral ligeiramente comprometida com interesses populares ser obrigado a compor sua governabilidade com os partidos que compõem o poder legislativo, o filtro eleitoral garante que ali se represente o conjunto das facções das classes proprietárias, obstaculizando ao máximo a possibilidade da maioria real na sociedade se apresentar como maioria na chamada “representação”.

Uma das formas conhecidas, e não por acaso veementemente garantida na atual farsa da reforma política, é o financiamento privado de campanha em sua forma explícita. O poder econômico na sociedade capitalista sempre determina a disputa eleitoral, mesmo numa situação na qual se proíba o financiamento direto de empresários, seja por formas ilícitas e caminhos alternativos (que não deixam de agir mesmo na legalidade do financiamento privado) seja por seu poder indireto no controle de várias esferas da vida, da comunicação de massa, da cultura, do assedio que se funda no poder brutal que patrões têm sobre os trabalhadores nos locais de trabalho, etc.

Uma vez entrando neste canal e aceitando suas regras, que por um tempo favoreceram os governos petistas e sua continuidade, torna-se muito difícil sair, pelo menos sem rupturas consideráveis. Ocorre que é exatamente a dimensão da ruptura que foi abandonada no desenho da estratégia. Querer introduzi-la agora é uma artificialidade infantil, ingênua e, por uma motivo mais banal, impossível.

Nos termos atuais, para a burguesia inviabilizar o governo petista, basta o deslocamento do PMDB para um bloco de oposição.

Não tendo outra alternativa no horizonte imediato que não manter o rumo, a comandante tenta se manter firme no timão exercendo a arte de fazer de conta que não é com ela, enquanto caminha decididamente para a catástrofe. Para se manter cede aos interesses do capital e mergulha ainda mais na tentativa insana de manter a base aliada que se desfaz sob seus pés. Esta tática permite sobreviver no campo imediato, mas tudo indica que fortalece as condições da futura derrota eleitoral. Este é o paradoxo.

Não podendo mobilizar suas bases sociais que correm o risco de serem capturadas pela direita, pela ação em defesa de direitos, conquistas ou condições de vida (uma vez que o presente ajuste e a linha de governo praticada nos últimos doze anos caminharam no sentido contrário), resta a esperança de que, mais uma vez, a chantagem da necessidade do apoio a este governo contra a “direita” ou o “conservadorismo”.

Sabemos que a direita se move em várias frentes, é evidente a retomada de um conservadorismo sem máscaras e preocupante. Compreendemos que papel estes fatores ocupam na estratégia do desgaste visando uma futura derrota eleitoral do petismo, ou na possibilidade de antecipar este desfecho por uma interrupção do mandato da presidente. Mas a direita e a forma de manifestação do conservadorismo tem um papel, também, na estratégia governista. É o de desviar a atenção da brutalidade do ajuste e do real e evidente caráter do compromisso do governo com as condições necessárias à retomada da acumulação de capitais, criando uma cortina de fumaça que desvia a atenção para uma abstrata contraposição entre conservadorismo e progressismo.

Além de desviar a atenção do ataque operado contra os trabalhadores, a educação, a saúde púbica e tantas outras áreas, procurando desarmar a resistência que se ensaia nas greves e nas lutas sociais, há também a clara intenção de desvincular-se do governo que naufraga para, justificado pelo combate ao conservadorismo, manter a mesma estratégia e a continuidade do ciclo petista.

Não há solução para esta estratégia nos rumos escolhidos, ao mesmo tempo não há como buscar outros caminhos mantendo-se no essencial esta estratégia que ao nosso ver se esgotou.

No melhor cenário imaginado pela comandante agarrada ao timão é que o reajuste dê certo, a economia capitalista volte a crescer, o governo logre manter a aliança com o PMDB e tenha condições de disputar as eleições para renovar o mito. Vejam que o melhor cenário renova o caminho que os colocou no impasse em que se encontram.

É bom que lembremo-nos que, pelo menos na versão original da história, quando o lobo veio mesmo… ninguém acreditou no menino.

***

Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.

FONTE: http://blogdaboitempo.com.br/2015/07/15/e-o-lobo-e-o-lobo/

Pátria educadora? Está mais para pátria dos bancos!

O governo Dilma anda nos bombardeando com uma campanha publicitária sobre uma tal “Pátria educadora”. Mas como para saber para quem e qual finalidade se governo basta olhar o orçamento de um dado governo, mostra a figura abaixo com a distribuição orçamentária de 2014 para pagamento da dívida pública e de investimento em educação.

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Esses números mostram que estamos mais para a pátria dos bancos (o HSBC das contas secretas na Suíça incluso) do que para a da educação.

Em suma, a coalizão PT/PMDB, como já fizeram os tucanos, adora mesmo é pagar juros bancários e tem o maior medo de investir em educação. Afinal, povo educado, já mostraram os islandeses, deixam os bancos quebrarem e investem em escolas de excelência para todos.

 

E a montanha do juiz Moro pariu um rato

Será que sou o único a achar que a lista de políticos denunciados pelo juiz federal Sérgio Moro é uma materialização do ditado de que “a montanha pariu um rato”?  É que após meses de contínuo bombardeio da mídia corporativa em relação ao caso de corrupção na Petrobras, a lista de 47 políticos denunciados sinceramente não me impressiona. Ainda que ali estejam o presidente do senado (Renan Calheiros) e da Câmara de Deputados (Eduardo Cunha), ambos do PMDB, a soma da conta realmente não fecha.

É que do total de denunciados exatamente 50% são vinculados ao Partido Progressista (PP) e que compõe uma bela lista de desconhecidos. Podem me chamar de cínico, mas mesmo reconhecendo que sempre há potencial para surpresas quando o quesito tratado é corrupção, imaginar que o PP é o centro da corrupção no Brasil é pouco razoável.

Agora, eu fico imaginando porque sobrou denúncia para o senador do PSDB e ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia. Não é que ele não tenha capacidade de se envolver num esquema tão amplo como é o do chamado “Petrolão”. Mas é que colocar Anastasia dentro e deixar Aécio Neves de fora é pouquíssimo razoável. É que Minas Gerais inteira sabe que Anastasia é uma pessoa da mais alta confiança de Aécio Neves e sua família. Assim, se ela estava dentro do esquema, como Aécio estaria de fora?

A dica de que a meta de atingir Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores realmente não foi alcançada é a indicação de que a equipe de Sérgio Moro agora vai partir para investigar as propinas pagas na construção da famigerada usina hidrelétrica de Belo Monte. Em outras palavras, já que no caso da Petrobras efetivamente sobrou para o PP o maior peso das denúncias, há que se continuar “cavocando” para ver se acham algo que realmente abata o PT.

O que eu estranho nisso tudo é que estando o juiz Sérgio Moro localizado em Curitiba não sobre nenhuma investigação para o (des) governador tucano Beto Richa que literalmente afundou o Paraná em um processo de falência sem que se tenha uma ideia objetiva como ele consegui tal feito. Bom, mas dai já seria pedir muito, não é?

No ranking do déficit público, o Paraná é o segundo pior. Adivinhem qual estado é o campeão da ruindade!

O professor Roberto Moraes traz em seu blog uma nova análise sobre o peso da folha de pagamentos em todos os estados brasileiros, e nos mostra que o Rio de Janeiro continua a ser o ente federativo que menos gasta com seus servidores (Aqui!), Em suma, qualquer explicação sobre a situação da saúde financeira do Rio de Janeiro não pode, nem deveria, ter os servidores como alvo de qualquer explicação. 

Mas qual é exatamente a situação da saúde financeira do Rio de Janeiro. Uma entrevista no jornal Folha de São Paulo com o (des) governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), mostra que o estado que menos gasta com servidores é também o que está nas piores condições em termos de déficit financeiro nas suas contas! (Aqui!)

E como se conseguiu essa “mágica”? Se olharmos a combinação de custos com megaeventos esportivos (Copa do Mundo e Jogos Olímpicos) e concessão de isenções fiscais, a coisa começa a ficar mais clara. Entretanto, há mais coisa nesse angu que merece e deve ser analisada. A verdade é que contando com completa hegemonia no estado, onde controla os governos municipal e estadual, e também a ALERJ, o PMDB conseguiu nos colocar numa situação totalmente deplorável. Fosse o estado do Rio de Janeiro uma empresa, a sua falência já teria sido decretada.

Resta saber se aqui também teremos a mesma reação que ocorreu no Paraná quando Beto Richa tentou emplacar um pacote de maldades contra os servidores públicos. A ver!

Enquanto arrocha universidades estaduais, Pezão consegue cargo para enteado na prefeitura do Rio de Janeiro

O advogado Roberto Horta (de verde, no centro) com Pezão, seu padrasto. Horta advogou para Delta e empreiteira sediada em Piraí

O (des) governador Luiz Fernando, o Pezão, começou 2015 com a tesoura na mão, e saiu picotando os já arrochados orçamentos das universidades estaduais. Com isso, estudantes das três universidades estaduais (UENF, UERJ, UEZO) estão em dificuldades financeiras por causa da falta do pagamento de suas bolsas acadêmicas.

Mas a disposição para arrochar orçamentos e salários não parece existir quando a coisa se trata da família de Pezão. É que hoje o jornal Folha de São Paulo traz uma notícia dando conta que o enteado de Pezão, o advogado Roberto Horta Jardim Salles, acaba de ser nomeado para um cargo de confiança na prefeitura do Rio de Janeiro  (Aqui!). Ao perceber a chance de ser criticado pela prática de nepotismo, Pezão saiu rapidamente em defesa das “habilidades” profissionais do enteado.

Aliás, para quem não se lembra, o nome do enteado de Pezão já havia aparecido na imprensa ao se identificar que ele havia trabalhado para a Delta Construções (de Fernando Cavendish) e para uma empreiteira sediada em Piraí (RJ), empresas que mantinham polpudos contratos com o (des) governo comandado por Pezão e Sérgio Cabral (Aqui!)

Pois é, arrocho bom é só bolso dos outros!

Dois acidentes desnudam a política de transporte público do PMDB no Rio de Janeiro

A matéria abaixo assinada pelo jornalista Tiago Frederico do “O DIA” escancara a situação desastrosa em que se encontram os serviços de transporte público na cidade do Rio de Janeiro, sob a batuta de Eduardo Paes, e que com a ajuda imprescindível de Luiz Fernando Pezão, ambos do PMDB.

Após um aumento nos preços das passagens neste início de 2015, os usuários de ônibus, metrô e barcas estão tendo que desafiar a má qualidade dos serviços e a irresponsabilidade dos governantes para chegar e sair de casa todos os dias.

Estivéssemos num país onde as autoridades respondessem judicialmente por seus malfeitos, talvez a coisa não tivessem degringolado de tal forma no Rio de Janeiro. Mas como não estamos, fica estabelecido o salve-se e pague quem puder.

Ao menos 150 ficam feridos em colisão envolvendo quatro ônibus do BRT

Vítimas foram levadas para os hospitais municipais Miguel Couto, na Gávea, e Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca

TIAGO FREDERICO
Ônibus articulado bateu na traseira de outro coletivo articulado no corredor Transoeste

Foto:  Seguidora @nathy_fotografa

Rio – Ao menos 150 pessoas ficaram feridas em duas colisões envolvendo ônibus do BRT Transoeste na manhã desta terça-feira na Zona Oeste do Rio. O número foi divulgado pelo Corpo de Bombeiros no início desta tarde. Num intervalo de 30 minutos e em locais distintos, dois coletivos articulados colidiram na traseira de outros dois ônibus. Os veículos seguiam em direção ao Terminal Alvorada.

As vítimas foram socorridas por bombeiros dos quartéis da Barra da Tijuca e da Pedra de Guratiba e encaminhadas para os hospitais municipais Lourenço Jorge, na Barra, e Miguel Couto, na Gávea. Nenhuma pessoa ficou ferida em estado grave.

A primeira colisão envolveu dois ônibus articulados e ocorreu na Avenida das Américas, na altura da estação Pontal, no Recreio dos Bandeirantes, por volta das 7h30. Às 8h, outros dois coletivos articulados colidiram em Guaratiba, na Avenida Dom João VI, próximo à estação Cetex. Desvios operacionais foram montados nos dois locais até a liberação da pista, ocorrida por volta das 10h25.

O Consórcio BRT disse que aguarda a conclusão da perícia, que determinará a causa dos dois acidentes. “A assistência a feridos é prestada pelas empresas operadoras”, comunicou, em nota. Em Guaratiba, 120 pessoas ficaram feridas. No Recreio, foram 30 feridos. 

Ainda de acordo com o consórcio, a circulação dos coletivos no corredor expresso não foi afetada e os passageiros envolvidos na colisão, e que não ficaram feridos, foram transferidos para outros coletivos. As pistas da avenidas das Américas e Dom João VI foram totalmente liberadas ao tráfego às 10h25.

Dois ônibus articulados do BRT Transoeste colidiram na Avenida das Américas, no Recreio

Foto:  Seguidor @Arle_rj

FONTE: http://odia.ig.com.br/odia24horas/2015-01-13/ao-menos-150-ficam-feridos-em-colisao-envolvendo-quatro-onibus-do-brt.html

Juca Kfouri e o descobrimento do Brasil

Descobrindo o Brasil

Por  Juca Kfouri

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Este jovem, de 23 anos, estudante de Direito na PUC carioca, é o novo secretário de Esportes do Rio de Janeiro, o estado que receberá os Jogos Olímpicos de 2016.

De cara boa, o menino se elegeu deputado federal nas últimas eleições.

Marco Antonio Cabral, este o nome do garoto, é filho do ex-governador fluminense de triste memória, Sérgio Cabral.

Um dos primeiros atos do mancebo foi ir beijar a mão dos cartolas da CBF.

Imagine o que fará quando se encontrar com os do COB.

Pastores da IURD/PRB em Brasília, em São Paulo, Minas Gerais e no Ceará, no ministério e nas secretarias de Esportes.

No Rio, um inexperiente menino estudante do PMDB.

Mais um Cabral para descobrir o que já está mais que descoberto: esporte, no Brasil, é troco.

FONTE: http://blogdojuca.uol.com.br/2015/01/descobrindo-o-brasik/