A PMSJB e seu estudo sobre a salinização das águas e solos do V Distrito: mais perguntas do que respostas

Após longo e tenebroso inverno (exatamente 5 anos e dois meses) a Prefeitura Municipal de São João da Barra (PMSJB) enviou um “press release” sobre um estudo que a Secretaria Municipal de Agricultura teria realizado para aferir a possível salinização de águas e solos no V Distrito [1].

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Os resultados desse estudo teriam indicado que não teriam sido encontrados problemas de salinização nas amostra de águas e solos que foram coletadas por uma empresa não identificada, num número de propriedades também desconhecido. Tampouco foram mencionados o laboratório onde as análises foram realizadas e sob quais metodologias de análise e coleta.

O press release que foi repercutido por vários órgãos da imprensa regional também é confuso porque informações sobre qualidade do solo e da água com possível infestações de nematoides para aparentemente explicar os problemas que estão ocorrendo em termos de perdas de colheitas, os quais os agricultores normalmente atribuem à persistência da salinização que foi disparada pela construção do aterro hidráulico do Porto do Açu.

Como já participei de diversos estudos sobre os problemas relacionados à salinização das águas e solos no V Distrito, sendo que um foi incluído na dissertação de mestrado da bióloga Juliana Ribeiro Latini no Programa de Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Estadual do Norte Fluminense [2],  sei que dependendo de onde as amostras forem coletadas os resultados serão bastante diferentes. Tanto é assim que a malha amostral que construímos para a referida dissertação possui mais de 100 pontos, e que foram distribuídos por todo o V Distrito, onde foi detectada uma grande variação nos resultados de salinidade. Entretanto, o dado mais importante foi que houve uma elevação da salinidade média em relação ao um estudo prévio à construção do aterro hidráulico do Porto do Açu.

Mas uma coisa é certa: ao divulgar esse press release a Prefeitura Municipal de São João da Barra reconhece que possui uma base de dados sobre a qualidade da água e dos solos em propriedades no V Distrito de São João da Barra. Como outros estudos ainda serão realizados sobre o mesmo tópico, o que se espera é que esta base de dados seja disponibilizada sempre que se solicitada, e que os resultados sejam prontamente entregues aos proprietários das áreas amostradas.

Finalmente, uma curiosidade pessoal em relação ao estudo conduzido pela PMSJB se refere ao fato de amostras terem sido coletadas na propriedade do Sr. Durval Ribeiro de Alvarenga. O motivo aqui é simples: esta propriedade foi uma das afetadas pela intrusão de água salgada oriunda de um dos pacotes construídos com areia dragada da parte frontal do Porto do Açu. Se a propriedade do Sr. Durval não estiver na amolha amostra, eu sugeriria que a Secretaria Municipal de Agricultura fizesse a gentileza de realizar amostragens por lá.  Tenho certeza que o Sr. Durval iria adorar ter os resultados em mãos.


[1] http://campos24horas.com.br/noticia/laudo-descarta-salinizacao-de-canais-no-5o-distrito-de-sao-joao-da-barra

[2] https://blogdopedlowski.com/2018/01/05/salinizacao-continua-causando-perdas-agricolas-no-entorno-do-porto-do-acu/

Praia do Açu: obra improvisada vira piada entre moradores da Barra do Açu

Após passarem 2015 esperando em vão por algum tipo de plano de recuperação da Praia do Açu que está sendo consumida pelo avanço de um processo de erosão que havia sido previsto no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado pela OS(X) para obter as licenças ambientais necessárias para a construção da sua unidade de construção Naval no porto implantado pelo ex-bilionário Eike Batista, os moradores da localidade da Barra do Açu foram surpreendidos com mais uma improvisação: a colocação de um aterro para permitir a circulação de pessoas e veículos *ver imagens abaixo).

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A “obra” que teria sido realizada pela Prefeitura de São João da Barra já está sendo chamada de “boi com abóbora do Neco”.  A menção ao prefeito sanjoanense José Amaro Martins de Souza, conhecido popularmente como Neco, se deve ao fato de desde que o problema foi detectado ele já teria feito inúmeras promessas públicas de que iria resolver o problema, sendo que a última delas ocorreu na própria Praia do Açu durante os festejos da Semana da Pátria como aparece no vídeo abaixo.

Agora que nada aconteceu de prático para resolver o problema, a colocação desse aterro acabou representando um tiro pela culatra do prefeito José Amaro, o Neco.

Finalmente, a população da Barra do Açu espera que em 2016 tanto a Prefeitura de São João da Barra quanto a Prumo Logística saiam da fase da negação e das improvisações para apresentar soluções duradouras para a situação que hoje deixa sem sono a maioria das famílias que vivem nas imediações da Praia do Açu.

Erosão avança rápido na Praia do Açu

Estive hoje na Praia do Açu a convite de uma emissora de TV local que está preparando mais uma reportagem sobre o avanço do processo erosivo que está destruindo aquele ponto da costa do município de São João da Barra. Como as imagens abaixo mostram o processo erosivo avançou bastante desde a semana passada, consumindo boa parte do que ainda restava da Avenida Atlântica.

E novamente a única reação visível da Prefeitura de São João da Barra continua sendo a remoção dos paralelepípedos que serviam como pavimento para a avenida que ali existia. Enquanto isso, muitos moradores estão à beira de um ataque de nervos, pois sabem que suas casas serão o próximo alvo da destruição em curso.

E, sim, ninguém hesita em apontar o Terminal 2 do Porto do Açu como o principal causador da desgraça que se abateu sobre a comunidade em que vivem. E as cobranças por respostas práticas para a destruição da Praia do Açu estão cada vez mais sendo apresentadas em alto e bom som como a reportagem deverá mostrar a partir dos depoimentos que foram colhidos hoje. 

E é claro que as reclamações vão diretamente para a Prefeitura de São João da Barra, o (des) governo do Rio de Janeiro e a Prumo Logística. Isso prova que o povo é tudo, menos bobo!

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Praia do Açu: o lema agora é salvem-se os paralelepípedos, e que se dane o praia e seus moradores?

Estive esta tarde no que ainda resta da Avenida Atlântica, via pela qual se transitava na maior parte da Praia do Açu. A visita foi marcada pela busca espontânea de moradores que se declaravam ultrajados com o descaso com que esse problema tem sido tratado pelos gestores públicos e privados que deveriam estar vindo a público assumir suas responsabilidades.

Uma moradora de mais de 20 anos da Praia do Açu estava particularmente revoltada com a única medida tomada pela Prefeitura Municipal de São João da Barra em face do avanço inclemente das ondas, qual seja, a retirada dos paralelepípedos que serviam como cobertura asfáltica ao trecho que ainda restava da Avenida Atlântica (ver imagens abaixo). Para ela, algo além desse paliativo deveria estar feito, visto que depois da avenida cair, a próxima coisa a desabar será sua residência.

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Uma coisa que sempre me vem à mente quando tenho esses encontros dramáticos com os afetados pelo Porto do Açu é de como as autoridades de São João da Barra podem permanecer aparentemente inertes ao drama que está se desenrolando não apenas na Praia do Açu, mas em outras partes do V Distrito. E olha que na Barra do Açu vivem o prefeito Neco e o vereador Franquis Arêas! 

Mas, convenhamos, que as responsabilidades sobre o que está acontecendo vão além de prefeito e vereadores, visto que a ocorrência deste fenômeno estava prevista no EIA/RIMA a partir dos quais foram emitidas licenças ambientais pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para a construção da Unidade de Construção Naval e do Canal de Navegação do Porto do Açu conforme solicitação da OS(X)..

De toda forma, há que se salientar que existem alternativas técnicas para conter o problema, e não há porque aceitar que a única medida adotada seja salvar um punhado de paralelepípedos. Afinal de contas, à população da Barra do Açu não pode ser dito que sua única saída é vigiar o avanço do mar. Simples assim!

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Vídeo mostra avanço do mar sobre a barreira improvisada pela prefeitura na Praia do Açu

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Acabo de receber o link do vídeo que segue abaixo, o qual mostra o avanço do mar sobre a barreira improvisada que a Prefeitura de São João da Barra construiu na manhã desta 6a. feira (20/03) na Praia do Açu para impedir a invasão para o interior da localidade da Barra do Açu. Mais pedagógico impossível!

Mais um dia de caos na Barra do Açu. Ação “band aid” da PMSJB já foi tragada pelas águas

Os moradores da Barra do Açu continuam vivendo momentos de aflição com a maré alta que está jogando muita água dentro das ruas da localidade. No dia de hoje, a Prefeitura Municipal de São João da Barra tentou realizar uma ação improvisada para criar barreiras de areia na orla da Praia do Açu para invadir o avanço das águas, mas a forte do mar já derrubou tudo o que foi feito de manhã ainda no início desta 6a. feira (20/03).

Enquanto isso, a Prumo Logística continua tentando vender a ideia de que as obras do Porto do Açu não possuem qualquer relação com o desastre ambiental em curso na Praia do Açu. Muitos moradores estão me ligando indignados para dizer que se a situação não estivesse tão preocupante, eles até ririam da piada (de mau gosto, frisam eles).

Agora, até o momento continuo aguardando um pronunciamento do novo superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente, Sr. Luiz Fernando Felippe Guida, para ver quais medidas serão tomadas para dar conta desse problema que, friso novamente, estava previsto no EIA/RIMA que a OS(X) apresentou para obter as licenças ambientais necessárias para a construção da sua Unidade de Construção Naval (UCN) e do Canal de Navegação do Porto do Açu!

Abaixo imagens que acabam de me chegar e que mostram a situação que está se desenvolvendo no dia de hoje na Praia do Açu.

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Em meio à omissão dos responsáveis, mar avança nas ruas da Praia do Açu

A população das ruas mais próximas da orla da Praia do Açu está vivendo dias de apreensão com o avanço das águas oceânicas sobre pontos que até recentemente era impensável que chegariam. Agora com o período de marés altas, os dias estão se sucedendo e água está invadindo a comunidade, coisa que moradores antigos testemunham nunca ter visto em suas vidas, as quais foram passadas naquele que já foi um dos principais balneários da região.

E o que os responsáveis por oferecer respostas práticas sobre o problema fazem? Via de regra o único órgão que vem se manifestando é a Defesa Civil de São João, mas apenas para oferecer respostas lacônicas que procuram oferecer um cenário de calma e tranquilidade que quem observa a situação mostrada nas imagens abaixo, e que foram produzidas na manhã desta 5a. feira, não consegue compartilhar.

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Como o pico da maré alta ainda não ocorreu, as cenas acima que mostram a tomada da área entre os postos de Saúde e de Polícia poderão se alastrar pelo resto da comunidade, causando graves perdas a uma população que já não tem muito para perder.

A minha expectativa é que o novo superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), o Sr. Luiz Fernando Felippe Guida, tire o seu órgão da inércia e envie técnicos para avaliar o avanço do processo erosivo na Praia do Açu, de modo a acionar a Prumo Logística Global para que comece a realizar as medidas de contingência que, porventura, tiverem sido previstas nos EIA/RIMAs do Porto do Açu e da Unidade de Construção Naval da OS(X) que previam alterações ambientais em função da implantação destes empreendimentos.

De quebra, espero que o Ministério Público Federal acione a Prefeitura de São João da Barra, o INEA e a Prumo para que saiam do estado de omissão em que se encontram e comecem, finalmente, a fazer algo mais do que declarar que irão conduzir estudos técnicos para avaliar as soluções a serem tomadas. A hora do “embromation” já passou, e é preciso passar urgentemente à ação.