Brasil, paraíso dos poluidores

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A capa de hoje  do jornal  “A Gazeta” que circula na cidade de Vitória e em outros municípios capixabas é daquelas que também não se pode deixar passar sem ser notada, tão rica que é de informações preciosas sobre o imbróglio que envolve a Vale (sempre ela) e a ArcelorMittal na questão da poluição atmosférica e do mar a partir das operações que essas duas corporações poluidoras realizam no  Porto de Tubarão. vale poluidora

A primeira informação preciosa está logo na manchete, pois descobrimos que a Vale (e é claro também a ArcelorMittal) vai poder voltar a operar nos seus terminais do Porto de Tubarão, em que pese a comprovação de que suas atividades estão causando forte poluição.  Pesou para essa decisão camarada de um juiz substituto o argumento de que a Vale estava tendo prejuízos milionários com a interdição que visava proteger a população humana e ecossistemas naturais.  Até aqui nada surpreendente, pois o argumento econômico sempre prevalece num país que despreza formas mais sustentáveis de produção.

Mas logo abaixo da manchete, temos outra informação que beira o ultraje. É que ficamos sabendo que apesar da Vale ter recebido DEZENOVE multas por violações da legislação ambiental nos últimos 15 anos, não teve que pagar um mísero real pelos danos ambientais que causou.  Isso mesmo, zero reais!

Entretanto, a capa da “A Gazeta” ainda nos traz uma reveladora imagem de um morador de uma praia na área de influência das atividades poluidoras da Vale que informa que voltará a fechar as janelas de seu apartamento por não ter nenhuma garantia de que as medidas restritivas da justiça para coibir a continuidade da poluição serão cumpridas. 

Tudo isso somado não deixa dúvidas: o Brasil é o paraíso dos poluidores. A Vale e a ArceloMittal agradecem e acumulam lucros às custas da saúde coletiva.

Justiça paralisa exportações de ferro da Vale por Tubarão.

Embarque de minério de ferro no Porto de Tubarão

Embarque de minério de ferro no Porto de Tubarão: cerca de 35% dos embarques de minério de ferro da Vale em 2015 até novembro foram feitos pelo porto de Tubarão

Da REUTERS

 

Rio de Janeiro – A brasileira Vale, maior exportadora global de minério de ferro, paralisou na manhã desta quinta-feira a operação do porto de Tubarão, no Espírito Santo, responsável pelos embarques de mais de 30 por cento da produção da companhia, cumprindo uma decisão judicial motivada por questões ambientais.

A Vale disse em nota que “irá adotar todas as medidas judiciais cabíveis para garantir o reestabelecimento das suas atividades na Ponta de Tubarão”. O terminal fica localizado na parte continental do município de Vitória.

Segundo a Justiça Federal, a suspensão de atividades em dois píeres ocorreu para evitar a emissão de poeira de carvão no ar e de pó de minério no mar.

A Justiça determinou a suspensão temporária das duas companhias no Píer II (minério de ferro) e no Píer de Carvão (Praia Mole).

Até o terceiro trimestre de 2015, a Vale embarcou 82,5 milhões de toneladas de minério de ferro pelo Porto de Tubarão, segundo dados da mineradora. O montante é equivalente a 34 por cento da produção acumulada da empresa nos nove meses encerrados em setembro, de 248,038 milhões de toneladas.

A decisão judicial também atingiu as atividades da ArcelorMital Brasil no complexo portuário.

“Tal medida paralisa as atividades de exportação e importação da Vale no Espírito Santo, provocando grande impacto na economia do Estado, com reflexos em Minas Gerais”, afirmou a Vale em nota, por meio de sua assessoria de imprensa.

A ArcelorMital não comentou imediatamente o assunto.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/justica-paralisa-exportacoes-de-ferro-da-vale-por-tubarao