Estudo mostra grave aumento no número de barragens de minério sem estabilidade no Brasil

mar azulAs barragens da mina Mar Azul da mineradora Vale é uma das que ameaça romper e causar novo incidente sócio-ambiental em Minas Gerais  a partir de Nova Lima

Um estudo de autoria dos pesquisadores Bruno Milanez e Bruno J. Wanderley, que acaba de ser publicado pelo  grupo de pesquisa e extensão Política, Economia,  Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) mostra que o número de barragens de mineração sem atestado de estabilidade existentes no Brasil praticamente dobrou em 2019 passando de 5% para 9% do total monitorado. 

O estudo mostra ainda que o governo federal vem reduzindo sistematicamente a execução do orçamento de normatização e fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM) nos últimos dois anos. Segundo o documento, o subfinanciamento da ANM levou a agência a “terceirizar” suas atividades de fiscalização para uma empresa de consultoria, o que não apenas gera potenciais conflitos de interesse, como lança dúvidas sobre a manutenção das atividades de fiscalização após o encerramento do contrato em 2021 (ver figura abaixo).

orçamento

Segundo o levantamento feito pelo PoEMAS , a partir de recorte racial de população exposta ao risco de
rompimentos de barragens em Minas Gerais, mostra que no território mineiro há uma quantidade  desproporcionalmente maior de pessoas negras que vivem nas áreas que poderão ser destruídas ou inundadas no caso de novos desastres.

 Os pesquisadores do PoEMAS apontam ainda que as mudanças realizadas nas normas de segurança de barragens  pela Lei 14.066/2020, oferecem uma série de armadilhas e pseudo-soluções, que não  serão capazes de tornar a operação dessas estruturas significativamente menos arriscadas, de evitar novos desastres, nem tampouco de assegurar garantias financeiras para compensar e recuperar os danos causados por esses desastres. Em outras palavras, o Brasil hoje convive com a iminência de novos Tsulamas tão ou mais graves dos que já ocorreram em Mariana e Brumadinho.

Quem desejar ler a íntegra do documento intitulado “O número de barragens sem estabilidade dobrou, “e daí?”: uma avaliação da (não) fiscalização e da nova Lei de (in)Segurança de Barragens“, basta clicar [Aqui!].

Mapa mostra situação de barragens e o percurso do rejeito do Tsulama da Vale

Brazil Dam Collapse

Em um esforço conjunto do Grupo de Pesquisas “Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) da Universidade Federal de Juiz de Fora, do GT Agrária Rio-Niterói da Associação de Geógrafos Brasileiros (AGB) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, campus Valença,  já está circulando um mapa mostrando a condição da mineração no chamado Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, bem como o percurso que será cumprido pelos rejeitos liberados pelo Tsulama da Vale em Brumadinho (ver imagem abaixo).

mapabrumadinho

Graças às informações contidas no mapa, podemos agorar saber que apenas na região do Quadrilátero Ferrífero existem 114 barragens cadastradas e 104 não l, sendo que em 70 delas a chance de ruptura é alta. Dado que ali existem vários tipos de minérios sendo prospectados, os danos ecológicos e sociais não são desprezíveis.

Já em relação aos rejeitos que alcançaram o Rio Paraopeba,  o mapa informa que ao longo do percurso de 245 km existem 18 municípios com uma população total de 944 mil habitantes, incluindo duas terras indígenas, que agora ficam desprovidos da principal fonte de água. 

Como se vê, é mais do que justificada a preocupação e, mais importante, a mobilização popular que está emergindo em diferentes partes do território mineiro onde existem gigantescas barragens de rejeitos usando o mesmo tipo de estruturas que romperam em Mariana e Brumadinho.

Grupo canadense lança relatório sobre colapsos dos reservatórios de rejeitos de Mount Pauley e Mariana

relatorio

O projeto “Corporate Mapping Project” que reúne pesquisadores de diversas instituições canadenses (e que se foca na investigação do poder da indústria dos combustíveis fósseis)acaba de lançar o relatório “Tailings dam spills at Mount Polley and Mariana: Chronicles of disasters foretold” (em portugues leria como sendo “Os derramamentos em Mount Polley e Mariana: crônicas de desastres anunciados”.

foretold

Esse relatório conta ainda com a colaboração do  Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) que reúne pesquisadores de diversas instituições brasileiras, incluindo a UFJF, a UFRJ e da UEG.

O desastre de Mount Polley, també, mina localizada na Colúmbia Britânica, ocorreu em agosto de 2014, quando uma barragem que continha rejeitos tóxicos de mineração de cobre e ouro colapsou, causando o maior desastre ambiental na história da mineração do Canadá.  Em Novembro de 2015 ocorreu maior desastre envolvendo mineração na América Latina, em Mariana, Brasil, quando houve o rompimento de um reservatório de rejeitos ainda maior, da empresa Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton).  

Em ambos os casos, o relatório argumenta que os desastres eram evitáveis e ocorreram em função do comportamento irresponsável das mineradoras envolvidas, que contaram com a disposição dos seus respectivos governos que, entre outras coisas, simplificaram os processos de revisão e aprovação das licenças ambientais, reduziram a supervisão da operação dos reservatórios de rejeitos, e facilitaram as exigências regulatórias para empresas de energia e mineração.

Quem desejar acessar este relatório, basta clicar [Aqui!], enquanto o seu sumário executivo pode ser baixado [Aqui!]

UFES realiza seminário sobre o modelo de extrativismo mineral

seminario

No dia 10 de outubro acontecerá o “Seminário Modelo de Extrativismo Mineral sob Crítica”, no Anfiteatro 1 no anexo do CCNH/UFES, com organização conjunto dos Grupos de Pesquisa Organon e PoEMAS.

Confira a programação e não deixei de realizar sua inscrição. Vagas limitadas!

Link para inscrição: https://franciscoguilherme.typeform.com/to/pdtjri

-Análise de conjuntura boom e pós-boom da mineração
Rodrigo Santos – Doutor em Sociologia e Professor da UFRJ/(PoEMAS)

-As zonas de sacrifício no Espírito Santo – sistemas portuários, infraestrutura de mineração
Cristiana Losekann – Doutora em Ciência Política e Professora da UFES/(Organon) e Roberto Vervloet – Doutor em Geografia Física/USP/(Organon)

-O extrativismo mineral em Goiás – os mega projetos de extrativismo mineral e os conflitos com as comunidades rurais.
Ricardo Gonçalves – Doutor em Geografia e professor da UEG/(PoEMAS)

-Debates: Maíra Mansur – Doutoranda em Sociologia na UFRJ/(PoEMAS)
Rafaela Dornelas – Mestra em Ciências Sociais/(Organon)

Concepções do social em mineração:

-Os riscos da política e a política dos riscos. Estratégias empresariais diante da contestação social no setor de mineração.
Raquel Giffoni – Doutora em Planejamento Urbano e Regional e Professora do IFRJ/(PoEMAS)

-O que é licença social?
Júlia Castro – Mestranda em Ciências Sociais na UFES/(Organon)

-Resistência e contra informação: relatórios sombras e suas efetividades
Maíra Mansur – Doutoranda em Sociologia na UFRJ/(PoEMAS).

Maiores detalhes: https://www.facebook.com/events/1253598201358144/

Grupo de pesquisa da UFJF lança relatório sobre os múltiplos efeitos do TsuLama da Samarco

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O  Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) ligado À Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) acaba de publicar o relatório de pesquisa Antes fosse mais leve a carga: avaliação dos aspectos econômicos, políticos e sociais do desastre da Samarco/Vale/BHP em Mariana (MG). Mimeo, p. 1-100. 2015.

O documento responde a demandas das organizações e movimentos sociais críticos ao modelo neoextrativista e em favor do controle social da indústria extrativa mineral no Brasil e analisa as dimensões econômica, política e social do comportamento da Samarco e suas controladoras em face do desastre por elas provocado. Este relatório final será lançado na Plenária do Comitê em Defesa dos Territórios Frente à Mineração (CNDTM), em Mariana (MG), entre 13 e 15 de dezembro deste ano. O documento pode ser acessado no link abaixo.

PoEMAS-2015-Antes-fosse-mais-leve-a-carga-versão-final

FONTE: http://www.ufjf.br/poemas/2015/12/10/1055/