Rio de Janeiro, onde a polícia é paga para matar

Por Monica Piccini para “The Ecologist” 

O Rio de Janeiro está se aproximando de uma crise em que policiamento e assassinato podem se tornar indistinguíveis: uma nova lei proposta recompensaria policiais com bônus em dinheiro para cada suspeito que matassem.

O projeto de lei (6027/2025 ) corre o risco de transformar o combate ao crime em uma competição mortal, um verdadeiro jogo de lula, onde o placar é escrito com sangue. Em vez de incentivar prisões ou processos, ele recompensa o uso da força letal.

O Brasil está ganhando destaque internacional com a COP30 se aproximando em novembro, em Belém. 

Defensores

Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem permanecido notavelmente em silêncio sobre um projeto de lei controverso que pode moldar os debates em torno de direitos humanos e proteção ambiental. Seu silêncio levantou questões sobre se ele estaria deliberadamente mantendo distância para evitar consequências políticas justamente quando o país se prepara para sediar a cúpula global do clima.

As potenciais consequências da lei proposta são de longo alcance. Caso seja adotada de forma mais ampla, seja no governo Lula ou por um futuro governo de extrema direita, o impacto poderá ser profundo. 

Os críticos alertam que isso não só colocaria em risco aqueles rotulados como “suspeitos”, mas também exporia  ativistas ambientais , líderes indígenas e outros grupos minoritários a riscos maiores em um país já cheio de tensões sobre terras e recursos.

Selma dos Santos Dealdina Mbaye é uma importante ativista quilombola . Ela afirma que a situação reflete a realidade cotidiana daqueles que defendem o meio ambiente no Brasil. Ela  ressalta que os ativistas já trabalham sob constante pressão.

Somos frequentemente vítimas de uma violência indizível. Pelo menos 413 defensores do meio ambiente e da terra foram assassinados ou desapareceram desde 2012 no Brasil. Segundo dados da Global Witness sobre os ataques, 36 deles eram afrodescendentes.

Brutal

Ainda não nos recuperamos do assassinato da nossa querida liderança, Mãe Bernadete, em 2023, seis anos após o assassinato do seu filho. Sabemos que, antes de sua morte, Mãe relatou diversas ameaças de morte contra ela e sua comunidade.

Não há dúvida de que seu papel como defensora do meio ambiente e do território a tornou alvo daqueles que a atacavam. Mas, além disso, assim como outros membros da comunidade afrodescendente que precisam de proteção coletiva, Mãe era mais propensa a sofrer ataques violentos por causa de sua raça.

Dar bônus à polícia por assassinatos não é apenas totalmente brutal, mas também prejudica a segurança pública. 

Os defensores argumentam que esta é uma medida eficaz para combater o crime organizado, mas os críticos a descrevem como uma execução sancionada pelo Estado. Para muitos moradores das comunidades mais pobres do Rio, vivendo à sombra tanto do tráfico de drogas quanto de batidas policiais, parece algo saído de um filme distópico. 

Imagine acordar em uma comunidade sabendo que sua vida ou a vida do seu filho pode valer dinheiro para alguém com um distintivo e uma arma. As pessoas que juraram protegê-lo agora recebem incentivos financeiros para tratar as ruas como um campo de caça.

César Muñoz, diretor da Human Rights Watch, disse : “Dar bônus à polícia por assassinatos não é apenas totalmente brutal, mas também prejudica a segurança pública ao criar um incentivo financeiro para que os policiais atirem em vez de prender suspeitos.”

Poder

Não serão os ricos dos condomínios fechados que sofrerão. Não serão os políticos que elaboram este projeto de lei, protegidos por guarda-costas, vivendo atrás de muros de mármore. 

Será o jovem ou a jovem voltando do trabalho para casa, a criança jogando futebol em um beco. Sem dúvida, erros serão cometidos, porque, segundo esta lei, “erros” podem significar bônus.

Em 24 de janeiro, Jeronimo Gomes da Silva, 44, morador do Complexo do Alemão, uma das maiores favelas do Rio, relatou que uma granada foi lançada de um drone em sua casa. 

Ele disse: “Jogaram uma granada de um drone na minha varanda, destruindo minha casa. Minha família e eu quase morremos aqui.” 

Também surgiram relatos de agentes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Rio de Janeiro entrando em uma casa no Complexo do Alemão e roubando uma família, um incidente que evidencia abuso de poder.

Favelas

Em entrevista ao Brasil de Fato, Jacqueline Muniz, antropóloga, cientista política e especialista em segurança pública, alertou que esse projeto de lei pode ter efeitos de longo alcance, principalmente na forma como confunde a linha entre policiamento e crime organizado. 

Ela explicou: “A polícia começa a organizar o próprio crime organizado, então eles não apenas se aproximam do crime, eles se tornam parceiros, associados, ok? 

Se você mata pessoas que sabem sobre o crime organizado, você está sabotando a própria investigação e a produção de inteligência que serviria para identificar como o crime organizado funciona, quem é quem dentro do crime organizado. Você está manipulando a polícia para fins partidários, para todo tipo de manipulação.

“Isso acaba revelando esquemas de corrupção, uma lógica de parceria com o crime, né? Revela, portanto, que a morte não resulta de uma ação de alto risco, mas sim se torna uma mercadoria. É como se o Estado tivesse militarizado sua força policial e até barateado a vida dos policiais.”

As autoridades brasileiras afirmam que a política aumentaria o moral de uma força sobrecarregada pela violência e pela falta de financiamento, ao mesmo tempo em que enviaria uma mensagem dura aos cartéis e milícias que dominam as favelas do Rio. 

Violência

Mas o custo dessa ação é absolutamente claro: vidas humanas, especialmente de homens jovens, pobres e negros, que já representam um número desproporcional de vítimas em confrontos policiais.

Todos os anos, a polícia brasileira é responsável por mais de 6.000 mortes, muitas delas de jovens negros. Brasileiros negros têm cerca de três vezes mais chances de morrer em confrontos com a polícia do que brasileiros brancos. 

Em 2024, as polícias militar e civil do Rio mataram 703 pessoas, quase duas por dia. Pelo menos 86% eram negras. Entre janeiro e agosto deste ano, foram 470 mortos. 

Quando o estado decide que algumas vidas valem menos, que algumas mortes valem dinheiro, ele diz a uma classe inteira de pessoas: vocês são descartáveis.

Grupos internacionais, incluindo a Human Rights Watch, condenaram o projeto de lei, alertando que ele incentivaria execuções extrajudiciais, aprofundaria a desconfiança entre as comunidades e o Estado e estabeleceria  um ciclo de violência que já marca o Brasil há décadas.

Alvos

A injustiça reina e as cicatrizes são visíveis. Famílias que perderam filhos em incursões policiais raramente são responsabilizadas. Os tribunais raramente processam policiais envolvidos em tiroteios questionáveis. Adicionar recompensas financeiras só torna a justiça mais ilusória. 

O Brasil está em uma encruzilhada. Um caminho leva a mais violência, mais desconfiança, mais famílias desestruturadas, e o outro exige coragem e vontade, investindo em educação, criando oportunidades reais nas favelas, reformando os sistemas policiais e combatendo a pobreza como raiz da criminalidade.

A criminalidade no Rio não nasce da falta de policiamento, mas da desigualdade.

A solução fácil são as balas, o caminho difícil é construir uma sociedade onde a polícia não precise ser chantageada para proteger, onde as crianças não cresçam esperando morrer jovens, onde a segurança venha da justiça, não do medo.

Políticas como essa reduzem as pessoas a alvos, eliminam a humanidade até que tudo o que resta é um número: mais um “suspeito” eliminado, mais um bônus ganho. 

Sobrevivência

Para Muniz , o debate em torno da segurança pública vai além das estratégias de policiamento e toca o cerne da democracia brasileira. 

Ela argumenta que uma reforma real só pode acontecer quando as instituições armadas forem colocadas sob controle civil e quando os governos eleitos forem capazes de exercer sua autoridade sem contestação.

“Se quisermos brincar de democracia, temos que fazê-lo de verdade. A primeira dimensão da democracia para garantir governos legitimamente eleitos, sejam de esquerda ou de direita, é o controle da espada. Algo que saiu do controle no Brasil”, alertou Muniz .

O mundo não deve ignorar, porque o que está acontecendo no Rio não é um problema apenas do Brasil, é um alerta severo. Qualquer sociedade que comece a oferecer recompensas para o próprio povo está se aproximando do colapso social.

Este projeto de lei não é proteção nem justiça, é dinheiro sujo, e a história não perdoará aqueles que transformaram vidas humanas em um sistema de pagamento por morte.

No fim das contas, a questão não são os índices de criminalidade ou os bônus policiais, mas sim o tipo de mundo que escolhemos construir: um mundo onde a vida é valiosa ou um mundo onde a morte tem um preço. A menos que outro caminho seja escolhido, as ruas do Rio podem em breve se assemelhar a um jogo em que a sobrevivência é o prêmio.

Esta autora

Monica Piccinini é colaboradora regular do The Ecologist e escritora freelancer focada em questões ambientais, de saúde e direitos humanos.


Fonte: The Ecologist

ASCEMA Nacional se posiciona contra inclusão da PM no Sisnama

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A Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e do PECMA (ASCEMA Nacional) declara sua posição contrária ao Projeto de Lei (PL) 3045/2022 que propõe a inclusão da Polícia Militar no Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama).

O senador Nelsinho Trad (PSD/MS) apresentou a emenda 33 a esse projeto, visando instituir a Lei Orgânica Nacional das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. O PL está na pauta do Plenário do Senado para amanhã (31/10), após ter sido aprovado com urgência na semana passada.

A ASCEMA Nacional expressa sua preocupação não apenas em relação à questão do Sisnama/Conama, mas destaca um movimento mais amplo, unindo diversas organizações contra o PL como um todo. Alertamos para o retrocesso que esse projeto representa, acarretando inúmeros problemas, especialmente no que diz respeito à governança ambiental.

O PL em questão traz implicações sérias, como a possibilidade de as Polícias Militares receberem financiamento da área ambiental, o que poderia comprometer a atuação de órgãos como o Ibama, ICMBio e Funai. A título de comparação, o orçamento destinado à segurança pública em 2022 foi de R$124,8 bilhões, enquanto o empregado na gestão ambiental foi de R$ 2,7 bilhões – equivalente a 2% do utilizado na segurança pública, apesar das instituições envolvidas na proteção ambiental atuarem em todo o território nacional e necessitarem de efetivo, infraestrutura e recursos financeiros.Há, ainda, o risco de limitar a atuação dos servidores do Meio Ambiente na fiscalização, além de abordar a educação ambiental numa perspectiva policial, o que é preocupante.

A ASCEMA Nacional destaca ainda a preocupação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania com dispositivos presentes na redação do PL 3045/2023, que podem potencializar violações de direitos humanos. Além disso, setores do governo expressaram preocupação com trechos que podem restringir a participação de mulheres nas forças de segurança e retirar competências do Ibama, impactando a estrutura do Meio Ambiente.

Diante disso, a ASCEMA Nacional se coloca veementemente contrária à inclusão da Polícia Militar no Sisnama, considerando os impactos negativos que isso acarretaria para a preservação ambiental e para a sociedade como um todo, tendo em vista que os órgãos que atualmente têm essa atribuição precisam de fortalecimento, haja vista que mesmo com as condições precárias atualmente enfrentadas, têm apresentado bons resultados. Convidamos a sociedade e demais organizações a se unirem a nós nessa luta em prol de um ambiente equilibrado e protegido.

Brasil: pelo menos 45 mortos em série de operações policiais em três estados

Dez pessoas foram mortas em favela do Rio e 19 pessoas morreram na Bahia, enquanto o número de mortos subiu para 16 na região de São Paulo

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Policiais militares realizam operação contra o tráfico de drogas em favelas da zona norte da cidade, em outubro de 2022. Foto: Agência Anadolu/Getty Images

Por Constança Malleret no Rio de Janeiro para o “The Guardian”

Pelo menos 45 pessoas foram mortas em uma série de operações policiais em três estados brasileiros, em uma semana particularmente sangrenta até mesmo para o Brasil – um país notório por sua violência policial.

Dez pessoas foram mortas durante uma operação das polícias civil e militar contra traficantes de drogas na favela do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro , na manhã desta quarta-feira, com moradores afirmando que os tiros começaram às 3h.

No estado da Bahia, 19 pessoas morreram entre sexta e segunda-feira em confrontos com a polícia militar na capital do estado, Salvador, e nas cidades vizinhas de Camaçari e Itatim.

A Bahia e o Rio de Janeiro abrigam a segunda e terceira forças policiais mais letais do Brasil, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Enquanto isso, as autoridades estaduais de São Paulo confirmaram na quarta-feira que o número de mortos em uma operação policial em andamento na região da Baixada Santista subiu para 16, tornando esta uma das operações mais mortais já realizadas pela polícia de São Paulo.

Batizada de Operação Escudo, a mobilização de cerca de 600 policiais foi motivada pelo assassinato, na última quinta-feira, de um policial no Guarujá. Um último suspeito de envolvimento na morte de Patrick Bastos Reis, integrante da unidade tática Rota da Polícia Militar, foi preso na madrugada desta quarta-feira. A polícia diz ter prendido 58 pessoas até agora e apreendido 400 quilos de entorpecentes, além de 18 armas.

Organizações de direitos humanos denunciaram as ações da polícia na Baixada Santista como um massacre motivado por vingança, enquanto moradores relataram ameaças e casos de tortura.

“O que aconteceu no Guarujá foi um massacre. As mortes foram deliberadas. […] O estado de São Paulo precisa conter essa onda de violência”, disse Dimitri Sales, presidente do conselho estadual de defesa dos direitos humanos (Condepe), à ​​emissora GloboNews.

O governador do estado, Tarcísio de Freitas, defendeu a polícia, dizendo que agiu em resposta a ataques de criminosos e descartando relatos de abusos como uma “narrativa”. A Operação Escudo, supostamente um esforço para combater o narcotráfico na região, deve durar até o final de agosto.

A alegação das autoridades de que todas as vítimas são supostos criminosos que morreram em confrontos com a polícia foi contestada por especialistas em direitos humanos e segurança, que exigem que as ações da polícia sejam cuidadosamente examinadas.

“É extremamente preocupante que o governador e o secretário de segurança declarem que não houve abusos [dos direitos humanos] antes mesmo de uma investigação ser realizada … [Isso] é efetivamente um endosso de práticas arbitrárias”, disse Oscar Vilhena, advogado e membro do Comissão Arns, uma organização de direitos humanos.

As forças policiais militares estaduais do Brasil são notoriamente violentas e muito mais mortais do que suas contrapartes civis. A volta de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder em janeiro despertou a esperança de uma reforma , mas especialistas em segurança pública dizem que um projeto de lei recentemente aprovado por uma comissão do Senado não tratará de questões cruciais de segurança pública, como câmeras corporais policiais.

Em São Paulo, o uso de câmeras corporais pela polícia militar tem sido amplamente creditado por ajudar a reduzir a violência cometida por e contra a força. Mas os assassinatos cometidos pela polícia de São Paulo aumentaram sob Tarcísio Freitas , um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro que adota um discurso de segurança linha-dura e questionou a política de câmeras corporais.

Os últimos assassinatos podem marcar um “ponto de inflexão” para a segurança pública no maior estado do Brasil, de acordo com David Marques, coordenador do projeto no Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Essa mudança está ligada a um discurso político que valoriza [a violência], que diz que a polícia deve usar a violência para controlar a violência e o crime organizado”, afirmou.


color compass

Este artigo escrito originalmenteem inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Perigo no Shopping Estrada é agravado por falta de policiamento

Uma colega da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e sua mãe passaram por momentos de grave risco na noite de ontem (01/07) ao sofrerem um assalto nas imediações no terminal rodoviário de Campos dos Goytacazes em torno das 20:00 horas. O risco aumentou porque de forma espontânea, a mãe dessa colega começou a admoestar o gatuno que, sabe-se lá porquê, resolveu se evadir do local sem perpetrar algo mais grave.

Um detalhe ainda mais grave foi vivenciado quando se procurou algum tipo de autoridade policial para se relatar o incidente. É que não foram encontrados policiais militares ou guardas civis municipais no terminal.

Então o que estamos esperando? Que algum tipo de problema mais grave aconteça para depois se lamentar? Espero que não.

O Coronel reformado e o bebê: entre a maldade e a impunidade

pedofilia

Não me considero uma pessoa ingênua e sei que o mundo está cheio de pessoas com deformidades morais e éticas graves. Agora, o caso envolvendo o coronel reformado Pedro Chavarry Duarte que foi preso sob a alegação de que estaria molestando sexualmente uma menina de dois anos de idade (Aqui!) transcende a minha compreensão de quão maldoso o mundo pode ser.

É que se a pedofilia já é algo a ser observado com extremo rigor, o que dizer quando o caso envolve uma criança pobre e com tão pouca idade? Para mim faltam palavras para definir de forma cordata o que penso desse caso.

Mas pior ainda é ler que o coronel Pedro Chavarry já possui um histórico de envolvimento com crianças que chega até a acusação de tráfico e que, por causa disso, já foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro na década de 1990 (Aqui!).

Assim, como explicar como uma pessoa com este tipo de comportamento estivesse não apenas ileso em termos criminais, mas como também fosse desde 2010 o presidente da Caixa Beneficente da Polícia Militar do Rio de Janeiro? 

Para mim apenas uma cadeia de omissões justifica que alguém acusado de forma repetida por este tipo de crime pudesse ainda estar numa condição de comando dentro de uma entidade que cuida das vidas de milhares de policiais.

Aliás, há que se notar que os malfeitos do coronel Pedro Chavarry podem ter chegado finalmente ao fim porque dois policiais militares resolveram cumprir o seu papel e não aceitaram ser pressionados ou subornados. A esses dois policiais, o que se espera é o devido reconhecimento da sociedade. Já ao coronel Pedro Chavarry, que se cumpra com ele o que determina a justiça.

A vergonhosa prisão de Eduardo Suplicy e suas múltiplas revelações sobre a realidade brasileira

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A mídia corporativa está dando alguma repercussão ao ato de resistência seguido de prisão do ex-senador Eduardo Suplicy (ver vídeo abaixo) durante uma ação de reintegração  de posse na cidade de São Paulo.

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Este vídeo não existe

Entretanto, para além dos lugares comuns de ter um político famoso e carismático sendo preso, o que essa ação da PM de São Paulo evidencia é aquilo que pode acontecer nas áreas periféricas onde as “reintegrações” ocorrem sem que haja alguém desse quilate para defender os pobres.

Afinal, o que pode fazer quem arrasta Eduardo Suplicy pelas ruas às vistas da equipes de TV em momentos em que só os pobres estão presentes para vivenciarem a ação policial?

A resposta mais óbvia foi dada durante a desocupação da Favela do Pinheirinho em São José dos Campos onde grosseiras violações contra os direitos humanos dos moradores foram cometidas e que permanecem até hoje impunes (Aqui!).

De toda forma, as cenas do ex-senador Eduardo Suplicy sendo arrastado pela rua certamente serão positivas potencialmente em uma coisa: convencer muitos ativistas sociais de que é necessariamente superar as divagações inúteis e partir para a organização política dos mais pobres. Pelo menos é o que eu sinceramente espero!

Finalmente, que país é esse onde se prende e arrasta Eduardo Suplicy, e se deixa solto o outro Eduardo, o Cunha?  No mínimo um onde as prioridades estão totalmente invertidas!

São Paulo: Sindicato protesta contra agressão a jornalistas

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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) enviará uma nota de protesto ao Governo do Estado, exigindo o fim da violência contra manifestantes e jornalistas.Ontem (12), durante manifestação organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento da tarifa do transporte público, a Polícia Militar usou de violência contra a imprensa, ao atirar bombas de efeito moral nas jornalistas Camila Salmazio (Rede Brasil Atual) e Fernanda Azevedo (TV Gazeta) e agredir o repórter fotográfico Felipe Larozza (VICE) com golpes de cassetete. Todos os profissionais agredidos estavam fazendo a cobertura do ato.

Camila em contato com o Sindicato, contou que acompanhava um grupo de 150 pessoas que queriam entrar na av. Rebouças para ir ao Largo da Batata. A PM bloqueava a passagem. Na Praça do Ciclista, sem nenhum diálogo, a polícia avançou contra os manifestantes com bombas de efeito moral, balas de borracha e gás de pimenta.

“Não havia para onde correr. A tropa ‘envelopou’ todas as saídas. Então, o dono de um hotel na rua da Consolação permitiu a minha entrada e me ofereceu vinagre para conseguir respirar melhor, quebrando o efeito das bombas”, relatou Camila. Retomando seu trabalho, a jornalista conseguiu alcançar o grupo na rua Sergipe. Mais uma vez, a polícia realizou o “envelopamento”. Desta vez, a jornalista, que acompanhava o final do bloco, foi atingida pelas bombas.

“No meio da fumaça, levantei os braços, segurei meu crachá na tentativa de me identificar e tentei sair do cerco. Um dos policiais apontou a arma para mim, me coagindo para que eu retornasse, e muitas bombas foram estouradas tão próximo que podia sentir os estilhaços”, afirmou. Com problemas para respirar, a jornalista encostou-se a uma parede e conseguiu chegar à rua Mato Grosso. Lá, deitou no chão e foi socorrida pela dona de um bar.

Outros profissionais também foram agredidos pela PM. A jornalista Fernanda Azevedo foi ferida em uma das pernas por um estilhaço de bomba de efeito moral. O repórter fotográfico Felipe Larozza foi agredido com um cassetete ao registrar a detenção de um manifestante, mesmo se identificando com crachá de profissional da imprensa.

Veja a nota do Sindicato:

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo vem mais uma vez repudiar veementemente a ação violenta da Polícia Militar do Estado de São Paulo contra manifestantes e jornalistas durante as manifestações contrárias ao reajuste da passagem de ônibus em São Paulo, ocorridas neste 12 de janeiro, que acabou por ferir jornalistas e impediu o trabalho livre da imprensa.

A ação da polícia, como está relatada por jornalistas que cobriam a manifestação, foi das mais violentas já vista. Nela, houve a inclusão de uma perversa manobra denominada “envelopamento”, que consiste em cercar os manifestantes por todos os lados, impedindo que se dispersem, enquanto se atiram bombas de efeito moral na multidão. É um ato de violência somente imaginável numa ação de guerra, concebida na lógica  do combate ao inimigo interno, herdada da ditadura militar.

Mais uma vez, o Sindicato se manifesta reiterando a necessidade imediata de desmilitarização das polícias, como primeiro gesto para conciliar o Estado com a sociedade democraticamente organizada e, também, com a grande população trabalhadora, comumente vítima da ação truculenta e inúmeras vezes criminosa da Polícia Militar paulista, considerada das que mais matam no mundo.

O Sindicato dos Jornalistas abre suas portas a todos os profissionais que queiram se manifestar contra a truculência policial no Estado, convoca a auditoria da PM a se manifestar imediatamente para coibir ações semelhantes e responsabiliza o governador Geraldo Alckmin (PSDB), responsável maior na hierarquia de comando da PM, pela situação, e se dirige ao governador no sentido de que interrompa a violência policial contra o direito de manifestação e contra os jornalistas, que não fazem mais do que exercer o ofício de registrar e relatar os fatos de interesse público.

FONTE: http://jornalistasp.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=5990%3A-sindicato-protesta-contra-agressao-a-jornalistas

Jornalistas do Rio irão à Justiça em busca de proteção contra polícia

Alana Gandra – Agência Brasil

O Sindicato dos Jornalistas do Rio se reúne hoje (16) com um advogado para analisar que medida deverá ser tomada pela entidade após a prisão da jornalista Vera Araújo, do jornal O Globo, quando tentava filmar um torcedor detido por policiais militares por estar urinando na rua. A presidenta do sindicato, Paula Máiran, disse que não vê a prisão como um ato isolado ou um desvio pontual de conduta. “A gente entende que há uma política de estado que justifica um relatório nosso”, disse.

Ela argumentou que de maio do ano passado até maio último, dos 72 jornalistas que respondem por mais de 100 casos de agressão sofridos pela categoria no Rio, “cerca de 80% são de responsabilidade de policiais militares”. Paula Máiran explicou que embora Vera Araújo conte com o apoio da empresa para a qual trabalha, o sindicato pretende tomar uma medida de interesse coletivo, visando a obter prevenção jurídica para esse tipo de episódio.

A sindicalista lembrou que as autoridades foram notificadas em abril deste ano, por ocasião de episódio similar, quando outro jornalista do jornal O Globo, Bruno Amorim, foi detido por policiais militares quando fazia fotos da ação policial na desocupação da Favela da Oi, no Engenho Novo. “A gente tinha encaminhado um ofício e aí, infelizmente, um fato semelhante se repete”. O sindicato não recebeu resposta ao ofício encaminhado às autoridades no caso de Bruno Amorim. Recebeu apenas notificação da 25ª Delegacia Policial, relacionada ao inquérito.  “Mas nenhuma resposta formal ao ofício”, disse.

Paula lembrou que uma conquista obtida pelos jornalistas na semana passada foi a recomendação do Ministério Público do Trabalho com 16 itens relacionados à segurança dos profissionais “que precisam ser observadas pelas empresas”. “A gente vê, por um episódio como esse da Vera Araújo, que a responsabilidade não cabe só às empresas. Há também uma parcela muito importante que é do Estado”, destacou a  presidenta.

Ela avaliou que a punição do policial militar identificado como sargento Edmundo Faria, “que fez o ato de cerceamento contra Vera Araújo”, não é suficiente. “A gente entende que a violência não foi só prender e ferir, foi também torturar. Porque circular com ela de carro, durante algumas horas antes de levar para a delegacia, infere em tortura psicológica. A punição do indivíduo não basta. Os fatos e as estatísticas comprovam que isso não resolve a questão”. Segundo Paula Máiran, é preciso trabalhar o modelo de segurança pública “que tem jornalistas como alvo específico de perseguição”.

De acordo com relato da jornalista Vera Araújo ao jornal O Globo, durante o percurso até a delegacia, seu celular foi tomado pelo sargento Faria, quando ela tentava fazer contato com o jornal e com representantes da Polícia Militar para explicar o mal entendido. Faria decidiu, então, parar o veículo e algemá-la. “Ele apertou tanto que os meus pulsos estão machucados”, relatou Vera ao jornal. Na delegacia, acompanhada por um advogado, a jornalista registrou o caso como abuso de autoridade. Após ser liberada do trabalho nesta segunda-feira, ela não foi encontrada pela Agência Brasil para comentar o caso.

Editor Beto Coura

FONTE: http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2014/06/jornalistas-do-rio-irao-a-justica-em-busca-de-protecao-contra-policia