Terceira reportagem da série mostra os longos braços do Porto de Antuérpia, sócio minoritário do Porto do Açu

No artigo que conclui a série “Porto da Angústia”, o jornalista Quentin Noirfalisse mostra os longos braços do Porto de Antuérpia, sócio minoritário no Porto do Açu, que alcançam empreendimentos localizados em diferentes partes do mundo. 

porto da angústia

A matéria lembra que  apenas no  Porto do Açu,  o Porto de Antuérpia investiu  cerca de R$ 100 milhões para aumentar, a partir de 2017,  ainda que seus operadores soubessem das acusações de corrupção,  e dos impactos causados sobre “centenas de famílias de agricultores perderam suas terras, muitas vezes sem qualquer compensação e sob ameaça das autoridades“.

No tocante à parceria entre o Açu e Antuérpia, a matéria traz uma informação bastante interessante, que teria sido dada por Tessa Major, ex-chefe de projetos portuários deAntuérpia e que atualmente ocupa o cargo de Diretora de Assuntos Internacionais e Inovação no Porto de Açu. É que segundo Major, antes de que fosse firmada a parceria, um estudo teria sido realizado “sobre os riscos jurídicos e de reputação”.

Entretanto, os pedidos dos jornalistas envolvidos na série “Porto da Angústia” para ter acesso a este estudo foram recusados, em função de questões aparentemente ligadas a sigilo comercial.  O que não ficou claro é quais seriam estas questões.

Outro aspecto interessante que a matéria traz são os diferentes projetos portuários em que o Porto de Antuérpia está envolvido em diferentes partes do mundo, incluindo países como  Colômbia, República Democrática do Congo, Moçambique, Vietnã, Filipinas, Índia (quatro projetos), Guiné, Costa do Marfim, Togo, Nigéria.  Segundo a matéria, esses longos braços de Antuérpia envolveriam o que se pode chamar de “o surgimento de uma mercantilização da autoridade portuária”.

Para quem tiver interesse em ler a íntegra da reportagem que conclui a série “Porto da Angústia”, basta clicar [Aqui!]

Segundo artigo da série sobre o Porto do Açu fala sobre danos ambientais, pesca em queda e parceria com Antuérpia

O segundo artigo da série “O porto da angústia” que está sendo publicada em parceria por dois veículos de mídia da Bélgica foi publicado hoje, e traz informações sobre promessas de emprego não cumpridas,  poluição ambiental, e ainda sobre a parceria entre o Porto do Açu e o Porto de Antuérpia.

porto do angústia ike quentin

Um dos dados mostrados ao público belga é o fato de que 90% das terras desapropriadas no entorno do Porto do Açu continam ociosas, quase uma década depois de terem sido tomadas pelo estado do Rio de Janeiro das famílias que tradicionalmente habitavam a região por mais de um século.

O artigo mostra ainda as promessas não cumpridas de emprego, pois das centenas de milhares de empregos prometidos, pouco menos de 10.000 foram gerados, sendo que a maioria não foi ocupada por moradores da própria região. Nesse sentido, há no artigo uma rara menção aos danos causados aos pescadores artesanais que também viviam na região do V Distrito, pois estes não apenas tiveram que lidar com as áreas de exclusão no entorno do Porto do Açu, mas também com os efeitos deletérios do processo de salinização.

Quentin Noirfalisse e Ike Teuling, os jornalistas que estão escrevendo os artigos publicados na série, após a realização de um minucioso trabalho de campo no V Distrito de São João da Barra, também jogam luz sobre a parceria milionária que existe entre os portos do Açu e de Antuérpia.  O texto mostra que, quando confrontados com os problemas existentes na implantação e funcionamento do Porto do Açu, os políticos e empresários belgas adotam uma postura negacionista em relação ao que efetivamente ocorre no Porto Açu. Aliás, o confronto entre as informações colhidas em campo e as escusas fornecidas pelos representantes do Porto de Antuérpia devem gerar ainda mais controvérsia na Bélgica, um país onde a população tende a ser menos tolerante com os fatos que estão emergindo na série de artigos escritos por Noirfalisse e Teuling.

A controvérsia deverá ser aumentada com as informações que a série traz sobre os problemas de corrupção envolvendo o ex-bilionário Eike Batista e o ex-governador Sérgio Cabral no âmbito da Operação Lava Jato.  É que o artigo mostra que, quando questionado sobre o fato dos casos de corrupção envolvendo terem sido revelados cinco meses antes do início da arriscada colaboração com o Porto do Açu, o representante do Porto de Antuérpia preferiu se calar.

Quem desejar ler a matéria em sua íntegra em português, basta clicar [Aqui!].

Porto do Açu é alvo de série de reportagens na Bélgica: primeira reportagem conta o drama das desapropriações

Dois veículos da mídia belga (Apache e Médor) fizeram uma parceria para contar a história do Porto do Açu em seus mínimos detalhes. A primeira matéria da série acaba de ser publicada e começa a narrativa dos acontecimentos contando como o “sonho megalomaníaco do bilionário brasileiro condenado por suborno, Eike Batista, selou o destino de dezenas de famílias de agricultores” no V Distrito de São João da Barra.

A reportagem que abre a série aborda o rumoroso processo de desapropriação de terras que tirou o sustento de sustento de centenas de famílias de agricultores, dando detalhes minuciosos sobre os preços irrisórios oferecidos pelo governo do Rio de Janeiro, e das condições pelas quais as ações de expropriação causaram enormes dificuldades aos moradores tradicionais do V Distrito.

Agricultores, advogados e pesquisadores que vivenciaram de forma próxima a história de implantação do Porto do Açu têm espaço na primeira reportagem para oferecer dados importantes sobre o que de fato ocorreu desde quando o ex-bilionário Eike Batista iniciou suas tratativas de implantar o Porto do Açu.

O interesse da mídia belga pelo Porto do Açu se deve à parceria estabelecida com o Porto de Antuérpia que, segundo a primeira matéria da série, já teria investido mais de R$ 100 milhões no empreendimento que hoje é controlado pelo fundo de “private equity”  EIG Global Partners cuja sede é localizada na cidade de Washington, capital dos EUA. 

A segunda reportagem, que deverá ser publicada amanhã, mostrará como o Porto de Antuérpia surgiu como investidor e qual o papel das empresas de dragagem belgas e holandesas no desenvolvimento do Porto do Açu.

É interessante notar que essas reportagens deverão obrigar o Porto do Antuérpia a se explicar sobre essa parceria, pois, ao contrário do Brasil, na Europa as transgressões aos direitos coletivos são menos toleradas.

Quem desejar ler em português a primeira reportagem da série sobre o Porto do Açu, que é assinada pelos jornalistas Ike Teuling e Quentin Noirfalisse, basta clicar [Aqui!]