Seguindo exemplo da Anglo American, Wärstilä também congela atividades no Porto do Açu

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Seguindo o exemplo da Anglo American que decidiu congelar suas atividades no mineroduto Minas-Rio, a empresa finlandesa Wärstilä também decidiu de forma mais sútil congelar (“hibernar”) suas atividades no Porto do Açu.

Este fato da realidade pode explicar todo o alarde e promessas grandiosas que foram trombeteadas na imprensa corporativa nos últimos dias em relação ao empréstimo que foi aprovado para a construção do terminal da Edison Chouest no Porto do Açu.

É que no frigir dos ovos, somada as duas suspensões, sobra muita pouca coisa operando dentro do porto idealizado pelo ex-bilionário Eike Batista. Como se pode antever que a construção do terminal privado da empresa estadunidense não vai ser tão rápida quanto tem sido anunciada, o ano de 2016 deverá ser marcado por muita contenção ( e por que não aflição) na Prumo Logística.  A ver!

Um ano após inauguração, fábrica de motores de navios para operação no RJ

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Porto do Açu, ainda em obras: Fábrica em “hibernação”

Por Natalia Viri

Menos de um ano após inaugurar uma fábrica do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), a finlandesa Wärstilä paralisou no mês passado as atividades por tempo indeterminado por conta de adiamentos, feitos a pedido de clientes, do prazo de entrega de encomendas.

A unidade fabrica geradores e propulsores para navios e plataformas. Entrou em operação em março de 2015, com investimentos da ordem de 20 milhões de euros.

Procurada pela coluna, a empresa disse que a fábrica está em “hibernação” e que a produção será retomada “tão logo sejam confirmados os novos prazos por parte dos clientes”. Por questões contratuais, não revelou quem eram os destinatários das encomendas.

A Wärtsila ressaltou ainda que a maior parte dos funcionários foi realocada para outras unidades.

A finlandesa foi uma das primeiras empresas a se instalar na área do complexo industrial do Açu, idealizado pela LLX, de Eike Batista – hoje, rebatizada de Prumo Logística e sob o controle do fundo americano EIG.

FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/economia/um-ano-apos-inauguracao-fabrica-de-motores-para-navios-para-operacao-no-rj/

Anglo American indica que irá tomar medidas drásticas em relação a seus ativos no Brasil

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A matéria abaixo foi publicada pelo Wall Street Journal e apesar de estar centrada na Anglo American, a mesma oferece um bom panorama da situação de outras mineradoras, incluindo a co-proprietária da Samarco, a BHP Billiton.

Na parte que importa ao Brasil, a matéria aponta que  a “ Anglo agora afirma que seu projeto de minério de ferro no Brasil, o Minas Rio — que custou US$ 8,8 bilhões e foi assolado por atrasos e estouros de orçamentos —, não é mais um ativo prioritário, indicando que poderia ser vendido.”

Além disso,  a matéria informa que se “a Anglo American não conseguir encontrar compradores, Cutifani diz que a Anglo prefere fechar minas a perder dinheiro“.

Em suma, toda as expectativas que haviam sido colocadas em torno da Anglo American ser uma das âncoras do Porto do Açu agora se provam ter sido, no mínimo, exageradas.  O interessante é que este tipo de exagero continua sendo repetido e trombeteado a todo pulmão em quaisquer fatos relacionados ao megaempreedimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista.

Investidores cobram mais rapidez nas reformas da Anglo American

Mark Cutifani, diretor-presidente da Anglo American, tem vendido ativos e reduzido custos, mas alguns investidores dizem que o processo não está sendo rápido o suficiente.
Mark Cutifani, diretor-presidente da Anglo American, tem vendido ativos e reduzido custos, mas alguns investidores dizem que o processo não está sendo rápido o suficiente. PHOTO: BLOOMBERG NEWS

O diretor-presidente da gigante da mineração Anglo American PLC, Mark Cutifani, está se preparando para o dia do acerto de contas.

O executivo deve enfrentar, amanhã, a divulgação do que analistas estão antevendo como resultados decepcionantes para o ano de 2015, num momento em que a queda nos preços das commodities abate cada vez mais o setor de mineração.

Enquanto isso, os investidores estão aumentando a pressão sobre a Anglo American para que ela acelere o programa de reestruturação lançado quando Cutifani assumiu o comando da empresa britânica, em 2013. O plano agora envolve elementos mais radicais, inclusive a venda de um grande número de minas e o corte de mais da metade da força de trabalho.

Embora Cutifani tenha dito que a companhia já fez avanços importantes no programa, alguns investidores continuam frustrados.

“A PIC está preocupada com o progresso lento da reestruturação”, diz Daniel Matjila, diretor-presidente da firma de investimentos Public Investment Corp., estatal sul-africana que é a maior acionista da Anglo American. O processo, diz ele, “devia ter sido muito mais rápido”.

“O mercado está perdendo a paciência”, diz Patrice Rassou, chefe da área de ações da gestora sul-africana Sanlam Investment Management, que, segundo a FactSet, detém US$ 26 milhões em ações da Anglo.

Essas opiniões refletem a insatisfação dos investidores com essa mineradora de 99 anos que ajudou a impulsionar o crescimento da indústria de metais da África do Sul. Desde que Cutifani assumiu o cargo, as ações da Anglo caíram 78%.

A Anglo American, uma das maiores mineradoras do mundo, deve divulgar uma queda de 57% no lucro básico antes de juros e impostos no ano passado em relação a 2014, para US$ 2,1 bilhões, segundo pesquisa da FactSet com 20 analistas. O lucro líquido deve ser muito menor que isso se, como esperado, o recuo nas commodities forçar a empresa a fazer uma nova baixa contábil no valor de seus ativos, diz Alon Olsha, analista do banco de investimento Macquarie Group.

Uma porta-voz da Anglo American não quis comentar as opiniões dos acionistas sobre o desempenho da empresa e disse que um plano de venda de ativos será detalhado amanhã.

 

Cutifani tem se mostrado otimista sobre o progresso da reestruturação da Anglo, dizendo que em três anos ela já alcançou melhorias em custo e produtividade estimadas em US$ 1,6 bilhão, com planos de economizar outros US$ 2,1 bilhões neste ano e no próximo. A empresa também vendeu US$ 2 bilhões em ativos nos primeiros três anos e planeja vender mais de US$ 2 bilhões neste ano e em 2017.

As ações da Anglo American estão mais resistentes neste ano. Na sexta-feira, o papel subiu 18%, para 323,75 centavos de libra (cerca de US$ 4,69), praticamente em linha com as altas de outras mineradoras. O papel já acumula um ganho de 25% em 2016.

Mas a Anglo está enfrentando mais dificuldades que outras mineradoras para lidar com a queda prolongada nos preços das matérias-primas que exploram e vendem em todo o mundo. Os preços do cobre e do minério de ferro — duas das commodities mais lucrativas da Anglo — caíram 25% e 40%, respectivamente, nos últimos 12 meses. Poucos preveem uma recuperação significativa em 2016.

Há uma semana, Cutifani disse para os participantes de uma conferência de mineração na Cidade do Cabo, na África do Sul, para não esperar que os preços das commodities voltem a subir no curto prazo e que 2016 pode ser pior que o ano passado. O colapso duradouro das commodities, sem alívio em vista, está forçando Cutifani a tomar medidas drásticas, que poucos anos atrás seriam inaceitáveis para os acionistas.

A queda contínua forçou o líder a ir além do que o previsto na reestruturação original de três anos, divulgada em dezembro. Ele elaborou um plano mais radical para obter economias de custos e ganhos de produtividade de US$ 3,7 bilhões e mais US$ 4 bilhões com a venda de ativos entre 2013 e 2017.

A empresa agora planeja vender mais da metade de suas minas e demitir 85 mil funcionários, reduzindo a força de trabalho para cerca de 50 mil até uma data ainda não informada.

A empresa também suspendeu o pagamento de dividendos e reduziu gastos de capital na expansão de projetos.

As medidas foram umas das muitas tomadas por mineradoras em resposta ao colapso no setor. A rival suíça Glencore PLC eliminou seus dividendos e está tentando cortar sua dívida líquida em mais de US$ 10 bilhões. A Rio Tinto PLC reduziu seus dividendos na semana passada, medida que também deve ser tomada pela maior mineradora do mundo, a BHP Billiton Ltd.

A Anglo, pelo menos, recebeu um voto de confiança da Schroders Investment Management Ltd., seu quinta maior acionista, segundo a FactSet. Numa carta de dezembro de 2015, a gestora londrina afirmou ao diretor-presidente da Anglo que continuaria apoiando a empresa no longo prazo e que acredita que ela tomou a decisão certa ao cortar dividendos e investimentos.

Amanhã, a Anglo terá que mostrar que seu programa de venda de ativos está fazendo progresso e demonstrar uma pressa maior para cortar custos e melhorar seu desempenho operacional, diz Rassou, da Sanlam Investment Management.

“Acho que este é o maior problema”, diz ele. “A velocidade da execução, em vez de simplesmente a intenção […] O setor está numa corrida.”

Em dezembro, Cutifani disse aos investidores que a empresa especificaria neste mês quais ativos pretende vender. A Anglo agora afirma que seu projeto de minério de ferro no Brasil, o Minas Rio — que custou US$ 8,8 bilhões e foi assolado por atrasos e estouros de orçamentos —, não é mais um ativo prioritário, indicando que poderia ser vendido.

Se a empresa não conseguir encontrar compradores, Cutifani diz que a Anglo prefere fechar minas a perder dinheiro.

Andrew Lapping, vice-diretor de investimento do fundo sul-africano Allan Gray, um acionista da Anglo, diz que a empresa fez progresso, mas talvez esteja muito concentrada em vender ativos em vez de cortar custos, num momento em que as minas não estão despertando muito interesse de compradores.

“Para mim, o principal foco deveria ser melhorar as minas a partir de dentro, em vez de vender ativos problemáticos”, diz ele. “Se o foco do plano de reestruturação for a venda de ativos, eles vão ter problemas.”

(Colaborou Scott Patterson, de Londres.)

Correções e ampliações

A Schroders Investment Management é a quinta maior acionista da Anglo American. Matéria publicada ontem nesta página disse, erroneamente, que a Schroders era a 11a maior acionista da mineradora britânica.

FONTE: http://br.wsj.com/articles/SB11137296301495613967604581541243810550036

Porto do Açu: vem aí um enclave dentro do enclave

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O jornal Estado de São Paulo informou que a Secretaria de Portos da Presidência da República autorizou a construção de um terminal portuário autônomo dentro da área do Porto do Açu (Aqui!). 

Essa é uma fórmula inusitada, pois além de gerar a situação de se ter um enclave dentro de um enclave, o mais provável é que boa parte do dinheiro que vai ser usado na construção virá do próprio governo federal. Se isso for verdade, o reforço do controle multinacional de uma área estratégica como a mineração será financiado com o suado dinheiro do contribuinte brasileiro.

Além disso, como a área do enclave está dentro do “território” do fundo de private equityEIG Global Partners“, temos ainda que os donos do enclave principal estão se firmando no terreno de arrendamento de terras, o que exemplifica um aspecto ainda mais esdrúxulo da situação criada em São João da Barra onde centenas de famílias tiveram suas terras expropriadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão para a construção de um suposto distrito industrial municipal do qual se viu hoje a colocação de placas.

Para tornar essa situação ainda mais peculiar há o fato de que a Anglo American está trabalhando duro para se livrar das minas que possui em Conceição do Mato Dentro (MG) e do próprio mineroduto Minas-Rio. Aliás, a peculiaridade aumenta quando se leva em conta a informação de que fundos de investimentos (por meio de tradings) são os principais candidatos com o espólio maldito que o ex-bilionário Eike Batista jogou no colo da Anglo como informa em seu blog o professor Roberto Moraes (Aqui!).

E me desculpem os áulicos, esse cenário todo não levará a nenhum tipo de desenvolvimento econômico. É que enclaves, e enclaves dentro deles, só servem para cumprir o papel de recolonizar de forma selvagem ex-colônias ricas em recursos que os países centrais não possuem ou não desejam explorar em seus próprios territórios por causa da degradação social e ambiental que eles causam ao serem explorados.

Presidente da Anglo American reconhece que preço de commodities não se recuperará tão cedo

Segundo a Agência Reuters, o presidente da Anglo American, Mark Cutifani, reconheceu que os preços das commodities minerais não deverão se recuperar tão cedo, e que as principais culpadas por essa situação são as próprias mineradoras que causaram um super abundância de seus produtos no mercado mundial (Aqui!).

Apesar de eu haver insistido nessa tese em várias entrevistas que concedi nos últimos meses havia gente, principalmente entre os áulicos das mineração, que se negavam a admitir essa situação óbvia, especialmente em face do desaquecimento da economia chinesa.

O pior é que esse vaticínio do CEO da Anglo American é acompanhado de análises pouquíssimo animadoras sobre o ano de 2016, o qual ele declarou ter um potencial de causar muitos danos ao setor da mineração.

No caso do Brasil, especialmente para os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro onde a Anglo possui ativos significativos, a avaliação de Mark Cutifani deve implicar na disposição de  vender as jazidas localizadas em Conceição do  Mato Dentro (MG) e do mineroduto Minas-Rio.  De toda forma, aspectos mais práticos dos ajustes que a Anglo American realizará em seu portfólio de ativos deverão ser divulgados até a próxima semana, como informou a Reuters.

Essa situação negativa da mineração também está alimentando a crise das bolsas na Ásia e no Japão, num processo de espiral que poderá causar ainda mais abalos na economia mundial nas próximas semanas. A ver!

Anglo American demite centenas de trabalhadores em Conceição do Mato Dentro

boletim forte

A possibilidade que a Anglo American venda suas operações no Brasil já vem sendo anunciada desde que Cynthia Carroll foi demitida do cargo de CEO da empresa. É que uma das causas da sua demissão estão as bilionárias perdas que foram causadas pela aquisição das minas de ferro em Conceição do Mato Dentro e do mineroduto Minas-Rio.

Agora que os preços mundiais do minério de ferro estão deprimidos a Anglo American está adotando a cartilha conhecida para manter seus lucros bilionários: vendas de ativos problemáticos e demissões de trabalhadores.

Como a Anglo American é a principal parceira da Prumo Logística no Porto do Açu, pode ser que as demissões que estão ocorrendo no lado de lá do mineroduto Minas Rio cedo ou tarde tenham efeitos igualmente perniciosos para os trabalhadores e para as comunidades locais em São João da Barra.  E aviso que não se trata de torcer contra o Porto do Açu ou, menos ainda, desejar que o sofrimento já imposto ao povo sanjoanense em nome de um suposto processo de desenvolvimento seja ampliado.  Nada disso! Trata-se apenas de ligar os pontos e fazer um prognóstico. 

Metabase paralisa mina em Conceição do Mato Dentro para protestar contra demissões na Anglo American  

Os diretores do Sindicato Metabase de Itabira e Região estão desde ontem, 3 de fevereiro, em Conceição do Mato Dentro em manifestação contra a Anglo American que ameaça demitir aproximadamente 400 trabalhadores. Alguns, inclusive, já começaram a fazer as homologações rescisórias esta semana.O presidente do Metabase, Paulo Soares de Souza (PSB) se reuniu com os trabalhadores nesta quinta-feira, parou os ônibus que iam para a mina e discursou a favor da manutenção do emprego.

Segundo informações divulgadas pela diretoria do Metabase, a Anglo está abrindo um “pacote de terror” ao iniciar uma demissão em massa.  “Após os trabalhadores terem contribuído com seu suor, concordarem com reajuste salarial abaixo da inflação no último Acordo Coletivo de Trabalho, abriram mão da jornada de 6hs nos turnos de revezamento em troca da empregabilidade, a empresa vem com seu pacote de terror efetuando demissão em massa nas minas de Conceição do mato Dentro”, divulgou a direção da entidade.

Para o Metabase de Itabira e Região, não há justificativa para as demissões na Anglo American. Segundo a entidade, a própria empresa apontou um cenário de recuperação nas vendas e no preço do minério de ferro no ano passado, o “que torna ainda mais injustificável as demissões”.

FONTE: http://www.viacomercial.com.br/anglo-american-sindicato-metabase-protesta-contra-demissoes-em-conceicao-do-mato-dentro/#prettyPhoto

Licenciamento ambiental da dragagem do Porto do Açu e seu possível conflito de competências

Por uma dessas coincidências interessantes, após ler uma postagem feita pelo Prof. Roberto Moraes em seu blog onde ele teceu considerações sobre a audiência pública realizada para garantir as licenças ambientais necessárias para a dragagem que a Prumo Logística quer fazer no Terminal 1 do Porto do Açu (Aqui!), recebi a mensagem abaixo de um leitor deste blog acerca de um possível conflito de competências na condução do processo de licenciamento.

Vejamos o que escreveu o leitor do blog:

“Prezado Professor:

Já li sua matéria da Audiência Pública da dragagem do Porto de Açu.  Mas quero lhe contar que uma amiga esteve na audiência e ficou chocada. Ela me contou que para fazer as perguntas, os participantes tinham que escrever as perguntas em um pedaço de papel.  O problema é que ela encaminhou duas questões que foram não lidas-ou censuradas- o que é o mesmo.

Uma das questões que a minha amiga apresentou se referia ao porquê do órgão licenciador da dragagem do Porto ser o INEA, e não  o IBAMA, já que por tratar-se de um empreendimento feito no mar territorial, o órgão licenciador teria que ser o IBAMA pela Resolução do CONAMA 237

O fato é que a Resolução CONAMA 237  foi editada em 1997 e regulamentou o licenciamento ambiental definindo que ao órgão federal de meio ambiente – IBAMA caberá o licenciamento de empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental de âmbito nacional ou regional, segundo o que é determinado no seu artigo 10 para áreas:

I. localizadas ou desenvolvidas conjuntamente no Brasil e em país limítrofe; no mar territorial; na plataforma continental; na zona econômica exclusiva; em terras indígenas ou em unidades de conservação do domínio da União.

II. localizadas ou desenvolvidas em dois ou mais Estados;

III. cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais do País ou de um ou mais Estados;

IV. destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor material radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN;

V. bases ou empreendimentos militares, quando couber, observada à legislação específica.

Além disso, em 2008 foi editada a Instrução Normativa nº 184 do IBAMA que regulamentou os procedimentos de licenciamento ambiental federal, especificando prazos e trâmites administrativos.

Finalmente, em 2011 foi editada a Lei Complementar 140/ que estabeleceu a forma de atuação da União, dos Estados e dos Municípios no licenciamento ambiental, cabendo a União – e forma específica ao IBAMA – o licenciamento de empreendimentos e atividades, conforme o estabelecido pelo artigo 7, parágrafo XIV como sendo aqueles:

a. localizados ou desenvolvidos conjuntamente no Brasil e em país limítrofe;

b. localizados ou desenvolvidos no mar territorial, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva;

c. localizados ou desenvolvidos em terras indígenas;

d. localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pela União, exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs);

e.localizados ou desenvolvidos em 2 (dois) ou mais Estados;

f. de caráter militar, excetuando-se do licenciamento ambiental, nos termos de ato do Poder Executivo, aqueles previstos no preparo e emprego das Forças Armadas, conforme disposto na Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999;

g. destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor material radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen); ou

h. que atendam tipologia estabelecida por ato do Poder Executivo, a partir de proposição da Comissão Tripartite Nacional, assegurada a participação de um membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e considerados os critérios de porte, potencial poluidor e natureza da atividade ou empreendimento.

À luz de todas essas legislações fica claro que a competência da dragagem do Porto do Açu deveria estar sendo realizada pelo IBAMA e não pelo INEA.  O que o senhor teria a nos dizer sobre isso?

A minha resposta ao questionamento deste leitor do blog vai na mesma direção daquilo que observou o Prof. Roberto Moraes quando ele afirmou que não teria “muitas dúvidas que o MPF, ou uma ação judicial suspenderá um eventual licenciamento”,  já que como está demonstrado acima, a legislação determina que no caso em que se enquadra a dragagem do Porto do Açu cabe ao IBAMA, e não ao Inea, realizar o licenciamento.

Uma alma mais ingênua poderia me perguntar se em todas as licenças anteriores a competência também não seria do IBAMA, e a resposta é simples: sim, precisamente! Agora explicar o papel que o Inea cumpriu até aqui de emitir todas as licenças referentes do Porto do Açu talvez seja caso de uma postagem apenas sobre este assunto.

Mas o que eu espero é que o Ministério Público Federal tome algum tipo de iniciativa para proteger os interesses da população da Barra do Açu. É que como bem narrou o Prof. Roberto Moraes, esses interesses continuam sendo efetivamente ignorados no licenciamento ambiental “Fast Food” que o Inea realizou até hoje, e com os prejuízos ambientais e sociais já fartamente conhecidos de qualquer um que acompanhe a situação criada pela implantação do Porto do Açu. A ver!

Porto do Açu: um megaempreendimento sob risco de hibernar eternamente em berço nada esplêndido

'I'll set snooze for an extra month.'

Abaixo segue postagem vinda do blog do Prof. Roberto Moraes sobre a hibernação da unidade de produção que a empresa finlandesa Wärtsilä possui no Porto do Açu. Eu diria que essa decisão da Wärtsilä vem apenas compor várias outras desistências e abandonos que o empreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista vem enfrentando desde que se iniciou sua construção.

É que como a Prumo Logística já deve ter descoberto, o sucesso de um megaempreendimento como esse não se faz apenas como apresentações de Powerpoint nem com sobrevoos panorâmicos. 

O que os investidores querem mesmo é ver a infraestrutura necessária para viabilizar suas atividades devidamente instaladas. E mais importante que não haja “ruídos” como os que existem no V Distrito de São João da Barra e que envolvem sérios problemas ambientais e sociais.

Das duas uma: ou a Prumo Logística e seu parceiro principal, o (des) governo Pezão, resolvem os problemas que comprometem a credibilidade do Porto do Açu como empreendimento viável ou a hibernação da Wärtsilä não será a pior notícia que vai sair publicada este ano sobre este empreendimento que já nasceu cambaleante.

Wärtsilä confirma “hibernação” de suas atividades na unidade do Açu, embora garanta que o mercado do Brasil é um dos seus focos

O blog informou aqui na terça-feira que a empresa finlandesa Wärtsilä suspenderia suas atividades na unidade do Açu, cuja implantação se deu ano passado, junto ao terminal 2 do Porto do Açu.

Hoje, a assessoria de comunicação da empresa confirmou a informação do blog informando que:

“A Wärtsilä Brasil informa que decidiu “hibernar” o Delivery Centre Açu, em São João da Barra (RJ), a partir de janeiro de 2016, devido aos adiamentos do prazo de entrega dos equipamentos fabricados na unidade. A produção será retomada tão logo sejam confirmados os novos prazos por parte dos clientes.

Vale ressaltar que o Brasil permanece como um dos principais mercados para a Wärtsilä no mundo, fazendo do país foco na estratégia de investimento global da companhia.”


O blog apurou ainda que a Wärtsilä não chegou a ter muitos funcionários na unidade do Açu. No máximo, durante o ano passado, entre 25 e 30 funcionários, incluídos entre 10 e 15, da empresa contratada para limpeza e serviços gerais.
O foco de atuação principal da Wärtsilä é o setor de grandes motores para embarcações e motores/geradores para sistemas de geração de energia elétrica. 
Por isto, é possível identificar que a empresa espera com uma das duas atividades voltar, num novo ciclo do petróleo e colocar a unidade do Açu em atividade. Ela será agora apenas guardada e protegida em termos de segurança de suas instalações.
 
FONTE: http://www.robertomoraes.com.br/2016/01/wartsila-confirma-hibernacao-de-suas.html
 

Dragagem do Porto do Açu: audiência pública com direito a pegadinha

Como programado ocorreu em São João da Barra a audiência pública referente ao processo de licenciamento da dragagem do Porto do Açu. A referida audiência é um dos pré-requisitos para o fornecimento das licenças ambientais para que o processo possa ocorrer.  Além da presença ostensiva de funcionários da Prumo Logística, a audiência também contou com uma presença razoável de populares, principalmente os vindo do V Distrito, onde o Porto do Açu já vem causando uma série de transformações sociais e ambientais, a maioria delas negativas para os moradores.

A verdade é que essas audiências são um mecanismo precário de observação dos interesses sociais, pois a imensa maioria dos presentes não teve acesso prévio ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) que, no caso da dragagem do Porto do Açu possui 2.221 páginas, ou ao Relatório do Estudo de Impacto Ambiental (Rima) e que normalmente são escritos numa linguagem estritamente técnica e de difícil compreensão para os poucos leigos que conseguem ter acesso ao documento.

Além disso, a maioria das audiências públicas segue um script bastante rígido onde o controle dos trabalhos, ainda que formalmente nas mãos do órgão licenciador (no caso o INEA), acaba ficando com a empresa de consultoria contratada para produzir o EIA/Rima. E segundo fui informado por pessoas que estiveram presentes na audiência de ontem, o script foi cumprido à risca.

Isso ficou ainda mais explícito quando o professor João Thadeu de Menezes da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) foi chamado para responder a cerca de 15 perguntas que haviam sido feitos sobre o processo de erosão que está ocorrendo na Praia do Açu.  Surpreendentemente, já que a erosão não era o objeto da audiência, o Prof. Menezes pode fazer uma apresentação em Powerpoint onde seu conhecimento científico foi utilizado para isentar o Porto do Açu do processo de erosão que está destruindo em incrível velocidade a Praia do Açu. 

Esse espaço para que a erosão em curso na Praia do Açu fosse justificada em meio a uma audiência pública para licenciar o processo de dragagem é uma verdadeira “pegadinha”, visto que não apenas não atendia o objetivo da audiência, mas também porque os populares que estavam ali para ter respostas sobre o processo de erosão não puderem se manifestar, já que não estavam inscritos para falar especificamente sobre os aspectos trazidos pelo Prof. João Thadeu de Menezes. Perfeito, não? Eu  (a Prumo Logística) não apenas garanto as licenças para a dragagem, mas como também me isento das responsabilidades sobre o avanço da língua erosiva, já que o “meu especialista” garante que sempre houve erosão na Praia do Açu!

A minha maior preocupação a partir desta pegadinha em audiência pública se refere ao fato de que, com a dragagem poderá ter mais erosão, mas tudo ficará nas costas da “natureza” e dos próprios moradores que decidiram construir uma localidade em uma área “naturalmente” afetada pela erosão.

Mas a presença de um profissional da Univali  (localizada no município catarinense de Itajaí) na audiência de ontem em São João da Barra  me trouxe à lembrança dois fatos curiosos acerca dessa instituição de ensino privado, e que a ligam aos empreendimentos do ex-bilionário Eike Batista.  

O primeiro fato é que profissionais ligados à Univali também tiveram participação na tentativa que o Grupo EBX de obter as licenças ambientais para a construção do Porto de Biguaçu, município próximo de Florianópolis. E claro onde a Univali possui dois campi universitários. 

Para quem não se lembra, quando a construção do Porto de Biguaçu foi impedida pela oposição popular, foi que Eike Batista decidiu construir o seu megaporto em São João da Barra.  E adivinhem onde Eike foi contratar pesquisadores para fazer um estudo sócio-econômico com as famílias de agricultores do V Distrito? Quem pensou, Univali, acertou!

Finalmente, uma ausência sentida na audiência foi a do Prof. Paulo César Rosman da COPPETEC/UFRJ, expert que gerou os modelos utilizados para fazer os prognósticos sobre os eventuais efeitos da dragagem que certamente será aprovada pelo Inea. A ver!

Dragagens e suas consequências: a experiência do Porto de Santos

A realização da audiência pública em São João da Barra na próxima 4a. feira (27/01) teve até agora pouca ou nenhuma divulgação na mídia corporativa, e poucos além dos leitores assíduos deste blog sabem que a mesma ocorrerá.

A minha leitura rápida do Relatório de Impacto Ambiental preparado a pedido da Prumo Logística Global indica que para a equipe técnica que fez a construção de cenários futuros pós-dragagem do Terminal 1 do Porto do Açu não é de se esperar mudanças significativas sobre a Praia do Açu, ponto que hoje já é consumido por um processo de erosão.

A aceitação acrítica dos cenários preparados pela “Masterplan Consultoria de Projetos e Meio Ambiente” é preocupante porque, além de negar a ocorrência de mudanças drásticas associadas ao processo de dragagem, os mesmos isentam o Porto do Açu como fator causal da erosão que já está em curso na Praia do Açu.

É que não me parece ser lógico que a alteração da geomorfologia costeira que será causada por essa dragagem não tenha impactos fortes sobre a direção e velocidade das correntes que atuam no litoral próximo aos terminais do Porto do Açu. 

Não bastasse a minha desconfiança, coloco abaixo matérias que discorrem sobre as consequências e as disputas resultantes do processo de dragagem do Porto de Santos que acelerou o processo de erosão nas praias da principal cidade da Baixada Santista. Como frequentei aquelas praias durante a minha juventude, posso afirmar que, pelo fato de ser um ambiente bem mais circunscrito do que o existente no litoral sanjoanense, o exemplo dessa erosão deveria servir como um sério alerta para as autoridades municipais e estaduais. 

A par das disputas na justiça entre o Ministério Público Federal (MPF) e os empreendedores, é importante levar em conta o que disse em entrevista ao jornal “A TRIBUNA” que circula principalmente na cidade Santos, o pesquisador da Universidade Federal Fluminense , André Belém, sobre as versões para as causas da erosão que estava consumindo a faixa das praias santistas:

“Quando algum cientista estudar o caso sem ter tido nenhum relacionamento comercial com a dragagem, ai sim, poderemos talvez acreditar em alguma tese”.

A minha reação a esta frase do Prof. André Belém, é a seguinte: e não é?

Mas voltando à proposta da dragagem do Porto do Açu, eu digo às autoridades e habitantes de São João da Barra: olhem o que aconteceu em Santos para depois não acreditarem que tudo é culpa da natureza!

O regaste de Eike Batista: Fundo Mubadala compra Hotel Glória e 29% da OSX

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O intrincado mundo das finanças globalizadas de tempos em tempos traz alguns negócios inexplicáveis.  Hoje a mídia corporativa está repercutindo a venda feita por Eike Batista do Hotel Glória e de 29% da OS(X).  Segundo o jornal Valor Econômico também estariam em curso negociações a venda do que ainda resta a Eike na OGPar (ex OG(X)), a petrolífera que começou o afundamento do conglomerado EBX),  da CC(X) (empresa de carvão) e da MM(X) (a mineradora que passou a perna na Anglo American em Conceição do Mato Dentro) (Aqui!).

Alguém pode dizer que essas operações refletem apenas a tentativa de Eike Batista de se livrar dos verdadeiros pepinos corporativos em que suas empresas se tornaram. Até aí tudo bem, mas o que ganha com isso o Fundo Mubadala? É que com a crise do petróleo até os sheiks de Abu Dabhi devem estar colocando as suas barbas de molha ao escolher ativos para despejar seus petrodólares.

Eu suspeito que essa passagem de ativos deve estar ligada a questões mais complexas do que a simples derrocada de Eike Batista, pois não há como investir em um hotel semidestruído ou em empresas com mais dívidas do que ativos ser visto racionalmente como um bom investimento. Em outras palavras, tem mais caroço nesse angu do que podem ver inicialmente os nossos olhos pouco treinados para entender os meandros da especulação financeira global.

Mas a pergunta que não quer calar: o que farão os donos do Mubadala com o que restou da MM(X) e da OS(X) no Porto do Açu e em Conceição do Mato Dentro?