Eike Batista na iminência de novas oferendas: PRR2 cobra reparação total de danos ambientais do Porto do Açu (RJ)

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Pode parecer até que ao escrever a minha postagem anterior eu já tinha recebido o material abaixo, mas esse não é o caso. Como se vê, Eike Batista vai precisar ainda fazer muitas oferendas para se livrar dos “pepinos” salgados que ele ajudou a plantar no V Distrito de São João da Barra.

Aliás, não é só o ex-bilionário Eike Batista que vai precisar começar a pensar em oferendas, mas também os dirigentes do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) que também são co-réus no caso da salinização causada pelo aterro hidráulico do Porto do Açu e que prejudicou de forma permanente as propriedades rurais de pequenos agricultores no V Distrito.

Agora, quem sabe, pessoas como o Sr. Durval Alvarenga, uma das principais vítimas daquele incidente, possam ter um pouco de esperança de serem um dia ressarcidos pelos prejuízos que lhes foram causados pelo Porto do Açu.

PRR2 cobra reparação total de danos ambientais do Porto do Açu (RJ)
MPF rebate recursos de estaleiro OSX e de operadora para restringir ação

O Ministério Público Federal (MPF) se opôs, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), aos recursos especiais do estaleiro OSX e do Porto do Açu Operações, responsáveis pelo complexo logístico portuário em construção em São João da Barra, no Norte fluminense. O MPF/RJ processou o grupo empresarial EBX para paralisar as obras por salinizarem o Canal de Quitingunte com danos ao meio ambiente e ao consumo humano. As empresas questionaram a decisão judicial que considerou como área atingida todo o 5º distrito (Pipeiras), como quis o MPF (o juiz em Campos considerou inicialmente apenas os danos comprovados ao canal).

A Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR2) argumentou, em suas manifestações (contrarrazões aos agravos), que a delimitação da área pelo juiz de primeira instância representa risco de graves danos de difícil reparação ao meio ambiente. A partir de um inquérito civil antes restrito aos danos no canal, o MPF avaliou que a salinização pode alcançar áreas do solo, de águas doces em canais e lagoas e águas tratadas para a rede de abastecimento em toda a região.

“Considerar os eventuais efeitos da salinização do canal só em relação ao abastecimento humano de água, como na decisão inicial, desprezaria as áreas de solo e recursos hídricos de águas doces de canais e lagoas, também possivelmente atingidos”, afirma o procurador regional da República Luiz Mendes Simões, autor das manifestações ao STJ, que rebateu o argumento da defesa de que a ação deveria se restringir ao canal por ele ter sido o objeto inicial do inquérito civil. “Se o inquérito civil é desnecessário para propor a ação civil pública, não há que se falar, nem raciocinar, em qualquer restrição da ação civil pública ao objeto do inquérito civil.”

Na ação contra as empresas do grupo EBX e os institutos ambientais IBAMA e INEA, o MPF levou em consideração pesquisas da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) que detectaram um índice de salinidade sete vezes maior ao permitido para o consumo na água fornecida à região pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). O aumento da salinidade no solo e em águas doces destrói a vegetação, inutiliza o solo para plantio e torna impróprias ao consumo as águas dos mananciais, entre outros danos.

FONTE: Assessoria de Comunicação,  Procuradoria Regional da República da 2ª Região

Enfrentando nuvens carregadas, Eike Batista gasta fortuna em oferenda a Iemanjá

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Enfrentando tempos de nuvens carregadas, o ex-bilionário Eike Batista acaba de gastar uma fortuna, supostamente amealhada na forma de moedas de ouro, para tentar acalmar os ânimos de Iemanjá. Pelo menos é isso o que diz a matéria abaixo publicada nesta terça-feira (01/02) pelo jornal Extra.

Essa ação generosa com Iemanjá é mais uma tentativa de Eike Batista de acertar suas dívidas com os santos, segundo informa o mago Ubirajara Pinheiro. Aliás, o mago previu na matéria que Eike Batista logo voltará ao topo. Uma questões de meses teria afirmado Pinheiro.

Apesar de não ter nenhuma disposição para brigar com Iemanjá, se Eike Batista estivesse mesmo disposto a livrar a sua barra com os santos, bem que poderia ter entregue esta dinheirama toda para um fundo de compensação para as famílias atingidas pela salinização de águas e solos que foi causada pelo aterro hidráulico do Porto do Açu. 

Aliás, falando em V Distrito de São João da Barra e Eike Batista, lá não faltam pessoas e malfeitos nos quais o ex-bilionário poderia usar suas posses residuais para  fazer várias tentativas de estabelecer algum tipo de armísticio com os deuses.

Agora, o que Eike Batista e o mago Ubirajara Pinheiro pode não ter levado em conta é que Iemanjá poderia estar ocupada naquele mesmo dia 02 de Fevereiro em acompanhar outro tipo de entrega de oferendas.  Mais no estilo “Lava Jato”,  por exemplo.  A ver!

Eike Batista faz oferenda de R$ 700 mil a Iemanjá, e vidente diz: ‘Ele vai voltar ao topo’

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Eike Batista se apegou no oculto e na fé para sair da crise Foto: Dado Galdieri/Bloomberg / Agência O Globo

No último dia 2 de fevereiro, Dia de Iemanjá, Eike Batista despachou no mar de Ipanema, na Zona Sul do Rio, uma oferenda que, se achada, poderia valer um tesouro. Aproximadamente R$ 700 mil foram gastos com a oferenda à rainha do mar. Eike foi aconselhado por dois videntes a “fazer as pazes com Iemanjá”. “Falei com ele que tudo o que havia tirado do mar teria que ser devolvido e agradecido. Tudo que ele explorou nos últimos anos estava ligado ao oceano”, diz um destes videntes, que prefere se manter no anonimato.

Eike chegou à Urca, também na Zona Sul do Rio, numa lancha grande, e encontrou um babalorixá à sua espera com a oferenda pronta. No barco foram colocadas flores, perfumes importados, garrafas de champanhe, imagem da entidade e 700 moedas de ouro. As moedas não têm um valor exato. Mas para se ter uma ideia, uma destas moedas comemorativas da Copa do Mundo de 2014 pode ser encontrada no mercado por R$ 1 mil.

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Julgamento de ação penal contra Eike Batista na Justiçaa Federal, em 2014 Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

O despacho aconteceu numa cerimônia muito íntima no mar de Ipanema, do qual só participaram Eike, a tripulação e o pai de santo. “Ele vai voltar a ser o homem mais rico do Brasil em questão de meses”, profetiza. Em junho de 2015, na primeira entrevista que deu após meses sem fazer declarações públicas, Eike Batista disse que sua dívida de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 4 bilhões, estava zerada e que ele iria recomeçar. O empresário, que já foi o sétimo mais rico do mundo segundo a “Forbes”, em 2011, no entanto, continua pedindo aos céus uma ajudinha extra, com um X bem grande.

Esta não é a primeira vez que Eike Batista recorre ao oculto, Supersticioso, o empresário chegou a ir para Cusco, no Peru, após os conselhos de uma vidente carioca que o mandou alinhar os chacras e a fazer uma readaptação cósmica. O ex-marido de Luma de Oliveira ficou deitado por pelo menos cinco minutos no alto de uma colina, meditando sobre seu futuro. Depois disso, por indicação de um guia, chegou até uma mulher que fazia previsões com folhas de coca. Na mesma viagem, nos anos 90, deu de cara com um sol inca, numa barraquinha de souvenir, e teve a ideia de colocar aquele símbolo como logomarca de suas empresas.

eike 3Ubirajara Pinheiro, da Casa do Mago: conselheiro espiritual Foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo

“Ele vai voltar ao topo”

O mago Ubirajara Pinheiro é um velho conhecido de Eike Batista. Ele é responsável pela Casa do Mago, situada no Humaitá, na Zona Sul do Rio, frequentada por políticos e celebridades. É no templo que Eike costuma ir há anos em busca de alento espitirual. “Falo o que tenho para falar na lata, como falo para qulquer pessoa que busca esta casa. E avisei a ele de tudo o que aconteceria”, diz Ubirajara, que foi entrevistado pelo EXTRA.

O senhor aconselhou Eike Batista a fazer uma oferenda a Iemanjá?
O aconselhei assim como aconselho a todos. Eike sabe que é filho de Iemanjá com Oxóssi, Nossa Senhora e São Sebastião.

Mas precisava ser algo muito caro?
Quantidade não é questão de fé. A fé é maior sempre. Você pode me dar potes de ouro e uma broa de milho, que adoro, e eu preferir a broa…

O senhor acredita que Eike Batista estava endividado espiritualmente?

Você não retira o minério da terra sem agradecer, sem devolver a ela benfeitorias. Nem sempre estamos preparados para os castigos de Deus, e só vamos perceber o que fizemos depois.

Ele é um homem muito místico. Finalmente fez as pazes com as entidades?
Apesar de não ser um religioso, ele conta com luz de Luma (de Oliveira, ex-mulher do empresário). É na força dela que ele consegue a dele.

Ele vai voltar ao topo?
Vai. É questão de meses.

eike 4Casamento de Luma de Oliveira com Eike Batista em 91: a força vem dela Foto: Leonardo Aversa

eike 5O símbolo das empresas: sol inca como logomarca Foto: SERGIO MORAES / REUTERS

eike 6Eike Batista acompanha o embarque da mulher, Flavia Sampaio, e do filho, Balder: avião de carreira Foto: Lindson Junior / Agência O Globo

eike 7Eike Batista é flagrado numa lanchonete popular: novos hábitos Foto: Fotos Extra / Agência O Globo

eike 8Eike Batista, empresario e seus advogados, fotografados durante a audiencia no Tribunal do Juri: tempos ruins estão acabando Foto: Leo Pinheiro / Agência O Globo

eike 9Eike Batista conseguiu recuperar seus carrões. Um deles estava sendo dirigido pelo juiz do caso Foto: Xande Nolasco

FONTE: http://extra.globo.com/famosos/eike-batista-faz-oferenda-de-700-mil-iemanja-vidente-diz-ele-vai-voltar-ao-topo-18777755.html#ixzz41fiWUlib

Prumo e seu fantástico viveiro de mudas. Ah, se meu Greenwashing falasse a verdade!

Mencionei aqui no dia de ontem (23/02) o emprego pela Prumo Logística da tática do “Greenwashing” para tentar melhorar um pouco a desgastada imagem do Porto do Açu. Aparentemente em resposta à minha postagem, a Assessoria de Comunicação da Prumo colocou imediatamente no ar a propaganda abaixo.

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As informações sublinhadas são para mim as mais reveladoras do “Greenwashing” que  a Prumo realiza. É que informações vindas do entorno da Fazenda Caruara me dão conta que 40 funcionários atuando no interior da propriedade só se forem os seguranças patrimoniais que riscam o terreno em motocicletas e pick ups.

Além disso, chamo a atenção para a informação que aponta que o viveiro da Prumo comportaria o plantio de até 500 mil mudas por ano e seria o maior da América Latina. Mas afinal, qual é a produção atual de mudas? E o viveiro é o maior da América Latina em que quesito?  

Em minha experiência com mudas florestais com mais de 20 anos de acompanhamento de um projeto agroflorestal na Amazônia Ocidental, eu teria duas coisas a apontar para os que se enebriam com o “Greenwashing” da Prumo.  A primeira é que quanto maior o viveiro maior é a chance do aparecimento de doenças que dizimam populações inteiras de mudas. Dai é que fico cético com o número anunciado.  Já a segunda coisa é uma consequência da primeira. É que mudas doentes ou com trato inadequado tendem a aumentar a taxa de mortalidade dos plantios em campo.

Assim, mais importante do que dizer quantas mudas PODEM ser geradas, a Prumo deveria informar quantas foram efetivamente PLANTADAS e qual tem sido a taxa de SOBREVIVÊNCIA das mudas no campo. Do contrário, tudo o que for propalado sobre esse “fantástico” viveiro será apenas o que é, qual sejam “Greenwashing“.  

Ah, e antes que eu me esqueça, como as imagens acima são antigas e um dos funcionários mostrados aparentemente não trabalha mais no empreendimento, o mínimo que deveria ser mostrado são exemplos de mudas que deram certo. É que isso aumentaria a chance de céticos como eu acreditarem que a coisa não é tão artificial como se pensa ser.

A Prumo Logística e o uso do “greenwashing”: o caso insustentável da RPPN Fazenda Caruara

Em meio a um marasmo de notícias felizes, vejo que a Prumo Logística Global vem usando a sua página no Facebook para realizar um belo esforço de “Greenwashing”  (Aqui!).  Para quem não é familiarizado com o conceito, Greenwashing é um termo em inglês, que pode ser traduzido para algo como “maquiagem verde”, ou seja, propaganda enganosa que confere atributos “verdes” que não existem ou não estão comprovados a produtos, serviços ou marcas.

Pois bem, em face das várias mazelas evidentes que podem ser associadas ao Porto do Açu, incluindo a erosão na Praia do Açu e a salinização de águas e terras no V Distrito de São João da Barra, a Prumo Logística tem recorrido de forma recorrente à fábula de que protege a faixa de restinga que existe dentro da RPPN Fazenda Caruara, propriedade que o ex-bilionário Eike Batista arrematou a preços módicos em troca dos vários decretos de desapropriação de terras realizados pelo (des) governo Sérgio Cabral em desfavor de centenas de famílias de pequenos agricultores que viviam na região há várias gerações.

Felizmente um fato que marca o uso das redes sociais é a possibilidade de réplica, mesmo nos veículos que as corporações utilizam para vender o seu peixe cozida à moda do Greenwashing. Esse é o caso, por exemplo, da propaganda postada pela Prumo Logística no dia de ontem (22/02/16) na já mencionada página oficial da empresa no Facebook como mostram as imagens abaixo.

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Os leitores do blog poderão observar que na imagem da direita é apresentada a versão de que  a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Caruara é a maior unidade de conservação privada de restinga do país, e a única do estado do Rio de Janeiro? Nessa versão, a RPPN Fazenda Caruara teria sido criada pela Prumo no entorno do Porto do Açu, contando com 40 km² de área, o que representaria 60% de todas as RPPNs criadas no Rio de Janeiro.  Já no lado esquerdo, aparece a réplica de um morador do V Distrito mostrando com imagens Landsat que não há mudança perceptível em termos da cobertura vegetal existente na RPPN Fazenda Caruara.

Aliás, é interessante notar que houve até uma tréplica  de um internauta que defendeu o argumento oficial da Prumo Logística de que há efetivamente um programa de reflorestamento vigoroso em curso na RPPN Fazenda Caruara.  Ao verificar o perfil desse internauta é possível verificar que o mesmo trabalha na empresa que realizou o tal processo de reflorestamento, o que explica a colocação da sua tréplica.

Entretanto,  lembro aos leitores que no dia 10 de Agosto de 2015, postei imagens que me foram enviadas por um leitor, mostrando que a versão da Prumo Logística não sobrevive a um exame mínimo da realidade efetivamente existente no interior da Fazenda Caruara (Aqui!).  Afinal, como bem disse o internauta que defendeu o suposto programa de reflorestamento implementado na Fazenda Caruara, espécies de restinga não são eucalipto geneticamente modificado que crescem do dia pra noite.  Em outras palavras, não há como a propaganda da Prumo Logística deixe de ser apenas “Greenwashing” em tão pouco tempo.

Por último, um detalhe que sempre me causa espécie é o fato da Prumo Logística Global sempre clamar para si aquilo que pode ser apresentado como positivo no Porto do Açu (como o caso em tela da RPPN Fazenda Caruara) e jogar de ruim nas costas do hoje quase extinto Grupo EBX do ex-bilionário Eike Batista. Parece coisa de quem sempre culpa o defunto pelos malfeitos dos vivos! Agora, convenhamos, essa é uma estratégia eficaz! É que enquanto se mostra belas borboletas, ninguém se pergunta sobre a erosão e a salinização.

 Mas é para isso que as corporações e seus marqueteiros inventaram o “Greenwashing“, não é?

Seguindo exemplo da Anglo American, Wärstilä também congela atividades no Porto do Açu

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Seguindo o exemplo da Anglo American que decidiu congelar suas atividades no mineroduto Minas-Rio, a empresa finlandesa Wärstilä também decidiu de forma mais sútil congelar (“hibernar”) suas atividades no Porto do Açu.

Este fato da realidade pode explicar todo o alarde e promessas grandiosas que foram trombeteadas na imprensa corporativa nos últimos dias em relação ao empréstimo que foi aprovado para a construção do terminal da Edison Chouest no Porto do Açu.

É que no frigir dos ovos, somada as duas suspensões, sobra muita pouca coisa operando dentro do porto idealizado pelo ex-bilionário Eike Batista. Como se pode antever que a construção do terminal privado da empresa estadunidense não vai ser tão rápida quanto tem sido anunciada, o ano de 2016 deverá ser marcado por muita contenção ( e por que não aflição) na Prumo Logística.  A ver!

Um ano após inauguração, fábrica de motores de navios para operação no RJ

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Porto do Açu, ainda em obras: Fábrica em “hibernação”

Por Natalia Viri

Menos de um ano após inaugurar uma fábrica do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), a finlandesa Wärstilä paralisou no mês passado as atividades por tempo indeterminado por conta de adiamentos, feitos a pedido de clientes, do prazo de entrega de encomendas.

A unidade fabrica geradores e propulsores para navios e plataformas. Entrou em operação em março de 2015, com investimentos da ordem de 20 milhões de euros.

Procurada pela coluna, a empresa disse que a fábrica está em “hibernação” e que a produção será retomada “tão logo sejam confirmados os novos prazos por parte dos clientes”. Por questões contratuais, não revelou quem eram os destinatários das encomendas.

A Wärtsila ressaltou ainda que a maior parte dos funcionários foi realocada para outras unidades.

A finlandesa foi uma das primeiras empresas a se instalar na área do complexo industrial do Açu, idealizado pela LLX, de Eike Batista – hoje, rebatizada de Prumo Logística e sob o controle do fundo americano EIG.

FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/economia/um-ano-apos-inauguracao-fabrica-de-motores-para-navios-para-operacao-no-rj/

Anglo American indica que irá tomar medidas drásticas em relação a seus ativos no Brasil

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A matéria abaixo foi publicada pelo Wall Street Journal e apesar de estar centrada na Anglo American, a mesma oferece um bom panorama da situação de outras mineradoras, incluindo a co-proprietária da Samarco, a BHP Billiton.

Na parte que importa ao Brasil, a matéria aponta que  a “ Anglo agora afirma que seu projeto de minério de ferro no Brasil, o Minas Rio — que custou US$ 8,8 bilhões e foi assolado por atrasos e estouros de orçamentos —, não é mais um ativo prioritário, indicando que poderia ser vendido.”

Além disso,  a matéria informa que se “a Anglo American não conseguir encontrar compradores, Cutifani diz que a Anglo prefere fechar minas a perder dinheiro“.

Em suma, toda as expectativas que haviam sido colocadas em torno da Anglo American ser uma das âncoras do Porto do Açu agora se provam ter sido, no mínimo, exageradas.  O interessante é que este tipo de exagero continua sendo repetido e trombeteado a todo pulmão em quaisquer fatos relacionados ao megaempreedimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista.

Investidores cobram mais rapidez nas reformas da Anglo American

Mark Cutifani, diretor-presidente da Anglo American, tem vendido ativos e reduzido custos, mas alguns investidores dizem que o processo não está sendo rápido o suficiente.
Mark Cutifani, diretor-presidente da Anglo American, tem vendido ativos e reduzido custos, mas alguns investidores dizem que o processo não está sendo rápido o suficiente. PHOTO: BLOOMBERG NEWS

O diretor-presidente da gigante da mineração Anglo American PLC, Mark Cutifani, está se preparando para o dia do acerto de contas.

O executivo deve enfrentar, amanhã, a divulgação do que analistas estão antevendo como resultados decepcionantes para o ano de 2015, num momento em que a queda nos preços das commodities abate cada vez mais o setor de mineração.

Enquanto isso, os investidores estão aumentando a pressão sobre a Anglo American para que ela acelere o programa de reestruturação lançado quando Cutifani assumiu o comando da empresa britânica, em 2013. O plano agora envolve elementos mais radicais, inclusive a venda de um grande número de minas e o corte de mais da metade da força de trabalho.

Embora Cutifani tenha dito que a companhia já fez avanços importantes no programa, alguns investidores continuam frustrados.

“A PIC está preocupada com o progresso lento da reestruturação”, diz Daniel Matjila, diretor-presidente da firma de investimentos Public Investment Corp., estatal sul-africana que é a maior acionista da Anglo American. O processo, diz ele, “devia ter sido muito mais rápido”.

“O mercado está perdendo a paciência”, diz Patrice Rassou, chefe da área de ações da gestora sul-africana Sanlam Investment Management, que, segundo a FactSet, detém US$ 26 milhões em ações da Anglo.

Essas opiniões refletem a insatisfação dos investidores com essa mineradora de 99 anos que ajudou a impulsionar o crescimento da indústria de metais da África do Sul. Desde que Cutifani assumiu o cargo, as ações da Anglo caíram 78%.

A Anglo American, uma das maiores mineradoras do mundo, deve divulgar uma queda de 57% no lucro básico antes de juros e impostos no ano passado em relação a 2014, para US$ 2,1 bilhões, segundo pesquisa da FactSet com 20 analistas. O lucro líquido deve ser muito menor que isso se, como esperado, o recuo nas commodities forçar a empresa a fazer uma nova baixa contábil no valor de seus ativos, diz Alon Olsha, analista do banco de investimento Macquarie Group.

Uma porta-voz da Anglo American não quis comentar as opiniões dos acionistas sobre o desempenho da empresa e disse que um plano de venda de ativos será detalhado amanhã.

 

Cutifani tem se mostrado otimista sobre o progresso da reestruturação da Anglo, dizendo que em três anos ela já alcançou melhorias em custo e produtividade estimadas em US$ 1,6 bilhão, com planos de economizar outros US$ 2,1 bilhões neste ano e no próximo. A empresa também vendeu US$ 2 bilhões em ativos nos primeiros três anos e planeja vender mais de US$ 2 bilhões neste ano e em 2017.

As ações da Anglo American estão mais resistentes neste ano. Na sexta-feira, o papel subiu 18%, para 323,75 centavos de libra (cerca de US$ 4,69), praticamente em linha com as altas de outras mineradoras. O papel já acumula um ganho de 25% em 2016.

Mas a Anglo está enfrentando mais dificuldades que outras mineradoras para lidar com a queda prolongada nos preços das matérias-primas que exploram e vendem em todo o mundo. Os preços do cobre e do minério de ferro — duas das commodities mais lucrativas da Anglo — caíram 25% e 40%, respectivamente, nos últimos 12 meses. Poucos preveem uma recuperação significativa em 2016.

Há uma semana, Cutifani disse para os participantes de uma conferência de mineração na Cidade do Cabo, na África do Sul, para não esperar que os preços das commodities voltem a subir no curto prazo e que 2016 pode ser pior que o ano passado. O colapso duradouro das commodities, sem alívio em vista, está forçando Cutifani a tomar medidas drásticas, que poucos anos atrás seriam inaceitáveis para os acionistas.

A queda contínua forçou o líder a ir além do que o previsto na reestruturação original de três anos, divulgada em dezembro. Ele elaborou um plano mais radical para obter economias de custos e ganhos de produtividade de US$ 3,7 bilhões e mais US$ 4 bilhões com a venda de ativos entre 2013 e 2017.

A empresa agora planeja vender mais da metade de suas minas e demitir 85 mil funcionários, reduzindo a força de trabalho para cerca de 50 mil até uma data ainda não informada.

A empresa também suspendeu o pagamento de dividendos e reduziu gastos de capital na expansão de projetos.

As medidas foram umas das muitas tomadas por mineradoras em resposta ao colapso no setor. A rival suíça Glencore PLC eliminou seus dividendos e está tentando cortar sua dívida líquida em mais de US$ 10 bilhões. A Rio Tinto PLC reduziu seus dividendos na semana passada, medida que também deve ser tomada pela maior mineradora do mundo, a BHP Billiton Ltd.

A Anglo, pelo menos, recebeu um voto de confiança da Schroders Investment Management Ltd., seu quinta maior acionista, segundo a FactSet. Numa carta de dezembro de 2015, a gestora londrina afirmou ao diretor-presidente da Anglo que continuaria apoiando a empresa no longo prazo e que acredita que ela tomou a decisão certa ao cortar dividendos e investimentos.

Amanhã, a Anglo terá que mostrar que seu programa de venda de ativos está fazendo progresso e demonstrar uma pressa maior para cortar custos e melhorar seu desempenho operacional, diz Rassou, da Sanlam Investment Management.

“Acho que este é o maior problema”, diz ele. “A velocidade da execução, em vez de simplesmente a intenção […] O setor está numa corrida.”

Em dezembro, Cutifani disse aos investidores que a empresa especificaria neste mês quais ativos pretende vender. A Anglo agora afirma que seu projeto de minério de ferro no Brasil, o Minas Rio — que custou US$ 8,8 bilhões e foi assolado por atrasos e estouros de orçamentos —, não é mais um ativo prioritário, indicando que poderia ser vendido.

Se a empresa não conseguir encontrar compradores, Cutifani diz que a Anglo prefere fechar minas a perder dinheiro.

Andrew Lapping, vice-diretor de investimento do fundo sul-africano Allan Gray, um acionista da Anglo, diz que a empresa fez progresso, mas talvez esteja muito concentrada em vender ativos em vez de cortar custos, num momento em que as minas não estão despertando muito interesse de compradores.

“Para mim, o principal foco deveria ser melhorar as minas a partir de dentro, em vez de vender ativos problemáticos”, diz ele. “Se o foco do plano de reestruturação for a venda de ativos, eles vão ter problemas.”

(Colaborou Scott Patterson, de Londres.)

Correções e ampliações

A Schroders Investment Management é a quinta maior acionista da Anglo American. Matéria publicada ontem nesta página disse, erroneamente, que a Schroders era a 11a maior acionista da mineradora britânica.

FONTE: http://br.wsj.com/articles/SB11137296301495613967604581541243810550036

Porto do Açu: vem aí um enclave dentro do enclave

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O jornal Estado de São Paulo informou que a Secretaria de Portos da Presidência da República autorizou a construção de um terminal portuário autônomo dentro da área do Porto do Açu (Aqui!). 

Essa é uma fórmula inusitada, pois além de gerar a situação de se ter um enclave dentro de um enclave, o mais provável é que boa parte do dinheiro que vai ser usado na construção virá do próprio governo federal. Se isso for verdade, o reforço do controle multinacional de uma área estratégica como a mineração será financiado com o suado dinheiro do contribuinte brasileiro.

Além disso, como a área do enclave está dentro do “território” do fundo de private equityEIG Global Partners“, temos ainda que os donos do enclave principal estão se firmando no terreno de arrendamento de terras, o que exemplifica um aspecto ainda mais esdrúxulo da situação criada em São João da Barra onde centenas de famílias tiveram suas terras expropriadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão para a construção de um suposto distrito industrial municipal do qual se viu hoje a colocação de placas.

Para tornar essa situação ainda mais peculiar há o fato de que a Anglo American está trabalhando duro para se livrar das minas que possui em Conceição do Mato Dentro (MG) e do próprio mineroduto Minas-Rio. Aliás, a peculiaridade aumenta quando se leva em conta a informação de que fundos de investimentos (por meio de tradings) são os principais candidatos com o espólio maldito que o ex-bilionário Eike Batista jogou no colo da Anglo como informa em seu blog o professor Roberto Moraes (Aqui!).

E me desculpem os áulicos, esse cenário todo não levará a nenhum tipo de desenvolvimento econômico. É que enclaves, e enclaves dentro deles, só servem para cumprir o papel de recolonizar de forma selvagem ex-colônias ricas em recursos que os países centrais não possuem ou não desejam explorar em seus próprios territórios por causa da degradação social e ambiental que eles causam ao serem explorados.

Presidente da Anglo American reconhece que preço de commodities não se recuperará tão cedo

Segundo a Agência Reuters, o presidente da Anglo American, Mark Cutifani, reconheceu que os preços das commodities minerais não deverão se recuperar tão cedo, e que as principais culpadas por essa situação são as próprias mineradoras que causaram um super abundância de seus produtos no mercado mundial (Aqui!).

Apesar de eu haver insistido nessa tese em várias entrevistas que concedi nos últimos meses havia gente, principalmente entre os áulicos das mineração, que se negavam a admitir essa situação óbvia, especialmente em face do desaquecimento da economia chinesa.

O pior é que esse vaticínio do CEO da Anglo American é acompanhado de análises pouquíssimo animadoras sobre o ano de 2016, o qual ele declarou ter um potencial de causar muitos danos ao setor da mineração.

No caso do Brasil, especialmente para os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro onde a Anglo possui ativos significativos, a avaliação de Mark Cutifani deve implicar na disposição de  vender as jazidas localizadas em Conceição do  Mato Dentro (MG) e do mineroduto Minas-Rio.  De toda forma, aspectos mais práticos dos ajustes que a Anglo American realizará em seu portfólio de ativos deverão ser divulgados até a próxima semana, como informou a Reuters.

Essa situação negativa da mineração também está alimentando a crise das bolsas na Ásia e no Japão, num processo de espiral que poderá causar ainda mais abalos na economia mundial nas próximas semanas. A ver!

Anglo American demite centenas de trabalhadores em Conceição do Mato Dentro

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A possibilidade que a Anglo American venda suas operações no Brasil já vem sendo anunciada desde que Cynthia Carroll foi demitida do cargo de CEO da empresa. É que uma das causas da sua demissão estão as bilionárias perdas que foram causadas pela aquisição das minas de ferro em Conceição do Mato Dentro e do mineroduto Minas-Rio.

Agora que os preços mundiais do minério de ferro estão deprimidos a Anglo American está adotando a cartilha conhecida para manter seus lucros bilionários: vendas de ativos problemáticos e demissões de trabalhadores.

Como a Anglo American é a principal parceira da Prumo Logística no Porto do Açu, pode ser que as demissões que estão ocorrendo no lado de lá do mineroduto Minas Rio cedo ou tarde tenham efeitos igualmente perniciosos para os trabalhadores e para as comunidades locais em São João da Barra.  E aviso que não se trata de torcer contra o Porto do Açu ou, menos ainda, desejar que o sofrimento já imposto ao povo sanjoanense em nome de um suposto processo de desenvolvimento seja ampliado.  Nada disso! Trata-se apenas de ligar os pontos e fazer um prognóstico. 

Metabase paralisa mina em Conceição do Mato Dentro para protestar contra demissões na Anglo American  

Os diretores do Sindicato Metabase de Itabira e Região estão desde ontem, 3 de fevereiro, em Conceição do Mato Dentro em manifestação contra a Anglo American que ameaça demitir aproximadamente 400 trabalhadores. Alguns, inclusive, já começaram a fazer as homologações rescisórias esta semana.O presidente do Metabase, Paulo Soares de Souza (PSB) se reuniu com os trabalhadores nesta quinta-feira, parou os ônibus que iam para a mina e discursou a favor da manutenção do emprego.

Segundo informações divulgadas pela diretoria do Metabase, a Anglo está abrindo um “pacote de terror” ao iniciar uma demissão em massa.  “Após os trabalhadores terem contribuído com seu suor, concordarem com reajuste salarial abaixo da inflação no último Acordo Coletivo de Trabalho, abriram mão da jornada de 6hs nos turnos de revezamento em troca da empregabilidade, a empresa vem com seu pacote de terror efetuando demissão em massa nas minas de Conceição do mato Dentro”, divulgou a direção da entidade.

Para o Metabase de Itabira e Região, não há justificativa para as demissões na Anglo American. Segundo a entidade, a própria empresa apontou um cenário de recuperação nas vendas e no preço do minério de ferro no ano passado, o “que torna ainda mais injustificável as demissões”.

FONTE: http://www.viacomercial.com.br/anglo-american-sindicato-metabase-protesta-contra-demissoes-em-conceicao-do-mato-dentro/#prettyPhoto

Licenciamento ambiental da dragagem do Porto do Açu e seu possível conflito de competências

Por uma dessas coincidências interessantes, após ler uma postagem feita pelo Prof. Roberto Moraes em seu blog onde ele teceu considerações sobre a audiência pública realizada para garantir as licenças ambientais necessárias para a dragagem que a Prumo Logística quer fazer no Terminal 1 do Porto do Açu (Aqui!), recebi a mensagem abaixo de um leitor deste blog acerca de um possível conflito de competências na condução do processo de licenciamento.

Vejamos o que escreveu o leitor do blog:

“Prezado Professor:

Já li sua matéria da Audiência Pública da dragagem do Porto de Açu.  Mas quero lhe contar que uma amiga esteve na audiência e ficou chocada. Ela me contou que para fazer as perguntas, os participantes tinham que escrever as perguntas em um pedaço de papel.  O problema é que ela encaminhou duas questões que foram não lidas-ou censuradas- o que é o mesmo.

Uma das questões que a minha amiga apresentou se referia ao porquê do órgão licenciador da dragagem do Porto ser o INEA, e não  o IBAMA, já que por tratar-se de um empreendimento feito no mar territorial, o órgão licenciador teria que ser o IBAMA pela Resolução do CONAMA 237

O fato é que a Resolução CONAMA 237  foi editada em 1997 e regulamentou o licenciamento ambiental definindo que ao órgão federal de meio ambiente – IBAMA caberá o licenciamento de empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental de âmbito nacional ou regional, segundo o que é determinado no seu artigo 10 para áreas:

I. localizadas ou desenvolvidas conjuntamente no Brasil e em país limítrofe; no mar territorial; na plataforma continental; na zona econômica exclusiva; em terras indígenas ou em unidades de conservação do domínio da União.

II. localizadas ou desenvolvidas em dois ou mais Estados;

III. cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais do País ou de um ou mais Estados;

IV. destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor material radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN;

V. bases ou empreendimentos militares, quando couber, observada à legislação específica.

Além disso, em 2008 foi editada a Instrução Normativa nº 184 do IBAMA que regulamentou os procedimentos de licenciamento ambiental federal, especificando prazos e trâmites administrativos.

Finalmente, em 2011 foi editada a Lei Complementar 140/ que estabeleceu a forma de atuação da União, dos Estados e dos Municípios no licenciamento ambiental, cabendo a União – e forma específica ao IBAMA – o licenciamento de empreendimentos e atividades, conforme o estabelecido pelo artigo 7, parágrafo XIV como sendo aqueles:

a. localizados ou desenvolvidos conjuntamente no Brasil e em país limítrofe;

b. localizados ou desenvolvidos no mar territorial, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva;

c. localizados ou desenvolvidos em terras indígenas;

d. localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pela União, exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs);

e.localizados ou desenvolvidos em 2 (dois) ou mais Estados;

f. de caráter militar, excetuando-se do licenciamento ambiental, nos termos de ato do Poder Executivo, aqueles previstos no preparo e emprego das Forças Armadas, conforme disposto na Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999;

g. destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor material radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen); ou

h. que atendam tipologia estabelecida por ato do Poder Executivo, a partir de proposição da Comissão Tripartite Nacional, assegurada a participação de um membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e considerados os critérios de porte, potencial poluidor e natureza da atividade ou empreendimento.

À luz de todas essas legislações fica claro que a competência da dragagem do Porto do Açu deveria estar sendo realizada pelo IBAMA e não pelo INEA.  O que o senhor teria a nos dizer sobre isso?

A minha resposta ao questionamento deste leitor do blog vai na mesma direção daquilo que observou o Prof. Roberto Moraes quando ele afirmou que não teria “muitas dúvidas que o MPF, ou uma ação judicial suspenderá um eventual licenciamento”,  já que como está demonstrado acima, a legislação determina que no caso em que se enquadra a dragagem do Porto do Açu cabe ao IBAMA, e não ao Inea, realizar o licenciamento.

Uma alma mais ingênua poderia me perguntar se em todas as licenças anteriores a competência também não seria do IBAMA, e a resposta é simples: sim, precisamente! Agora explicar o papel que o Inea cumpriu até aqui de emitir todas as licenças referentes do Porto do Açu talvez seja caso de uma postagem apenas sobre este assunto.

Mas o que eu espero é que o Ministério Público Federal tome algum tipo de iniciativa para proteger os interesses da população da Barra do Açu. É que como bem narrou o Prof. Roberto Moraes, esses interesses continuam sendo efetivamente ignorados no licenciamento ambiental “Fast Food” que o Inea realizou até hoje, e com os prejuízos ambientais e sociais já fartamente conhecidos de qualquer um que acompanhe a situação criada pela implantação do Porto do Açu. A ver!