O Porto do Açu e as disputas no seu entorno : todo dia uma novidade

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Eu venho acompanhando com alguma atenção as múltiplas disputas que ocorrem no entorno do Porto do Açu desde que o (des) governador Sérgio Cabral promulgou os infames decretos de desapropriação para criar os natimortos Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB) e Corredor Logístico.  E eu posso dizer francamente que eu não me cansa de me surpreender com as notícias que chegam das terras do V Distrito de São João da Barra.

Pois bem, ao longo dos últimos anos existe um conflito entre os agricultores que tiveram suas terras tomadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin) e a Prumo Logística (ex- LL(X) para que se proceda a vacinação do gado que se encontra hoje vagando em diferentes partes do V Distrito contra a chamada febre aftosa. No ano passado, apesar das dificuldades, a Secretaria Municipal de Agricultura de São João da Barra realizou a vacinação desse rebanho.

Mas agora vejam o e-mail que acaba de chegar no e-mail deste blog em relação a problemas envolvendo a Prumo Logística e os agricultores do V Distrito que desejem vacinar seu gado:

” Para retirar o gado, seja para vacinar ou levar pra outro local, os funcionários da Prumo mandam o produtor assinar um documento onde o mesmo se compromete a não mais trazer o animal de volta para a área, se trazer, o animal poderá ser vendido, abatido ou transferido sem qualquer conhecimento do proprietário. A Prumo meio que irá “desapropriar” o produtor com seu próprio rebanho assim como fizeram com as terras. Como sabemos não há currais dentro da área desapropriada, e na época da vacinação é necessário retirar o gado, vacinar e voltar com o gado. Quem não assinar o documento eles irão filmar/fotografar e se virem o gado novamente na área irão utilizar do mesmo procedimento, assim dizem os funcionários.”

Como este blog tem leitores no V Distrito, eu peço que se alguém tiver uma cópia deste documento que me envie porque eu gostaria de ler o seu inteiro teor. O fato é que se o que está afirmando acima for mesmo comprovado, estaremos diante de um desdobramento bastante peculiar, para dizer o mínimo.

Por outro lado, seria interessante conhecer a posição da Secretaria Municipal de Agricultura em relação ao processo de vacinação do gado existente no V Distrito. É que a produção leiteira que ali ocorre continua sendo uma das poucas fontes tangíveis de produção de renda em São João da Barra, e cabe ao poder público garantir que o rebanho permaneça protegido e saudável.

 

Minha reação às críticas do deputado Bruno Dauaire: cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém

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Há pouco minutos atrás me foi chamada a atenção sobre críticas que me teriam sido dirigidas pelo jovem deputado sanjoanense Bruno Dauaire (PR) durante uma entrevista ocorrida na manhã deste sábado (13/06) na Rádio O O DIÁRIO. A aparente causa do desconforto do deputado Dauaire comigo seria uma postagem em que comentei (de forma bem civilizada acredito eu) declarações que ele deu ao visitar as dependências do Porto do Açu no dia 11 de maio (Aqui!). Como não ouvi a entrevista, nem vou me alongar numa réplica, onde eu poderia cometer alguma indelicadeza indevida.

Agora é preciso notar que entre a visita ao Porto do Açu e a entrevista de hoje se passaram mais de 30 dias, período ao longo do qual a assessoria do deputado me contactou para tratar de outros assuntos, onde essa questão não apareceu. Além disso, o que eu escrevi na postagem do dia 13/05 está perfeito alinhamento com a realidade, sem tirar nem por.

Aliás, como um jovem parlamentar que é, o deputado Bruno Dauaire deveria saber que críticas bem colocadas são milhões de vezes mais úteis do que frases vindas de bajuladores e outros tipos de indivíduos que só se aproximam atrás de benefícios pessoais. Como esse não é o meu caso, já que meus atos são direcionados no sentido de que se faça justiça aos agricultores e pescadores do V Distrito de São João da Barra, penso que minhas observações não deveriam ser causa de incomodo ou desconforto pessoal. Aliás, muito pelo contrário. Deveriam ser consideradas uma consultoria grátis.

Finalmente, uma dica sem segundas intenções ao deputado Bruno Dauaire: use seu mandato para defender o sofrido povo de São João da Barra que hoje se encontra carente de todos os tipos de serviços públicos de qualidade, a começar por um hospital municipal. Já no caso do V Distrito que ele use seu mandato para acelerar o pagamento de indenizações, as quais reflitam o valor real da terra e não aquilo que peritos contratados pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) dizem valer. E, sim, que ele evite ser novamente fotografado com o famigerado colete verde limão da Prumo Logística Global (LLX). É que, do contrário, ele pode a ser acusado de veste a camisa da Prumo Logística Global e não a da população que o elegeu.  E se isso acontecer, é quase certo que suas próximas corridas eleitorais não sejam tão exitosas quanto a que o colocou na atual legislatura da ALERJ. Simples assim!

 

Revista Ciência Hoje traz dois artigos sobre erosão causada pelo Porto do Açu

O número 56 da Revista Ciência Hoje que é publicada pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) (Aqui!) traz dois artigos de opinião sobre os problemas de erosão costeira ocorrendo na faixa costeira próxima ao Porto do Açu. Um desses artigos é de minha autoria e o outro é do professor Gilberto Pessanha Ribeiro da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que é um profundo conhecedor do litoral de São João da Barra.

Abaixo a capa da edição 56 da Ciência Hoje e o artigo do professor Pessanha.

Capa Ciência Hoje Artigo Pessanha

Uma coisa que tem me deixado curioso se refere a quando teremos acesso ao projeto que estaria sendo elaborado pela UFRJ para dar conta da erosão em curso na Praia do Açu. É que se demorarem demais, o mais provável é que a emenda acabe sendo pior que o soneto.

 

Portal OZK: mais de 500 trabalhadores param no Porto do Açu por falta de pagamento

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 Por  Leonardo Ferreira

Mais de 500 trabalhadores cruzaram os braços na manhã desta quinta-feira (11) no Complexo Portuário do Açu, 5º Distrito de São João da Barra, alegando falta de pagamento.

De acordo com apuração da reportagem do Portalozk.com , os funcionários cobram salário atrasado a empresa Engesique.Estamos trabalhando há uma semana já sem salário e ontem foi a gota d’água, eles mentiram pra gente dizendo que o dinheiro estava na conta, mas fomos ver e não estava. Hoje nós paramos e só vamos voltar quando o dinheiro estiver na conta“, disse um funcionário a reportagem do Portalozk.com .Além do salário atrasado há uma semana, há também atraso PLR de dois meses.

ATUALIZAÇÃO – A empresa reconheceu que o pagamento não estava na conta dos funcionários e liberou todos, informando que o banco havia dito que creditaria os salários ainda hoje.

FONTE: http://www.portalozk.com/vaf/noticias/economia/mais-de-500-trabalhadores-param-no-porto-do-acu-por-falta-de-pagamento/1601/

Ship to ship no Porto do Açu: sob o desígnio do improviso, quem se responsabilizará pelos eventuais desastres ambientais?

É até compreensível que os atuais controladores do Porto do Açu, comandados pelo fundo de private equity EIG Global Partners, queiram tirar o pé do atoleiro e encontrar novas formas de gerar retorno para o empreendimento. Uma das novas e decantadas opções é o uso do Terminal 1 para o transbordo de petróleo na operação conhecida como “ship to ship” (Aqui!) a partir de um contrato com a BG Brasil. Afinal de contas, agora que o minério de ferro está dando prejuízo para a Anglo American, há que se achar alguma saída para que o Porto do Açu não seja completamente inviabilizado.

Agora o que eu gostaria de ter lido ou ouvido e não constatei foram notícias relacionadas ao estabelecimento de planos de contingência ou, tampouco, do estabelecimento de um fundo de compensação ambiental para eventuais acidentes ambientais que o uso do Terminal 1 para este tipo operação poderá gerar. Se os que se preocupam com a viabilidade do Porto do Açu se dessem ao trabalho de verificar na internet, encontrariam “n” exemplos da adoção dessas medidas em outros locais do planeta onde a operação “ship to ship” é utilizada.

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E o pior é notar o silêncio ensurdecedor por parte dos órgãos ambientais (IBAMA e INEA) em relação à cobranças que deveriam estar sendo feitas para que essa improvisação no uso do Terminal 1 (que certamente tem tudo para se tornar permanente) não se dê sem que as devidas salvaguardas sejam estabelecidas e as medidas de mitigação estejam estabelecidas e prontas para serem implementadas no primeiro sinal de problema.  

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Pelo que pode se notar, todos estão esperando para chorar lágrimas de crocodilo sobre o óleo derramado. E, sim, depois que ninguém venha reclamar que não foram avisados!

Alcimar Chagas faz ponderações cirúrgicas sobre real alcance do Porto do Açu para o desenvolvimento regional

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A postagem abaixo vem do blog “Economia do Norte Fluminense” que é mantido pelo professor Alcimar das Chagas Ribeiro do Laboratório de Engenharia de Produção da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aqui!). O meu colega de UENF é uma das poucas vozes locais que ousam levantar questionamentos sobre as promessas delirantes de um modelo de desenvolvimento econômico que nada desenvolve no plano local, pois remete todas as riquezas para longe, e sobrecarrega o município de São João da Barra com todo tipo de mazelas sociais e ambientais.

O ponto a se frisar no material abaixo é que, em sua aparente simplicidade, a postagem traz um conteúdo que deveria merecer a devida atenção de toda a sociedade regional, a começar pelos políticos, mas que continua sendo negligenciado, sabe-se lá em função de quais interessados, certamente privados.

 

O Porto do Açu e suas derivação: como fica o território de entorno?

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O primeiro ciclo portuário de São João da Barra durou aproximadamente 150 anos. A estratégia fundamental dos investimentos estava atrelada a necessidade de transportar a produção do interior fluminense e das regiões limítrofes do Espírito Santo e Minas Gerais. O porto gerava emprego e renda porque escoava a produção regional (açúcar, madeira, farinha, café, carnes, etc.).

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O Porto do Açu, contrariamente, tem como objetivo escoar produtos que geram emprego em regiões distantes. O mesmo não apresenta afinidade, em termos negócios e ocupações, com a sua proximidade. Desta forma, é muito representativo para o país que apresenta gargalos importantes, fundamentalmente, em portos. Quanto aos benefícios para o território de influencia? A história comprovará que a nossa visão crítica é coerente.

FONTE: http://economianortefluminense.blogspot.com.br/2015/06/o-porto-do-acu-e-suas-derivacao-como.html

E por falar em salinização das águas….

Aproveitando a deixa oferecida pelo editorial do jornal O Diário, um desdobramento de pesquisas que venho realizando nos últimos 6 anos na região do V Distrito do Açu é a realização de uma ampla campanha de coleta de águas superficiais e subsuperficiais em todo aquele território. 

Como ainda não realizamos todas as análises nas dezenas de amostras já coletadas, qualquer afirmação categórica é precoce. Contudo, posso dizer que tenho ficado surpreso com o grau de variação que temos encontrado na condutividade elétrica entre as diferentes localidades amostradas, e mesmo dentro delas. As análises químicas que serão realizadas pela equipe do Prof. Carlos Rezende no Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf deverão nos ajudar a entender os mecanismos que estão causando essa variação.

Mas uma coisa é certa: quando tivermos os resultados desse estudo, talvez possamos entender qual foi efetivamente o impacto de todas as alterações fisiográficas causadas pela implantação do Porto do Açu na composição química das águas no V Distrito de São João da Barra. E depois que ninguém clame surpresa, pois estamos seguindo protocolos bastante conservadores para coletar e analisar as amostras de água. A ver!

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Porto do Açu: editorial do “O DIÁRIO” coloca o dedo nos efeitos colaterais desenvolvimento “predador”

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É raro termos reflexões críticas acerca dos efeitos socioambientais deletérios trazidos pela implantação do Porto do Açu, especialmente no âmbito da imprensa regional. É como se o Porto do Açu fosse uma vaca sagrada e intocável para que os deveriam informar a população de forma universal. Por romper esse padrão seguidista em relação a um empreendimento que até hoje é mais espuma do que chopp é que posto abaixo um editorial publicado pelo jornal O DIÁRIO no dia de hoje. A leitura do mesmo deveria ser uma obrigação para os atuais controladores do Porto do Açu e, principalmente, as autoridades municipais não apenas de São João da Barra, mas de todos os municípios que estão na área de influência do empreendimento. É que como diz o editorial, apesar das doces promessas, a realidade é bem salgada, especialmente para os mais pobres.

editorial O DIÁRIO

Porto do Açu: um belo exemplo de que tamanho não é documento

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A matéria abaixo publicada pelo jornal  O DIÁRIO é mais uma daquelas que estão sendo disseminadas na imprensa regional para que nós pobres mortais possamos nos dar conta do brilhante futuro que o Porto do Açu nos assegurará. Desse tipo de matéria já vi várias, só que não no  O DIÁRIO. Parece que a tática de “enamoramento” adotada pela Prumo Logística está tendo efeito, ainda que não na medida desejada.

Por que digo isso? É que se lermos atentamente o conteúdo da matéria, notaremos a presença de vários elementos condicionantes, tais como “poderão“, “irá“, “sejam gerados“, “previstas“. Em outras palavras, passados oito anos, tudo de bom ainda parece estar reservado para um futuro incerto. E como se sabe, o futuro a Deus pertence.

Mas se olharmos também os números declarados, veremos que o Porto do Açu diminuiu para não sumir de vez. No lugar dos centenas de milhares de empregos prometidos por Eike Batista, a matéria nos conta que o Porto do Açu emprega um mirrado número de 6.000 trabalhadores! E ainda temos os 20 navios que terem vindo ser carregados de minério desde outubro de 2014! É que como estamos efetivamente no final de maio, isto representa um número médio de 2,86 navios por mês. E como se sabe que o mineroduto está operando no limite do custo operacional, esse número de navios não está dando nem para a Anglo American começar a recuperar as pesadas perdas financeiras que lhes foram causadas pelo empreendimento. E como a mineradora sul africana não anda bem das pernas, esse número irrisório de navios carregados aponta para catástrofe se não for rapidamente revertido.

Para mim, como em outras áreas sensíveis da vida, o Porto do Açu é um exemplo cristalino de que “tamanho não é documento”. É que em meio ao gigantismo herdado de Eike Batista, a situação das áreas ainda desocupadas representa uma verdadeira bomba de tempo, que pode explodir a qualquer momento caso, por exemplo, a CODIN não consiga mais sustentar as indecorosas desapropriações que foram realizadas em tempo expedito, apenas para criar um grande latifúndio improdutivo no V Distrito de São João da Barra.

Também achei peculiar a narrativa de que o “Porto do Açu tem como vocações o minério de ferro, petróleo e apoio ao setor offshore”. É que numa empreendimento que já passou por tantas mudanças, descobrir que ele virou um ‘jack of all trades” é, no mínimo, peculiar.

Por fim, eu espero sinceramente que mais matérias como essa continuem aparecendo na mídia regional. É que com elas podemos efetivamente, tomando-se o devido cuidado de ler a matéria por detrás da matéria, saber a quantas anda o tamanho do problema com o qual se defronta hoje a atual controladora do Porto do Açu. Simples assim!

Seis mil empregos no Porto do Açu

Phillipe Moacyr
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Porto do Açu tem como vocações o minério de ferro, petróleo e apoio ao setor offshore

Keylla Thederich

Desde o lançamento da pedra fundamental do Complexo Industrial do Porto do Açu, no município de São João da Barra (SJB), em 2007, oito anos se passaram. Durante esse tempo, o empreendimento passou por muitas mudanças e até incertezas. Hoje, seis mil pessoas trabalham no empreendimento, que possui além da Prumo Logística Global, atual responsável pela administração, mais 11 empresas que têm contrato, cinco delas efetivamente operando.

A principal dificuldade ocorreu com a derrocada do seu principal idealizador e acionista, o empresário Eike Batista, no ano passado. Mudanças ocorreram, desde a reformulação estrutural até o controle administrativo. As previsões eram ruins diante da crise, mas a nova administração trouxe boas perspectivas. Até o final deste ano, duas importantes operações devem ter início no complexo.

Com a saída das empresas “X”, houve uma mudança vocacional no porto. O empreendimento, que antes tinha como principais vocações o minério de ferro e a instalação de duas siderúrgicas, tem hoje como principais atividades, além do minério, petróleo e apoio ao setor offshore. Com essa nova demanda, o projeto original precisou sofrer ajustes e novos negócios se tornaram possíveis.

Novas operações no Terminal 2

As novidades são que, no segundo semestre do ano, duas importantes operações estão previstas para serem iniciadas: o Terminal Multicargas (T-Mut) da Prumo e as operações da Edison Chouest em parceria com a Petrobras, ambos no Terminal 2. O T-Mult irá movimentar cargas como contêineres, rochas, veículos, petróleo, entre outros, de várias empresas. Com 500 metros de cais já prontos para operação, o TMULT possui atualmente dois berços, que poderão movimentar até quatro milhões de toneladas entre graneis sólidos e carga geral. Sua capacidade estática de armazenagem é superior a 100 mil toneladas de granéis sólidos e 20 mil toneladas de carga geral.

Já a americana Edison Chouest fechou parceria com a Petrobras para atuar como base de apoio logístico offshore e estaleiro de reparos navais para suas próprias embarcações que atuam na Bacia de Campos. Essa é a segunda expansão da empresa no porto, cujo montante de investimentos previstos é de R$ 950 milhões. Com o início das operações para novembro deste ano, a estimativa é que sejam gerados 900 empregos na base.

Outras operações também estão previstas para ter início no segundo semestre de 2015 e início do ano que vem, que são: movimentação de container, instalação de usina termoelétrica, polo de reparo naval, transbordo de petróleo, distribuição de gás, entre outras.

Tamanho é documento

Com uma área total de 130 km², sendo 90 km² do empreendimento com o Terminal 1 (T1 – offshore) e o Terminal 2 (T2 – onshore), e 40 km² de área de reserva natural, o complexo conta com 17 km de píeres. O T1 é dedicado à movimentação de minério de ferro e petróleo e teve sua primeira operação outubro de 2014, já tendo recebido 20 navios.

Já o T2 está instalado no entorno de um canal para navegação, que conta com 6,5 km de extensão, 300 metros de largura e profundidade de, pelo menos, 10 metros em toda a sua extensão, chegando a 14,5 metros na sua maior profundidade. O T2 irá movimentar carga de projetos, contêineres, rochas, bauxita, grãos agrícolas, veículos, granéis líquidos e sólidos, carga geral e petróleo, através das empresas já instaladas e que têm contratos. Ainda no T2, tem a área da OSX, cujas primeiras instalações foram feitas e paralisadas em função do pedido de recuperação judicial. Os dois terminais juntos ocupam 10% da área.

Além disso, o porto ainda conta com uma extensa área a ser ocupada, que é chamada de retroárea, onde serão instalados um hotel, um centro de conveniência e outras empresas. As possibilidades de ocupação da área são enormes e por isso, vários negócios estão sendo discutidos. Com a ocupação e efetiva operacionalização, o Porto do Açu, que é considerado estratégico pela sua localização, possui área e vocação para ser o maior da América Latina.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/seis-mil-empregos-no-porto-do-acu-21744.html

Porto do Açu: sucesso de mídia , mas só na regional

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Tenho observado um esforço concentrado da atual controladora do Porto do Açu de promover uma volta daquelas famosas visitadas guiadas dos tempos de Eike Batista, onde o alvo principal é a mídia regional. Os relatos, como é de se esperar, são sempre bem impressionados e contribuem para um esforço de construção de imagem que não tem preço, especialmente em tempos de tanta incerteza por falta de interessados.

Essa volta das visitas guiadas ao interior do Porto do Açu é, contudo, um fenômeno regional. Tenho observado os grandes órgãos de imprensa nacional e internacional (por ex: Exame, Valor Econômico, Bloomberg, BBC, Reuters), e as entradas de matérias voltadas para cobrir o empreendimento são, quando muito, escassas e antigas. Em outras palavras, todo esse esforço é aparentemente para legitimar o empreendimento no plano local, visto que não se nota qualquer repercussão para além dos municípios diretamente influenciados por sua existência.

E ai é que reside um detalhe curioso: no plano local o que se vê é uma combinação de “cash in” e “trash out”.  Em português claro, isso significa que o Porto do Açu se tornou um ponto focal de entrada de dinheiro público graças aos generosos empréstimos do BNDES, mas por causa da sua natureza de enclave estadunidense, não há muita repercussão positiva para o entorno. Aliás, muito pelo contrário! O que se sobra para o entorno é muito lixo, seja na forma mais básica, ou na mais complexa que são suas múltiplas e profundas mazelas sociais e ambientais. Na prática, quem caminha pelas comunidades de entorno notará cenas que mais parecem saídas das regiões mais pobres do Brasil, e não de uma área que tem sido tão generosamente abastecida com vários bilhões de reais.

Apenas numa contagem básica, o que temos de objetivo do Porto do Açu para o município de São João da Barra? Os mais otimistas apontarão seus dedos para a única coisa palpável: o aumento no recolhimento do Imposto sobre Serviços (ISS). Mas e o custo social e ambiental? Começando pela salinização de águas e solos, passando pela erosão costeira que segue incontida e por incêndios na floresta de restinga, e mais recentemente no despejo de minério de ferro nas águas oceânicas que banham a área de carregamento. 

O mais impressionante é que todas essas mazelas ambientais continuam crescendo todos os dias, sem que haja qualquer esforço palpável para contê-las, o que permite estabelecer um cenário de profunda degradação ambiental caso todas as promessas de novos empreendimentos dentro do Porto do Açu se concretizam. È como se estivéssemos vivendo a aurora de uma nova “Cubatão” em nossa região, sem que ninguém pareça querer notar.

E ai todo esse esforço para angariar simpatia entre a mídia regional faz muito sentido. Resta saber se haverá como se jogar para debaixo tantos problemas… e por quanto tempo. É que não há campanha agressiva de mídia positiva que consiga encobrir tantos problemas por todo o tempo. A ver!