Valor produz matéria elucidativa sobre situação financeira do Porto do Açu

O Jornal Valor Econômico produziu uma matéria que considero bastante elucidativa da situação que a Prumo Logística Global está enfrentando para viabilizar o Porto do Açu, e que foge do tratamento “entre amigos” que é dispensado pela imprensa regional (Aqui!). A matéria mostra que apesar do cenário ter alcançado uma estabilidade maior a partir de uma injeção de capitais realizada pela EIG Global Partnerns, a Prumo Logística deverá entrar dificuldades em 2015 e 2016.

É que além de ter uma portfólio ainda restrito de contratos, a Prumo Logística possui dívidas bilionárias de curto prazo, o que implica na persistência de uma situação de caixa negativo. Em outras palavras, a situação melhorou, mas não melhorou tanto assim, e os atuais controladores ainda vão ter que enfrentar um cenário global que joga contra seus interesses, especialmente no tocante ao preço, em queda livre, do minério de ferro. Isto tornará fundamental que a Prumo Logística atraia empresas do setor de óleo e gás, principalmente a Petrobras, para atuar no Porto do Açu. Acontece que a situação na Petrobras deverá ser de extrema cautela até que se resolvam os problemas gerados pelos escândalos associados à Operação Lava Jato.

Um detalhe a mais na matéria é o fato de que Eike Batista agora está com apenas 6,7% das ações da Prumo Logística, o que lhe retira qualquer participação significativa nas decisões sobre os rumos do empreendimento. Isto é ironicamente bem visto pelo mercado, mas deve doer muito no ego ainda muito dolorido do ex-bilionário e suas muitas viúvas no Norte Fluminense.

Finalmente, eu indicaria aos leitores que olhem com atenção os números acerca do comportamento financeiro do Poto do Açu, tanto em termos de receitas, mas principalmente de despesas. É que enquanto as receitas aparecem ainda modestas, as das despesas são bastante polpudas. Se não for por nada, que sirva de cautela para quem quiser todas as suas fichas depositadas no porto. A ver!

O tudo ou nada de Malu Gaspar: a ascensão e queda de Eike Batista, e a ameaça da Fênix

Passei os últimos dias de 2014 e os primeiros de 2015 lendo os capítulos que me restavam da obra “Tudo ou Nada” da jornalista Malu Gaspar cujo mote é analisar a ascensão e queda do império “X” de Eike Batista. A obra que está dividida em um prologo, 22 capítulos e um epílogo e que consome 494 páginas para realizar uma narrativa de tirar o fôlego de todas as idas e vindas, peripécias e personagens que serviram de escada de Eike Batista em seu processo de passar de milionário e bilionário, e depois, como ele mesmo disse, de volta à “classe média”.

Como Malu Gaspar reconhece que o livro começou a ser escrito em 2006, eu até entendo porque os capítulos que narram a ascensão e a incipiente permanência de Eike Batista no topo da glória são mais cativantes e ocupam um número maior de capítulos, enquanto a maioria dos dedicados à debacle são mais curtos e menos detalhados. Eu atribuo isso à debandada de funcionários, diretores e Chief Executive Oficcers (CEOs) que certamente abasteceram a autora com detalhes tão íntimos quanto picantes sobre o cotidiano de Eike Batista e seu conglomerado financeiro. No entanto, no conjunto da obra, este desiquilíbrio acaba não afetando a qualidade do seu conteúdo.  Não como negar, o livro de Malu Gaspar é muito informativo e elucida as entranhas do maior colapso financeiro ocorrido na história das bolsas de valores latino-americanas.

Uma reserva que eu tenho é o roll restrito de vítimas desse processo, já que Malu Gaspar acabou restringindo sua análise ao âmbito do mundo financeiro. Fora disso, todos são invisíveis e aparentemente secundárias na grande narrativa estabelecida no livro. Esse é um detalhe que pode parecer secundário, mas não é. É que se levarmos o único caso em que Malu Gaspar vislumbra a oportunidade de que haja algum tipo de legado histórico, o Porto do Açu, existem tantas vítimas deixadas na obscuridade que, se reveladas, deixariam os acionistas minoritários da G(X) parecendo apenas como personagens merecedoras de seu cadafalso. É que, para começo de conversa, ninguém colocou a Polícia Militar para obrigar ninguém a comprar as ações turbinadas da OG(X), como aconteceu com os agricultores do V Distrito de São João da Barra, os quais continuam até hoje abandonados à própria sorte. Neste aspecto em particular, Malu Gaspar simplificou o enredo. Mas como nunca declarou que iria dar uma fotografia completa, talvez nem devesse ser criticada por essa “pequena” lacuna.

A obra é concluída com um interessante capítulo de Epilogo que soa como uma lembrança de que Eike Batista pode, afinal de contas, não estar acabado como muitos vaticinam neste momento, e que ele pode, dadas condições novamente propícias, irromper no cenário restrito dos bilionários. Malu Gaspar sintetiza essa possibilidade do dito galego de que “não creio em bruxas, mas que elas existem, existem“. 

Agora, algo que deveria ser mais bem analisado por todos os interessados nos problemas econômicos afligindo a economia fluminense, e que é apenas insinuado por Malu Gaspar, se refere ao impacto do tombo de Eike Batista sobre as chances de algum tipo de crescimento econômico sustentado no Rio de Janeiro. E se alguém se dispor a fazer essa análise, provavelmente encontrará pela frente não apenas Eike Batista, mas também Sérgio Cabral e todos os que orbitaram ao seu redor nos anos dourados do ex-bilionário.

Finalmente, eu indicaria o livro aos que ainda se iludem com as chances do Porto do Açu vir a ser uma Roterdã dos trópicos. É que apesar de não se prender a prognósticos sobre o futuro do empreendimento “legado”, Malu Gaspar coloca definitivamente “os pingos definitivamente no is”.  Depois de ler o livro, que se iluda quem quiser.

Porto do Açu: à beira da conclusão, mas sem que Eike Batista possa festejar

Enquanto Eike enfrenta julgamento, Porto do Açu é concluído

VEJA SÃO PAULO
Eike Batista

Eike Batista: o porto, idealizado por Eike, finalmente se torna operacional, após atrasos e orçamentos estourados

Juan Pablo Spinetto, da Bloomberg

Rio de Janeiro – O último dos blocos de concreto de 66 metros de comprimento está pronto para ser rebocado para o mar no momento em que o trabalho no porto privado mais caro da América Latina está mais perto de concluir. Para o idealizador do projeto, uma cerimônia de abertura a puro luxo não poderia estar mais distante da realidade.

O projeto do Porto do Açu, de R$ 6,3 bilhões (US$ 2,4 bilhões), no estado do Rio de Janeiro, é uma criação do empreendedor mais famoso do Brasil, Eike Batista. Enquanto o porto finalmente se torna operacional após atrasos e orçamentos estourados, Eike está ocupado defendendo-se das acusações de insider-trading depois que seu império das commodities entrou em colapso.

O Porto do Açu iniciou as operações em outubro, quando um navio carregado com 80.000 toneladas de minério de ferro partiu para a China de um terminal compartilhado pela Prumo Logística SA, a empresa que controla Açu, com a Anglo American Plc. Outro navio atracou no mês passado no berço da National Oilwell Varco Inc., maior fabricante americana de equipamentos para campos petrolíferos, enquanto a Technip SA, com sede em Paris, também amplia uma fábrica de canos flexíveis.

“Essa é uma nova fase”, disse o presidente da Prumo, Eduardo Parente, 43. “Estamos terminando a obra básica da infraestrutura do porto, terminando de equacionar a estrutura financeira, as conversas comerciais estão muito mais simples e já temos as primeiras operações”, disse ele, em visita ao porto neste mês.

Açu, que significa “grandioso” em tupi-guarani, compreende dois terminais ao longo da costa perto de São João da Barra, a cerca de 320 quilômetros a noroeste das famosas praias do Rio. O empreendimento, que ocupa cerca de 90 quilômetros quadrados, comercializa sua proximidade com os campos de petróleo da Bacia de Campos, fonte de cerca de 80 por cento da produção do Brasil, para possíveis clientes.

Após perder cerca de US$ 30 bilhões de sua fortuna pessoal, o envolvimento de Eike com o Porto do Açu foi reduzido para uma participação minoritária. Sobrecarregado por dívidas e pela falta de capital para concluir seus projetos, no ano passado ele entregou o controle à EIG Global Energy Partners LLC, o fundo de private-equity de US$ 15 bilhões com sede em Washington, que agora possui quase 60 por cento da Prumo.

A escala e as ambições do empreendimento também mudaram.

Cidade ‘X’

Quando Eike Batista iniciou a construção, em 2007, ele previa que o superporto seria a peça central que integraria seus empreendimentos de petróleo, logística e commodities. O projeto de Eike para Açu incluía um complexo industrial com montadoras e usinas siderúrgicas, além de um centro urbano anexo chamado de cidade “X”. Ele usava a letra X nos nomes de suas empresas porque dizia que a letra simbolizava a multiplicação da riqueza.

O porto seria o maior das Américas e estaria entre os três maiores do mundo, dizia Eike, incansavelmente, em seus discursos, com o terminal de minério de ferro inicialmente projetado para iniciar as operações em 2010. O projeto foi mostrado de helicóptero a jornalistas para que eles pudessem apreciar melhor sua magnitude.

“Vai se tornar a Roterdã dos trópicos”, disse ele, em uma mensagem em sua conta no Twitter em março de 2013, comparando o empreendimento com o porto de maior movimentação da Europa.

O empreendedor, cuja participação na Prumo será reduzida para menos de 10 por cento por não conseguir participar de um aumento de capital, no mês passado foi à primeira audiência de um julgamento histórico no Brasil sob a acusação de insider-trading e de manipulação de mercado. Uma segunda sessão, originalmente programada para 17 de dezembro, foi adiada para o início do ano que vem, de acordo com o tribunal que está julgando o caso.

Abordagem conservadora

Eike não respondeu a um pedido enviado por e-mail para comentar sobre o Porto do Açu.

A Prumo adotou uma postura mais conservadora para focar na entrega do porto e atrair clientes, em um momento em que as ações são negociadas a um valor próximo ao seu nível mais baixo desde 2008. A grandiosa cidade “X” de Eike e o centro siderúrgico, industrial e do cimento que ele previa foram descartados.

A empresa espera concluir a instalação dos 47 blocos de concreto necessários para o terminal 1 até abril e dos 42 blocos para o terminal 2 até julho. As unidades da Edison Chouest Offshore International e da Wartsila Oyj deverão começar no primeiro semestre de 2015. A Prumo também espera uma joint venture com a BP Plc para estabelecer um empreendimento de armazenagem e distribuição de combustível marítimo com início das operações no segundo semestre do ano que vem.

“Esse projeto ganhará força agora que entra na fase operacional e que as empresas estão estabelecendo suas bases”, disse Wagner Victer, que desenvolveu o porto-conceito originalmente em 2000, antes de apresentá-lo a Eike Batista quando foi secretário de Energia do Rio. “Ele se tornou realidade mesmo com todas as dificuldades e atrasos óbvios em projetos dessa magnitude”.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/enquanto-eike-enfrenta-julgamento-porto-do-acu-e-concluido

Alerj: Açu pode virar uma ‘nova Macaé’

Alerta é de comissão que votou relatório propondo melhorias em infraestrutura para evitar crescimento desordenado

O DIA

Rio – Impactos sociais e ambientais causados pelo Complexo Logístico do Porto do Açu ameaçam o desenvolvimento das regiões Norte e Noroeste Fluminense. É o que aponta o relatório final da Comissão Especial da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), criada para analisar o processo de instalação do megaempreendimento no município de São João da Barra. Aprovado nesta quarta por unanimidade, o documento aponta deficiências no projeto e traz diversas melhorias a serem implantadas na região.

Para o presidente da comissão, deputado estadual Roberto Henriques (PSD), apesar do potencial de alavancar a economia regional, com reflexos positivos para todo o estado e o país, o porto traz grandes riscos à região. “Nosso principal objetivo é evitar que aconteça o que ocorreu em Macaé e em Duque de Caxias, e o que está acontecendo com Itaboraí, com a instalação do Comperj. Em Macaé, pegaram um elefante branco, a Petrobras, e jogaram em cima de uma formiga, a cidade. Isso trouxe diversos efeitos colaterais negativos”, disse. 

Documento aponta que empreendimento em São João da Barra emprega apenas 30% de mão de obra local

Foto:  Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

O relatório propõe sugestões aos governos federal e estadual para tentar minimizar os problemas que podem ser causados, especialmente à logística de transporte, energia, saneamento, urbanização, habitação, educação, segurança e capacitação profissional. O Ministério do Trabalho também será acionado para atuar na fiscalização das empresas que operam no porto e inibir a violação de direitos dos trabalhadores. O documento será enviado ainda à Prumo Logística, que opera o porto, e às prefeituras da região. 

No relatório, foram listadas obras necessárias para garantir o pleno desenvolvimento da região, como a duplicação da rodovia BR-101; a criação da estrada Translitorânea — que vai ligar os municípios do Norte Fluminense à cidade de Presidente Kennedy, no Espírito Santo — e dois novos hospitais, com estruturas que vão beneficiar não só os trabalhadores, mas também os moradores de toda a região. 

Outro ponto abordado na audiência foi a urgente qualificação da mão de obra local, já que, segundo levantamento do Sindicato da Construção Civil da região, dos 11 mil trabalhadores atuantes no porto, apenas 30% são locais — 70% são de outros estados e até de fora do país

FONTE: http://odia.ig.com.br/odiaestado/2014-12-17/alerj-acu-pode-virar-uma-nova-macae.html

Portal OZK: Falha faz equipamento da FCC adernar no Porto do Açu

Falha em bomba faz Caixoneiro Mar Del Enol da FCC inclinar no Porto do Açu, em São João da Barra

Por LEONARDO FERREIRA 

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As primeiras informações que chegam a redação do Portalozk.com dão conta de que o Caixoneiro Mar Del Enol da FCC, no Complexo Portuário do Açu, está afundando.

A estrutura, situada em um dos píeres do Porto do Açu, em São João da Barra, ficou bem inclinada na tarde desta quinta-feira (11), o que assustou trabalhadores no local.

Caixoneiro Mar Del Enol é uma especie de forma para fabricação de moldes para blocos gigantes de concreto.

ATUALIZAÇÃO 16h30 – A Assessoria da empresa Prumo Logística entrou em contato com a redação do Portalozk.com e esclareceu que houve uma falha em uma das bombas de sustentação do equipamento, por volta de meio-dia, mas que o problema já foi solucionado. A Prumo informa, ainda, que ninguém ficou ferido, que o problema não causou nenhum impacto na obra e nos trabalhos do Porto do Açu. Uma nota será emitida ainda hoje, com maiores detalhes a respeito do ocorrido.

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FONTE: http://portalozk.com/dlf/noticias/um-dos-pilares-da-empresa-fcc-esta-afundando-no-porto-do-acu-em-sao-joao-da-barra/

Portal OZK: Professor da UENF identifica “visitante” na Praia do Açu. Qual será a próxima “novidade” no Porto do Açu?

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A matéria abaixo foi produzida pelo portal sanjoanense de notícia, o OZK News, e nos informa que o professor da UENF, Ronaldo Novelli, identificou o animal que anda chegando em grandes quantidades à área de influência do Porto do Açu. Na matéria duas informações são tranquilizadoras: 1) o animal não é exótico, e 2) a substância que libera para se defender não é tóxico para seres humanos.

Uma questão que a matéria não abordou e que teria sido importante o jornalista abordar tem a ver com a explosão populacional deste animal. É que em qualquer circunstância, o aumento populacional expressivo de qualquer espécie acaba implicando na diminuição de recursos para outra ou outras espécies. 

Além disso, há que se lembrar que a aparição do que foi identificado como o “Aplysia fasciata” em grandes quantidades é apenas outro sinal de desiquilíbrio ambiental na área de que poderá virá depois? Com a palavra o INEA e o IBAMA que deveriam estar monitorando o empreendimento. 

 

EXCLUSIVO: Professor de Biologia identifica animal que apareceu nas praias sanjoanenses

Por LEONARDO FERREIRA 

O Professor de Biologia da UENF Ronaldo Novelli identificou nesta segunda-feira (08), a pedido do Portalozk.com , o animal que apareceu nas praias sanjoanenses no final de semana e que deixou a população em total curiosidade.

De acordo com Novelli, o animal que apareceu em muita quantidade nas praias de Atafona, Grussaí e principalmente no Açu, trata-se de Aplysia fasciata, um opistobrânquio marinho, um gastrópode da família Aplysiidae. Existe quem classifique esta mesma espécie como sinônimo de Aplysia brasiliana. Esta espécie possui vários nomes em português, tal como: lebre-do-mar-negra, devido à existência de 02 rinóforos (antenas cefálicas) na cabeça que se assemelham às orelhas de lebre; e vinagreira-negra, derivado à cor purpura do líquido não tóxico que libertam quando estão em stress.

O professor explicou que o líquido liberado pela Aplysia encontrada no Açu, de cor avermelhada, explica-se por causa da água e da alimentação e o motivo de ter aparecido tantos dessa espécie na região, pode ter sido o Porto do Açu.

“Como lá no Açu, na região portuária, tem muitas pedras, e este animal se alimenta de algas que ficam nas pedras, além de se reproduzirem de forma cruzada, por se tratarem de animais hermafroditas, colocando seus ovinhos nas pedras, é provável que com a quantidade de alimento tenha desenvolvido esses animais. Espanta é a quantidade, mas essa espécie não é desconhecida na região. Em Guaxindiba, por exemplo, vê-se bastante, como também em Manguinhos. Acredito que houve a migração dos ovos que aparenta ser macarrão, são vários grudados uns nos outros, impulsionados pelas ondas e correntezas, levando-os para as pedras do Açu, onde chegaram a se desenvolver. Esses animais, na fase adulta, não conseguem nadar, são moluscos, de corpinhos muito moles e pesados, eles não consegue fazer essa migração na fase adulta”, disse ao Portalozk.com o professor de Biologia Ronaldo Novelli.

A Aplysia percorre o fundo do mar lentamente, para ir se alimentando, principalmente nas pedras, onde se encontram as algas. São moluscos muito semelhantes em aparência às lesmas. Possuem, no entanto, uma concha que está coberta pelo manto. O nome comum do derivado líquido de cor púrpura que liberam quando estão em stress ou quando são molestadas é “vinagre tinto”. Estes animais são bastante frequente nos meses de Verão, sendo mesmo possível encontrar aglomerações de vários indivíduos. Não é raro ver indivíduos a nadar em águas abertas, usando os parapódios como barbatanas.

Sobre o medo da população com relação a este animal, o professor tranquiliza.

“Não precisa haver preocupação. Esse animal se alimenta de algas e o derivado que ele libera, não é tóxico. Ele não morde, pica, nada. Pode pegar na mão, sem problema nenhum. O que não pode, e nem deve, é maltratar o animal. Ele não representa perigo nenhum para o ser humano”, disse.

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FONTE: http://portalozk.com/dlf/noticias/exclusivo-professor-de-biologia-identifica-animal-que-apareceu-nas-praias-sanjoanenses/

 

Salinização no entorno do Porto do Açu: evidências teimam em desmentir versões oficiais

A contaminação de sal que foi causada pela construção pelo aterro hidráulico que circunda o Porto do Açu é furiosamente desmentida toda vez que se fala na persistência do problema que teve seu momento agudo em novembro de 2011. De lá para cá, já se ouviu tantos dos donos do Porto do Açu, atualmente a Prumo Logística, como dos técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) que o incidente da salinização foi pontual, tanto temporal como espacialmente.

Como sou geógrafo e conhecido minimamente o funcionamento dos ecossistemas nunca acreditei nessa versão, mesmo porque tenho encontrado evidências de que o problema não foi pontual e que seus efeitos continuam persistindo nas áreas mais afetadas pela intrusão de água salina.

Mas tudo bem, as pessoas podem achar minha opinião suspeita já que sou visto como um crítico do Porto do Açu. Eis que agora um grupo de pesquisadores da UENF está atuando num projeto que os levou a encontrar na região da Barra do Açu famílias que estão reclamando e pedindo ajudando para que se verifique de forma mais apurada os impactos da salinização em suas propriedades já que de 2011 para cá muitas áreas se tornaram impróprias para a prática da agricultura. E como os sintomas que os agricultores estão apontando são similares aos causados por excesso de sal, não é preciso ser nenhum Einstein para formular a hipótese de que passamos da fase aguda do problema para a crônica. A questão é que seja rápida ou lentamente, o prejuízo econômico não cessou e continua se acumulando.

Um dos desafios da ciência é produzir evidências empíricas que resistam às tentativas de descrédito que normalmente ocorrem quando determinados resultados vão de encontro aos interesses das corporações e de seus aliados dentro do aparelho de Estado.  Além disso, o tempo da ciência é sempre mais lento do que os dos afetados por este tipo de evento.  Ai se cria a percepção de que a universidade não está preocupada ou antenada com os problemas da vida real, sendo quando muito uma torre de marfim que pouco retorno à sociedade.

No caso da salinização causada pelo aterro hidráulico do Porto do Açu essa percepção é até correta, pois noto que os esforços acadêmicos de documentar o problema têm ficado aquém das necessidades dos afetados. Mas com  o tipo de evidência empírica que as famílias que continuam resistindo e praticando agricultura no V Distrito de São João da Barra, é bem provável que esta novela da salinização ainda venha a ter novos e emocionantes capítulos. E uma coisa é totalmente certa: a novela ainda não acabou!

Porto do Açu: qual das maquetes é a que mostra o real?

O Porto do Açu, empreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista e hoje o tem como sócio-minoritário, já teve várias maquetes, as quais mudaram ao sabor das idas e vindas dos potenciais interessados em ocupar sua retroárea.  Que as maquetes do Porto do Açu mudam como a maré que consome a Praia do Açu não é nenhuma novidade. Mas confesso que certas versões ainda me deixam com a perspectiva de que ainda há mais desejo do que realidade no que a atual operadora do empreendimento, a Prumo Logística, mostra em suas apresentações corporativas direcionadas a atrair novos interessados para alugar terras para realizar suas atividades.

Coloco dois exemplos abaixo que mostram um visão bem diferente de a quantas anda o Porto do Açu.  A primeira foi tirada de um apresentação corporativa preparada pela Prumo Logística em julho de 2014 e mostra vários parceiros de peso que estariam atuando ou em vias de atuar dentro do porto.

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A segunda maquete consta de um panfleto voltado a orientar regras de segurança para operários que atuam trabalhando das obras de instalação do Porto do Açu, e já é bem menos abundante em termos de logotipos famosos, o que demonstra que a maquete acima pode estar mais no campo dos desejos do que da realidade objetiva do empreendimento. Uma coisa que eu não entendi na maquete abaixo é a manutenção do logotipo da LLX, já que a empresa teria sido sucedida pela Prumo. Mas como existiam várias “LLX”, há sempre a possibilidade de que uma delas sobreviveu e é parceira da Prumo no Porto do Açu.

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Um detalhe curioso que eu notei na maquete 2 é que dentro do Porto do Açu existe uma área que recebeu a curiosa denominação de “Canteirópolis”, onde estão agrupadas empresas como a Acciona, Carioca Engenharia, Boskalis e a própria Prumo.

Finalmente, é igualmente curioso que panfletos com rotas de fuga estivessem espalhados esta manhã pela Avenida 28 de Março, Eu fico imaginando se os reais alvos dessa campanha educativa acabaram tendo acesso ao material. De todo jeito, quis o destino que eu recolhe pelo menos um para escanear a maquete 2 que serve para tão bem ilustrar esta postagem. 

Uma esquisitice a mais na história do Porto do Açu: mercado de terras desapropriadas está superaquecido

Tenho recebido vários contatos de agricultores no V Distrito de São João da Barra que me dizem estar sendo pressionados a vender suas terras desapropriadas para uma empresa não identificada.  Se isso não fosse esquisito o suficiente, os proponentes deste tipo de interesse de compra por um ente não identificado estão atuando de forma pouco ética em relação aos advogados que representam os agricultores desapropriados.  Mas as esquisitices em torno desse aquecimento do mercado de terras desapropriadas não param por ai, segundo o que aparece de forma repetida nos relatos que eu recebi nos últimos dias.  

Aliás,  toda essa história das desapropriações realizadas pelo (des) governo Pezão/Cabral é marcada por coisas para lá de peculiares, como aliás já comentei em diversos momentos aqui neste blog ao longo dos últimos cinco anos.

Agora, que tenha gente querendo comprar terra desapropriada em nome de empresa anônima beira o cúmulo do absurdo,  especialmente porque a maioria dos agricultores desapropriados até hoje continua a ver navios, que não aqueles poucos que já atracaram no Porto do Açu.

Para relembrar um caso especialmente esquisito, posto novamente o depoimento do Sr. Reinaldo Toledo em que ele narra como recebeu uma folha de um servidor da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) atestando o valor que seria pago pela expropriação de suas terras, fato esse que se consumou sem que houvesse ocorrido qualquer pagamento.  Pelo jeito, o ciclo de desrespeito aos agricultores do V Distrito de São João da Barra ainda nos reservará muitas e desagradáveis surpresas.

 

 

Ururau repercute matéria sobre disputa causada por dívida de Eike Batista no Porto do Açu

Caixa e Santander disputam na justiça meio bilhão emprestados à OSX

Em 2012, as duas instituições atuaram nas operações para a construção do Porto

Ururau Em 2012, as duas instituições atuaram nas operações para a construção do Porto
A Caixa Econômica Federal e o banco Santander travam na Justiça uma disputa por mais de meio bilhão de reais. A origem do litígio é o empréstimo de R$ 515 milhões que a Caixa fez à OSX (empresa de Eike Batista) em 2012, para a construção do Porto de Açu, em São João da Barra, no norte fluminense. Na época, o empresário dava como garantia uma carta de fiança da instituição espanhola.

Tudo mudou com a falência de Eike. O Santander agora rebate a cobrança e obteve uma liminar na Justiça para não pagar a dívida. A filial no Brasil do banco espanhol justifica o não pagamento por falta de cumprimento de obrigações do banco estatal.

A Caixa recorreu e o caso deve ser julgado pelo Tribunal Regional Federal (TRF), em São Paulo, neste mês de dezembro. No mesmo período acontece uma assembleia de credores da OSX. Há um jogo de empurra em curso. A filial do banco espanhol alegou que foi a Caixa que não cumpriu com as suas obrigações no empréstimo. Por sua vez, a Caixa informou à Justiça que, sem a fiança do Santander, terá reduzida em cerca de R$ 4,6 bilhões a sua capacidade de capacidade de contrair empréstimos, podendo prejudicar programas sociais e de infraestrutura, como o Minha Casa, Minha Vida.

Em 2012, as duas instituições atuaram nas operações para a construção do Porto de Açu . As obras do estaleiro da OSX foram avaliadas em R$ 2,7 bilhões. O dinheiro viria do Fundo da Marinha Mercante (FMM), que é administrado pelo Ministério dos Transportes e tem como objetivo investir no desenvolvimento naval brasileiro através de recursos públicos. Grande parte dessa verba do FMM vem do BNDES, mas também do Banco do Brasil e da própria Caixa.

Precisando de uma rápida recuperação, a OSX tinha urgência na conclusão das obras do porto. Mas a lentidão na liberação de verbas pelo FMM, que leva meses em procedimentos de avaliação e aprovação fez com que a empresa apelasse a empréstimos-pontes com o BNDES e com a Caixa.

Em abril de 2012, foram efetuados dois empréstimos. O da Caixa foi garantido por uma fiança de R$ 400 milhões dada pelo Santander e o BNDES recebeu a garantia do Banco Votorantim.

Em 28 de dezembro de 2012, foi repassada a primeira cota (de mais de R$ 627 milhões) pelo FMM à Caixa. O Santander contava que com a liberação desse dinheiro, o empréstimo-ponte fosse quitado, e assim não teria que pagar a fiança.

Para o banco espanhol, com a Caixa recebendo R$ 627 milhões, o empréstimo de R$ 400 milhões seria considerado quitado. E ainda restariam R$ 227 milhões. Mas não foi o que aconteceu. A Caixa, que já tinha enviado R$ 400 milhões à OSX, repassou mais R$ 627 milhões à empresa. Somando tudo, a empresa de Eike Batista recebeu mais de R$ 1 bilhão da instituição.

Depois disso, o Santander foi informado que a OSX não teria condições de honrar o empréstimo até a data de seu vencimento, previsto para ocorrer em 19 de outubro de 2013 e estendido por mais um ano depois de muita negociação. Até agora, o empréstimo não foi quitado. Nem a penhora das ações da OSX Leasing foi efetuada. E a Caixa cobra a fiança do Santander que, em valores atualizados, passa dos R$ 400 milhões de 2012 para R$ 515 milhões.

Os detalhes envolvendo essa cobrança estão nos autos a que o jornal Valor Econômico teve acesso. Eles mostram que, em 6 de novembro passado, o juiz Mauricio Kato, da 21ª Vara Cível Federal, deferiu liminar para suspender o pagamento da fiança pelo banco espanhol.

Em 19 de novembro, a Caixa recorreu ao TRF de São Paulo, pedindo a cassação da liminar. Em seu recurso, a Caixa não explica por que o dinheiro do FMM foi repassado à OSX ao invés de ser retido para quitar o empréstimo-ponte. A argumentação do banco estatal baseia-se, exclusivamente, nos impactos negativos que o não recebimento dos R$ 515 milhões terão sobre seu balanço e suas operações. A instituição diz que, se não receber a fiança, terá que reclassificar o risco da operação de crédito por ela garantida, de modo a seguir as regras previstas para essas operações pelo Banco Central.

A Caixa alega que teria que reter, de início, 3% da operação (R$ 15 milhões), mas, em 180 dias, o valor chegaria a 100% (ou seja, R$ 515 milhões).

“Em síntese, (com a liminar) a Caixa tem prejuízo registrado em balanço que diminuirá seu lucro”, diz a petição. “Por sua vez, os valores provisionados a esse título não integram o montante que os bancos estão permitidos a emprestar no mercado financeiro. Dessa forma e pelas regras do acordo de Basileia sobre capitais, a Caixa terá reduzida em cerca de R$ 4,6 bilhões a sua capacidade de contratar operações de créditos, somente em razão da quantia que deverá ficar provisionada por conta do inadimplemento do Santander.”

A filial do banco espanhol informou que essa alegação da Caixa “não tem nenhum respaldo fático e jurídico” e foi utilizada na tentativa de sensibilizar o juiz da causa. “Por entender que a carta de fiança não é aplicável à situação, a instituição promoveu ação judicial junto à Justiça Federal para declarar a inexigibilidade do pagamento da fiança”, disse o banco ao jornal Valor Econômico. “O Santander reafirma seu compromisso com a sociedade brasileira e acredita em uma resposta positiva do Poder Judiciário ao seu pleito sem, no entanto, interromper as tratativas para uma solução amigável ao caso, que entende ser a melhor solução para a preservação da empresa”.

HISTÓRIA ANTIGA
Não é a primeira vez que um banco se envolve em empréstimos estatais e é julgado por não honrar seus compromissos. Em 1995, o Banco Econômico de Angelo Calmón de Sá estava em dificuldades econômicas. A instituição recebeu então ajuda de R$ 3 bilhões do Banco Central, por meio do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer).

O agravante é que entre maio e junho daquele ano, o banco fez empréstimos fraudulentos e remessas ilegais de dinheiro para o exterior, movimentando mais de R$ 98 bilhões em operações apontadas como ilegais. O dinheiro não bastou para evitar a intervenção do Banco Central. O banco entrou em liquidação judicial no ano seguinte.

Em julho deste ano de 2014, ex-dirigentes do Banco Econômico foram condenados a sete anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro. A decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1) incluiu Calmon de Sá, e o ex-vice presidente, José Roberto de Azevedo.

No julgamento, que ocorreu dia 8 de julho, Calmon de Sá foi condenado por gestão fraudulenta, mas foi absolvido por dois outros crimes que prescreveram pelo fato de o réu ter mais de 70 anos.

Os ex-dirigentes do Banco Econômico também foram condenados a pagar cerca de R$ 600 mil de multa cada um, em valores ainda não corrigidos.

Postado por: LAILA NUNES

Fonte: JB

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