Salinização no Porto do Açu: o que era para ser pontual, parece ser permanente. Cadê a força tarefa do INEA?

Em 2013, no auge do problema causado pela salinização causada pelo extravasamento de água do mar que saia do aterro hidráulico construído pela OS(X), a então presidente do INEA visitou a UENF e determinou a criação de uma força tarefa que ficaria responsável por monitorar os desdobramentos do problema (Aqui!). Pois bem, desde então se estabeleceu o mais profundo silêncio em torno do problema, e esporadicamente se ouve falar que existe um monitoramento em curso, mas dados públicos que seria bom, nada!

Pois bem, acabo de receber o resultado da análise da condutividade da água que continua fluindo no entorno do aterro hidráulico, e o resultado deveria preocupar os membros da força tarefa do INEA, pois o valor medido foi de 31.000 µs/cm,sendo que o valor da condutividade da água do mar gira em torno de 56.000  µs/cm. Em suma, a água que continua fluindo do aterro hidráulico está mais para sal do que para doce! Essa medida desmente a versão amplamente divulgada de que o impacto do derrame de água salgada seria apenas pontual no tempo e no espaço, e seus efeitos não seriam permanentes.  E a questão fica mais gritante ainda, quando se lembra que o evento que era para ser pontual completará dois anos em novembro de 2014 (ou seja em cerca de 4 meses)!

Mas mais do que no caso de um plano de gerenciamento costeiro que foi previsto para a Praia do Açu, o problema da salinização resultou numa multa ( que aliás nem foi paga) e na criação da tal força tarefa. Isto sem falar no processo que, ao que se sabe, continua correndo dentro do Ministério Público Federal.

Abaixo algumas cenas da situação da área de entorno de uma das faces do aterro hidráulico do Porto do Açu, onde fica aparente que os canais que impediriam o extravasamento para áreas vizinhas precisam ser efetivamente avaliados, bem como ter os resultados destas avaliações disponibilizados aos principais interessados que são os agricultores que, porventura, tenham sido atingidos pelo processo de salinização.

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Porto do Açu: cadê a praia que estava aqui? O mar comeu!

Puxando um pouco pela memória e para evitar erros nas postagens deste blog, lembrei que em janeiro de 2012 estive na Praia do Açu participando de uma atividade política em defesa de agricultores e pescadores do V Distrito.  Em função disso, acabei fotografando a mesma área da Praia do Açu que fotografei ontem, e isto permitiu que se faça a comparação visual que vai logo abaixo. 

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Praia do Açu, com pier do Porto do Açu no dia 21/01/2012

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Praia do Açu com pier e quebra-mar do Porto do Açu no dia 29/07/2014

Agora que o problema da erosão na Praia do Açu me parece estar visualmente constatado, fico no aguardo de notícias de algum órgão ambiental, INEA ou IBAMA, bem como da atual proprietária do empreendimento, a Prumo Logística, sobre o programa de monitoramento que estava previsto no EIA/RIMA da UCN da OS(X). É que nas palavras de um morador da Barra do Açu, a população quer logo saber quem vai se responsabilizar para resolver ou, pelo menos, mitigar essa situação.

A odisseia ambiental do Porto do Açu promete novos ( e talvez inglórios ) capítulos

Tive minha atenção chamada por duas postagens no blog do Prof. Roberto Moraes (Aqui!) e (Aqui!) sobre a situação da dinâmica costeira na área do Porto do Açu, e resolvi ir ver no local como anda a situação durante a tarde desta 3a. feira. Mas para ter uma ideia mais ampla da situação, fiz um trajeto desde a Lagoa do Açu até o quebra mar do Porto do Açu para tentar o que está acontecendo por lá.

Primeiro é preciso lembrar que toda a área costeira, especialmente em áreas de formação relativamente recentes, existe um processo dinâmico de construção e destruição. Na região em questão é historicamente afetada pela ação das correntes marinhas e por um equilíbrio instável que é causado pelo aporte de água doce vinda da calha principal do Rio Paraíba do Sul. Além disso,  há que se incluir neste cenário os dois quebra-mares que foram construídos no Porto do Açu. 

Assim levando em conta essa combinação de forças naturais e antrópicas que controlam hoje a dinâmica na paisagem da região em torno do Porto do Açu é que, lembrando o que já escreveu o Prof. Roberto Moraes, riscos da ocorrência de problemas na alteração da dinâmica costeira local já estavam previstos tanto no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) como no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Unidade de Construção Naval da OS(X). tanto que ficou prevista a realização de um programa de monitoramento costeiro cujo intuito seria monitorar e agir em caso de problemas mais sérios.

Pois bem, pelo que eu vi hoje no trabalho de campo, a situação em curso requer realmente que este programa seja efetivamente implementado, pois observei não apenas o problema da erosão na porção central da Praia do Açu, mas também sinais de que está ocorrendo uma intrusão do pacote de areia em direção à Lagoa do Açu. De quebra, o próprio quebra-mar me pareceu continuar sendo um desafio técnico a ser superado, já que notei que as ondas continuam vencendo a barreira, o que pode se agravar em períodos de atividade oceânica mais intensa.

Para ilustrar o que estou dizendo posto abaixo algumas imagens do trabalho de campo que realizei hoje, pois imagens falam muito mais do que qualquer um possa expressar. 

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Porto do Açu: apesar de todas as contínuas promessas, o desrespeito ainda é a única coisa real para centenas de famílias de agricultores

Tenho assistido a uma nova onda de promessas e repercussões das mesmas sobre o megaempreendimento portuário (será mesmo que conseguira ser mega?) idealizado pelo ex-bilionário Eike Batista, o Porto do Açu. Se olharmos todas as “novas” indicações de futuro lustroso, parece (notem que eu disse parece) que parte dos planos virará realidade em algum momento do segundo semestre de 2014.

Me perdoem os crédulos, mas o empreendimento, que agora pertence à corporação EIG Global Partners com sede em Washington DC e que aqui atende sob o nome de Prumo, não parece que viverá à altura das promessas grandiloquentes de Eike Batista, que sonhava (como um dia sonhou Percival Farquat) ser uma espécie de novo Henry Ford.

Entretanto, não é a diferença entre a propaganda, custeada sabemos por bilhões de reais saídos do BNDES, que me incomoda. É que eu sou desses que acredita que o mercado, com todas as suas imperfeições e idiossincrasias, acaba separando o que é espuma de projetos reais.

O que me incomoda mesmo é constatar que o desrespeito em relação à centenas de famílias de agricultores familiares, iniciado sob a batuta de Sérgio Cabral, Júlio Bueno e Eike Batista perdura até o dia de hoje.  Digo isso porque estive hoje no V Distrito de São João da Barra iniciando mais um projeto de pesquisa que resultará num estudo sobre algumas das consequências sociais e ambientais do Porto do Açu, e conversando com algumas dessas famílias pude ver que nada mudou, e que elas ainda não viram um centavo de propriedades que lhes foram tomadas para a construção de um distrito industrial cujo localização efetiva continua sendo alguma gaveta empoeirada na Companhia de Desenvolvimento industrial do Rio de Janeiro (CODIN).

Mas numa prova que a generosidade e a disposição de trabalhar incansavelmente para produzir alimentos que vão matar a fome na cidade, fui presenteado com queijo, abacaxi, jiló, berinjela, e até o maxixe que um dia o (des) secretário Júlio Bueno um dia desdenhou em nome de uma pseudo siderúrgica que hoje sabemos era só outra lorota de Eike Batista.

Para quem ainda não foi até o V Distrito de São João da Barra e conversou de perto com pessoas da estatura moral do Sr. Reinaldo Toledo e seus filhos, compartilho as imagens abaixo. E, sim, são essas as pessoas que fazem brotar daquelas areias alimentos em uma quantidade que chega realmente a surpreender até pessoas que, como eu, estudam a agricultura familiar há quase três décadas. Por isso, é que mantê-las constrangidas e sem as devidas compensações financeiras não pode ser tolerado como algo inerente a qualquer coisa que se queira chamar de “desenvolvimento” ou “progresso”.

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Quotidiano: Caminhoneiros fecham todos acessos ao Porto do Açu

Cerca de 150 motoristas reivindicam aumento no valor do frete.

Caminhoneiros fecham todos acessos ao Porto do AçuTodos são contratados pela empresa Tracomal, Crédito: Breno Costa

As vias de acesso ao Porto do Açu ( Caetá, Cajueiro e Rua Nova) foram fechadas por caminhoneiros da empresa Tracomal. Cerca de 150 motoristas reivindicam aumento no valor do frete. Outro ponto de reclamação é a questão do excesso de carga. Segundo os motoristas, as empresas assumiram o compromisso de pagar as multas, mas não estão cumprindo o acordo.

De acordo com informações da Folha da Manhã, o valor recebido por tonelada é de R$ 18,26, e eles propõem R$ 24,90 para carreta e R$ 29,05 para truck. “Não queremos mais isso. Para pagarmos uma multa desse valor, temos que trabalhar três meses. Sabemos que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) está cumprindo seu papel. Além da multa, perdemos pontos na carteira e colocamos vidas em risco. Danifica as estradas e prejudica o meio ambiente. Não queremos andar contra a lei. O lucro era em cima do peso. Como o peso deve ser regular, queremos o aumento do frete, senão vamos pagar para trabalhar”, desabafou um deles, que preferiu não se identificar.

Na tarde de ontem (terça-feira) , os manifestantes também realizaram um ato na BR-356, na altura de Outeiro. 

FONTE: http://www.quotidiano.com.br/noticia-1197/caminhoneiros-fecham-todos-acessos-ao-porto-do-acu

O Diário: Caminhoneiros bloqueiam entradas do Porto do Açu

Clique na foto para ampliá-la

Kelly Maria

Menos de 24 horas depois de caminhoneiros de a empresa Tracomal terem interditado a BR-356, na altura de Boa Vista, em Campos, por cerca de uma hora nos dois sentidos da rodovia, os manifestantes voltaram a protestar na manhã desta quarta-feira (16).

Segundo informações dos 150 caminhoneiros que realizam a manifestação, as entradas e saídas do Super Porto do Açu, só serão liberadas após os representantes do Ministério do Trabalho e do Sindicado chegarem ao local. Eles atearam fogo em galhos de árvores no meio da BR-356. 

Os manifestantes trabalham prestando serviços para o Porto do Açu e reivindicam melhores condições de trabalho e aumento do frete.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Corpo de Bombeiros estão no local

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/caminhoneiros-bloqueiam-entradas-do-porto-do-acu-13220.html

SJB Online: são caminhoneiros os que trancam o acesso ao Porto do Açu por falta de pagamentos

Caminhoneiros fecham entrada de acesso ao porto

 

Caminhoneiros da empresa F.C.C que presta serviço ao Porto do Açu fecham entrada de acesso ao porto por falta de pagamento na manhã desta quarta-feira, 16.

As vias que dão acesso por Caetá, Cajueiro e Rua Nova estão fechadas. 

De acordo com a Polícia Militar que está no local, os carreteiros estão reivindicando aumento no frete e nesse momento mais de 150 carretas e motoristas estão no local. Informa ainda que a Br 356 que liga Campos à São João da Barra está liberada.  

Mais informações em instantes.

FONTE: http://www.sjbonline.com.br/noticias/caminhoneiros-fecham-entrada-de-acesso-ao-porto

 

Porto do Açu: novo protesto “tranca” estrada de acesso principal

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Acabo de receber uma informação que um novo protesto fecha a principal estrada de acesso ao Porto do Açu na manhã desta 4a. feira a partir da rotatória que existe no final da estrada de acesso à localidade de Cajueiro. Esse protesto, aparentemente realizado por operários ou ainda caminhoneiros trabalhando nas obras do porto, é apenas mais um de uma longa sucessão de eventos que refletem negativamente no megaempreendimento que continua a ser regiamente alimentado pelo BNDES com vultosos empréstimos. Um dia o motivo são as violações de direitos trabalhistas, e noutro são as pressões para que caminhoneiros transportem cargas acima do permitido pela lei.

Mais informações sobre esse novo protesto virão ao longo dessa manhã, e com certeza vão ganhar novamente as páginas dos veículos de mídia na região Norte Fluminense.

Jornal Terceira Via também traz matéria sobre protesto de motoristas servindo ao Porto do Açu

Carreteiros do Porto do Açu fazem manifestação na BR-356

Eles se negam a trabalhar com excesso de carga e reivindicam aumento no frete

Carreteiros do Porto do Açu fazem manifestação na BR-356. (Foto: Silvana Rust)

Cerca de 160 carreteiros que transportam pedras para o Porto do Açu fecharam a BR-356 na tarde desta terça-feira (15 de julho) na altura da localidade de Sapucaia. Eles estão manifestando contra o excesso de carga proposto pela empresa Prumo Logística, que seria contra a lei. A manifestação causou retenção em quatro quilômetros da rodovia. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) está no local para auxiliar o tráfego.

Os manifestantes são funcionários da empresa terceirizada Tracomal e, segundo eles, quando assinaram o contrato de serviço, a empresa teria exigido que eles transportassem uma quantidade excessiva de carga. No entanto, existe uma lei federal que proíbe o excesso de carga por diversas razões, como o risco de acidentes e a degradação do asfalto.

Os carreteiros disseram ainda que, por causa da infração cometida pelas empresas, eles têm recebido multas exorbitantes, além de perderem pontos na Carteira Nacional de Habilitação. Somente em um caminhão, a multa chegou a mais de R$ 15 mil.

Eles contaram também que há pelo menos 10 dias os trabalhadores estão tentando conseguir uma negociação com a empresa Prumo Logística, responsável pelas obras do Porto do Açu, mas eles estariam se negando a ouvi-los.

Além de se recusarem a trabalhar com excesso de carga, os carreteiros também propuseram um aumento no frete. Atualmente, eles recebem R$ 18,26 por tonelada em carreta e caminhão truck, com excesso de carga. A proposta dos manifestantes é de R$ 24,90 para carreta e R$ 29,05 para caminhão truck por tonelada, mas com a carga regular.

Os trabalhadores atearam fogo em galhos de árvores no meio da BR-356 para chamar a atenção da empresa. Até às 18h, a rodovia ainda estava com retenção.

FONTE: http://www.jornalterceiravia.com.br/noticias/campos_dos_goytacazes/51931/carreteiros_do_porto_do_acu_fazem_manifestacao_na_br-356

Ururau: motoristas que carregam pedras para o Porto do Açu fecham rodovia para protestar contra sobrecarga em seus caminhões

Caminhoneiros do Porto fecham a BR-356, em Boa Vista, em protesto

Manifestação causou engarrafamento aos motorista que estiveram na rodovia

 Vagner Basilio

Manifestação causou engarrafamento aos motorista que estiveram na rodovia A BR-356, na altura de Boa Vista, em Campos, ficou interditada por cerca de uma hora nos dois sentidos da rodovia. Caminhoneiros que prestam serviço para o Porto do Açu, da empresa Tracomal resolveram reivindicar no final da tarde desta terça-feira (15/07) por melhores condições de trabalho.

De acordo com os funcionários, a empresa estaria obrigando aos trabalhadores a carregar um volume de cargas além do permitido por lei. Os caminhoneiros também reivindicaram com relação ao preço do frete recebido. Atualmente os caminhoneiros recebem uma quantia de R$ 18,26 por tonelada de carga, eles pedem que este valor seja de R$ 24,90 para carretas e R$29,05 para caminhões. 

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o congestionamento na rodovia já chega a 5 km nos dois sentidos. Manifestantes colocaram fogo em galhos que foram controlados pelo Corpo de Bombeiros Militar.

FONTE: http://ururau.com.br/cidades46868_Caminhoneiros-do-Porto-fecham-a-BR-356,-em-Boa-Vista,-em-protesto