Após a quebra de Eike, quem é o pai da criança?

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Apesar do repentino interesse que a mídia corporativa está tendo pelos aspectos menos nobres da ação do ex-bilionário Eike Batista, parece que é chegada a hora de ver quem é que vai assumir as responsabilidades pelo rastro de destruição econômica, social e ambiental que ele deixou com o colapso de seu império de empresas pré-operacionais.

Dentre os muitos locais afetados por esse colapso e seus efeitos dantescos, o V Distrito de São João da Barra é certamente o que melhor sintetiza toda essa herança. Afinal, mexeu-se com a vida de centenas de famílias de pescadores e agricultores familiares, salinizou-se água e solos, e levou-se centenas de pequenos comerciantes à beira da bancarrota.

Agora que Eike Batista não está mais sendo vendido como o novo “Midas”, a questão que me parece fundamental é ver quem nos diferentes níveis de governo vai querer arcar com a pesada conta que ajudou a gerar. Os jornalões internacionais estão centrando o seu fogo no governo federal, mas é preciso lembrar que o principal fiador dessa aventura mal sucedida foi o governo do Rio de Janeiro, secundado de perto pela prefeitura de São João da Barra.  E o pior é que ainda não se viu nesses dois níveis de governo que estamos diante de um imbróglio de profundas ramificações para o qual não existem soluções fáceis.

Assim, quanto mais tempo se passar negando o problema, mais grave será o cenário que vai se montar em São João da Barra.  Como ninguém quer que o pior aconteça, mesmo porque os afetados pela bancarrota de Eike Batista já sofreram demasiadamente, há que se cobrar que os governantes parem de negar o óbvio e comecem a assumir suas responsabilidades de forma séria e inequívoca.

Exame: Cidade de super empreendimento de Eike enfrenta dias ruins

A cidade de São João da Barra, escolhida para receber o Superporto de Açu, perdeu mais de mil postos de trabalho em 2013 após anos de números positivos
 
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Beatriz Souza, de 

Reprodução/LLX 

Superporto de Açú

 O anúncio da construção do Superporto de Açú estimulou a criação de quase 4 mil empregos entre 2006 e 2012 em São João da Barra (RJ); neste ano a história se inverteu

 

São Paulo – A cidade de São João da Barra, no Rio de Janeiro, foi a escolhida para receber o maior empreendimento de Eike Batista, o Superporto do Açu. O investimento na ordem de 3,8 bilhões de reais prometia trazer um boom de desenvolvimento para a cidade de apenas 33 mil habitantes. Hoje, no entanto, ela parece refletir a crise do grupo EBX

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), entre janeiro e setembro deste ano, São João da Barra perdeu 1.117 postos de trabalho formais.

É a primeira vez desde o anúncio do empreendimento que a cidade sofre com fechamento de vagas, que só vinham aumentando ano a ano. Entre 2006 e 2012, 3.900 empregos com carteira assinadas foram criadas.

A queda no número de empregos impactou diretamente o setor de serviços da cidade. Segundo reportagem do G1, no primeiro semestre de 2013, a prefeitura de São João da Barra perdeu R$ 36 milhões em arrecadação de impostos.

O secretário municipal de Fazenda, Ranulfo Vidigal, acredita que a situação é temporária. Ao mesmo portal, disse que o município perdeu mil empregos num universo em que 10 mil foram criados.

“Muitas pessoas voltaram para suas bases. O que o município perdeu foi a demanda de serviços destas pessoas. Na minha previsão, esta perda é temporária. Um contrato entre a OSX e a Mendes Júnior voltará a trazer empregos a partir de março”, disse o secretário ao G1.

Colapso de Eike

No começo do mês, a petroleira OGX comunicou ao mercado que não vai pagar a seus credores cerca de US$ 45 milhões das parcelas referentes a juros de dívidas emitidas pela empresa no exterior que venciam dia 1º de outubro. Nesta quarta-feira, a empresa acabou entrando com o pedido de recuperação judicial e agora precisa apresentar um plano de reestruturação para pagar tudo o que deve.

A turbulência nos negócios de Eike começou há mais de um ano, quando a OGX passou a apresentar resultados de produção muito abaixo das expectativas do mercado e das próprias projeções da empresa.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/cidade-de-super-empreendimento-de-eike-enfrenta-dias-ruins