No Açu, em vez do mar virar sertão, a Avenida Atlântica é que virou praia

A profecia nordestina atribuída ao líder messiânico Antonio Conselheiro de que “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão” acaba de ganhar uma forma bem particular de materialização bem aqui na Praia do Açu.

É que como bem mostram as imagens abaixo, a Avenida Atlântica que resistiu por décadas à ação das marés, hoje virou praia! E antes que venham dizer que a profecia realizada é fruto da ação da Natureza, eu digo que a primeira das imagens mostra o caminho para onde foi a areia que está faltando na Praia do Açu.

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Mais um dia de caos na Barra do Açu. Ação “band aid” da PMSJB já foi tragada pelas águas

Os moradores da Barra do Açu continuam vivendo momentos de aflição com a maré alta que está jogando muita água dentro das ruas da localidade. No dia de hoje, a Prefeitura Municipal de São João da Barra tentou realizar uma ação improvisada para criar barreiras de areia na orla da Praia do Açu para invadir o avanço das águas, mas a forte do mar já derrubou tudo o que foi feito de manhã ainda no início desta 6a. feira (20/03).

Enquanto isso, a Prumo Logística continua tentando vender a ideia de que as obras do Porto do Açu não possuem qualquer relação com o desastre ambiental em curso na Praia do Açu. Muitos moradores estão me ligando indignados para dizer que se a situação não estivesse tão preocupante, eles até ririam da piada (de mau gosto, frisam eles).

Agora, até o momento continuo aguardando um pronunciamento do novo superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente, Sr. Luiz Fernando Felippe Guida, para ver quais medidas serão tomadas para dar conta desse problema que, friso novamente, estava previsto no EIA/RIMA que a OS(X) apresentou para obter as licenças ambientais necessárias para a construção da sua Unidade de Construção Naval (UCN) e do Canal de Navegação do Porto do Açu!

Abaixo imagens que acabam de me chegar e que mostram a situação que está se desenvolvendo no dia de hoje na Praia do Açu.

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Ururau faz ampla matéria sobre o avanço na Praia do Açu

Mar volta a avançar e invade ruas, casas e comércios no Açu, em SJB

Erosão na praia teria começado depois da instalação do quebra-mar do Terminal 2 no Porto do Açu

Reprodução/Ururau Arquivo/Erosão na praia teria começado depois da instalação do quebra-mar do Terminal 2 no Porto do Açu

A maré vem avançando rapidamente e a água tomando aos poucos ruas, casas e comércios na Praia do Açu, em São João da Barra, Norte Fluminense. No entanto, além do fenômeno natural há outro agravante, como o avanço do processo de erosão da faixa de praia, que vem ocorrendo há alguns meses naquela região e que segundo especialistas, teriam começado depois da instalação do quebra-mar do Terminal 2 (T2) no Complexo Portuário do Açu.

Na quarta-feira (18/03) o mar voltou a avançar e deixar os moradores apreensivos, porém nesta quinta-feira (19/03), a maré alta pegou a população de surpresa e a água invadiu ruas, principalmente as internas que ficam a menos de sete quilômetros do Terminal 2.

Há uma associação de fatores e o primeiro ponto é a alta da maré, que venha ser um elemento natural. Mas, acontece que depois da construção do quebra-mar do T2 gerou um processo de perda da dinâmica de areia local, dessa forma a areia só vai para o norte e não volta e isso gera um déficit de areia naquela região específica, perdendo assim, a parte de proteção da praia, chamada Berma. Então a culpa pelo que está acontecendo no Açu, não é da maré, mas sim, da falta de areia”, avaliou o professor doutor do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Universidade Estadual Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro, Marcos Pedlowski.

Segundo ele, o Porto está influenciando à erosão, já que a areia que teria de ser jogada de volta para a praia, vem se acumulando dentro do quebra-mar e do canal de navegação. “Se não forem feitas medidas corretivas urgentes, a tendência é que a situação se agrave ainda mais, pois estamos frente a um processo que ameaça engolir uma das localidades mais tradicionais do município de São João da Barra”, alarmou.

O professor disse que esse processo de erosão na praia do Açu já estava previsto no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), feitos na época pela LLX e OSX, como forma de obter as licenças ambientais para a construção do complexo logístico. Porém, segundo ele, quais seriam as medidas de contingência desse processo não constavam no relatório, que foi aprovado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). 

“O que está acontecendo é um ‘jogo de empurra’, porque eles estão vendo que o processo está acontecendo rápido demais, além do previsto. O Inea tinha que ter cobrado essas medidas de contingência, mas não o fez. Agora vamos ver como reagem as autoridades municipais, o Inea e a Prumo Logística, já que as digitais que estão ai são bem humanas, e é só ler os EIAs e RIMAs usados pelo Grupo EBX para obter suas licenças ambientais no Porto do Açu”, disparou.

Em nota, a Prumo esclarece que “realiza um programa de monitoramento da dinâmica sedimentológica marinha e de erosões costeiras, conforme estabelecido no processo de licenciamento ambiental do empreendimento e acompanhadas pelo órgão ambiental licenciador. Além disso, a Prumo contratou a Fundação COPPETEC para realizar um estudo complementar sobre o tema, que foi coordenado pelo renomado Prof. Paulo Rosman, engenheiro civil, Mestre em engenharia oceânica pela COPPE/UFRJ e Doutor em engenharia costeira pelo Departamento de Engenharia Civil do Massachusetts Institute of Technology, uma das maiores autoridades técnicas em engenharia costeira do país.

Os resultados obtidos até agora, a partir do monitoramento e estudo realizado pela Fundação COPPETEC, demonstram que é inviável associar o estreitamento da faixa de areia em questão às obras de construção do quebra-mar do Terminal 2 (T2) do Porto do Açu.

A Prumo esclarece também que mantém o monitoramento na Praia do Açu e que está à disposição para interface com os órgãos públicos e com a comunidade local para colaboração e prestação de todas as informações necessárias sobre o assunto. Aliado a isso, a empresa informa que estudos técnicos complementares sobre o tema estão sendo discutidos com o INEA e a Prefeitura Municipal de São João da Barra com participação técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviária – IPNH e Fundação COPPETEC”.

O Site Ururau tentou um contato com o superintendente do Inea, Luiz Fernando Felippe Guida, mas foi informada que o mesmo estava em reunião.

FONTE: http://ururau.com.br/cidades54637_Mar-volta-a-avan%C3%A7ar-e-invade-ruas,-casas-e-com%C3%A9rcios-no-A%C3%A7u,-em-SJB

 

Vídeo mostra invasão da água do mar nas ruas da Barra do Açu

Mesmo aqueles que ainda não se sensibilizaram com a situação dramática que vive os moradores da Barra do Açu, situada a menos de 7 km do Porto do Açu, deverão ficar espantadas com o que mostra o vídeo que foi produzido no dia de hoje por um morador daquela localidade. Pelo menos para mim me fez lembrar aquele épico pós-apocalíptico estrelado por Kevin Costner , o Waterworld. E como no ficção, a raiz do problema real que vivem hoje os moradores da Barra do Açu não está na natureza, mas na forma com que a sociedade capitalista se apropria dos bens coletivos.

 

Dia de caos na Praia do Açu. E não foi por falta de aviso!

O dia de hoje marca uma nova etapa nas agruras na vida da população da localidade da Barra do Açu, onde há vários meses vem sendo notado o avanço do processo de erosão da faixa de praia. Após dezenas de postagens, relatórios técnicos e entrevistas com a mídia local e estadual, estou recebendo imagens que mostram uma invasão inédita da água do mar dentro das ruas internas daquela localidade, que fica distante menos de 7 quilometros do Terminal 2 do Porto do Açu.

Agora vamos ver como reagem as autoridades municipais, o  INEA e a Prumo Logística frente a um processo que ameaça engolir uma das localidades mais tradicionais do município de São João da Barra. E, antes que comecem, por favor não culpem a Natureza. É que as digitais que estão ai são bem humanas, e e só ler os EIAs e RIMAs usados pelo Grupo EBX para obter suas licenças ambientais no Porto do Açu!

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Em meio à omissão dos responsáveis, mar avança nas ruas da Praia do Açu

A população das ruas mais próximas da orla da Praia do Açu está vivendo dias de apreensão com o avanço das águas oceânicas sobre pontos que até recentemente era impensável que chegariam. Agora com o período de marés altas, os dias estão se sucedendo e água está invadindo a comunidade, coisa que moradores antigos testemunham nunca ter visto em suas vidas, as quais foram passadas naquele que já foi um dos principais balneários da região.

E o que os responsáveis por oferecer respostas práticas sobre o problema fazem? Via de regra o único órgão que vem se manifestando é a Defesa Civil de São João, mas apenas para oferecer respostas lacônicas que procuram oferecer um cenário de calma e tranquilidade que quem observa a situação mostrada nas imagens abaixo, e que foram produzidas na manhã desta 5a. feira, não consegue compartilhar.

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Como o pico da maré alta ainda não ocorreu, as cenas acima que mostram a tomada da área entre os postos de Saúde e de Polícia poderão se alastrar pelo resto da comunidade, causando graves perdas a uma população que já não tem muito para perder.

A minha expectativa é que o novo superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), o Sr. Luiz Fernando Felippe Guida, tire o seu órgão da inércia e envie técnicos para avaliar o avanço do processo erosivo na Praia do Açu, de modo a acionar a Prumo Logística Global para que comece a realizar as medidas de contingência que, porventura, tiverem sido previstas nos EIA/RIMAs do Porto do Açu e da Unidade de Construção Naval da OS(X) que previam alterações ambientais em função da implantação destes empreendimentos.

De quebra, espero que o Ministério Público Federal acione a Prefeitura de São João da Barra, o INEA e a Prumo para que saiam do estado de omissão em que se encontram e comecem, finalmente, a fazer algo mais do que declarar que irão conduzir estudos técnicos para avaliar as soluções a serem tomadas. A hora do “embromation” já passou, e é preciso passar urgentemente à ação.

 

Ururau: Mar volta a avançar no Açu, em SJB, e deixa a população assustada

Defesa Civil está de prontidão e informa que não houve desalojados e desabrigados

Ururau/Arquivo/ Defesa Civil está de prontidão e informa que não houve desalojados e desabrigados

O mar voltou a avançar e deixar os moradores da praia do Açu, em São João da Barra, Norte Fluminense, apreensivos. A maré alta pegou a população de surpresa nesta quarta-feira (18/03), mas apesar do susto, ninguém ficou desalojado ou desabrigado. A Defesa Civil local está de prontidão 24 horas para qualquer eventualidade.

De acordo com o coordenador de Defesa Civil local, Adriano Martins, a situação é mais crítica na rua do popular ‘Chacrinha’, aonde a água chegou a invadir a varanda de um estabelecimento comercial. “A maré está aumentando e deve ficar assim por mais três dias. As ruas mais baixas também ficaram alagadas, mas a drenagem é rápida e a situação logo volta ao normal”, comentou o coordenador informando os números do órgão para qualquer necessidade: (22) 2741 8370 ou 199.

OUTRO CASO 

No início de janeiro deste ano, o avanço rápido do mar resultou na erosão em trecho da estrada litorânea entre o Xexé e Maria da Rosa, no Cabo de São Tomé. Devido à destruição de trecho da estrada, na curva situada nas proximidades da Ponte sobre o Rio Açu, em Maria Rosa, a Defesa Civil de Campos interditou o local para evitar acidentes, com queda de veículos dentro do mar.

Na época, o secretário de Defesa Civil de Campos, Henrique Oliveira afirmou que foram adotadas medidas emergenciais. “A solução nos remete à construção de enrocamento (formado por fragmentos de rocha compactados em camadas de rochas) na orla daquele trecho, mas essa alternativa é de elevada complexidade técnica. Há necessidade de estudo hidrológico, ações que não são de competência dos municípios, porque ali, na orla, decisões dessa natureza competem à Marinha do Brasil e ao Ibama”, detalhou o secretário.

Nova visita à Praia do Açu e um vaticínio: nada poderia estar mais longe do normal!

Hoje tive a oportunidade de realizar mais uma visita à Praia do Açu e pude verificar um rápido avanço na “língua erosiva” que está consumindo a faixa central daquilo que já um dos principais pontos de veraneio para os habitantes de São João da Barra e municípios vizinhos.

As imagens que mostro abaixo demonstram que o processo erosivo está avançando de uma forma surpreendente, mesmo para mim que venho acompanhando o caso a partir de repetidas visitas “in loco”.  Além disso, o que vi hoje desmente de forma cabal a declaração surrada de que “as coisas voltaram ao normal” na Praia do Açu.

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O fato é que minha impressão é de que se não houver uma ação emergencial, o avanço que está ocorrendo de forma acelerada acabará comprometendo as ruas mais próximas do que ainda resta da Avenida Atlântica. Nessa batida, não há mais porque as autoridades municipais e estaduais, bem como a Prumo Logística,  insistir na posição de que o problema ocorrendo na Praia do Açu é “normal”, e que não decorre da construção do Porto do Açu. É que, como já insisti aqui várias vezes, o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) utilizado pela OS(X) para requerer e obter suas licenças ambientais junto ao Instituto Estadual do Ambiente (INEA) já previa a ocorrência deste fenômeno erosivo. Simples assim!

O DIA produz matéria sobre a erosão marinha em São João da Barra

Seca agrava avanço do mar em São João da Barra

Para especialista, baixo nível do Rio Paraíba do Sul influencia fenômeno

EDUARDO FERREIRA

Rio – A velocidade cada vez maior com que o mar avança e destrói construções no litoral de São João da Barra, Norte Fluminense, pode ter relação direta com a estiagem que assola o Rio Paraíba do Sul no estado. Dados da Defesa Civil do município apontam que nos últimos quatro meses, o mar avançou cerca de oito metros nos distritos de Atafona e Açu. O fenômeno acontece desde a década de 1970, mas está se agravando na cidade onde o Paraíba do Sul deságua e o nível do rio já chega a 2,20 metros — o normal seria 4,8m. Um quarteirão, 15 ruas e cerca de 500 casas já desapareceram do mapa.

Escombros na Praia de Atafona: força do mar se intensificou com baixo nível do Paraíba, diz especialista. Foto:  Nanci de Azeredo / Foto do leitor

De acordo com o oceanógrafo David Zee, o rio funciona como um espigão hídrico enfrentando as ondas. Quando sua vazão diminui, o equilíbrio de força com o mar acaba. Ele explica que o litoral tem muitos sedimentos de areia e argila. Com o rio baixo, o carregamento desses detritos diminui e, com isso, há um menor aporte de água doce. “Todo o material se acumula na embocadura do Paraíba do Sul. O mar, então, passa a atuar com mais intensidade. O equilíbrio de forças que existia antes está acabando. O ciclo hídrico está todo desbalanceado”, ressaltou o oceanógrafo.

Duas famílias tiveram que deixar suas casas na última semana, em Atafona, porque corriam risco de morte. “As pessoas moravam em frente à praia e a onda estava alcançando as residências. O mar está impróprio para banho por causa dos escombros”, disse o sub-coordenador de Defesa Civil do município, Wellington Barreto.

Ex-moradora de Atafona, a professora Vera Lúcia Fernandes, 52 anos, teve que se mudar há dois meses para a casa da irmã, em Campos dos Goytacazes, por causa do avanço do mar. “Tive que sair com meus dois filhos porque me sentia ameaçada. Fiquei triste porque sempre morei em São João da Barra, mas não tive condições de ficar. Não tenho dinheiro para comprar outra casa. Infelizmente não podemos fazer nada contra a natureza”, lamentou.

O prefeito José Amaro de Souza, o Neco, pediu um estudo para o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) e espera receber conclusão até o próximo mês, já com os números e custos de todo o projeto, que inclui Atafona. Já para o Açu, a prefeitura solicitou à empresa Prumo Logística, responsável pelo porto, que custeasse o estudo junto ao mesmo instituto.

Cenário de destruição

Quem passa por Atafona e Açu pode perceber os entulhos que chamam a atenção à beira-mar. São dezenas de casas destruídas. No Açu, uma área equivalente a três campos de futebol foi levada pelo mar. “Várias pessoas abandonaram suas casas antes mesmo de a Defesa Civil interditar. A situação é preocupante porque o mar não para de avançar”, disse.

Moradora do Açu, a aposentada Gracilda Francisca do Nascimento, 71, relembra a orla antes de tudo começar. “Aqui havia barracas, cadeiras e bares. Meu medo é a água do mar destruir tudo”, disse. Já a freira Nanci de Azeredo fez fotos dos estragos. “Aquela casa (foto) caiu na sexta-feira (dia 20). As pessoas estão em estado de alerta. Há muitas casas interditadas. O mangue que tinha em Atafona não existe mais”, disse.

Porto do Açu nega ligação a fenômeno

Para o pesquisador do Núcleo de Estudos Socioambientais da UFF, Aristides Soffiati, as obras do Porto do Açu agravaram a situação. “A empresa fez dois espigões. Abriu um canal no continente para fazer um estaleiro e criou dois prolongamentos de pedra”. Com isso, a água passa, mas a areia fica e causa o engordamento da praia. “O mar está perdendo areia. Não encontra mais a resistência da praia”.

A Prumo, responsável pelo porto, contratou a Fundação Coppetec para realizar um estudo e diz que o resultado indicou ser inviável associar o estreitamento da faixa de areia às obras do porto.

FONTE: http://odia.ig.com.br/odiaestado/2015-03-07/seca-agrava-avanco-do-mar-em-sao-joao-da-barra.html