Rafael Diniz, um prefeito pífio até na última entrevista

rafael diniz

Em sua última entrevista o ainda prefeito de Campos dos Goytacazes define a marca do seu governo e garente um novo nome para si mesmo: Rafael, o pífio

Nas últimas eleições municipais, o jovem prefeito Rafael Diniz foi defenestrado de forma esmagadora do cargo no qual chegou de forma semelhante nas eleições de 2016. Mas ao ler a transcrição do que pode ser a sua última entrevista enquanto chefe do executivo municipal, só posso chegar à conclusão de que ele decidiu ser pífio até o final. É que além de culpar os inimigos de sempre e uma crise financeira que não atingiu apenas a ele entre os eleitos de 2016, Rafael Diniz ainda se dispôs a dar notas inverossímeis para seus menudos neoliberais, enquanto exagerava nas adjetivações dos adversários.

Qualquer cidadão campista que não se deixe levar pelo nosso Fla-Flu local (marcado pelos que amam ou odeiam Anthony Garotinho) sabe que o governo de Rafael Diniz foi desastroso sob todos os pontos de vista, não deixando qualquer legado positivo com o qual ele possa se armar para uma hoje inviável candidatura a deputado (seja federal ou estadual).

O que vai ficar, entretanto, é um legado de destruição que começou pelo fechamento  do restaurante popular, passou pela elevação regressiva de tributos municipais, incluiu o calote nos RPAs, e desaguou no estabelecimento de um plano municipal de transportes que piora sensivelmente aquilo que já era muito ruim, punindo principalmente os moradores de áreas periféricas e dos distritos mais distantes.

E olha que Rafael Diniz conseguiu impor esse governo catastrófico tendo um orçamento maior que Florianópolis, capital de Santa Catarina, e de Juiz de Fora, um dos principais centros industriais brasileiros. A gastança na saúde e na educação, por exemplo, não deveriam ter resultado na completa precarização dos dois principais hospitais municipais ou, tampouco, na geração de uma dívida milionária com os chamados hospitais contratualizados.

O que resta a Rafael Diniz é reunir os seus menudos neoliberais (que segundo o próprio não merecem a nota 10, mas quando muito um super inflado 9,5) e sair de fininho da sede da prefeitura. Quem sabe assim, a população comece a esquecer que um dia tivemos um governo tão anti-povo e tão cruel com os mais necessitados. 

Ao novo prefeito, Wladimir Garotinho, sugiro humildemente que pare de dar ideia a quem até ontem o criticava usando a mídia corporativa local, e se concentre na hercúlea tarefa de tirar a cidade de Campos dos Goytacazes da profunda crise em que se encontra por causa das políticas ultraneoliberais aplicadas pelo governo de Rafael Diniz, o pífio, e seus menudos neoliberais. A primeira coisa, recomendo com igual humildade, é tratar bem os servidores públicos municipais sobre as quais reside a capacidade de fazer a cidade voltar a funcionar. E, sim, aguardarei a reabertura do restaurante popular dentro dos estimados 100 dias que o próprio novo prefeito anunciou. É que como eu sempre lembro, quem tem fome, tem pressa. E é sempre bom lembrar que com o fim do auxílio emergencial do governo federal, o número de famélicos irá aumentar.

E Rafael vai ter de explicar

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Ao que  tudo indica o município de Campos dos Goytacazes está experimentando uma mudança radical na forma com que se dá a gestão da sua prefeitura, e não pelas mãos de quem foi eleito para fazer isto, o jovem prefeito Rafael Diniz.  É que em um espaço próximo de 15 dias, dois cidadãos comuns impetraram ações populares para impugnar atos da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (PMCG) numa área bastante sensível, que é a contratação de empresas para oferecer serviços ou espaços físicos para diferentes órgãos e autarquias municipais. 

O primeiro caso foi o do eletricista Fabrício Ribeiro Batista que já conseguiu uma liminar para suspender o aditivo de R$ 2,630 milhões no contrato celebrado entre a empresa Working Empreendimentos e a PMCG [1].  Seguindo na mesma toada, o autônomo Anderson Henriques de Souza também impetrou uma Ação Popular  (AP) no caso referente ao aluguel de um terreno pertencente à empresa LOUREIRO E CIA ADMINISTRADORA PATRIMONIAL LTDA, caso que já foi tratado por mim na última 4a. feira (06/07) [2] (ver imagem abaixo).

acp terreno

Quem já leu a chamada “inicial” desta AP me confidenciou que a mesma traz elementos de prova bastante robustos e revelações contudentes, e que devem forçar  o corpo jurídico da PMCG a trabalhar bastante nos próximos dias para oferecer alguma resposta ao que está ali exposto. 

Uma das revelações curiosas que  a peça inicial traz é que o jovem prefeito Rafael Diniz foi o principal doador  individual de sua própria campanha (tendo doado R$ 40 mil ou 10,04% do total), sendo imediatamente seguido por um dos proprietários da LOUREIRO E CIA ADMINISTRADORA PATRIMONIAL LTDA que teria doado R$ 24.880,00, o equivalente a 6,24% de todas as doações recebidas pela campanha  eleitoral que elegeu o atual alcaide de nossa pobre/rica cidade.

Mas o que já chama a atenção nesses dois casos é o uso do recurso da AP que passa ao largo das tradicionais denúncias ao Ministério Público Estadual  (MPE) que tanto incomodaram a prefeita Rosinha Garotinho em seus dois mandatos à frente da PMCG. Para alguns juristas com quem já conversei, essa estratégia parece fazer parte de um movimento mais abrangente para colocar o jovem prefeito Rafael Diniz numa posição de ter de explicar os múltiplos contratos sem licitação que já foram firmados ao longo de 2017, mas sem o envolvimento do MPE no processo de apuração.

Se a hipótese acima estiver correta, o mistério que fica é sobre quem seriam os mentores dessa tática cujo objetivo parece ser colocar o prefeito Rafael Diniz numa condição um tanto incômoda.  Como este processo ainda está numa fase bastante inicial, vamos ter que esperar para ver qual vão  ser seus desdobramentos e resultados práticos.

Mas coisa é certa: Rafael Diniz prometeu que Campos dos Goytacazes ia mudar, e mudou. O que não se esperava é que junto com a mudança viriam as Ações Populares.


[1] https://www.portalviu.com.br/opiniao/delator-de-garotinho-perde-contrato/

[2] https://blogdopedlowski.com/2017/12/06/explica-essa-rafael/