E Rafael vai ter de explicar

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Ao que  tudo indica o município de Campos dos Goytacazes está experimentando uma mudança radical na forma com que se dá a gestão da sua prefeitura, e não pelas mãos de quem foi eleito para fazer isto, o jovem prefeito Rafael Diniz.  É que em um espaço próximo de 15 dias, dois cidadãos comuns impetraram ações populares para impugnar atos da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (PMCG) numa área bastante sensível, que é a contratação de empresas para oferecer serviços ou espaços físicos para diferentes órgãos e autarquias municipais. 

O primeiro caso foi o do eletricista Fabrício Ribeiro Batista que já conseguiu uma liminar para suspender o aditivo de R$ 2,630 milhões no contrato celebrado entre a empresa Working Empreendimentos e a PMCG [1].  Seguindo na mesma toada, o autônomo Anderson Henriques de Souza também impetrou uma Ação Popular  (AP) no caso referente ao aluguel de um terreno pertencente à empresa LOUREIRO E CIA ADMINISTRADORA PATRIMONIAL LTDA, caso que já foi tratado por mim na última 4a. feira (06/07) [2] (ver imagem abaixo).

acp terreno

Quem já leu a chamada “inicial” desta AP me confidenciou que a mesma traz elementos de prova bastante robustos e revelações contudentes, e que devem forçar  o corpo jurídico da PMCG a trabalhar bastante nos próximos dias para oferecer alguma resposta ao que está ali exposto. 

Uma das revelações curiosas que  a peça inicial traz é que o jovem prefeito Rafael Diniz foi o principal doador  individual de sua própria campanha (tendo doado R$ 40 mil ou 10,04% do total), sendo imediatamente seguido por um dos proprietários da LOUREIRO E CIA ADMINISTRADORA PATRIMONIAL LTDA que teria doado R$ 24.880,00, o equivalente a 6,24% de todas as doações recebidas pela campanha  eleitoral que elegeu o atual alcaide de nossa pobre/rica cidade.

Mas o que já chama a atenção nesses dois casos é o uso do recurso da AP que passa ao largo das tradicionais denúncias ao Ministério Público Estadual  (MPE) que tanto incomodaram a prefeita Rosinha Garotinho em seus dois mandatos à frente da PMCG. Para alguns juristas com quem já conversei, essa estratégia parece fazer parte de um movimento mais abrangente para colocar o jovem prefeito Rafael Diniz numa posição de ter de explicar os múltiplos contratos sem licitação que já foram firmados ao longo de 2017, mas sem o envolvimento do MPE no processo de apuração.

Se a hipótese acima estiver correta, o mistério que fica é sobre quem seriam os mentores dessa tática cujo objetivo parece ser colocar o prefeito Rafael Diniz numa condição um tanto incômoda.  Como este processo ainda está numa fase bastante inicial, vamos ter que esperar para ver qual vão  ser seus desdobramentos e resultados práticos.

Mas coisa é certa: Rafael Diniz prometeu que Campos dos Goytacazes ia mudar, e mudou. O que não se esperava é que junto com a mudança viriam as Ações Populares.


[1] https://www.portalviu.com.br/opiniao/delator-de-garotinho-perde-contrato/

[2] https://blogdopedlowski.com/2017/12/06/explica-essa-rafael/

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