Redes sociais como base para a propaganda do fascismo

Os conteúdo de direita está bombando nas redes sociais e entre os jovens. A receita para o sucesso da agitação autoritária é anterior à digitalização 

Influenciadores de direita – propaganda fascista

Foto: nd/Max Sauerbier

Por Alex Struwe para o “Neues Deutschland”

“Ódio e incitação” não são apenas um modelo de sucesso na era digital . Já na década de 1940, o sociólogo Leo Löwenthal, que havia imigrado para os EUA, analisou pregadores de ódio fascistas em seu estudo “Falsos Profetas”. Ele explicou seu apelo, mesmo para democratas liberais, abordando especificamente o que chamou de mal-estar: uma “condição básica da vida moderna”, manifestada, por exemplo, na sensação de ter sido enganado ou de ter se tornado um perdedor. Para aliviar esse sofrimento, o agitador propõe a ideia de que os aproveitadores uniram forças em uma conspiração, que escondem por trás de ideias e instituições liberais. Onde antes havia impotência, a agressão é fomentada: contra inimigos extremamente poderosos, contra o Estado corrupto e sua “elite”, que então é descarregada em inimigos indefesos, como refugiados ou “parasitas”.

Como o agitador usa com sucesso esse mal-estar para incitar sentimentos, ele não pretende fazer nada a respeito da crise social. “Ao contrário”, escreve Löwenthal, “ele se esforça para aprofundá-la a ponto de se condensar em uma relação paranoica com o mundo exterior. E quando seu público chega a esse ponto, está pronto para sua manipulação.” O cerne da publicidade fascista é, portanto, a ativação do indivíduo, ou seja, a atração de seguidores que prometem a superação da impotência precisamente por meio da submissão. As condições para o sucesso dessa receita dificilmente poderiam ser melhores na era digital: o presente parece mais assolado pela crise do que nunca, e as pessoas estão simultaneamente interconectadas e isoladas.

Influência no espaço pré-político

Não é de surpreender, portanto, que forças de direita queiram lucrar com essa constelação — e estejam conseguindo. Os altos índices de aprovação da AfD nas pesquisas e seu sucesso na última campanha eleitoral federal têm sido frequentemente associados à sua presença nas mídias sociais. Os partidos democratas abraçam abertamente demandas de direita, como o “controle migratório “. Os limites do que pode ser dito há muito se deslocaram para a direita, inclusive e especialmente online.

Isso constitui a base discursiva para o aumento de 48% na criminalidade e na violência de direita no ano passado, segundo o Ministério do Interior. Professores e centros de aconselhamento em escolas estão soando o alarme de que não conseguem mais controlar a “tempestade que se forma”, como a “NDR” noticiou recentemente sobre Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. As mídias sociais estão repetidamente no centro dessas descobertas sobre atitudes de direita entre os jovens. Grupos de direita estão explorando deliberadamente a infraestrutura digital, do YouTube, Instagram e TikTok ao serviço de mensagens Telegram, tanto para promover ativamente tópicos e termos como “remigração” na esfera pública online quanto para recrutar novos membros.

A organização juvenil do partido sucessor do NPD, Die Heimat, Junge Nationalisten (JN), por exemplo, conta não apenas com numerosos grupos locais de revolta recém-fundados, mas também com “divisões do TikTok” descentralizadas, como observou um relatório digital do Instituto Else Frenkel Brunswik (EFBI), em Leipzig. Esses grupos “perseguem uma estratégia sofisticada de mídia social, utilizando estéticas voltadas para os jovens, como jaquetas bomber, tênis, botas de combate ou looks fashion-wave, e combinam temas como migração com propostas de identidade e autovalorização”, escreve Alexander Ritzmann, do Projeto Contra o Extremismo (CEP).

O sucesso advém menos da sedução dos flautistas digitais do que da lógica do marketing de influência.

A plataforma de vídeos curtos TikTok, em particular, oferece aos extremistas de direita um alcance digital, de acordo com o relatório do EFBI. O algoritmo específico entrega vídeos aos usuários com base em suas preferências temáticas e também permite que vídeos de sucesso sejam copiados e disseminados por meio de pequenas variações. A enorme presença da AfD na plataforma, por exemplo, durante as eleições estaduais de 2024 e a última eleição federal, também foi possível graças ao uso de uma “guerrilha do TikTok” que publicou um grande número de vídeos relacionados à AfD.

No entanto, esses influenciadores decididamente “de direita” que acompanham manifestações ou editam vídeos de propaganda sobre orgulho nacional e propaganda racista são apenas a ponta do iceberg. Embora a estratégia “metapolítica” da Nova Direita seja ocupar o espaço pré-político, incluindo as mídias sociais, o sucesso real do conteúdo de direita decorre menos dos discursos memorizados de jovens neonazistas em vídeos online ou da sedução de flautistas mágicos digitais. A conectividade reside na lógica do marketing de influência.

A porta de entrada para a droga da “imprensa mentirosa”

O elo entre conteúdo explicitamente de direita e as mídias sociais é a narrativa da conspiração. Sua popularidade, por sua vez, segue a receita clássica para processar o desconforto: algo está errado lá fora, os políticos são corruptos e maquinações sinistras estão à espreita. Um dos temas preferidos aqui é a “imprensa mentirosa”, uma porta de entrada, por assim dizer, para o pensamento conspiratório. Isso reinterpreta a observação banal de que todo relato sobre a realidade contém um traço de interesses pessoais, assumindo uma mentira controlada e dirigida de cima. Aqueles que denunciam essa mentira podem se apresentar como supostamente honestos: afinal, eles estão dizendo as coisas como elas são e se posicionando, segundo a mensagem. As elites liberais, por outro lado, reivindicam seus próprios interesses como valores universais.

Por exemplo, Maximilian Krah, então uma estrela do TikTok para a AfD e agora membro do Bundestag, anunciou em um de seus vídeos: “Quer aprender sobre política? Definitivamente não com a ARD e a ZDF. Seja inteligente também. Assista a bons canais do YouTube e aos meus TikToks.” O político recomendou que os jovens evitassem assistir pornografia e não fossem “gentis, gentis, fracos e de esquerda”. Em vez de discurso de ódio abertamente aberto, Krah simplesmente usou os mecanismos do marketing de influência: personalidades acessíveis e supostamente autênticas oferecem suas dicas sobre rotinas de beleza ou fitness, estratégias de investimento ou produtos de forma direta. Mesmo quando sussurra sobre “os que estão no topo” e sua “mídia sistêmica” controlada, não se trata de dizer a verdade, mas sim do fato de que, na competição de ideias, ninguém mais pode dizer a verdade.

Ódio entre criptomoedas e fitness

No mercado digital de ideias, há uma sobreposição crescente entre tópicos populares de estilo de vida, como condicionamento físico, nutrição ou “independência financeira”, e a ideologia de direita. Os direitistas nem precisam se apropriar desses tópicos, por exemplo, por meio de conteúdo sobre artes marciais ou atitudes militares em relação aos esportes e ao corpo. Essencialmente, a propaganda fascista funciona de acordo com as regras das mensagens publicitárias — e a publicidade se tornou universal no espaço digital.

Essa conexão ficou evidente, por exemplo, nos chamados finfluencers, ou seja, influenciadores com estratégias financeiras e de investimento. Eles costumam apresentar um estilo de vida extravagante, por exemplo, em Dubai, que afirmam ter alcançado por meio de investimentos inteligentes. Para incentivar outros a seguirem seu exemplo, eles apregoam conhecimento secreto sobre os movimentos do mercado ou preveem a próxima crise.

No ano passado, os podcasters Kiarash Hossainpour e Philip Hopf causaram um pequeno escândalo com seu “Hoss & Hopf”, o podcast de maior sucesso da Alemanha na época, abordando tópicos como “Somos controlados por um sistema oculto?” e ​​”A poderosa família Rothschild e seus valores”. Clipes dos influenciadores financeiros foram compartilhados em massa no TikTok, assim como sua transição de gurus financeiros libertários para teóricos da conspiração de direita. A mensagem deles é: aqueles que buscam as estratégias de investimento certas, têm uma mentalidade vencedora, mantêm seus corpos em forma e suas almas puras e não se deixam levar pela lavagem cerebral para se tornarem perdedores podem alcançar a independência financeira e um estilo de vida jet-set.

A promessa de independência repete, no nível individual, o que os direitistas vislumbram como soberania para “seu país”: uma autodeterminação que deve ser alcançada precisamente pela submissão à ordem superior ou natural: a Alemanha para os alemães, os homens devem ser homens novamente, e as mulheres devem ser as chamadas “tradwives”. O mercado financeiro, ao qual os libertários prestam homenagem, é uma superfície de projeção ideal. Ele conduz os destinos do capitalismo global de uma forma altamente irracional e quase incompreensível. Com o conhecimento secreto que pode ser alcançado através do vínculo parassocial com modelos de sucesso, pode-se, dizem eles, tomar o próprio destino em suas próprias mãos.

A mesma estrutura subjaz às mensagens do novo movimento MAHA (Make America Healthy Again) nos EUA: contra o poder percebido das grandes corporações que supostamente envenenam as pessoas com aditivos alimentares, diversos influenciadores – sob o patrocínio do Secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. – promovem novas dietas, o leite cru, a oposição à vacinação e, claro, suas respectivas linhas de produtos. Em vez de serem controlados pela sinistra máfia corporativa, essas dicas nutricionais prometem recuperar o controle sobre si mesmo e sobre toda a sua vida.

Esta é a mensagem publicitária central contra o desconforto e a impotência na atual situação de crise. E esse sofrimento pode ser aliviado com dicas de beleza ou uma rotina de exercícios adequada, bem como com a fantasia de ser capaz de combater as maquinações sinistras, da substituição populacional às vacinações forçadas, com a força do “verdadeiro povo”. Porque pouco importa o que é dito e o que é usado para confortar as pessoas sobre a sua suposta perda de soberania. Só o sucesso conta – e é isso que o fascismo e o algoritmo têm em comum.


Fonte: Neues Deutschland

Como identificar cinco das maiores táticas de desinformação da indústria de combustíveis fósseis

mosaico‘Basicamente é uma campanha de propaganda.’ Composição: Getty Images, Guardian Design

Por Amy Westervelt e Kyle Pope para o “The Guardian” 

A desinformação cada vez mais sofisticada e mais bem financiada está a tornar a cobertura climática mais difícil tanto para os jornalistas produzirem como para o público compreender e confiar plenamente.

Mas contar a história, e compreendê-la, nunca foi tão urgente, com metade da população da Terra elegível para votar em eleições que poderão ter um impacto decisivo na capacidade do mundo de agir a tempo de evitar o pior da crise climática.

Influenciados durante 30 anos pela propaganda da indústria dos combustíveis fósseis, os meios de comunicação têm tanta probabilidade de amplificar inadvertidamente as falsidades como de as reprimir. Só nos últimos anos é que mais jornalistas começaram a evitar “ambos os lados” da crise climática – décadas depois de os cientistas terem alcançado um consenso esmagador sobre a dimensão do problema e as suas causas.

A boa notícia é que, embora as táticas de relações públicas da indústria dos combustíveis fósseis tenham mudado, as histórias que contam não mudam muito de ano para ano, apenas são adaptadas dependendo do que está acontecendo no mundo.

Quando os políticos falam sobre quanto custará agir sobre as alterações climáticas, por exemplo, quase sempre se referem a modelos econômicos encomendados pela indústria dos combustíveis fósseis, que deixam de fora o custo da inacção, que aumenta a cada ano que passa. Quando os políticos dizem que as políticas climáticas aumentarão o custo do gás ou da energia, contam com o facto de os repórteres não terem ideia de como funciona o preço do gás ou da energia, ou até que ponto as decisões de produção das empresas de combustíveis fósseis, para não mencionar o lobby a favor de subsídios específicos aos combustíveis fósseis ou contra políticas que apoiam as energias renováveis ​​têm impacto nesses preços.


1 Seguranca energetica

Desde alimentar guerras até preservar a segurança nacional, a indústria dos combustíveis fósseis adora alardear o seu papel em manter o mundo seguro, mesmo quando se envolve em atitudes geopolíticas que fazem com que todos se sintam decididamente menos seguros. No contexto da segurança nacional, vale a pena notar que os militares dos EUA começaram a financiar programas de emissões líquidas zero em 2012 e a listar as alterações climáticas como um multiplicador de ameaças na sua Revisão Quadrienal da Defesa, há uma década. Mas as empresas petrolíferas e os seus grupos comerciais ignoram essa realidade e, em vez disso, insistem que a ameaça reside na redução da dependência dos combustíveis fósseis.

Uma chama de gás em uma refinaria de petróleo

Uma queima de gás em uma refinaria de petróleo em Catlettsburg, Kentucky, em 28 de julho de 2020. Fotografia: Luke Sharrett/Bloomberg via Getty Images

Vimos isto recentemente nas mensagens da indústria em torno da guerra Rússia-Ucrânia, quando esta se mobilizou mesmo antes de Putin para promover a ideia de que um boom global de gás natural liquefeito (GNL) seria uma solução para a escassez de energia a curto prazo na Europa. A indústria tem estado visivelmente quieta em relação à guerra Israel-Palestina, mas está a promover mensagens gerais de “ nós te mantemos seguro” que enfatizam a instabilidade global. Nos EUA, as narrativas de segurança energética têm muitas vezes conotações nacionalistas, com mensagens que promovem os benefícios ambientais e de segurança globais dos combustíveis fósseis dos EUA em detrimento dos de países como o Qatar ou a Rússia.

É verdade que a auto-suficiência energética contribui para a estabilidade de qualquer nação, mas não existe nenhuma regra que diga que a energia tem de provir de hidrocarbonetos. Na verdade, está bem documentado que depender de uma fonte de energia vulnerável aos caprichos dos mercados mundiais de matérias-primas e aos conflitos globais é uma receita para a volatilidade.


A economia versus o meio ambiente

Em 1944, quando parecia que a Segunda Guerra Mundial terminaria em breve, o guru de relações públicas Earl Newsom reuniu seus clientes corporativos – incluindo a Standard Oil of New Jersey (hoje ExxonMobil), Ford, GM e Procter & Gamble – e elaborou uma postagem ultrassecreta estratégia de guerra para manter o público dos EUA convencido do “valor do sistema de livre iniciativa”.

Dos currículos escolares às curtas de animação criadas por Hollywood, às apresentações da indústria e às entrevistas aos meios de comunicação social, a indústria dos combustíveis fósseis tem insistido repetidamente nestes temas durante décadas. E, num movimento clássico, os porta-vozes da indústria apontam para estudos que grupos industriais, como o American Petroleum Institute, encomendam como prova de que cuidar do ambiente é mau para a economia.

uma refinaria de petróleo
Uma refinaria de petróleo em Carson, Califórnia, em 22 de abril de 2020. Fotografia: David McNew/Getty Images

Estas tácticas também aparecem em anúncios que nos lembram de equilibrar o desejo de redução de emissões com a necessidade de manter a economia a funcionar.Um anúncio da BP publicado recentemente nos podcasts da NPR, do New York Times e do Washington Post afirma que o petróleo e o gás equivalem a empregos e defende a adição de energias renováveis, em vez da substituição dos combustíveis fósseis.


3 ‘Nós fazemos sua vida funcionar’

A indústria dos combustíveis fósseis adora argumentar que faz o mundo funcionar – desde manter as luzes acesas até nos manter fascinados por smartphones e TV, e vestidos com moda rápida. É genial: criar um produto, criar procura para o produto e depois transferir a culpa para os consumidores, não apenas pela compra, mas também pelos impactos associados.

Equipes de limpeza ambiental limpam mandris de petróleo
Equipes de limpeza ambiental limpam depósitos de óleo na praia de um grande derramamento de óleo em Huntington Beach, Califórnia, em 5 de outubro de 2021. Fotografia: Allen J Schaben/Los Angeles Times/Getty Images

“Basicamente é uma campanha de propaganda”, disse o sociólogo ambiental da Universidade Brown, Robert Brulle. “E não é preciso usar as palavras ‘mudanças climáticas’. O que eles estão fazendo é semear no inconsciente coletivo a ideia de que combustíveis fósseis significam progresso e vida boa.”


4 ‘Somos parte da solução’

Nada afasta mais a regulamentação do que as promessas de soluções voluntárias que fazem parecer que a indústria dos combustíveis fósseis está realmente a tentar. Numa denúncia de 2020, a redação investigativa do Greenpeace, Unearthed, capturou um lobista da Exxon diante das câmeras explicando que essa tática funcionou com um imposto sobre carbono para evitar regulamentações de emissões e como a empresa estava seguindo a mesma estratégia com o plástico. Trabalhando com o Conselho Americano de Química para implementar medidas voluntárias como a “reciclagem avançada”, o lobista Keith McCoy disse que o objetivo era “estar à frente da intervenção governamental ”.

Tal como acontece com as alterações climáticas, explicou McCoy, se a indústria conseguir fazer parecer que está a trabalhar em soluções, poderá manter afastadas as proibições definitivas de plásticos descartáveis. Hoje, esta narrativa aparece no impulso da indústria para a captura de carbono, biocombustíveis e soluções de hidrogénio à base de metano, como o hidrogénio azul, roxo e turquesa. Vemos isso também na adopção pela indústria do termo “baixo carbono” para descrever não só soluções que permitem combustíveis fósseis, como a captura de carbono, mas também “gás natural”, que os lobistas da indústria estão a vender com sucesso aos políticos como uma solução climática.


5 ‘O maior vizinho do mundo’

Caso as pessoas ainda não aceitem o ar sujo, a água suja e as alterações climáticas, a indústria dos combustíveis fósseis financia museus, desportos, aquários e escolas, servindo o duplo propósito de limpar a sua imagem e fazer com que as comunidades se sintam dependentes da indústria. e, portanto, menos propensos a criticá-lo.

Tanto os jornalistas como o seu público têm mais poder para combater a desinformação climática do que poderiam sentir quando estão inundados por ela. Compreender as narrativas clássicas da indústria é um bom ponto de partida.

Desmascarar alegações falsas é o próximo passo crítico.

  • Amy Westervelt é uma premiada jornalista investigativa sobre clima, fundadora da Critical Frequency e editora executiva da Drilled Media

  • Kyle Pope é diretor executivo de iniciativas estratégicas e cofundador da Covering Climate Now, e ex-editor e editor da Columbia Journalism Review


color compass

Fonte: The Guardian

Ambientalistas cobram NYT sobre fim dos anúncios de combustíveis fósseis

fossil

Uma coalizão de 13 organizações ambientais lançou uma campanha clamando ao New York Times que interrompa imediatamente a publicidade de combustíveis fósseis. A campanha vem em meio ao aumento da pressão sobre gigantes da mídia, como Facebook , para agir sobre a desinformação climática.

Apesar de ter uma seção inteira de seu jornal dedicada ao clima, o jornal promove os combustíveis fósseis que causam a crise. A coalizão diz que a política do Times é contraditória com sua ética jornalística, que frequentemente comunica sobre as mudanças climáticas e até patrocina eventos climáticos, como o Climate Hub na COP26 .

“O New York Times ostenta um dos melhores jornalismos climáticos do mundo, mas é como se os editores não acreditassem em seus próprios jornalistas”, diz Genevieve Gunther do End Climate Silence. “Sua política de anúncios de combustíveis fósseis é uma forma de negação do clima”, completa Gunther. Para ela, quando anúncios de combustíveis fósseis apareceram diretamente ao lado de artigos sobre soluções para a mudança climática, isso cria uma forte associação que é enganosa para o público geral.

O NYT tem uma política que impede que o jornal faça propaganda de substâncias ou produtos que causam danos ao corpo, o que a coalizão diz que deveria incluir os combustíveis fósseis. O argumento do grupo é que os combustíveis fósseis têm sido inextricavelmente ligados à mudança climática por meio dos impactos na saúde causados pela poluição do ar e pelos desastres naturais que resultaram em mortes, doenças crônicas e enfermidades e deslocamentos .

“O New York Times proibiu os anúncios de cigarros há mais de 20 anos. Já é hora de fazerem o mesmo com os combustíveis fósseis, que matam muito mais pessoas do que fumar e ameaçam a estabilidade de todo o nosso planeta”, disse Jamie Henn, diretor da Fossil Free Media. “O Times não pode dizer que leva a crise climática a sério se ainda está lucrando com a desinformação da indústria de combustíveis fósseis”, completa.

“Há duas décadas, o Times reforçou seu jornalismo de saúde pública ao decidir parar de veicular anúncios de tabaco”, lembra Kathy Mulvey, diretora da campanha de prestação de contas do Union of Concerned Scientists. “Agora o Times tem uma oportunidade – e responsabilidade – de evitar cumplicidade no engano e com o greenwash da indústria de combustíveis fósseis, recusando anúncios de poluidores como ExxonMobil, Chevron e Shell”.

“As empresas de combustíveis fósseis são a principal causa da mudança climática, assim como a principal causa da desinformação sobre as causas da mudança climática”, ressalta Duncan Meisel, Clean Creatives. “Os leitores do Times merecem a verdade, apresentada de forma honesta e clara.”

A coalizão de parceiros inclui Badvertising, Clean Creatives, Climate Hawks Vote, Climate Power Education Fund, End Climate Silence, Evergreen Action, Fossil Free Media, Green Faith, Oil Change International, Periodistas por el Planeta, Stop Funding Heat, The Years Project e Union of Concerned Scientists.

Campanha de desfinanciamento contra mensagens de ódio e fake news já causou prejuízos bilionários à “holding” do Facebook

A campanha “Stop Hate for Profit” já causou prejuízos de pelo menos R$ 35 bilhões ao Facebook por sua suposta indolência em conter a disseminação mensagens de ódio e “fake news” em troca de verbas por propaganda

Um campanha iniciada por um grupo de organizações de direitos civis nos EUA chamada “Stop Hate for Profit” (Pare o ódio por lucro) já causando prejuízos bilionários à “holding” do Facebook (Facebook e Instagram) e também ao Twitter. É que dezenas de empresas, incluindo as arquirrivais Coca Cola e Pepsi, já informaram que irão suspender os anúncios em redes sociais, pois as empresas que as controlam não estão fazendo o suficiente para impedir a circulação de mensagens de ódio e “fake news” (notícias falsas) na rede mundial de computadores.

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A velocidade com que as empresas estão aderindo ao boicote do “Stop Hate for Profit” é resultado da percepção que a empresa de Mark Zuckerberg tem sido tolerante com empresas e pessoas que divulgam mensagens de ódio em função dos grandes lucros que a publicidade que elas pagam para serem mostradas no Facebook e no Instagram.

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Anúncio da multinacional Unilever diz que “Marcas têm o dever de ajudar a criar um ecossistema digital confiável e seguro. É por isso que nossas marcas irão parar de publicar propogandas no Facebook, Instagram e no Twitter nos EUA

Como apenas no caso do Facebook a renda obtida com a venda de espaços publicitários é de um valor em torno de  R$ 350 bilhões, a pressão que está aumentando em função da rápida ampliação da campanha boicote deverá gerar impactos importantes não apenas no tipo de propaganda que continuará sendo veiculada pelas redes sociais, mas também em processos eleitorais onde as campanhas de desinformação têm resultado na eleição de candidatos que se baseiam nas mensagens de ódio para se elegerem. 

Em uma demonstração de que a “Stop hate for Profit” já se fez notar pelas corporações que controlam as redes sociais, na última 6a. feira o próprio Mark Zuckerberg veio à público para reconhecer que o Facebook está enfrentando dificuldades por causa da sua percebida tolerância com mensagens de ódio e disseminação de notícias falsas, e que procuraria fazer mais para acalmar os críticos.

Entretanto, dada a posição ainda relativamente cômoda do Facebook em relação ao controle do mercado representado das redes sociais, isto não significa que algo mais efetivo vá ser feito pela empresa para conter a disseminação de mensagens de ódio. Esse fato, por sua vez, reforça a necessidade de se apoiar iniciativas que pressionem as corporações para que parem de pagar por espaços publicitários no Facebook e no Instagram até que mudanças substanciais sejam efetivamente realizadas.

Importante lembrar que no Brasil quem tem iniciou este tipo de pressão foi a “Sleeping Giants Brasil” que em pouco de existência já atingiu 375 mil seguidores no Twitter, e declara ter causado perdas significativas na renda publicitária que até pouco tempo movia a máquina de fake news que apoiava a disseminação de notícias falsas, a maioria em prol do presidente Jair Bolsonaro e seu governo.

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Mas a verdade é que a disputa em torno dos conteúdos publicitários nas redes sociais é apenas uma faceta de uma disputa política mais ampla. Para que haja a criação do ecossistema digital propalado pela Unilever há ainda muito trabalho a ser feito, pois há que se reconhecer que, como em qualquer outra seara do Capitalismo, os capitalistas não recusam facilmente a chance de obter lucro, nem que o instrumento de sua obtenção seja a divulgação do ódio e da mentira.

 

Sleeping Giants ganha versão brasileira para dificultar financiamento de fake news por empresas

Movimento expõe empresas do Brasil que financiam, via anúncios, sites de extrema direita e notícias falsas

Movimento expõe empresas que financiam sites bolsonaristas ...

Inspirada em modelo dos EUA, versão brasileira da conta Sleeping Giants alerta companhias sobre publicidade em páginas que ajudam a propagar a desinformação. Banco do Brasil, Dell, O Boticário, Submarino e Telecine retiram propaganda

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Telecine e Dell se comprometeram a vetar a anúncios em página denunciada por fake news.

Por Breiller Pires para o jornal “El País”

Com o intuito de minar a sustentação econômica de sites e canais ligados à extrema direita, o movimento Sleeping Giants, nascido há quatro anos, nos Estados Unidos, fincou bandeira em solo brasileiro no último domingo. Após ler uma reportagem do EL PAÍS sobre o perfil no Twitter que desidratou a publicidade online dos principais influenciadores ultraconservadores norte-americanos, um estudante que desenvolve pesquisas a respeito de fake news decidiu criar uma conta em português para difundir prática semelhante no Brasil: alertar empresas de que seus anúncios aparecem em conteúdos pouco confiáveis, associados a notícias falsas e desinformação, e alimentam o financiamento de páginas extremistas.

“Sempre pensei em formas de combater notícias falsas, mas nunca havia encontrado uma eficiente”, diz o administrador da versão brasileira, que, em apenas dois dias, ganhou mais de 20.000 seguidores. “Até que descobri essa maneira simples de aplicar usando a desmonetização.” Por questões de segurança, ele prefere não se identificar e celebra ter obtido aval dos precursores do Sleeping Giants para replicar a iniciativa. Seu fundador na matriz, o publicitário Matt Rivitz, recebeu ameaças de morte depois de um site conservador revelar sua identidade.

Enquanto a conta original norte-americana se define como “um movimento para tornar o fanatismo e o sexismo menos lucrativos”, o perfil adaptado ao contexto político brasileiro pretende “impedir que sites preconceituosos ou de fake news monetizem através da publicidade”. Em pouco tempo de atuação, o Sleeping Giants Brasil já conseguiu que pelo menos seis empresas se comprometessem a revisar políticas de anúncios via Google após serem alertadas de que suas marcas estampavam a página Jornal da Cidade Online. Em 2018, o site disseminou notícias falsas e informações distorcidas a favor da campanha de Jair Bolsonaro, como um artigo insinuando que, no segundo turno da eleição, Ciro Gomes teria se decidido pelo voto no candidato de extrema direita.

Agências de checagem como a Aos Fatos atribuem outras fake news à página, que atualmente tem se dedicado a atacar governadores que apoiam as medidas de isolamento social no enfrentamento à pandemia de coronavírus e, em sintonia com as redes bolsonaristas, utiliza dados imprecisos para defender a eficácia (não comprovada por estudos científicos) da hidroxicloroquina no tratamento da doença. Jornal da Cidade Online exibe anúncios por meio do sistema de publicidade digital desenvolvido pelo Google.

Um dos anunciantes expostos no Sleeping Giants Brasil que aparecem no site é o Telecine, primeiro a manifestar publicamente a intenção de retirar sua propaganda da página alinhada à extrema direita. “Somos totalmente contra a disseminação de fake news e precisamos, juntos, combatê-la”, expressou o perfil do canal fechado ao assumir o compromisso de analisar todos os portais que veiculam seus anúncios. “Restringimos e estamos sempre atentos para não estarmos em sites questionáveis voltados à disseminação de fake news, difamação e linguagem grosseira, conteúdos sensacionalistas e chocantes e propagação de mensagens de ódio, afirma o Telecine. “As restrições que incluímos diminuem drasticamente a probabilidade de termos nossas campanhas veiculadas em sites contrários às nossas políticas, e o trabalho dos nossos times é incansável para corrigir eventuais falhas que possam ocorrer com mídias automatizadas.”

A Dell, que também aparece em banners exibidos pelo Jornal da Cidade Online, atendeu à solicitação do Sleeping Giants Brasil. “Assim que recebemos essa informação, solicitamos a retirada dos anúncios automáticos. Repudiamos qualquer disseminação de notícias falsas.” Em nota enviada ao EL PAÍS, a empresa de computadores diz manter parceria com a DoubleVerify, serviço que mede a efetividade das entregas de anúncios, para monitorar suas campanhas publicitárias, além de possuir “uma extensa lista de negativação de sites de fake news e com conteúdo duvidoso, que é constantemente atualizada”.

Nesta quarta, o Submarino afirmou ter bloqueado anúncios no Jornal da Cidade Online e estar tomando providências para barrar sites semelhantes. “Caso vejam mais outro caso, podem me mandar, tá? Obrigado por avisarem!”, postou o perfil da empresa. O Banco do Brasil também comunicou a retirada de propagandas do site, repudiando a divulgação de fake news, o que gerou reação do vereador Carlos Bolsonaro. O filho do presidente criticou a decisão da entidade e saiu em defesa do Jornal da Cidade Online. “Marketing do Banco do Brasil pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas. Não falarei nada pois dirão que estou atrapalhando…”, comentou o vereador do Rio de Janeiro.

Outras grandes empresas e marcas como O Boticário e Samsung são citadas por seguidores do Sleeping Giants Brasil entre anunciantes do Jornal da Cidade Online, que tem o topo da página preenchido por um anúncio fixo do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS). A reportagem do EL PAÍS ainda identificou anúncios da Polishop no site. Segundo o marketing da empresa, a propaganda exibida se baseia na ferramenta de display do Google, que rastreia sites recentemente visitados por usuários ao direcionar anúncios. O TCE-MS não respondeu aos questionamentos enviados ao órgão.

Em nota, a Samsung afirma aplicar o bloqueio padrão a sites que propagam desinformação e que revisa constantemente seus anúncios automáticos para aprimorar as inserções. “A Samsung reforça seu compromisso ético com a transparência e reitera que não compactua com a disseminação de notícias falsas”, escreve a empresa de tecnologia, que não especificou se o Jornal da Cidade Online se encaixa em seus parâmetros de páginas que deveriam ser bloqueada. Já O Boticário informou que incluiu o Jornal da Cidade Online em uma lista de sites vetados em campanhas online, identificados como páginas tendenciosas ou de conteúdos sensíveis a exemplo de álcool, drogas e violência. “Quando percebemos algo que passou despercebido, incluímos imediatamente na lista de bloqueios”, diz a marca de beleza. “Nossos parceiros são escolhidos de acordo com o perfil do nosso consumidor, somado às especificidades da mensagem que queremos passar. E grande parte da entrega do Google é pautada em mídia programática, pois foca nos usuários, e não no anunciante.”

Sistema permite vetar sites e canais específicos

Mídia programática é uma das maiores fontes de receita de sites e influenciadores de extrema direita. A ferramenta proporciona aos anunciantes a compra de espaços publicitários de acordo com dados de usuários da internet, enquanto produtores de conteúdo recebem por visualizações e cliques em anúncios exibidos em suas páginas. O serviço é oferecido por plataformas como Facebook e Google, desenvolvedor do Adsense, um dos meios de publicidade mais populares do mercado. Entre seus filtros de controle, as empresas podem evitar que anúncios sejam veiculados para determinados grupos de pessoas, em conteúdos peneirados por palavras-chave ou até mesmo em páginas específicas negativadas pelo anunciante.

“Entendemos que os anunciantes podem não desejar seus anúncios atrelados a determinados conteúdos, mesmo quando eles não violam nossas políticas”, afirma o porta-voz do Google. “Temos políticas contra conteúdo enganoso em nossas plataformas e trabalhamos para destacar conteúdo de fontes confiáveis. Agimos rapidamente quando identificamos ou recebemos denúncia de que um site ou vídeo viola nossas políticas.” De acordo com a empresa, somente em 2019, mais de 21 milhões de páginas tiveram anúncios retirados e 1,2 milhão de contas foram encerradas por desrespeitar as regras da plataforma.

Em seu perfil, o Sleeping Giants Brasil ressalta que, devido ao sistema de anúncios em larga escala, “a maioria das empresas não sabe que está financiando esse tipo de mídia [de extrema direita ou propagação de fake news], então buscamos conscientizá-las”, em vez de promover campanhas de boicote às marcas, para que retirem propagandas de conteúdos sensacionalistas e, consequentemente, os desmonetizem. No YouTube, que também é gerido pelo Google, a reportagem identificou mais ações de publicidade exibidas em canais ultraconservadores.

Uma campanha da Mastercard, estrelada chef de cozinha Alex Atala, precede o início de vídeos do canal O Giro de Notícias (GDN), com mais de 1 milhão de inscritos. Em publicações recentes, o apresentador bolsonarista Alberto Silva se concentra em incitar manifestações pelo fim do Congresso e do STF, além de minimizar o impacto da pandemia no país. No último dia 6 de maio, ele subiu um vídeo com o título “Urgente – Descoberta a cura do Covid-19”, em que repercute matéria do Estadão sobre uma pesquisa holandesa em torno de um anticorpo com potencial para neutralizar o coronavírus. Embora leia a parte da notícia que destaca a necessidade de mais testes antes de certificar a eficácia do anticorpo em seres humanos, Silva trata o estudo como “cura”, além de identificar a repórter que assina a matéria como cientista. Em 2017, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que um site mantido pelo influenciador retirasse do ar uma notícia que atribuía afirmação falsa ao cantor Gilberto Gil.

Campanha da Mastercard veiculado em vídeo de canal bolsonarista.
Campanha da Mastercard veiculado em vídeo de canal bolsonarista.

No vídeo em que aparece o anúncio da Mastercard, o apresentador relata que o PT estaria “fazendo reunião na calada da noite” com “a turma do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, entre outras pessoas, com o objetivo dpegar o presidente Bolsonaro”. Entretanto, ao longo da fala de 10 minutos, Silva não menciona quando nem onde teria acontecido a suposta reunião. “A mídia programática é uma parte importante de nossa estratégia e mix de marketing em geral”, escreve a Mastercard em comunicado enviado ao EL PAÍS. “Estamos monitorando continuamente essa abordagem, fazemos ajustes contínuos para que nosso conteúdo seja exibido apenas em canais adequados e comprometidos com altos padrões éticos de publicidade, não apoiando a disseminação de notícias falsas.”

O EL PAÍS ainda registrou anúncios de produtos, que direcionam para a loja online da Drogaria São Paulo, em vídeos do Folha Política. Com quase 2 milhões de inscritos, o canal é derivado de um site homônimo, que, em 2018, teve páginas derrubadas pelo Facebook por propagação de notícias falsas e uso de técnicas irregulares que criavam uma espécie de “fazenda de anúncios” em mídia programática. Apesar da Drogaria São Paulo divulgar em seu site vídeos do médico Drauzio Varella alertando sobre a necessidade de cumprimento das recomendações de isolamento social e a falta de comprovação científica da eficácia da hidroxicloroquina, seus anúncios surgem em vídeos do Folha Política que incentivam aglomerações em protestos a favor do presidente Jair Bolsonaro e fazem lobby pela liberação do medicamento para tratamento do coronavírus. A rede de farmácias não respondeu aos questionamentos da reportagem.

No vídeo em que aparece o anúncio da Mastercard, o apresentador relata que o PT estaria “fazendo reunião na calada da noite” com “a turma do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, entre outras pessoas, com o objetivo de pegar o presidente Bolsonaro”. Entretanto, ao longo da fala de 10 minutos, Silva não menciona quando nem onde teria acontecido a suposta reunião. “A mídia programática é uma parte importante de nossa estratégia e mix de marketing em geral”, escreve a Mastercard em comunicado enviado ao EL PAÍS. “Estamos monitorando continuamente essa abordagem, fazemos ajustes contínuos para que nosso conteúdo seja exibido apenas em canais adequados e comprometidos com altos padrões éticos de publicidade, não apoiando a disseminação de notícias falsas.”

O EL PAÍS ainda registrou anúncios de produtos, que direcionam para a loja online da Drogaria São Paulo, em vídeos do Folha Política. Com quase 2 milhões de inscritos, o canal é derivado de um site homônimo, que, em 2018, teve páginas derrubadas pelo Facebook por propagação de notícias falsas e uso de técnicas irregulares que criavam uma espécie de “fazenda de anúncios” em mídia programática. Apesar da Drogaria São Paulo divulgar em seu site vídeos do médico Drauzio Varella alertando sobre a necessidade de cumprimento das recomendações de isolamento social e a falta de comprovação científica da eficácia da hidroxicloroquina, seus anúncios surgem em vídeos do Folha Política que incentivam aglomerações em protestos a favor do presidente Jair Bolsonaro e fazem lobby pela liberação do medicamento para tratamento do coronavírus. A rede de farmácias não respondeu aos questionamentos da reportagem.

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Esta reportagem foi originalmente publicada pelo jornal El País [Aqui!].

Jair Bolsonaro mostra que na política nada se cria, tudo se copia

A mídia corporativa brasileira está repercutindo e as redes sociais reverberando a imagem do deputado federal Jair Bolsonaro ensinando uma menina a imitar uma arma com os dedos durante uma atividade de campanha em Goiás (ver imagem abaixo) [1]

bolsonaro criança

Imagens mostrando o momento em que Jair Bolsonaro ensina menina a imitar uma arma com os dedos.

O interessante é que usar crianças para supostamente mostrar um lado “soft” de políticos em campanha.  Basta ver a foto abaixo de Adolf Hitler posando também com uma menina para mostrar aos seus potenciais eleitores que ele não era tão mau quanto diziam os esquerdistas alemães.

hitler criança 1

O problema para Bolsonaro é que com a volta que ele tomou dos partidos de direita que se aliaram ao PSDB para dar sustentação à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), o seu estilo “soft”, que de soft não tem nada, vai acabar não tendo nenhum significado eleitoral. 

Quanto à mãe da menina em Goiânia, o pior problema poderá nem ser o destino eleitoral de Bolsonaro, pois sabe-se lá se a filha gostar da lição que recebeu em praça pública. 


[1] https://www.diariodoaco.com.br/ler_noticia.php?id=60746&t=bolsonaro-ensina-menina-a-fazer-arma-com-os-dedos-e-caso-vira-bate-boca

RJ: Gastos bilionários com propaganda dos (des) governos Cabral/Pezão explicam silêncio da mídia corporativa

cabral-pezao

A tabela abaixo mostra gastos de mais de R$ 1,6 bilhão em publicidade pelo (des) governos Cabral/Pezão entre 2007 e 2016.

Note-se que em 2016, apesar de toda a crise, ainda foram gastos quase R$ 28 milhões em propaganda em apenas duas agências de publicidade.

Com tanto dinheiro rolando não é de se surpreender que a mídia corporativa não tivesse vontade de denunciar os malfeitos que estavam acontecendo na administração esdual.

Valeu mais do que nunca a máxima de que “A verba é o verbo!”

20161215_gastospublicidade

E depois ainda aparecem membros do (des) governo Pezão para dizer que a culpa da crise financeira em que o Rio de Janeiro foi imerso é dos servidores!