Sérgio Cabral, mais uma vez é citado por delatores ligados a empreiteiras

Bem que eu andava estranhando o silêncio em torno do ex (des) governador Sérgio Cabral, especialmente num período tão rico de delações de políticos pelos muitos empreiteiros transformados em informantes da justiça.

Mas não mais. A revista Época publicou no início desta 3a. feira uma matéria assinada pelos jornalistas Samantha Lima, Hudson Correa e Daniel Haider que colocam Sérgio Cabral no centro de mais uma delação relacionada ao pagamento de propinas pela construtura Andrade Gutierrez na reforma bilionário do estádio do Maracanã (Aqui!)

cabral epoca

O interessante nessa história não é a delação de Sérgio Cabral, mas o fato de que quem comandou essa obra com mão de ferro foi o então vice-governador Luiz Fernando Pezão que na época acumulava o cargo de secretário estadual de Obras (Aqui!). Em outras palavras, pode acabar sobrando delação para Pezão também.

Reuters: Doleiro Youssef diz que Aécio recebeu dinheiro de corrupção de Furnas

Senador Aécio Neves concede entrevista em Caracas.  18/6/2015.  REUTERS/Marco Bello

Senador Aécio Neves concede entrevista em Caracas. 18/6/2015. REUTERS/Marco Bello

BRASÍLIA (Reuters) – O doleiro Alberto Youssef afirmou nesta terça-feira durante depoimento à CPI da Petrobras que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu dinheiro de corrupção envolvendo Furnas, subsidiária da Eletrobras.

“Eu confirmo (que Aécio recebeu dinheiro de corrupção) por conta do que eu escutava do deputado José Janene, que era meu compadre e eu era operador dele”, disse o doleiro.

A assessoria de imprensa de Aécio afirmou que Youssef apenas disse que ouviu dizer que o senador recebeu propina, não que ele recebeu dinheiro de corrupção. Lembrou ainda que a Procuradoria-Geral da República considerou que não havia indícios suficientes contra o tucano e por isso não pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de investigação contra ele.

Em nota, o PSDB disse que as declarações dadas por Youssef à CPI não são “informações prestadas, mas sim de ilações inverídicas feitas por terceiros já falecidos, a respeito do então líder do PSDB na Câmara dos Deputados, podendo, inclusive, estar atendendo a algum tipo de interesse político de quem o fez à época”.

O partido diz ainda que Youssef repetiu à CPI o que disse em depoimento à Polícia Federal, que “nunca teve qualquer contato com o senador Aécio Neves e de que não teve conhecimento pessoal de qualquer ato, tendo apenas ouvido dizer um comentário feito por um terceiro já falecido”.

(Reportagem de Leonardo Goy)

FONTE: http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKCN0QU2N720150825

Aliados do governador Sérgio Cabral teriam recebido propina, diz revista

Jornal do Brasil

Durante a Operação Castelo de Areia, a Polícia Federal apreendeu documentos que indicariam que o secretário de Governo do Rio, Wilson Carlos Carvalho, e Carlos Emanuel Miranda, sócio do governador Sérgio Cabral (PMDB), teriam recebido propina da empreiteira Camargo Corrêa após o Estado renovar concessão do metrô. A denúncia está em reportagem da revista Época.

De acordo com a publicação, a propina teria sido paga depois que a Opportrans, controladora da Metrô Rio até 2008, quitou dívida do governo do Rio junto à empreiteira. Ambos teriam recebido, segundo a Época, valores que correspondiam a 5% do negócio, de cerca de R$ 40 milhões. Em 2010, a Camargo Corrêa foi a principal doadora na reeleição de Cabral, com R$ 1 milhão. O governo antecipou em dez anos a renovação do contrato da Opportrans e ainda a estendeu por mais 20 anos, até 2038.

Reportagem traz denúncias contra aliados de Sérgio Cabral
Reportagem traz denúncias contra aliados de Sérgio Cabral

Veja trechos da reportagem:

“O contrato assinado entre o governo do Estado, Opportrans e Camargo Corrêa estipulou a dívida com a construtora em R$ 40 milhões. Segundo o contrato, ela deveria ser paga em 12 parcelas mensais, a partir de 27 de janeiro de 2008. As duas primeiras parcelas seriam de R$ 3,35 milhões, e as demais dez de R$ 3,33 milhões. Do sétimo mês em diante, o valor sofreria correção monetária. A correspondência é impressionante com tabelas e e-mails apreendidos nos escritórios e residências do ex-vice-presidente e então consultor da Camargo Corrêa, Pietro Bianchi – apontado pela PF como o principal operador do esquema –, e do doleiro Kurt Pickel, acusado de enviar o dinheiro dos beneficiários ao exterior. Ambos foram presos na operação.

Nos e-mails e manuscritos de Bianchi, aparecem menções a percentagens destinadas a nomes em código e abreviaturas. Segundo a PF, Wilson Carlos era identificado nas anotações como “Secret. Gov Wilson”, “Secret. Wil”, “Secret. C.C. Wilson”, “Wilson” e “Wils”. Bianchi costumava usar nomes de animais para se referir a alguns destinatários do dinheiro. Miranda, o ex-sócio de Cabral, aparece uma vez como “Carlos Miranda” e outras três vezes, segundo a PF, como “avestruz”.

As anotações referentes aos dois sempre vinham relacionadas à “dívida do Metrô RJ” e a um valor em reais, seguido de um cálculo de 5% desse valor. Os 5% aparecem com um código. Por exemplo: “R$ 3,35 milhões, 5% – R$ 167.500 – Secret.Gov.Wilson”. De acordo com a PF, esses 5% eram o quinhão devido a Wilson Carlos ou a Carlos Miranda. Na época da apreensão, a PF desconhecia o acordo para o pagamento da dívida do metrô, apesar de ele ter sido publicado no Diário Oficial. Por isso, não pôde estabelecer no inquérito uma relação entre essas anotações e os pagamentos feitos pela Opportrans à Camargo Corrêa.”

>> Veja aqui a íntegra da reportagem

A assessoria de imprensa da Camargo Corrêa, afirmou que o acordo triangular com o Estado e o Metrô Rio “foi homologado pela Justiça”.

Já o governo do Rio afirmou que o secretário Wilson Carlos “jamais recebeu dinheiro desse ou de qualquer outro acordo que envolva o Estado e nunca teve conta no exterior”. Além disso, disse que Carlos Miranda foi sócio de Cabral “em uma empresa que deixou de operar há mais de sete anos e já foi extinta”.

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/03/01/aliados-do-governador-sergio-cabral-teriam-recebido-propina-diz-revista/