O PT Campos, o PL do Semiárido, e a Síndrome da Obra Pronta

O PT de Campos dos Goytacazes desinforma mais uma vez a população, seja por desconhecimento, seja por leviandade

O Norte e Noroeste Fluminense estão se tornando uma região de clima  semiárido? - Lignum Ambiental Jr.

Por Douglas Barreto da Mata

O estudo que permitiu que as duas casas legislativas aprovassem o referido projeto de lei, que passou por diversas comissões, e teve, inclusive, ajuda e participação de parlamentares petistas, foi realizado em universidades respeitadas, com ênfase na UENF, que se insere no contexto ambiental objeto do estudo.  É estranho, mas esse é o PT.  Parlamentares da legenda articulam a aprovação de um projeto de lei que o presidente vetará.

A nota oficial do PT Campos saiu no seu perfil da rede social Instagram.  Sem desconsiderar a proficiência de outros órgãos citados no texto do PT de Campos dos Goytacazes, o fato é que o único argumento que aquelas palavras contestam é o fato da região “ter água”, “tem seca, mas tem água”.

Além do despropósito de ignorar que a classificação de um microclima ou de regime climático de uma região se dê, antes, por índice pluviométrico, cobertura vegetal nativa, capacidade regenerativa de solo e nascentes, etc, e uma série de variáveis não descritas no veto presidencial, a “nota petista” procura culpados, quando deveríamos buscar soluções.

O moderno estudo do clima e ambiente, hoje, entende que não é mais possível estabelecer critérios estáticos, como a SUDENE fazia em 1940, 1950, 1960.  O sul do Brasil hoje tem seca nordestina, neve do Alasca, e chuva amazônica, por exemplo.  Os parâmetros são muito mais fluidos e dramáticos em curtos espaços de tempo.  O “hermetismo” da classificação anterior não atenderá a demanda atual, ao menos, para gente séria.

Todo o planeta é afetado por decisões ruins na sua preservação ambiental, mas isso impedirá que sejam buscadas soluções e mitigação dos problemas?  O mau uso secular da terra pelos nordestinos, a devastação dos biomas do agreste e da caatinga, impediram o presidente Lula de aportar bilhões para desviar o Rio São Francisco para a região?  A oferta de água do Rio desviado mudou a classificação do semiárido nordestino e subtraiu da região os benefícios? Claro que não, e nem é isso que queremos.  Queremos ser tratados da mesma forma, porque não acreditamos que o veto se deu porque o volume de votos daqui não se equipara aos de lá.

O PT de Campos também mente para a população quando fala de crédito e abandono da agricultura familiar.  A cidade de Campos dos Goytacazes auxilia com insumos e recursos técnicos o pequeno agricultor, adquire seus produtos, auxilia na logística e no comércio, e agora vai criar um entreposto regional, uma central de abastecimento, com intuito de agregar valor às atividades rurais.

No que diz respeito ao crédito, a chamada desigualdade já existe, e o PT mente, porque sabe que o grande e médio produtor já acessa ao crédito, inclusive de bancos estatais, enquanto o pequeno é tratado com mais burocracia e com valores de plano safra muito menores pelo governo federal.

A lei do semiárido poderia equilibrar essas diferenças trazendo dinheiro do mercado associado aos recursos estatais.  Enfim, se vai haver, como anunciado, reunião de “reajuste” da lei, por que o veto? Por que não alertaram antes para que fossem feitos os ajustes antes do veto? Parece que o real interesse não é a população, mas sim a “paternidade da obra pronta”.

O PT Campos e as salsichas

Por Douglas Barreto da Mata 

Uma fala atribuída ao estadista alemão Otto von Bismarck diz que “as salsichas e as leis, é melhor não saber como são feitas”. Porém, há algo pior que usar desse ou daquele artifício para obter resultados. Aqui vamos falar dos resultados da última eleição interna do PT em Campos dos Goytacazes, com a vitória de Danilo Freitas, com a resposta do perdedor Jefferson Manhães, que o acusa de práticas ilícitas.

Como veremos, a grande questão que ronda a esquerda campista  é a hipocrisia.  O debate não é se esse ou aquele meio é válido ou abusivo. A pergunta é: estou em condições de atacar o uso desse método?  Há muito tempo o PT de Campos tem como demarcação de seus campos a relação com a família Garotinho e seus oponentes. Aliás, dada a hegemonia desse grupo, por tanto tempo, com raríssimos hiatos, esse dilema de ser contra ou a favor da família Garotinho orientou a política local nos últimos 35 anos.

Já estiveram juntos PT e  Anthony Garotinho em 1989, mesmo contra a decisão partidária que determinou a candidatura própria de Luiz Antônio Magalhães, romperam com o então prefeito, voltaram e integraram o governo Arnaldo Vianna (eu incluído) na campanha de 1998, por ordem da campanha de Lula, quando foi desprezada a convenção estadual, que determinou candidatura própria, romperam de novo, se uniram a Paulo Feijó, então desafeto, a Alexandre Mocaiber, idem, e recentemente, aos Bacellar.  Não há nada demais nisso, é o jogo.

Apesar de ser uma lástima essa condição de rabo de baleia, quando era melhor ser cabeça de piaba, o fato é que com a paulistização do PT, em torno do imperador Lula e suas candidaturas, quando a disputa política pelo controle de parlamentos e municípios foi toda achatada, em nome da campanha presidencial, o PT de todo Brasil, e principalmente do Rio e de forma mais trágica, do interior do Rio, foi anulado, e (aqui) só ficou a questão de ser contra ou a favor os Garotinho nesta cidade.

Com a ascensão de Wladimir Garotinho há, como eu, pessoas que defendem uma aproximação com o prefeito, não por enxergar nele um possível novo convertido ao lulismo.  Nada disso.  É que, diferente de seu pai, o filho parece ter apreço pelo diálogo, demonstra capacidade de alterar rumos, e enfim, opera a política dentro de um campo saudável de incertezas.

Do outro lado, enxergo pessoas que, como Jefferson Manhães, Luciano D’Ângelo, José Luiz Vianna, que têm suas razões, requentando mágoas justificadas, talvez, olham o cenário por outro prisma, e defendem a manutenção de uma distância segura de Wladimir Garotinho. 

Não vou dizer que novamente Lula pode vir aí e atropelar tudo, juntando Eduardo Paes e PT (já reunidos) com Wladimir em uma chapa, o que  empurraria goela a dentro desse grupo uma decisão desfavorável.  Não, não vou fazer o papel do relógio quebrado e marcar a hora certa duas vezes no dia. 

O que me preocupa é outra coisa.  É a falta de seriedade em encarar o jogo e ver que determinados atos repercutem além das nossas idiossincrasias. Nas últimas eleições municipais, houve acusações de que Jefferson estaria a soldo do grupo que se opôs a reeleição do atual prefeito.

Não sou leviano de confirmar essa versão, e nem acho que essa posição pode ser deslegitimada, por tudo que disse aí em cima, ou seja, não sobrou muito campo para o PT de Campos operar, então, estão certos os que quiseram funcionar como linha auxiliar dos Bacellar, e os que enxergavam uma chance de diálogo com Wladimir Garotinho.

Por mais que ache estranho o silêncio dessas pessoas e das direções partidárias sobre a postura de uma parlamentar estadual que foi para o palanque de uma (suposta?) adversária no primeiro turno, tenho que respeitar essa omissão como um gesto político, uma opção.  O que não dá para entender é esse pessoal chorar a derrota, apontando o dedo para supostos abusos de poder econômico pela outra chapa.

Um interlocutor muito amigo, me disse hoje de manhã, que Jefferson Manhães é um pobre coitado, uma pessoa muito frágil.  Pode ser, mas eu lembrei a ele o que pessoas “frágeis” podem fazer, e dei como o exemplo o filme Adolescência, e o menino assassino de Itaperuna.  Tomara que esteja errado, e que Jefferson ainda tenha como ser resgatado.

Façam suas apostas: quando a baronesa vai pular da barca petista?

carla machado

Carla Machado, uma deputada que sempre foi mais amiga do Porto do Açu do que as vítimas da desapropriação no V Distrito de São João da Barra

No dia 12 de outubro publiquei um texto do Douglas Barreto da Mata onde ele tecia uma análise precisa sobre as incongruências existentes na relação da ex-prefeita de São João da Barra, e atual deputada estadual, Carla Machado, com o Partido dos Trabalhadores (PT).

Essas incongruências ficaram ainda mais explícitas com adesão que eu julguei meio tresloucada à candidatura da Delegada Madeleine (do direitista União Brasil) em detrimento daquela oficialmente apoiada pelo PT, a do Professor Jefferson Azevedo.

Quiserem as urnas que o resultado eleitoral do Professor Jefferson fosse muito melhor do que esperavam os próprios petistas, o que o elevou a uma condição de pleiteante natural a uma vaga para concorrer a deputado estadual em 2026.

Diante deste cenário tão adversa que, convenhamos foi criado pela própria Carla Machado, eu fico me perguntando quando é que a deputada sanjoanense irá pular da barca petista e se encaminhar para, por exemplo, o da União Brasil com quem ela tem claramente mais alinhamento ideológico. Se isso acontecer, Carla Machado ainda poderá trocar figurinhas com a que candidata que ela apoiou cujo destino pós-eleições foi exatamente a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Então, quem se arrisca a um prognóstico?  Com a palavra, o Diretório do PT Campos que, em minha modesta opinião, já deveria ter mostrado a porta da rua para a deputada.

PT Campos: um compromisso férreo com a derrota

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Por Douglas Barreto da Mata

Eu assisti ao programa do Igor José Alves com o professor  Luciano D’ Angelo: triste, lamentável, por onde quer que se olhe.  Não apenas pelos erros analíticos do fracasso eleitoral do PT local, afinal, ele tem o direito legítimo de defender as escolhas que fez. 

A narrativa não é execrável por essa razão.  Mas sim pela hipocrisia.  Ora pelotas, participar do jogo e reclamar depois do placar e do juiz é algo lamentável.  Ouvir o professor Luciano D’ Angelo falar de dinheiro e abuso de poder econômico em Campos dos Goytacazes, enquanto o partido governa Maricá, e um oceano de dinheiro, é de doer os ouvidos.

Fica a questão, quer dizer que no município de Maricá, que é governado pelo PT desde 2008,  a política é feita por frades e freiras?  Por lá, a população votou no PT pelo programa, princípios de esquerda e por uma execução orçamentária acima de qualquer problema? Entendo.

Porém, eu não gostaria de entrar por este campo movediço, até mesmo porque, há alguns anos, quando eu declarava minha crença em aspectos moralistas da política, fui advertido pelo mesmo professor Luciano D’ Angelo que me disse: “A questão da corrupção ou do moralismo não devem ser o principal norte da política”.

Anos depois, com a devassa hipócrita da Lava-Jato, entendi aquele argumento como uma premonição corretíssima.  Eis que, agora, me deparo com o professor Luciano D’ Angelo fazendo o discurso oposto do que fez antes.  Pior, faz um discurso oposto ao que praticou nessa eleição, porque até as placas de mármore da Praça 4 Jornadas sabem que o PT local funcionou como linha auxiliar da oposição, e pelo que se diz, teve bons motivos para tanto.

Alguns chamam essa conduta de hipocrisia. Eu chamo de esquizofrenia moral, para não usar termo mais pesado.  Enfim, parece que a surra que o PT de Campos levou nessa eleição de nada serviu.  A proposta de criar um grupo com o (derrotado, com meros 372 votos) ex-reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) para dar conta de fiscalizar o atual governo é de dar vergonha alheia.

Ótimo.  Mas o problema é um ex-gestor público que sentou em cima de 20 milhões de verbas da Alerj, por anos, dinheiro destinado para restauração do Solar do Colégio (Arquivo Público), e que, por completa ineficiência, quase houve o desabamento daquele patrimônio histórico, ter legitimidade para apontar erros de gestão em uma prefeitura do tamanho da campista, ou de quem quer que seja. O ex-gestor de universidade pública, que não deu conta de 20 milhões de verbas, vai poder tecer críticas sobre um orçamento de 3 bilhões?  Algo parecido com Jefferson Azevedo criticando o IDEB, quando sua gestão rebaixou drasticamente o aproveitamento dos alunos do IFF no Enem/Enad.

Enfim, a caravana seguirá, e os cães permanecerão ladrando.  Lamentável.

Faça o que eu falo, mas não o que eu faço. Ou como a oposição foi o maior aliada de Wladimir Garotinho

falo faço

Por Douglas Barreto da Mata

Este texto não procura diminuir as qualidades eleitorais e da gestão municipal, apesar de eu achar que há muita coisa a ser feita.  Nada disso.  No entanto, não é possível ignorar a capacidade de articulação política do atual prefeito, a forma como entendeu a carência deixada pelo seu antecessor, Rafael Diniz, O Incapaz, e mais, como dominou a comunicação de si mesmo, e do seu governo.

Não posso afirmar se Getúlio (Vargas) criou a obrigação de colocar o quadro do mandatário (no caso dele, presidente) nas repartições públicas, mas ficou para a História o jingle da sua campanha de 1950:  (bota o retrato de Velho outra vez/Bota no mesmo lugar/O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar, letra de Francisco Alves). 

Essa musiquinha dava contorno à concepção da onipresença, como se a imagem conferisse um olhar do líder sobre seus subordinados, compelindo-os a executar suas tarefas.  Ou seja, o líder cuida de todos, mas a todos observa.  Em tempos de rede social, a tarefa de se fazer presente se torna um pouco mais fácil. 

Nos tempos do pai do atual prefeito, o ex-Governador Garotinho, essa maneira de agir se manifestava em presença física em obras, escolas, etc, e justiça seja feita, o filho Wladimir ainda guarda essa rotina, para além da presença virtual nas redes sociais.

Zezé Barbosa, avô de Rafael Diniz, preferia madrugar no “triturador”, instalação usada para moer ossos em um antigo matadouro, convertida como instalação da prefeitura, ao lado do cemitério do Caju, de onde o então prefeito despachava desde muito cedo.

Essa conjugação de fatores (presença, marketing pessoal de rede e fracasso do antecessor) porém, não deve ser a única explicação, eu presumo, para tanta vantagem de Wladimir sobre os oponentes.

Como o título já entrega, a fragilidade, ou pior dizendo, a indigência intelectual dos opositores ajudou, e muito!  Vejam o caso do PT.  Primeiro, sob as ordens do grupo político que tem no presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) seu comandante, manteve a tese de que a deputada Carla Machado poderia ser candidata, ainda que até as pedras do Cais da Lapa soubessem que não.

A justificativa?  Mesmo na impossibilidade, a projeção do nome dela faria com que houvesse um capital político acumulado, que poderia ser herdado por quem ocupasse a vaga de dublê da deputada.

Bem, se foi isso, alguém tem que reclamar com o roteirista desse filme, que neste caso, dizem foi o pessoal do “Sou Feijó, mas Voto PT”, personificado em ninguém menos que Luciano D’  Angelo, considerado um dos alquimistas da político local, mas que, ao que tudo indica, perdeu um pouco a mão na dose de antigarotismo.

Além do constrangimento ao candidato, Jefferson, que sempre foi visto, e sempre se sentiu como um estepe, o tal capital político desejado (votos de Carla Machado) migrou sim, mas para o centro (Wladimir) e para a extrema direita (delegada), por um motivo simples: esse é o perfil do eleitor de Carla, a direita, conservadora, que enxerga nela um tipo de matriarca de São João da Barra.]

Pois bem, os tropeços e vergonhas se acumularam, com Jefferson debatendo dados do IDEB, mesmo com todas as evidências em seu desfavor, tingindo a campanha do PT de um negacionismo só visto nos piores tipos da extrema-direita, pois atacou, alucinadamente, dados de uma medição promovida pelo governo federal, que sabemos, hoje é liderado pelo PT.

Se já não fosse suficiente, Jefferson ainda teve que encarar o constrangimento de ter seu trágico desempenho nos índices de avaliação (ENEM-ENAD) trazidos ao público, já que em sua gestão a colocação do IFF Norte Fluminense despencou. 

O outro vexame se deu pelo fato de o PT funcionou como cavalo de aluguel da candidatura da extrema-direita, e essa certeza veio quando Jefferson tentou, de forma criminosa, criminalizar a campanha de Wladimir, inferindo que o prefeito tivesse vínculo com as supostas condutas ilícitas, atribuídas a um vereador, candidato à reeleição.  Logo o PT, querendo atacar e “lawfare”sendo o PT uma das grandes vítimas da ditadura das togas(Faça o que eu falo, não faça o que faço.)  Não ficaram só para o PT as trapalhadas.

O pessoal da candidata delegada também se esmerou. Primeiro a abordagem raivosa, quase bélica, contra um prefeito bem avaliado, com fama de bonachão e gente boa.  O episódio de um deputado estrangeiro ofendendo a primeira-dama foi o clássico tiro no pé, ainda mais para alguém que tem no seu único ítem no currículo a passagem pela DEAM. 

(Faça o que falo, não o que faço).

Ao invés de trazer debates necessários, a campanha da delegada preferiu o caminho do desgaste da imagem do atual prefeito, sem considerar o óbvio: na atual conjuntura, lendo as mesmas pesquisas qualitativas que, por certo, todos os grupos políticos têm acesso (ou deveriam), já deveria estar claro que essa tática não levaria a lugar algum.

O eleitor de Wladimir não identifica os erros como sua responsabilidade por dois motivos:  Wladimir conseguiu fazer com que parte dos erros sejam entendidos como resultado da gestão passada (o que é correto), mas principalmente, porque ele mesmo, Wladimir, tomou da oposição a narrativa desses erros, quando admite as suas existências, e diz que só ele poderá acertar no próximo mandato.

Isso só foi possível, como já dissemos, porque ele construiu uma relação bem sucedida com o eleitor, atributo pessoal dele, e que supera qualquer argumentação em contrário.

Restava à oposição falar daquilo que não se fala, mas aí faltou, do lado petista a coragem, e talvez também houvesse o impedimento pela estranha aliança com a extrema-direita, que interditou, por exemplo, uma discussão sobre tributos, questões fundiárias urbanas e rurais, ambiente, etc.

Já no caso da extrema-direita, esta agenda nunca seria trazida ao centro do debate, por questões óbvias.  Assim, o prefeito “cercou por todos os lados”, como se dizia na contravenção, antigamente. 

Claro que tudo isso foi salpicado com passagens grotescas, porém bem-humoradas, ao contrário do triste episódio do deputado alienígena ofendendo a primeira-dama, ao lado de uma sorridente delegada da DEAM.

Teve também, por exemplo, a piada que foi a representação pela censura de um boneco, o Wladinho.  Ao morderem a isca e passarem ao ataque a uma referência, os opositores mostraram o quanto perdidos estão.  Sim, a metalinguagem transferida ao boneco é um truque antigo, mas ainda hoje, como vemos, é super eficiente.

Para responder a uma metáfora, só outra.

Não se responde a um boneco com fala de gente, formal, séria…você responde a um boneco com a mesma linguagem, no mesmo campo do humor e da jocosidade.  Atributos que não se encaixam no raivoso figurino da extrema-direita, e como também já falamos, foi a escolha desde o começo.

Já no campo dos debates, assistimos a um vídeo cansativo da deputada Carla Machado, deitando longos minutos de falação, enquanto suas mãos repousavam sobre um tipo de diploma ou título, como se a conferir respeitabilidade à interlocutora, um tipo de chancela.

Aquilo que ela prega aqui, para Campos dos Goytacazes, a candidata dela em SJB não pratica, ou seja, lá em São João da Barra, Carla Caputi, favorita à reeleição e apoiada por Carla Machado, não vai fazer debate com o opositor.

(Faça o que falo, não o que faço).

Como ato de “grand finale”, a deputada Carla Machado deu a facada final na moribunda campanha de Jefferson do PT, ao declarar apoio à delegada candidata.  Matou duas campanhas com uma paulada só. Talvez nem se ela desejasse tal consequência, ela teria tanto êxito, a deputada.

Ao aderir à delegada, talvez tenha tirado qualquer chance de que ela (a delegada) fizesse um pouco mais de votos, e assim se revelasse como um quadro político relevante para o futuro próximo.

Eleitores de direita e de extrema-direita da delegada, provavelmente, não engoliram essa união, e se não migraram para o campo dos brancos e nulos, ainda podem fazer o pior, e votar em Wladimir.

Quanto ao Professsor Jefferson, eu nem sei ao certo, talvez essa “facada” fosse a deixa para ele retirar a campanha, e se poupar um pouco da extrema vergonha que se fez passar, em um auto flagelo poucas vezes visto na História.

Quem sabe faltou ensaio, e ele não seguiu o roteiro?  Por último, e não menos importante, nestes últimos dias, a oposição se superou.  É claro que é leviano dizer que o time da delegada tenha censurado a publicação dos resultados da pesquisa Paraná/O Dia.

Não acho que um veículo com a dimensão do O Dia aceite fazer um papel tão rasteiro.  Porém, as más línguas (sempre elas) juram que essa censura pode ser verdade, pois a situação é ainda mais grave.

O resultado não seria apenas uma confirmação do quadro anterior, mas traria notícias ainda piores, ou seja, confirmava a tendência de queda já observada.

Alguns se perguntam, atônitos:  Uai, se eles dizem que pesquisas não importam, e que o resultado que importa é o dos urnas (e é verdade), por que tanto trabalho para esconder os resultados (negativos) da pesquisa?

(Faça o que falo, não o que faço). 

Outros ainda mais maldosos dizem que a debandada de eleitores da delegada levou o comando da campanha a gestos desesperados, como a contratação de milhares de pessoas para empunhar bandeiras pelas ruas, para dar ideia de volume (e vitória). O evento pode ser chamado de Invasão dos Bandeirantes.

Mesmo assim, o efeito parece ser o contrário, e há a nítida impressão de que os bandeirantes aceitem a remuneração, mas votem no atual prefeito, o que não seria inédito na história e anedotário eleitoral.

Como a última pesquisa foi, de fato, censurada, o que fica é a especulação, a quiromancia estatística.

Eu lembro do sincericídio de Rubens Ricúpero, chanceler do Itamaraty nos tempos de FHC, falando das estratégias de marketing do Plano Real, que foi capturado antes da entrevista, mas vazado, para desespero dele:  “O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”.

 
 
 
 

O PT Campos na encruzilhada: se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come

crossroads campos

Por Douglas Barreto da Mata

Eis a situação do PT de Campos hoje, muitíssimo bem retratada no texto do editor, que dá nome a esse blog (do Pedlowski), me chamou atenção, especialmente o parágrafo final, que reproduzo abaixo:

“(…)Aí me parece que não apenas se deverá fazer o devido balanço do custo de ter se incensado uma política que é efetivamente uma alienígena dentro do PT e perdido tanto tempo em um esforço para viabilizar uma candidatura impossível.   Há que se tirar consequências práticas não apenas sobre o que fazer com Carla Machado após sua migração para a candidatura da delegada Madeleine, mas também para que se evite o mesmo tipo de vexame político no futuro.(…)”

É uma questão importante, que não merece passar despercebida.  O que o PT de Campos fará com Carla Machado, e mais, como irão se comportar suas instâncias acerca do triste papel desempenhado por seu candidato, e a coordenação de campanha, que levaram a legenda ao desastre político, desastre este muito mais significativo, diga-se, que as meras somas eleitorais desfavoráveis?  Como encarar o eleitor, e pior, como encarar a sociedade, após a eleição?

A fusão do PT com a extrema-direita é um movimento estranhíssimo e difícil de engolir. Ainda mais da forma como se deu, com a adesão da deputada petista Carla Machado à candidatura da delegada Madeleine, ao mesmo tempo que, na mesma ocasião da declaração de apoio, a deputada trouxe de volta o bode para a sala.

O bode é Rafael Diniz.  Não foi possível entender como a deputada teceu elogios e defesas ao ex-prefeito Rafael Diniz, que vinha sendo evitado como uma doença contagiosa pelo grupo da delegada. 

A coordenação de campanha da delegada buscou, de todo modo, esconder as conexões com o ex-prefeito Rafael Diniz, como escondem um parente indesejável, já que a administração dele é considerada a pior de todos os tempos, sendo atribuída a esta administração boa parte do favoritismo e vantagem do atual prefeito Wladimir Garotinho, quando comparadas as gestões.

Inexplicável que a deputada, em pleno discurso de apoio à delegada, tenha trazido o pobre Rafael Diniz, que implorava ser esquecido, de novo à ribalta do debate político municipal. Se havia alguma dúvida para o eleitor, agora ficou claro e escancarado:  Carla Machado é Rafael Diniz, que é o mesmo que o PT e o Professor Jefferson, e todos são a delegada e seu grupo político!

Com a surpresa por este péssimo passo da deputada em mente, que passo à minha conversa com George Gomes Coutinho, neste sábado, dia 21/06, pela manhã. Coutinho me alertou sobre a impropriedade de um partido, que teve seu principal líder preso e impedido de concorrer à uma eleição (2018), pelo emprego do lawfare, recorrer a esta prática nefasta de judicializar a disputa.  Não poderia concordar mais.

O PT padece de uma Síndrome de Estocolmo, depois de apanhar com as vergastadas das varas judiciais, parece ter assumido para si o papel dos seus algozes, e se lança na cruzada de protagonismo judicial.  O uso pornográfico (emprestando a expressão de Nelson Rodrigues) do poder judiciário é algo que não faz sentido para um partido que foi esmagado pela república das togas.

É preciso dizer que todas suspeitas embasadas em indícios razoáveis devem ser apuradas com rigor máximo, ao mesmo tempo que devemos evitar, a todo custo, levar ao conhecimento da Justiça meras ilações e leviandades, com o intuito provocar danos ao concorrente, como veda, inclusive, o Artigo 326-A da Lei 4737/65.

Esse é o remédio amargo que deverá ser ministrado ao Professor Jefferson, agora chamado nas redes de Professor Girafales, ou Playmobil, tamanho o ridículo que se fez passar.  Bem, se eu fosse o corpo jurídico do candidato Wladimir Garotinho, é por aí que eu começaria. 

Como agora não consegue justificar o papelão, o Professor Jefferson Manhães cavou mais o fundo do poço onde se encontra, e clama desafios sobre advogados, como se essa fosse a questão principal.  Não é. 

Antes de propor desistência de candidaturas, ele mesmo deveria repensar a sua, depois do vexame que passou, desde o início, quando foi preterido por uma tese jurídica impossível, e agora, quando a deputada estadual Carla Machado lhe retira a escada, deixando-o pendurado na brocha, como diziam os antigos.

Há várias outras questões cruciais. Pois bem, por último, eu trago outras considerações de ordem prática. O movimento de Carla Machado para apoiar a delegada Madeleine pode ser ainda mais deletério para a delegada, além do que já enumeramos.

Explico.  Agremiações políticas como o PT, ou aquelas de extrema-direita sobrevivem na reivindicação de uma originalidade específica, isto é, dizem a todos que são diferentes e portam uma mensagem “pura” da política. Necessitam de certa “radicalização”. No caso da extrema-direita, essa perspectiva se amplia ao grotesco, como o influencer goiano admirado pela delegada Madeleine, o moço da “cadeirada”, da luta com tubarões, da ressuscitação e das tentativas de curas. 

Ora, embora não seja um cálculo exato, a presença de uma petista, mesmo que seja uma “petista tipo Carla Machado”, traz para os setores mais conservadores (leia-se extrema-direita) que se alinham junto à delegada e seu grupo, um desconforto que, muito provavelmente, provocará deserções, cujo número, já dissemos, não é muito fácil de estipular, mas não é leviano supor. 

Nessa extrema-direita estão os que detestam a família Garotinho, justamente por causa da inclinação social dos governos deles, considerados pelos ultraconservadores como “socialistas” ou “de esquerda”, ou como a própria delegada disse, “Wladimir melancia”, vermelho em seu interior.

Parte desse pessoal disputou ferrenhamente o apoio do ex-presidente Bolsonaro, enquanto acusava o atual prefeito Wladimir de não ser “direita raiz”.  E agora, José?  Como explicar para os enfurecidos da extrema-direita que o PT chegou para o baile, e vai dançar com a delegada?

O que fará esse pessoal?  Eu apostaria em um derretimento de entre 2 a 5% nos votos da delegada, sendo certo que destes votos perdidos, uma parte iria para brancos e nulos, já que o antigarotismo não cederia espaço a conversão destes eleitores desiludidos.

É possível, no entanto, que uma parte do eleitorado migre para o atual prefeito Wladimir Garotinho, como uma aposta de “voto de vingança”, para punir a delegada, com uma derrota mais acachapante, ou ainda, um “voto de rendição”, é melhor não perder o voto, e votar no vencedor, já que a desafiante mostrou-se pior do que o prefeito.  As urnas soberanas falarão.

O certo é que a frase de Napoleão Bonaparte parece cada vez mais atual, deve ecoar nos corredores da campanha de Wladimir: “Não incomode nossos inimigos, enquanto eles cometem erros”.

Carla Machado, como Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá. E o PT Campos arrisca ir junto

A então prefeita Carla Machado entregando a medalha de “Barão de São João da Barra” a Eike Batista

Esta postagem pode parecer uma sequência do preciso texto assinado pelo Douglas da Matta, e até certo ponto é, porque trata de uma mesma personagem, a ex-prefeita de São João e atual deputada estadual pelo PT, Carla Machado. Começo dizendo que sou do tempo em que a hoje deputada pelo PT era uma espécie de filial do chamado Garotismo nas terras que dão ao Brasil o conhaque de alcatrão São João da Barra. Depois por motivos que se tornaram óbvias, Carla Machado assumiu voo próprio e passou a fazer uma oposição visceral a Anthony Garotinho e seu grupo político.

Mas passada a introdução, eu tenho que dizer que Carla Machado foi uma personagem habitual no espaço deste blog desde sua criação em 2011 por um motivo que considero emblemático da sua trajetória pós-Garotismo que foi o processo de desapropriação de 7.500 hectares pertencentes a agricultores familiares para a implantação de um natimorto Distrito Industrial de São João da Barra que daria uma conformação produtiva ao Porto do Açu, empreendimento iniciado sob os auspícios de um grande amigo de Carla Machado, o ex-(des) governador Sérgio Cabral  (Aqui!, Aqui!, Aqui!, Aqui!).

Carla Machado foi uma figura instrumental não apenas para a Codin tomar terras cujas indenizações ainda não pagas, mas também para transformar terras que eram agrícolas em um grande latifúndio improdutivo, o que facilitou não apenas a instalação do Porto do Açu com Eike Batista, mas também todo o desarranjo social e produtivo que vigia no V Distrito de São João da Barra.

carla machado porto do açu

Carla Machado e o então reitor do IFF, Jefferson Manhães na Feira de Oportunidades de 2019

As imagens abaixo mostram Carla Machado participando de uma espécie de divisão (neo) colonial do V Distrito com direito a poses com mapas que lembram muito o que as potências europeias fizeram na Ásia e na África no Século XIX.

O fato é que Carla Machado nunca foi cobrada por sua participação na tomada de terras de centenas de agricultores pobres que tiveram seu modo de produção e reprodução completamente dilacerados por um empreendimento que até hoje se mostra um pesado fardo para São João da Barra. As promessas de crescimento de empregos e da renda municipal não se confirmaram e o nível de miséria se manteve firme, mas Carla Machado continuou surfando nas boas ondas da política regional. O que ficou foi  salinização das águas continentais, erosão costeira, aumento dos problemas sociais, e perda da produção agrícola.

Uma das explicações para isso foi sua migração para o Partido dos Trabalhadores (PT) e sua eleição para deputada estadual, a despeito da trajetória anti-camponesa que ela construiu como uma das avalistas da tomada de terras pelo (des) governo de Sérgio Cabral. As cenas de agricultores idosos sendo removidos algemados de suas propriedades nunca resultaram na devida fatura política para Carla Machado e seu acolhimento nas hostes do PT serviu como uma espécie de indulto da qual ele se beneficiou alegremente.

Como alguém que trabalhou para conseguir o registro nacional do PT junto ao Tribunal Superior Eleitoral em 1982 subindo os morros na cidade do Rio de Janeiro para captar filiados, ver uma personagem como Carla Machado andando com a estrela no peito é não apenas fonte de desgosto, mas também de confirmação de que ter me retirado do partido a que ajudei a fundar foi um ato correto.  Mas como considero que existem militantes sinceros no PT de Campos, eu fico imaginando como eles estão se sentindo hoje com a ida de Carla Machado para a campanha da Delegada Madeleine, enquanto o partido tem um candidato no pleito, o Professor Jefferson Manhães.

Mas para além do desrespeito com a candidatura oficial do partido, o abraço de Carla Machado em outra candidatura de viés claramente mais à direita do espectro ocupado pelo PT torna ainda mais difícil o esforço que os membros da nominata de vereadores estão tendo que fazer para serem chances mínimas de eleição.  Curiosamente nesta nominata existem militantes do campo da reforma agrária, como no caso do Hermes Mineiro e do Mateus do MST. Pelo menos para esses, a boa notícia é que não terão a companhia de uma inimiga da agricultura familiar nas caminhadas em que estão gastando a sola do sapato e as cordas vocais para enfrentar alianças que possuem mais dinheiro para se viabilizarem.

Aliás, o aparecimento de jovens militantes que ainda acreditam no PT como instrumento de luta era uma das poucas coisas boas que eu pude ver no atual ciclo eleitoral. Agora, com essa guinada pró-Madeleine de Carla Machado, fico me perguntando se até isso não está sendo jogado pelo ralo.

Aí me parece que não apenas se deverá fazer o devido balanço do custo de ter se incensado uma política que é efetivamente uma alienígena dentro do PT e perdido tanto tempo em um esforço para viabilizar uma candidatura impossível.   Há que se tirar consequências práticas não apenas sobre o que fazer com Carla Machado após sua migração para a candidatura da delegada Madeleine, mas também para que se evite o mesmo tipo de vexame político no futuro.

A sinuca de bico do PT Campos: ou expulsa Carla Machado ou retira a candidatura do Professor Jefferson

sinuca de bico

Por Douglas Barreto da Mata

Vou repetir mil vezes, todos os partidos e políticos têm direito ao seu cálculo político, às alianças e adesões.  Seja qual for o motivo for.  O que não se pode é tomar a todos por burros, escondendo interesses inexplicáveis, ou atitudes incoerentes com aquilo que pregam. 

Se os petistas campistas  e o pessoal da Delegada  Madeleine dizem que o atual prefeito anda em todos os lados, o que eu nem acho ruim para a biografia dele, o que dizer da incomum e estranha “união” do PT de Campos com a extrema-direita e seus padrinhos políticos.

Hoje tivemos uma dose dupla de afagos, onde o PT de Campos, nas pessoas de seu candidato Professor Jefferson Azevedo e da deputada estadual Carla Machado, vestiu a camisa desta extrema-direita.  Uma cena grotesca e surreal.

Enquanto, de um lado, Jefferson, o candidato a prefeito entrava com uma ação, patrocinada pelo mesmo advogado do grupo da extrema-direita, inclusive foi esse advogado que acompanhou o bombeiro reformado, e segurança desse mesmo pessoal, e que é suspeito de assassinar um trabalhador de entregas, de outro lado, a deputada traía esse mesmo Jefferson, declarando apoio à candidata da extrema-direita.

Na declaração de apoio, a deputada fez questão de elogiar e defender a gestão de Rafael Diniz, que até já foi execrado pela própria Delegada Madeleine, a qual a deputada estava aderindo, Ou seja, uma confusão tremenda.  Afinal, em quem o eleitor do PT deve votar? E mais: Rafael é ou não é referência para o PT, para a deputada, para o Professor Jefferson e para a Delegada Madeleine?

Eu falo estas perguntas diretamente à coordenação de campanha do PT, nas pessoas do decano Luciano D’Angelo, do ilustre professor José Luís Vianna da Cruz, e de tantos outros dedicados a tornar o Professor Jefferson um candidato palatável.

Eu sentiria pena do Professor Jefferson, afinal, ele foi a última escolha, já que essa mesma coordenação apostava na possibilidade de que a deputada pudesse obter um milagre jurídico, e mesmo depois de não consumado o milagre, esperavam que senhora parlamentar viesse a se engajar para transferir seu capital de votos para o Professor Jefferson.  Mas depois de ver o papel que ele cumpriu na data de hoje, funcionando como uma marionete do grupo da extrema-direita, acho que ele tem o tratamento que merece.

Já em relação à deputada, não esperava nada diferente do que ela sempre fez. 

E o PT de Campos? Do jeito que vai, o jeito vai ser desejar um sonoro e lamentoso “rest in peace” (ou em bom português, descanse em paz). Na linha do “temos a tristeza de comunicar o falecimento, na data de hoje, do PT de Campos dos Goytacazes, por falência múltipla de sua vida interna, resultado de agressões violentas de grupos externos.  O velório será a partir da madrugada de hoje, na Capela do Cemitério do Caju, e o sepultamento, dia 6 de outubro.  O falecido não deixou herdeiros políticos, nem capital político nenhum”.

Não olhe para cima (Don’t look up!). O Negacionismo petista, da planície ao planalto!

dont look up

Por Douglas Barreto da Mata

Na terra plana

Sim, lá vamos nós com referências cinematográficas mais uma vez, o que eu vou fazer?  Este é o luxo que eu posso me dar, afinal, o que eu escrevo tem pouco alcance, ou nas palavras de alguns: “ninguém me dá importância mesmo”.  Concordo. Desde os tempos em que eu mantinha um blog, eu sempre fiz questão de dizer a todos (e poucos) que me liam, talvez, que o fazia para minha satisfação exclusiva. Se eu quisesse escrever algo “popular”, digamos assim, eu teria tentado um workshop com Paulo Coelho, ou Lair Ribeiro. 

Bem, parece claro que para determinados petistas, importa mais se o que eu escrevo tem ampla repercussão; portanto, dane-se o conteúdo, se está certo ou errado. Para ter validade, é preciso ter escala Deve ser por isso que estão no mesmo campo político hoje da candidata que idolatra Pablo Marçal, vá saber?

Em tempos de negacionismo, é engraçado assistir o PT de Campos e do Brasil embarcarem na mesma canoa furada, porém, com um agravante: Pablos Marçais e Bolsonaros sabem o que fazem, e tiram dividendos políticos desse comportamento “espantalho” que performam.  Já o PT, de Campos e o do Brasil, só fazem papel de idiotas mesmo, e o fazem porque não sabem fazer outra coisa.

Don’t Look Up é um filme pouco incensado pela mídia, assim como outros filmes de Adam McKay.  Ele não é um diretor denso, como Terrence Malick, com seus The Thin Red Line (com Sean Penn e etc) ou The Tree of Life (Com Brad Pitt e Sean Penn, e etc). O problema de McKay, na minha rasa e pouco lida opinião, é que ele fala de coisas incômodas.

No filme VICE, ele esquadrinha uma das mais sombrias personagens da história política dos EUA, Dick Cheney, vivido no filme por Christian Bale e etc.  Ali temos um ótimo resumo sobre o pensamento de Mckay sobre o momento que viria logo depois do 11 de setembro de 2001:  a era do negacionismo.

Quem quer falar de impostos, orçamentos, socialismo, capitalismo, luta de classes, etc?  Melhor dizer que isso é uma coisa chata e desinteressante, fazer o mesmo jogo rasteiro dos demais, e se exonerar de debates mais profundos. 

A fórmula para aplacar consciências dos intelectuais e dos militantes políticos que, supostamente, teriam alguma responsabilidade com essa tarefa histórica?  Ah, não conseguimos falar disso em uma linguagem acessível.

Bem, e o que o PT de Campos sabe elaborar? O mesmo anti Garotismo de sempre, esfarrapado, e como um relógio quebrado, espera marcar a hora certa pelo menos uma vez no dia!  O anti Garotismo é para o PT de Campos uma espécie de refúgio para suas incapacidades políticas.  Este é o retrato do PT de Campos dos Goytacazes (e do Brasil): um tipo de avestruz político que se nega a retirar a cabeça da areia, e olhar ao redor.

Segue como linha auxiliar de uma extrema-direita que se aninha no protofascismo marçaliano, simplesmente por que não sabe bem o que dizer à população campista.  A sorte dessa legenda é que, como ensinou Winston Churchill, na política morremos e vivemos várias vezes.

Mas fica a pergunta: vale a pena o PT de Campos levantar-se do túmulo, onde aliás, já deveria ter se deitado há uns 15 anos, pelo menos?

Nos altiplanos

O negacionismo do PT em Brasília, onde se espreme em um governo de cativeiro (coalizão foi só o nome educado para o sequestro de Lula e do PT pela Faria Lima e etc), tem um novo episódio.   A demissão do ministro de  Direitos Humanos, Sílvio de Almeida. 

Antes de mais nada:  Mulheres raramente mentem sobre abusos.  Sim, é bem provável que as mulheres tenham sido molestadas pelo ex-ministro.  Alguns se perguntam a razão da ministra irmã de Marielle (sim, eu não consigo nem lembrar o nome dela, e sua referência política é só essa mesma, que coisa louca, né?) ter adiado tanto as denúncias e tê-las feito a uma ONG, e não ao chefe-presidente ou a polícia.

Aqui vão hipóteses:  Mulheres abusadas quando sentem muito medo de denunciar, fazem aquilo que chamo de denúncia colateral, ou abafadas, que se dirigem ao seu círculo de amigos ou parentes, ou no caso da ministra, de gente em quem ela confiou.  É uma forma de poderem confirmar o que disseram, pelo testemunho indireto desses interlocutores.

Uai, e por que ela não confiou em Lula ou na primeira-dama?  É uma resposta que só a ministra pode dar, porém, há um dado concreto: ela não confiou no primeiro casal.  Isso diz muito mais do governo Lula do que dela.

O tempo decorrido também diz muito, porque nos parece que o governo sabia, e a própria vítima sabia do cálculo político que estava sendo feito, e não vou achincalhar a moça sobre esse cálculo, pois ela era a única com o direito de manipular a situação, já que é dela o sofrimento!

Outro fato concreto: o governo sabia, e não agiu!  Como faço essa afirmação?  Com a degola sumária do suposto tarado, como se quisesse o governo Lula acabar logo com o assunto, e afastar essa pergunta:  Lula sabia, por que nada fez?

Porém, isso se revelou um tiro no pé, e para variar, o PT cai na armadilha da direita e da mídia empresarial, tentando escapar da areia movediça que se meteu, desde que nomeou os dois para os cargos que ocupam, e pior, desde que deu a essa agenda identitária uma centralidade canhestra.

Distribuição de renda, impostos para os ricos, diminuição da orgia dos juros?  Nada! É melhor falar de agendas identitárias, pelo menos nisso a  Rede Globo nos ajuda, deve ter pensado o “jênio” da articulação política de Lula.  Justamente isso, parafraseando Brizola, que deveria evitar o PT, Lula e seu governo. Explico:  Brizola dizia que quando ele tinha dúvida sobre um tema, e qual posição adotar, ele olhava a Globo, e onde ela estivesse, ele estava do lado contrário. 

Caso tivessem a humildade de aprender essa lição simples, Lula, o PT e seu governo, poderiam saber que a pauta identitária é aceita pela mídia corporativa e por setores da direita, porque tem um viés imobilizante em qualquer governo que se reivindique algum progressismo.

Uma prova de como essa questão foi tratada pela direita internacional?  Gloria Steinem, notória feminista, que recentemente, disse ser agente da CIA. 

Mesmo colocando essa agenda como principal, o PT, Lula e o governo protagonizaram cenas dignas do mais tosco direitista, quando o presidente, ele mesmo, desautorizou o então ministro Sílvio de Almeida, quando ele preparou eventos para lembrar o golpe militar de 1964.

Depois, Lula sai em campo para dizer que corintiano estava isento de responsabilidade por chegar em casa e agredir a mulher, quando o time perdesse.  Quer dizer, nem agindo como se fosse importante, o presidente deixou de contrariar a si mesmo!

O negacionismo petista tem se transformado em piada, em motivo de vergonha.  Hoje, se você falar de bola com um petista, ele responderá, navio.  O fiasco de Campos dos Goytacazes, com o um candidato que deverá ter menos que 2% dos votos, e que mesmo assim não tenha se arriscado e demarcar um campo de esquerda na cidade, preferindo servir de boneco de ventríloquo das vozes da KKK local, se repetirá em São Paulo.

Enquanto Marçal avança sobre o eleitorado petista, a baba escorre pelo canto da boca de Boulos.  Eu não sei mais se a frase correta é não olhe para cima, ou melhor seria não olhe para baixo.  O PT de Campos e o PT nacional parecem com aquele homem que caiu do 121º andar, e passa pela janela do 89º andar, e alguém lhe pergunta:  E aí?  Ao que ele responde: “Até aqui, tudo bem”.

Alô PT Campos: passarinho que anda com morcego, acaba dormindo de cabeça para baixo

passarinho morcego

Por Douglas Barreto da Mata

O PT de Campos dos Goytacazes encaminha, ao que tudo indica, uma das campanhas mais vergonhosas da sua história, que já não é lá grande coisa.  É indisfarçável a inclinação dos petistas a servirem de muleta da candidata delegada, em uma estranha simbiose com a extrema-direita. Pois bem, quem não escuta cuidado, escuta coitado. 

É o caso do PT de Campos dos Goytacazes, e seu ingênuo (ou cínico?) candidato a prefeito.  Quem assistiu ao programa eleitoral ontem, por completo, tem a nítida impressão que o redator dos textos e dos roteiros da candidata delegada e do candidato professor são a mesma pessoa.  A tática é idêntica. 

Certamente, a candidata e o candidato detêm informações sobre o desempenho após início de propaganda, e internamente sabem que os esforços têm sido inúteis, por isso o redirecionamento dos discursos.  A mudança de chave do professor e da delegada, ao mesmo tempo, e com o mesmo conteúdo, revela que o PT é uma linha auxiliar da delegada. Eu não tenho problemas com isso, se não fosse um detalhe. 

O diabo, como sabemos, mora nos detalhes. A delegada é a manifestação da extrema-direita na cidade, um tipo de KKKampos, que sai na primeira defesa daquele que é tido como “cão-chupando-manga”, o infame “influencer” goiano que mais parece uma mistura de curandeiro religioso, treinador de RH e “terapeuta” do Love School da TV Record.  Ainda pesam sobre o moço suspeitas de envolvimento com pessoas ligadas ao PCC.

É a esse tipo de gente que o PT de Campos dos Goytacazes resolveu alugar seu candidato. Onde espera chegar o PT de Campos dos Goytacazes?   O que lhe foi oferecido e quem ofereceu?  Qual é o cálculo dessa equação política? 

Qualquer que seja o ângulo da análise, parece que os petistas celebraram um acordo que se pode chamar de Caracu. O partido conseguiria eleger um vereador, de qualquer forma, nesse pleito, já que alterações na lei impõem que o beneficiado com “a sobra” não necessite de fazer votos de legenda para alcançar o coeficiente eleitoral, como me ensinou uma raposa petista.  É consenso que o PT terá a maior “sobra”. 

Então, se não foi para eleger um vereador, qual a razão do PT de Campos se misturar com a extrema-direita?  Por mais que o perfil do candidato Jefferson sugira um viés “coxinha-classe-média”, mais próximo das lunáticas vivandeiras de quarteis do que das classes menos afortunadas, o fato é que essa inclinação para a KKKampos não é coisa só dele. 

Vai ver, tem alguém infiltrado na legenda, quem sabe?