Qual é afinal a surpresa com a foto de Washington Quaquá fazendo “joinha” para Eduardo Pazuello?

Encontrei o deputado federal pelo Rio de Janeiro e vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Washington Quaquá em algum momento do já distante ano de 1999 quando ele ainda pertencia à tendência “Articulação de Esquerda” em uma reunião na sede campista da agremiação. Já naquele momento, notei que o então jovem Quaquá teria futuro no PT, pois era um jovem militante de boa conversava. Obviamente não podia prever nem a trajetória que ele tomaria dentro do partido ou, tampouco, o seu contínuo sucesso eleitoral.

Mas, por outro lado, Quaquá tem se notabilizado por posturas não muito ortodoxas, incluindo o apoio a candidaturas bolsonaristas em nome de supostamente ampliar o diálogo com outras forças políticas, mesmo aquelas que estavam e continuam procurando erradicar o PT da face da Terra.

Por isso, não consigo compreender qual é a razão da gritaria que está ocorrendo com a fotografia tirada por Quaquá ao lado do general da reserva e ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Eduardo Pazuello (ver imagem abaixo).

quaquá

O fato é que esta foto exprime Quaquá em sua forma mais pura e acabada, e que tem sido repetidamente utilizada por ele na seção fluminense do PT, sem que eu veja qualquer reação por parte da militância (se é que ainda existe isso no PT do Rio de Janeiro), nem da direção nacional da qual ele é membro e componente da executiva. Assim, quem estiver surpreso com a foto e as amizades que Quaquá cultiva, só pode estar tendo um momento daqueles momentos “Retrato de Dorian Gray“. Afinal, Quaquá é, e já faz um tempinho, a face mais pública do PT do Rio de Janeiro, sem tirar nem por.

PT/RJ: a vanguarda do atraso do ex-partido dos trabalhadores

Quando retornei ao Brasil em 1997 após quase uma década de exílio dourado nos EUA onde aprofundei meu treinamento acadêmico tentei voltar à militância no Partido dos Trabalhadores. Mas bastou ir a uma reunião de militantes que notei que aquele não era mais o partido que eu havia ajudado a construir no início da década de 1980.

De lá para cá, passados quase duas décadas, o PT do Rio de Janeiro que nunca foi uma força sólida dentro da estrutura nacional do partido se perdeu de forma tão completa e incurável que nem mesmo tendo sido esnobado pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão na formação do seu processo secretariado, os dirigentes do partido conseguem ir para a oposição que é o lugar que lhes pertence neste momento.

Ao invés disso, ainda se vê a maioria da bancada dentro da ALERJ anunciar um envergonhado apoio a Pezão, na forma de “apoio crítico”, numa demonstração de que Anthony Garotinho estava mais do que certo quando vaticinou que o PT/RJ era o partido da boquinha.

Também com “quadros” como o ex-ambientalista Carlos Minc e o inexpressivo prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, alguém teria ilusão de que o PT/RJ iria, repentinamente, marchar para uma ação política independente e comprometida com as necessidades da maioria pobre da população fluminense? Claro que não! O PT/RJ é a vanguarda do atraso em que o PT se meteu nacionalmente.

A sexta-feira nada santa dos despejados da Favela Oi nas mãos de Eduardo de Paes e Adilson Pires

Escrito por  Augusto Lima e Raquel Boechat, com fotos da Mídia NINJA

A Sexta-feira Santa do ano cristão de 2014 começou com madrugada fria e violenta no Rio de Janeiro.

Por volta das duas da manhã, quando ainda restavam 71 adultos e 22 crianças no acampamento de desalojados refugiados no entorno da prefeitura do Rio, o que sobrou da população sem-teto despejada da favela da Telerj no último dia 11, a Guarda Municipal (GM) apareceu ameaçadora e truculenta – apesar do salvo conduto expedido no plantão noturno da segunda-feira, 13 de abril, em favor de crianças e adolescentes garantindo judicialmente às famílias que não poderiam ser removidos do local contra a sua vontade.

Um cordão de contenção foi formado por ativistas que faziam vigília das famílias na madrugada. O isolamento em proteção aos desabrigados resistiu por um tempo, mas não foi suficiente. Havia até bebê sendo amamentado naquele exato momento – e o boato de que havia um infiltrado (supostamente da prefeitura) entre os desabrigados, dormindo com eles na rua.

Por segurança, e com medo, mulheres e crianças começaram a se afastar, mesmo assim, a GM, agora com seus uniformes robocop e escudos como se o próprio Choque fosse, avançou com pressão sobre o cordão dos ativistas que foram empurrados com força.

As pessoas gritavam que estavam se retirando do local, mas, com truculência, a GM seguiu enxotando as famílias e avançando em direção aos ocupantes. Entre gritos de desespero ativistas pediam aos guardas mais humanidade, menos opressão, lembravam que eles também tinham família, que era Páscoa, e pediam para parar de bater até em mulher.

Carregadas às pressas de suas crianças, cobertas, colchões, água e restos de comida, entre o sair dali e o se defenderem da GM, várias famílias foram para o outro lado da Avenida Presidente Vargas tentando abrigo em cabine de um ponto de ônibus. Foram perseguidos ali também.

O Choque fez uma linha de retaguarda ao ataque da Guarda Municipal, que enxotou e enxotou e enxotou as famílias até, pelo menos, a região da estação da Central do Brasil. Ao final o Choque também agiu.

A diáspora carioca, assim como a do povo hebreu e o exílio da Babilônia no século VI a.C. com a destruição de Jerusalém, e em pleno dia que o mundo cristão lembra a via crucis de Jesus, seguiu caminhando até a Catedral do Rio.

Por volta das 7h da manhã, Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, já estava ciente de toda a tragédia e seus refugiados pedindo abrigo.

Roga-se que, por compaixão humana ou cristã, termine aqui, de algum modo, a maldição do “Serás disperso por todos os reinos da terra.”

FONTE: https://www.facebook.com/midiaNINJA/photos/a.299120590246093.1073741902.164188247072662/299120930246059/?type=1&theater

 

Lindbergh Farias, uma candidatura que incomoda

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Não sou muito fã do senador petista Lindbergh Farias e nunca depositei nele qualquer esperança de mudança. É que depois de vê-lo ziguezaguezeando por partidos tão díspares como PC do B e PSTU, assisti ainda a sua transmutação de radical a vestal do bom mocismo petista. Além disso, a sua gestão na prefeitura de Nova Iguaçu tampouco me inspirou a vê-lo como ele é vendido em suas propagandas eleitorais. 

Agora, por outro lado, tenho visto a tentativa de destruir a candidatura de Lindbergh Farias com alguma curiosidade. É que em tempos recentes não tenho visto uma pré-candidatura ser tão atacada por todos os lados. Seja o pessoal do Pezão e seus infiltrados no PT ou o ex-governador Anthony Garotinho, a perseguição a Lindbergh é feroz e implacável.

Esta situação me leva a crer que a candidatura de Lindbergh Farias é temida em todo o espectro de concorrentes. As explicações para isso podem ser a sua figura ainda jovial e descolada que inspira mais confiança do que outros pré-candidatos. Mas eu também desconfio que há algo a mais nesse temor. É que, apesar dos zigues-zagues, a eleição de Lindbergh poderá liberar forças que estão há muito adormecidas dentro do PT fluminense, o que poderia causar ondas de choque em nível nacional.

Mas desde já, apesar de não ser petista e nem pretender votar nele, espero que a direção nacional, e principalmente Dilma Rousseff, resistam à tentação de uma intervenção como a feita em 1998 contra a candidatura de Vladimir Palmeira. É que pelo menos com Lindbergh concorrendo, essa eleição vai ter uma chance mínima de não ser apenas uma marcada por profundo vazio onde se misturarão propagandas das pipocas que são dadas aos pobres na forma de políticas sociais capengas. Se não for para nada, pelo menos Lindbergh trará para dentro da campanha uma certa vivacidade que impedirá que vivamos longos meses de propagandas carcomidas pela dura realidade social em que a maioria do povo do Rio de Janeiro vive neste momento. Que o digam os habitantes do Complexo da Maré que hoje começam a conviver com a ocupação de tropas militares enviadas por Dilma para salvar o pescoço de Sérgio Cabral.

 

Se a imagem diz algo, a coisa fedeu no encontro o presidente do PT/RJ e o (des) governador Sérgio Cabral

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A imagem acima ilustra a matéria assinada pela jornalista Juliana Castro do “O GLOBO” sobre o encontro onde o presidente do PT/RJ, Washington Quaquá, comunicou formalmente ao (des) governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, a saída do partido de seu (des) governo (Aqui!).

Apesar da matérias trazer a promessa de que o PT não vai partir para o ataque na ALERJ, a cara de Cabral foto indica que ele não acredita muito nessa estória de “PT no ritmo Lulinha paz e amor”.  Também quem mandou o (des) governador exonerar o PT por -email, depois qe ficar suplicando para que Lula impedisse a candidatura de Lindbergh Farias. Agora, como parece indicar o gestual dos dois e mão no nariz de Quaquá, a coisa fedeu! A ver!