TRF-4 serve Lula com justiça a la Rafael Braga

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A decisão unânime de três desembargadores do TRF-4 de não apenas manter a condenação do ex-presidente, mas também de aumentar sua pena e determinar sua prisão é um desses momentos muito úteis para que possamos ver o caráter de classe que vige na justiça brasileira. É que, ao contrário de tantos outros políticos que viram seus casos sumiram pelas frestas do decurso de prazo, como foi o caso recente do pedido de arquivamento de um processo movido contra o ainda senador José Serra, este processo de Lula transcorreu em uma velocidade inaudita e com resultado anunciado em rede nacional pela Band TV antes que os desembargadores o fizessem oficialmente. É aí que aparece o caráter de classe de uma justiça seletiva que pune com rigor os pobres, enquanto deixa que os “bem nascidos” cometam todo tipo de crime contra a maioria pobre do nosso povo. Em outras palavras, acaba de provar o gosto da justiça brasileira servida a la Rafael Braga, o único preso como resultado das manifestações políticas ocorridas em 2013 [1].

O fato é que, intencionalmente ou não, os três desembargadores estão nos dando uma chance singular de olharmos o interior do sistema de justiça e, por que não, do sistema prisional. É que já sabe que quando for encarcerado, o ex-presidente Lula terá de ser enviado para um presídio que normalmente é reservado apenas para os pobres. E lá ele terá, provavelmente, de escolher uma das duas principais facções que hoje controlam a maioria das prisões brasileiras, e disputar um espaço numa cela diminuta e super populada. Irá Lula optar por se juntar ao Primeiro Comando da Capital ou ao Comando Vermelho? Será a ele permitido se manter como preso independente ou terá de fazer a opção que a maioria dos presos é obrigada a fazer?

Não é preciso dizer que antevejo que se prisão de Lula for confirmada, ele terá de ser enviado para uma dessas prisões de segurança máxima, onde, novamente, será obrigado a optar por um dos grupos que também comandam o crime de dentro das masmorras federais. Aí a coisa ficaria ainda mais interessante, porque em vez de tratar com os bagrinhos do crime, Lula irá estar próximo dos chefes.

Eu me pergunto se os três desembargadores que aumentaram a pena e determinaram a prisão imediata de Lula se deram ao trabalho de vislumbrar o cenário político nacional com o ex-presidente dentro de uma prisão. É que conhecendo o pouco que conheço dele, Lula sentará calmamente em qualquer uma das unidades prisionais em que será colocado e começará a conversar primeiro com seus colegas de cela, e depois com um pavilhão inteiro e depois com todos os pavilhões juntos. E com ali estão muitos cujas famílias tiveram suas vidas melhoradas pelos governos de Lula, não é difícil imaginar que encontrará centenas e até milhares de aliados para expor as vergonhas e injustiças que grassam nas prisões para os quais os ultrarricos brasileiros enviam os membros da maioria pobre (e negra) da população brasileira. Em suma, Lula poderá se tornar muito mais perigoso como presidiário do que tem sido como um político negociador e sempre pronto para engolir sapos em nome da conciliação de classes.

Por essas e outras é que se enganam muito os que hoje festejam a sentença condenatória do TRF-4 contra Lula. É que ele não sumirá nas entranhas de uma prisão fétida e nem será tão fácil de ter penas aumentadas pela mera posse de um Pinho Sol como foi o caso de Rafael Braga.

Finalmente, no caso de Lula ser excluído da corrida presidencial, como parece que será, os “mercados” poderão até ficar felizes num primeiro momento. Mas o que essa exclusão deverá representar certamente irá causar muita tristeza e ranger de dentes até antes da posse do eleito. É que o Brasil ainda não encontrou um substituto para Lula no que ele tem de melhor que é ser um encantador de multidões. E sem uma figura como essa, a explosão social que hoje se encontra latente será inevitável. A ver!


[1] https://libertemrafaelbraga.wordpress.com/about/