Pedidos de recuperação judicial devem bater recorde

Senado analisa PL que agiliza processo de negociação entre empresas e credores, mas especialistas preveem sobrecarga no Judiciário

recuperação

Segundo diversas consultorias especializadas, 2020 pode chegar a registrar até cinco mil pedidos de recuperação judicial no país, um verdadeiro recorde causado, sobretudo, pela pandemia do coronavírus. Até então, o número mais alto de pedidos de recuperação judicial fora em 2016, com 1,8 mil casos. Os setores mais afetados são os de serviços, mais especificamente turismo, eventos e produções, hotelaria, academias e restaurantes.

Para Claudio Pedro de Sousa Serpe, advogado pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas em Direito de Empresas e Economia, especialista em recuperação judicial, a lei 11.101/2005, que trata do tema no Brasil, precisa de uma reforma urgente. “Especialmente no sentido de determinados créditos, que pela lei atual não integram a recuperação judicial. Com a inserção de novas classes de credores, tais como a tributária, garantia imobiliária, da alienação fiduciária, arrendamento mercantil, dentre outras que são excluídas pela lei atual, o processo de recuperação judicial passará a ser mais abrangente e aumentará a possibilidade da recuperação ter maior sucesso”, analisa.

“Em alguns Estados já se detecta um aumento de 90% nos trâmites de recuperação judicial quando comparado com o ano anterior”, compara Victor Fernandes Cerri de Souza, vice-presidente da Comissão de Direito Contratual, Compliance e Propriedade Intelectual da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo. Ele complementa: “Aqui, a gente ainda esbarra numa questão econômica, que já trazia uma sazonalidade para determinados negócios nos últimos cinco, seis anos, fazendo com que, por si só, existisse uma fragilidade inerente”.

Datada de 2005, a lei 11.001 foi um avanço no país, sendo aplicada com o princípio da continuidade da atividade empresarial. “A cessação da atividade empresarial traz grandes consequências para a coletividade, que acaba permeando a cadeia de produção. Os credores perdem seus créditos, os empregados seus empregos, o fisco os tributos e a população produtos e serviços que eram oferecidos por necessidade. Então ela é uma lei de cunho social muito importante que busca viabilizar a superação do momento de crise financeira e econômica de uma empresa”, avalia Cerri, sócio do escritório Correa Porto, sediado em São Paulo.

Outro ponto positivo é a promoção de acordo coletivo da devedora com seus credores, em prejuízo a acordos individuais, que nem sempre têm êxito. Também há a suspensão de ações e execuções contra a empresa devedora, a possibilidade de apresentação de um plano de recuperação viável e a determinação judicial para não retirada forçada de bens indispensáveis à atividade da empresa devedora.

A adequação, no entanto, é necessária. “É uma lei que já possui 15 anos e foi pensada para resolver problemas ordinários de economia e não problemas extraordinários, como numa pandemia”, afirma Serpe, sócio do escritório Serpe Advogados.

Em busca de uma solução para o momento atual, a Câmara dos Deputados aprovou recentemente o Projeto de Lei nº 1.397/2020, que institui medidas emergenciais e transitórias para as empresas que estão em crise devido à pandemia ou que estejam em processo de recuperação judicial. Agora, o projeto deverá ser apreciado pelo Senado Federal.

Por um lado, o texto amplia a utilização do instituto da recuperação judicial para as micro e pequenas empresas, e estipula que o pagamento aos credores poderá ser feito em até 60 parcelas (possibilidade atual é de 36 parcelas). A proposta ainda suspende por 30 dias as execuções judiciais e extrajudiciais de dívidas vencidas após 20 de março de 2020, bem como os atos como a decretação de falência, o despejo por falta de pagamento, a cobrança de multas de mora e de não pagamento de tributos.

As moratórias, no entanto, não levam em consideração o tipo de atividade das empresas e se, de fato, as dificuldades financeiras foram impostas pelo isolamento social. Após a moratória de 30 dias, o devedor pode ainda comprovar redução igual ou superior a 30% de seu faturamento – em comparação com o mesmo período do ano anterior – e ingressar com um pedido de Negociação Preventiva perante o juízo especializado em recuperação judicial e falências.

“Se a pretensão do legislador é fomentar com vigor a composição e renegociação de contratos muito mais para que ocorram na esfera amigável, o instrumento da Negociação Preventiva segue em sentido inverso, levando à judicialização do processo, conferindo ao Poder Judiciário uma série de tarefas, desde a distribuição da medida, verificação pelo juiz do preenchimento dos requisitos legais, designação de negociador, entre outros”, avalia Claudio Serpe.

“A contrapartida é inglória, pois haverá um cenário de assoberbamento do Poder judiciário incomum, já que poderá haver um aumento muito significativo de números de processos em tramitação, especialmente, diante da dimensão da crise provocada pela pandemia”, continua Serpe.

Para Victor Cerri, as intenções do projeto de lei são boas. “Traz o procedimento de negociação preventiva, de jurisdição voluntária, com base no sistema europeu de gestão de crise, além do que propõe uma série de alterações de recuperação judicial e falências. Me parece que são medidas que vão impactar o mercado, só que de forma diversa, porque cada negócio tem uma característica. Alguns setores tem prejuízos inestimáveis, com problemas graves de fluxo de caixa, que impossibilitam regular qualquer implemento de obrigação. A gente sempre tem que pensar que isso estimula a economia, mas impacta os credores. Por outro lado, é melhor receber algo a longo prazo do que não receber”.

 

Por  M2 Comunicação
Aline Moura
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Ex-OGX, petroleira de Eike Batista quebra pela segunda vez

Divulgação

Funcionário da OGX, do Grupo EBX

Funcionário da OGX, que mudou de nome para OGPar, e passa por novos problemas

Lauro Jardim, de VEJA.com

Na mesma semana em que a Eneva, ex-MPX, pediu recuperação judicial, outra empresa criada por Eike Batista passou a contemplar o abismo: a OGPar, ex-OGX. A petroleira, que já está em recuperação judicial, está vendo o dinheiro injetado pelos novos acionistas secar rapidamente. São dois os motivos.

O primeiro é a queda do preço do petróleo. Os planos aprovados pelos credores consideravam o valor de 110 dólares por barril – hoje, está em 62 dólares.

O segundo é que a produtividade do principal campo da petroleira também é menor do que a prometida. Hoje, Tubarão Martelo produz 14 000 barris diários. O combinado era algo em torno dos 19 000 barris.

Com perdas de pelo menos 20 milhões de dólares por mês, a OGPar já é vista por alguns dos novos acionistas como um caso sem solução.

As informações são de Lauro Jardim, do Radar On-line, de Veja.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/ex-ogx-empresa-de-eike-batista-quebra-pela-segunda-vez

Eneva, continua saga de ex-empresas X, e pede recuperação judicial

Eneva entra com pedido de recuperação judicial

Usina da Eneva, ex-MPX

Eneva: companhia terá 60 dias para apresentar seu plano de recuperação judicial

Eulina Oliveira, do Estadão Conteúdo

São Paulo – Mergulhada em dívidas, a empresa de energia Eneva, antiga MPX, que fazia parte do conglomerado do empresário Eike Batista, informou nesta terça-feira, 9, que, mediante orientação dos acionistas controladores, ajuizou hoje, na Comarca do Estado do Rio de Janeiro, pedido de recuperação judicial, em caráter de urgência.

Atualmente, conforme o site da companhia, o maior acionista da Eneva é a alemã E.ON, com 42,9%, enquanto Eike possui 20%.

Desta forma, a Eneva se junta a outras empresas ligadas a Eike que entraram em recuperação judicial, casos da petroleira OGX, da empresa de construção naval OSX e da MMX Sudeste Mineração, controlada pela MMX Mineração e Metálicos.

Segundo o fato relevante, o pedido de recuperação judicial ocorre em virtude da não revalidação do acordo para suspender a amortização e o pagamento de juros de operações financeiras contratadas pela companhia e determinadas subsidiárias com seus credores financeiros, expirado em 21 de novembro de 2014.

Outro fato é o de não ter sido alcançado um acordo entre a companhia e instituições financeiras na implementação de um plano de estabilização visando ao fortalecimento da estrutura de capital e medidas para o reperfilamento de suas dívidas financeiras.

“Uma vez deferido o pedido de recuperação judicial, ficará suspensa a exigibilidade de todas as dívidas concursais da companhia e de sua controlada Eneva Participações, no valor total de R$ 2,33 bilhões (data-base 30 de novembro de 2014)”, diz a companhia.

As demais subsidiárias da Eneva não foram incluídas no pedido de recuperação judicial e as usinas permanecem em operação normalmente, segundo o fato relevante.

A companhia terá 60 dias, contados do deferimento da recuperação judicial, para apresentar seu plano de recuperação judicial.

Ainda conforme o comunicado, a posição de caixa e equivalentes de caixa da companhia, em 30 de novembro de 2014, era de R$ 78,3 milhões.

“Ao longo dos últimos meses, no âmbito dos esforços empreendidos pela administração da companhia com o objetivo de concretizar a sua estabilização financeira, foram obtidos relevantes avanços (…), especialmente o aumento de capital privado da companhia, no valor de aproximadamente R$ 175 milhões; a venda de 50% das ações de emissão da Usina Termelétrica Pecém II, por R$ 408 milhões”.

A companhia também cita, entre outros itens, a alteração da forma de verificação e pagamento de indisponibilidade (ADOMP) das usinas e o ressarcimento à companhia dos valores pagos a maior pelas Usinas Termelétricas Pecém I e Itaqui, totalizando mais de R$ 360 milhões e a celebração do termo de compromisso com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para adequação das obrigações de fornecimento de energia pela Usina Termelétrica Parnaíba II, juntamente com a conclusão das obras e o início das operações em teste da celebração de contrato para venda da participação da Eneva em Pecém I por R$ 300 milhões.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/eneva-entra-com-pedido-de-recuperacao-judicial

Revista Exame: Acciona pode impugnar plano de recuperação judicial da OSX

Divulgação

Navio da OSX

OSX: Acciona pode impugnar plano de recuperação da companhia

Por Daniela Barbosa, de EXAME.com
São Paulo – A Acciona, companhia espanhola e credora da OSX, parece não estar de acordo com o plano de recuperação judicial da empresa fundada por Eike Batista e tem tentado na Justiça impugnar o processo.

De acordo com reportagem do Valor Econômico, desta terça-feira, a Acciona estaria tentando obter recurso no Superior Tribunal de Justiça para cancelar a assembleia da OSX e credores marcada para o próximo dia 10 de dezembro.

O plano de recuperação judicial da OSX, braço de construção naval do grupo de Eike, foi apresentado no início de novembro. Há duas semanas, a companhia informou que o processo havia sido deferido.

Em maio, a Acciona conseguiu na Justiça holandesa arresto das ações da OSX Leasing, domiciliada no País.

Na ocasião, o arresto somava 3,1 milhões de euros (R$ 9,4 milhões), cifra que corresponde a três meses dos juros cobrados sobre a dívida que a companhia de construção naval tinha com a empresa holandesa.

A OSX acumula cerca de 300 milhões de dólares em débitos com a fornecedora.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/acciona-pode-impugnar-plano-de-recuperacao-judicial-da-osx

Dívida trabalhista da MMX chega a R$ 2,5 milhões

Rich Press/Bloomberg

Mina de ferro Serra Azul da MMX, em Minas Gerais

Mina de ferro Serra Azul da MMX: companhia reconhece pagamentos atrasados a 364 credores

Mariana Sallowicz, doEstadão Conteúdo e Mariana Durão, do Estadão Conteúdo

Rio – A terceira companhia de Eike Batista a entrar com pedido de recuperação judicial, a MMX Sudeste, é a única do grupo a apresentar dívidas trabalhistas.

A subsidiária da mineradora MMX reconhece pagamentos atrasados a 364 credores, entre eles, 78 trabalhadores que têm a receber cerca de R$ 2,5 milhões.

A dívida total gira em torno de R$ 440 milhões, de acordo com documento encaminhado à Justiça e obtido pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Os credores ainda podem contestar os valores.

O pedido de recuperação judicial foi entregue na quinta-feira à 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte. A MMX espera que a solicitação seja analisada nos próximos dias.

Caso aprovada a recuperação, ações e execuções judiciais contra a companhia serão suspensas por 180 dias, o que deve dar um fôlego à mineradora, que busca reverter embargos ambientais nas minas de Serra Azul (MG).

Pela lei, a empresa tem até um ano para pagar débitos trabalhistas, vencidos até a data do pedido de recuperação. No caso de salários, o plano deve prever o acerto de vencimentos nos três meses anteriores ao pedido.

Os advogados Eduardo Munhoz, sócio do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, e Sergio Bermudes estão à frente do processo de recuperação. Além da MMX, a petroleira OGX e o estaleiro OSX já entraram com pedido de proteção judicial.

Na lista de trabalhadores da MMX, o maior valor a ser pago é de R$ 200 mil. Mas a principal dívida é com fornecedores e prestadores de serviços. No topo da lista, está a construtora mineira ARG, que tem a receber R$ 105 milhões.

Na sequência, aparecem a Fidens Engenharia (R$ 76,3 milhões), a Mineradora Rio Bravo (R$ 73 milhões) e a holding MMX Mineração e Metálicos (R$ 29,3 milhões).

Há dívidas de cerca de R$ 700 mil com a Glencore, que foi apontada como uma das interessadas em comprar seus ativos.

Um dos principais credores pessoa física da MMX é José Francisco Viveiros, presidente da Bahia Mineração e ex-executivo da ArcelorMittal.

A relação de Viveiros com a mineradora de Eike começou quando ele vendeu a mina AVG, na Serra Azul (MG), para a MMX Sudeste.

Com o negócio, a MMX passou a deter 40% de um projeto de processamento de finos de minério, conduzido por Viveiros e pelo empresário José Mendes Nogueira.

Após uma desavença na sociedade, a MMX acertou a aquisição dos outros 60% do negócio, por US$ 50 milhões em 78 parcelas. Viveiros conta que a mineradora começou a atrasar os pagamentos em agosto de 2013.

Agora, restam cerca de US$ 20 milhões em aberto. Ele ficou conhecido em 2008, quando virou bilionário com a venda da pequena mineradora J.Mendes para a Usiminas.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/divida-trabalhista-da-mmx-chega-a-r-2-5-milhoes

MMX Sudeste Mineração pede recuperação judicial

Mineradora de Eike Batista ajuizou pedido de recuperação judicial em caráter de urgência em comarca de Belo Horizonte

Rich Press/Bloomberg

Caminhão na mina de ferro Serra Azul da MMX, em Minas Gerais

Caminhão na mina de ferro Serra Azul da MMX, em Minas Gerais

São Paulo – A MMX Sudeste Mineração SA, controlada da MMX Mineração e Metálicos, ajuizou nesta quarta-feira pedido de recuperação judicial em caráter de urgência, seguindo o mesmo caminho de outras empresas do grupo EBX de Eike Batista que também pediram recuperação judicial em meio a dificuldades financeiras.

O pedido de recuperação foi feito na Comarca de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

“Não obstante os esforços da administração na negociação com credores e na busca por potenciais investidores, o pedido de recuperação judicial configurou-se como a alternativa mais adequada diante da situação econômico-financeira da Companhia”, disse a controladora MMX em fato relevante.

As atividades operacionais da MMX Sudeste, na região da Serra Azul, em Minas Gerais, estão suspensas desde a primeira semana de setembro. A queda nos preços do minério de ferro agravaram a situação financeira da empresa.

Na segunda-feira, a MMX informou que manteria suspensas temporariamente as atividades da controlada MMX Sudeste Mineração, após o fim das férias coletivas em 9 de outubro, para “otimizar recursos e adequar custos frente ao cenário de reposicionamento estratégico da companhia”.

A MMX vem enfrentando dificuldades financeiras similares às de outras companhias do grupo EBX. A Óleo e Gás (ex-OGX) pediu no ano passado recuperação judicial, assim como a sua empresa irmã, a OSX, numa derrocada que se acelerou após a petroleira reconhecer não ter encontrado tanto petróleo como havia informado ao mercado.

“(O pedido de recuperação judicial) visa preservar o valor da Companhia… atendendo de forma organizada aos interesses de seus credores e acionistas e contingenciando de maneira responsável os recursos existentes em caixa”, disse a controladora em fato relevante.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/mmx-sudeste-mineracao-pede-recuperacao-judicial-em-carater-de-urgencia

Exame: Justiça veta unificação de plano de recuperação da OSX

Justiça cassou a decisão de primeiro grau que autorizava o grupo a apresentar um novo plano de recuperação judicial

Mariana Durão, do

Sergio Moraes/Reuters 

Um funcionário inspeciona a FPSO OSX-1, a primeira unidade flutuante de produção e armazenamento (FPSOs) da frota da OSX, no porto do Rio de Janeiro

Um funcionário inspeciona a FPSO OSX-1, a primeira unidade flutuante de produção e armazenamento da OSX

Rio – A 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio cassou a decisão de primeiro grau que autorizava o grupo OSX a apresentar um novo plano de recuperação judicial.

Uma nova assembleia de credores deverá ser marcada para votar os planos apresentados em maio por OSX Brasil, OSX Construção Naval e OSX Serviços Operacionais.

Em agosto o juiz Gilberto Clóvis Farias Matos, da 4ª Vara Empresarial do Rio, determinou a unificação dos planos de recuperação e, por consequência, da lista de credores das empresas.

A decisão atendeu a uma objeção da Caixa Econômica Federal, credora que questionou o uso das receitas de exploração do estaleiro da empresa no Porto do Açu (RJ) para pagamento de parte dos credores da OSX. A proposta consta do plano de recuperação original do grupo.

Os credores Acciona (R$ 300 milhões a receber da OSX Construção Naval) e Votorantim (R$ 588 milhões da OSX Brasil) foram contrários à unificação e recorreram ao Tribunal de Justiça.

O argumento usado é que somente a assembleia geral de credores teria poderes para modificar o plano.

Além disso, apontam que unificar a lista de credores fere a autonomia patrimonial das empresas em recuperação. Em audiência realizada na tarde desta quarta-feira, 8, a Justiça acatou as alegações.

“O poder judiciário demonstrou novamente que os credores no Brasil têm que ser respeitados. Caberá a eles deliberar a matéria, em respeito ao plano de recuperação que foi apresentado”, diz Leonardo Antonelli, advogado de um grupo de dez credores da OSX, como Perenco, Gcomex e Acciona.

A Acciona ainda aguarda o julgamento de outros recursos relativos à recuperação judicial da OSX.

Em um deles ela pede que os credores da OSX Leasing, subsidiária do grupo no exterior, sejam impedidos de votar na assembleia de credores que vai deliberar sobre os planos de recuperação, já que vão receber seus créditos integralmente no exterior.

“Com o plano como está apresentado o credor no Brasil fica a ver navios, enquanto o estrangeiro recebe”, diz Antonelli.

A OSX Leasing é a dona das plataformas de petróleo que o grupo pretende vender para pagar parte das suas dívidas.

A empresa não está em recuperação judicial, mas os bancos e “bondholders” estrangeiros que financiaram a construção das plataformas terão preferência no recebimento dos recursos obtidos com sua venda.

A dívida com essas instituições é de cerca de R$ 2,7 bilhões, de uma dívida total de R$ 4,2 bilhões da OSX. Isso daria a esse grupo um poder muito grande na aprovação dos planos.

A credora espanhola também quer a exclusão do voto dos credores minoritários. Isso porque o plano de recuperação judicial apresentado em maio prevê prioridade no pagamento de créditos de até R$ 80 mil (na OSX Construção Naval) e até R$ 25 mil (na OSX Brasil).

Eles receberiam em até um ano, contra um prazo de 25 anos para os demais. Na análise da empresa isso induz a aprovação do plano por esse grupo de credores.

A Acciona argumenta que, pela lei de recuperação judicial, o credor não terá direito a voto caso o plano não altere o valor ou as condições originais de pagamento de seu crédito.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/justica-veta-unificacao-de-plano-de-recuperacao-da-osx

G1: OSX oficializa pedido de recuperação judicial

Conselho da empresa aprovou pedido na última sexta-feira. 

OSX é a segunda empresa de Eike Batista a recorrer à recuperação.

 

Do G1, em São Paulo

A OSX, empresa de construção naval controlada por Eike Batista, oficializou nesta segunda-feira (11) o pedido de recuperação judicial da companhia, segundo o advogado responsável pelo processo, Darwin Corrêa. O documento foi entregue no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Na noite da última sexta, a empresa informou que seu Conselho de Administração havia aprovado, em caráter de urgência, que fosse feito o pedido de recuperação judicial. A medida abrange também as controladas OSX Construção Naval S.A. e OSX Serviços Operacionais Ltda., e deverá ser feito na Justiça do Rio de Janeiro.

Por conta desse pedido, os negócios com as ações da companhia foram suspensos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). De acordo com comunicado ao mercado na bolsa, os negócios foram suspensos no aguardo da confirmação da efetiva entrada em juízo do pedido de recuperação judicial. O comunicado diz que a BM&F Bovespa também está solicitando os documentos que instruíram o pedido.

Na semana passada, a empresa já havia informado que poderia “exercer seu direito legal” de pedir recuperação judicial caso a administração da empresa considerasse a medida adequada para a continuidade dos negócios.

A OSX tinha dívidas de R$ 5,3 bilhões até junho, com R$ 1,1 bilhão na Caixa Econômica Federal, segundo a agência Reuters. No ano, as ações da OSX registram queda de cerca de 95%.

A empresa é a segunda de Eike Batista a recorrer à medida. No final de outubro, a, a petroleira OGX entrou com pedido de recuperação judicial depois de não conseguir negociar com seus credores. No total, apenas em bônus no mercado internacional, a OGX tem de pagar US$ 3,6 bilhões. Há preocupação em relação à contaminação da OSX por conta da dependência entre os negócios das duas empresas.

Troca de presidente, nome e sede

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a OSX informou que o Conselho também aprovou a troca do diretor presidente, destituindo do cargo Marcelo Luiz Maia Gomes e elegendo Ivo Dworschak Filho.Uma assembleia geral da companhia foi marcada para 28 de setembro, quando os membros deverão ratificar o pedido de recuperação e altera o nome e o endereço da sede da OSX.

Renegociação
O pedido de recuperação vem mesmo após a empresa ter conseguido algum alívio ao obter refinanciamento por 12 meses de empréstimo, após 18 dias do seu vencimento, de R$ 461,4 milhões, junto à Caixa Econômica Federal.”O contrato de garantia desse empréstimo, firmado com o Banco Santander S.A. (“Santander”), também foi aditado pelo mesmo prazo”, diz o segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na quarta-feira (6).

Rescisão de contratos com a OGX

Também na semana passada, a OSX informou a rescisão de contrato de afretamento (transporte) com a OGX Petróleo, companhia do mesmo grupo de Eike Batista, em função de “não pagamento”. A OSX, cujos ativos incluem um estaleiro inacabado no Porto de Açu, no norte do Rio de Janeiro, é uma das principais credoras da OGX.

A empresa de construção naval foi criada para fornecer plataformas de produção à OGX.A rescisão refere-se ao contrato que regulava as condições e a remuneração do afretamento da unidade flutuante FPSO OSX-1. Com este cancelamento, o contrato de operação e manutenção da unidade também foi rescindido, disse a companhia em fato relevante.
A OSX disse, ainda, que buscará exercer seus direitos legais para obter valores atrasados e verbas rescisórias previstas em contrato e na legislação aplicável.Além disso, a OSX também firmou com os bancos internacionais do sindicato constituído para financiar os custos de aquisição e customização do FPSO OSX 1 um acordo para negociar um plano de recomercialização ou renegociação da unidade, “visando ajustes do cronograma de vencimento desta dívida ao plano de negócios da companhia”.

BNDES

Em nota, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que a OSX tem um empréstimo de US$ 227,96 milhões junto ao banco, mas que o mesmo tem garantia de fiança bancária, “não havendo risco direto para o BNDES”.

O banco também informa que seu braço de investimentos, BNDESPar, não possui participação acionária na OSX.

FONTE: http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2013/11/osx-oficializa-pedido-de-recuperacao-judicial.html