Paulo Guedes está mais perdido do que cego em tiroteio. E o Brasil segue no mesmo rumo

bolso guedesO presidente Jair Bolsonaro e seu posto Ipiringa, o ministro Paulo Guedes

Faz algum tempo que o Brasil está de pernas para o ar, inclusive no quesito capacidade para fazer boas análises do real e não do propagandeado. Por isso, é preciso reconhecer que, a despeito de sua trajetória tortuosa, o jornalista Reinaldo Azevedo tem sido um dos poucos dos que conseguem ver o mar que a espuma das ondas esconde. 

Falo aqui da análise que Azevedo fez publicar hoje no site UOL sobre a situação encalacrada em que se encontra o dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, o Sr. Paulo Guedes. 

A partir de uma simples análise de falas de Paulo Guedes, Azevedo desnuda a situação crítica em que Paulo Guedes se colocou e, pior, nos colocou a todos com suas políticas ultraneoliberais que congelaram o investimento público, quebraram a confiança até dos especuladores financeiros internacionais, e afundaram o Brasil em uma crise econômica que traz tinturas de crise institucional, pois seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro, não parece habilitado a tener um mínimo de compreensão do tamanho do buraco em que estamos metidos neste momento.

Interessante ainda notar a análise do perfil psicológico que Azevedo traçou de Paulo Guedes que segundo o jornalista seria de alguém que “passou boa parte da vida achando-se um gênio insuperável e incompreendido, embora ninguém à sua volta, entre amigos e inimigos, pensassem o mesmo.”  Para Azevedo, tal comportamento teria moldado então ” um temperamento muito particular, que a gente poderia definir como “ressentimento altivo” — ou “altivez ressentida”, a depender do aspecto que se queira ressaltar do seu caráter.” Em outras palavras, Paulo Guedes seria uma espécie de mitômano raivoso que, com a oportunidade de provar a sua genialidade, agora se afunda e nos afunda em uma crise agônica. 

Faltou a Azevedo dizer que o perfil que ele traçou para Guedes está presente em boa parte do ministério do governo Bolsonaro, começando, aliás, com o suposto capitão desta barca chamada Brasil, que é o próprio presidente Jair Bolsonaro.  O problema é que nas mãos de Paulo Guedes reside a responsabilidade de animar uma economia que se encontra em recessão  não declarada há pelo menos 5 anos e que já gerou um exército de desempregados que é maior, por exemplo, que a população de países inteiros como Bolívia, Cuba e Uruguai, apenas para ficarmos na América Latina.

 

A suposta lista negra de Cantalice e o choro de crocodilos dos lumiares da direita tupiniquim

Eu possuo atualmente nenhuma simpatia pelo PT e seus quadros de liderança. Sai do partido em 1998, após 17 anos de filiação, e não me reconheço em nenhuma das políticas que o governo Dilma Rousseff realiza para aprofundar a privatização do Estado brasileiro para beneficiar os de sempre, dando migalhas para os milhões de brasileiros pobres. Em suma, sou de oposição ao PT, e não tenho porque defender o partido e seus quadros. Aliás, no melhor ritmo do adesismo, o que tem gente que eu enfrentava nas ruas em 1981 que agora se diz petista, que eu não preciso nem explicar porquê sai de um partido que ajudei a fundar.

Dito tudo isso, acho que beira a histeria de quem sabe que vai perder novamente as eleições, a reação que está vindo de quadros (ou seriam molduras) do pensamento de direita ao artigo publicado pelo petista Alberto Cantalice,  vice-presidente nacional do PT e coordenador das Redes Sociais,  sob o título de ” A desmoralização dos pitbulls da grande mídia” (Aqui!). Quem se der ao trabalho de ler o artigo verá que o mesmo é, quando muito, uma crítica até bem blasé aos ataques furiosos que o PT, Lula, Dilma Rousseff e os condenados do mensalão vem sofrendo de gente do quilate de Reinaldo Azevedo, Danilo Gentili, Marcelo Madureira e Demétrio Magnoli. 

Se eu não vivesse num país onde os mais pobres vivem sob o terror contínuo das políticas de guerra de baixa intensidade aplicadas pelo Estado brasileiro, eu até me comoveria com os choramingos de gente que fez profissão de fé negar as concessões mínimas que estão sendo feitas aos mais pobres durante os governos do PT.  

Eu diria que chega a ser engraçado ver essa turma enxergando ameaça de extermínio no texto chocho de Cantalice. Mas apesar de existirem supostos humoristas no meio dessa plêiade do mau, essa coisa está mais para a farsa do que para o engraçado.  Afinal, imaginem se com o PT já está ruim, o que dirá se o PSDB voltar ao poder!?