Relatório pede redução no uso de agrotóxicos para impedir o colapso em populações vitais de insetos no Reino Unido

Quase 17.000 toneladas de agrotóxicos são pulverizadas no campo do Reino Unido a cada ano, alerta The Wildlife Trusts

flores silvestresFlores silvestres nos arredores de Ipswich, Suffolk (Getty)

Por Harry Cockburn para o The Independent

Os insetos estão sendo aniquilados rapidamente, arriscando o colapso do ecossistema com repercussões terríveis para a humanidade, de acordo com um relatório que pede novos e importantes alvos para preservar essas criaturas vitais e os ambientes que as sustentam.

O relatório Reversing the Decline of Insects, da Wildlife Trusts , revela o enorme impacto que a atividade humana está causando aos insetos e seus habitats e pede ações “em todos os níveis da sociedade, do local ao global”, para resolver o problema.

O relatório diz que, no Reino Unido, nos últimos 48 anos, 41% das espécies silvestres sofreram reduções fortes ou moderadas nos números. As principais causas desse declínio incluem a perda de habitat e o uso em escala industrial de agrotóxicos.

O país perdeu 97% de seus prados de flores silvestres desde a década de 1930 e 87% de seus pântanos. Ambos os habitats sustentavam uma enorme variedade de vida selvagem.

Para agravar a destruição desses ecossistemas está o fato de que 16.900 toneladas de agrotóxicos – produtos químicos tóxicos – são aplicadas ao campo todos os anos, e esse número não inclui agrotóxicos adicionais usados ​​em jardins, entre vilas e cidades ou naqueles que descem pela drenar.

O relatório exige novas regras ambiciosas sobre agrotóxicos que colocarão o Reino Unido à frente da UE, que está considerando planos de reduzir pela metade o uso geral de pesticidas até 2030.

Para fazer isso, o relatório pede apoio aos agricultores para que adotem práticas agrícolas amigas dos insetos e afirma que futuros acordos comerciais não devem corroer os padrões existentes de agrotóxicos.

O Wildlife Trusts também está exigindo um esforço nacional para fornecer um planejamento mais favorável à vida selvagem, incluindo o uso de um quarto de milhão de quilômetros de margens da estrada (que suportam 700 espécies de plantas – 45% de nossa flora nativa), bem como aterrar ao lado de linhas de trem para criar redes e corredores de vida selvagem que promovam a biodiversidade e a recuperação de insetos.

O relatório também diz que tornar os jardins e outras áreas urbanas mais favoráveis ​​à vida selvagem também “seria um grande passo à frente”.

Ele disse que uma reversão de fortunas poderia revitalizar insetos se:

  • É criada uma rede de áreas ricas em natureza, cobrindo pelo menos 30% do Reino Unido, e são estabelecidas metas juridicamente vinculativas para a recuperação da natureza, que são monitoradas e aplicadas
  • Os conselhos locais priorizam a recuperação verde e criam lugares mais ricos em natureza, onde os insetos podem prosperar e tornar cidades, vilas e paróquias livres de pesticidas
  • Todo mundo se esforça para se tornar um campeão de insetos

Craig Bennett, executivo-chefe da The Wildlife Trusts, disse: “Na minha vida, 41% das espécies selvagens no Reino Unido sofreram reduções fortes ou moderadas em seu número, e os insetos foram os que mais sofreram”.

“Isso teve um efeito enorme no resto do mundo natural. O papel vital que os insetos desempenham é prejudicado e tudo o que depende deles sofre, de ouriços a rouxinóis, flores silvestres a pântanos. ”

Ele também disse que o Brexit e o próximo Projeto de Lei da Agricultura eram uma oportunidade para implementar as políticas que protegerão o mundo natural do qual todos nós dependemos.

Ele disse: “Os atuais acordos comerciais ameaçam piorar uma situação ruim. Cabe ao governo garantir que mantemos nossos padrões ambientais atuais, não os deixe escapar e prejudicar a vida selvagem que nos resta. A Lei da Agricultura é uma oportunidade de ouro para estabelecer altos padrões legais e garantir que as práticas agrícolas amigas dos insetos sejam recompensadas.

“Queremos ver uma meta ambiciosa de redução de agrotóxicos e pelo menos 30% da terra sendo gerenciada pela natureza, para que os insetos possam se tornar abundantes mais uma vez. Estamos convidando todos a agir contra insetos e se tornar um campeão de insetos. ”

No relatório, os autores esclarecem como a prosperidade de nossa própria civilização depende da existência contínua de ecossistemas naturais em funcionamento.

Um parágrafo diz: “Somente no Reino Unido, temos mais de 27.000 espécies de insetos; gafanhotos, abelhas, peixes prateados, caddisflies, besouros, libélulas, mayflies, mariposas e muitos, muitos mais. A maioria de nós não lhes dá a menor atenção, mas elas são a forma de vida dominante na Terra, vivendo ao nosso redor, escavando o solo em nossos jardins e parques, zumbindo de flor em flor nos campos dos agricultores, mastigando lentamente as folhas em nossa floresta … Os insetos estão por toda parte, desempenhando papéis vitais, como polinizar flores silvestres e culturas, servindo como uma importante fonte de alimento para pássaros, morcegos, peixes, répteis e anfíbios, reciclando os nutrientes nos excrementos e cadáveres de animais, espalhando sementes, aerando o solo, comendo pragas e assim por diante. Seja como indivíduo, você gosta ou não de insetos, precisamos deles.

O principal autor do relatório, Professor Dave Goulson, da Universidade de Sussex, disse que o desaparecimento de insetos exige uma resposta de “todas as seções da sociedade”.

“Se acertamos em insetos, acertamos em todo o resto”, disse ele. “Os insetos são os canários da mina de carvão – o colapso deles é um sino de alarme que não devemos ignorar. É necessária ação de todas as partes da sociedade – todos precisamos mudar isso juntos. ”

O relatório observa que, na França, o governo introduziu recentemente uma legislação que proíbe agrotóxicos em vilas e cidades, após um movimento popular.

Legislação semelhante também está em vigor em Copenhague, Vancouver, Toronto e Barcelona.

Em Amsterdã, a proibição de agrotóxicos em terras públicas e um plano municipal de converter metade do espaço verde em flores nativas, juntamente com uma campanha para instalar hotéis de abelhas e plantar flores em jardins privados, levaram a um aumento na diversidade de abelhas 45% desde 2000.

“Podemos conseguir o mesmo no Reino Unido”, disseram os autores.

fecho

Este artigo foi originalmente escrito em inglês e publicado jornal “The Independent” [Aqui!].

Cocaina, remédios e agrotóxicos contaminam corpos aquáticos no Reino Unido

riacho

Estudo encontrou contaminação de águas por cocaina, ketamina e agrotóxicos no Reino Unido.

A reportagem abaixo publicada pela rede britânica BBC apresenta os resultados de um estudo publicado no dia de hoje pela revista Environment International cujo autor principal é o professor Thomas H. Miller do King´s College de Londres. 

Este estudo apresenta resultados inesperados até para seus autores onde são mostrados os níveis exposição de animais selvagens que habitam ecossistemas de água doce, como o camarão Gammarus pulex de água doce, a diferentes micropoluentes – produtos químicos encontrados em níveis extremamente baixos, bem como para as quantidades desses compostos encontrados nos animais estudados. 

É importante notar que entre os 67 contaminantes encontrados estavam  drogas ilícitas – incluíndo cocaína (esta presente em todas as amostras analisadas) -, cetamina, e um agrotóxico proibido na União Europeia, o fenuron. 

Outro fato surpreendente é que a coleta de amostras foi realizada em áreas rurais distantes de grandes áreas urbanas onde o processo de contaminação é mais provável. Neste sentido, o que este estudo revela, especialmente em um país como o Brasil onde o processo de regulação é mais frágil do que no Reino Unido é que o processo de difusão da contaminação por drogas ilegais, remédios e agrotóxicos pode ser ainda mais amplo e grave.

Além disso, como recentemente revelado acerca da contaminação de agrotóxicos na água que é consumida em mais de 1.000 municípios brasileiros,  este estudo confirma que existem outras fontes que irão agravar este processo.

Camarões contaminados com cocaína intrigam cientistas no Reino Unido

camarão

Descoberta de cocaína e outras substâncias em camarões foi vista com surpresa por pesquisadores

Como cocaína, remédios e pesticidas foram parar nos corpos de camarões de água doce? Cientistas tentam entender o fenômeno após encontrarem as substâncias nos crustáceos em Suffolk, no Reino Unido.

A descoberta foi feita quando os pesquisadores analisavam a exposição de animais selvagens, como o camarão Gammarus pulex de água doce, a diferentes micropoluentes – produtos químicos encontrados em níveis extremamente baixos – e as quantidades desses compostos nos animais.

A probabilidade de as substâncias nos níveis encontrados afetarem os animais é “baixa”, segundo os pesquisadores, mas eles fazem um alerta.

“Embora as concentrações fossem baixas, conseguimos identificar compostos que podem ser motivo de preocupação ambiental e, fundamentalmente, podem representar um risco para a vida selvagem”, disse o autor principal do estudo, Thomas Miller, pesquisador do King’s College de Londres.

O estudo foi publicado hoje na revista científica Environment International e foi realizado em colaboração com a Universidade de Suffolk.

O que a análise mostrou

Os testes avaliaram amostras colhidas em 15 locais diferentes dos rios Alde, Box, Deben, Gipping e Waveney, em Suffolk.

Os pesquisadores disseram que “pela primeira vez, encontraram um conjunto diversificado de produtos químicos, incluindo drogas ilícitas e pesticidas na vida selvagem do Reino Unido”. E que a cocaína estava presente em todas as amostras.

De acordo com o principal autor do estudo, os compostos mais frequentemente detectados nas amostras foram drogas ilícitas – incluíndo cocaína -, cetamina e um pesticida proibido, o fenuron.

science

GEOGRAPH/ROGER JONES. Cientistas coletaram amostras de 15 locais em Suffolk, incluindo o rio Alde

Foi uma descoberta “surpreendente”, disse o pesquisador Leon Barron, também do King’s College.

“Poderíamos esperar encontrar isso em áreas urbanas como Londres, mas não em bacias menores e mais rurais”, disse ele.

Outro pesquisador, Nic Bury, acrescentou que “é preciso investigar se a presença de cocaína em animais aquáticos é um problema apenas para Suffolk, ou uma ocorrência mais generalizada no Reino Unido”.

“A saúde do meio ambiente tem atraído muita atenção do público devido aos desafios associados às mudanças climáticas e à poluição por microplástico. No entanto, o impacto da poluição química ‘invisível’ (como as drogas) na saúde dos animais selvagens precisa de mais foco no Reino Unido”, disse ainda.

Os pesquisadores afirmaram que a presença de pesticidas que há muito tempo foram proibidos no Reino Unido também representa um desafio especial, já que as origens desse material ainda não estão claras.

___________________________________________________

Esta reportagem foi inicialmente publicada pela rede BBC [Aqui!]

Wikileaks publica vídeo de soldados britânicos treinando tiro ao alvo com imagem de Jeremy Corbyn

 

Image result for jeremy corbyn

O Wikileaks publicou nesta quarta-feira (3) imagens do que afirma ser uma gravação de militares britânicos treinando tiro ao alvo na imagem do líder oposicionista Jeremy Corbyn.

Segundo a Sky News, o Ministério da Defesa lançou uma investigação sobre o episódio e confirmou que o registro é real. Um porta-voz das Forças Armadas disse que o comportamento dos soldados “totalmente inaceitável”.

Os militares no vídeo são do 3° batalhão, do regimento de paraquedistas, e o registro foi feito em Cabul, no Afeganistão.

Corbyn é o líder do Partido Trabalhista e principal voz da oposição britânica. Defensor das ideias da esquerda, ele está no Parlamento britânico desde 1983.


Esta matéria foi originalmente publicado pelo site jornalístico SputnikNews [Aqui!]

Estudo britânico liga sumiço de abelhas ao uso de pesticida

Analisando dados sobre 62 espécies ao longo de 18 anos, cientistas concluem que os insetos que se alimentam em plantações tratadas com substância têm mais chances de sofrer declínio populacional

File photo of a bee leaving a Cirsium Trevors "Blue Wonder" thistle in the Well Child fresh garden at the Chelsea Flower Show in London

Por Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

Abelhas selvagens têm mais chance de sofrer declínio populacional quando buscam alimentos em plantações cujas sementes foram tratadas com inseticidas neonicotinoides, os mais utilizados no mercado mundial. A conclusão é de um estudo britânico publicado nesta terça-feira, 16, na revista científica Nature Communications.

O estudo utilizou dados de levantamentos sobre 62 espécies de abelhas em plantações de colza do Reino Unido, realizados ao longo de 18 anos, e ligou o declínio das populações de abelhas no país à escalada do uso de pesticidas neonitocinoides nesse período. 

Segundo os autores, o estudo reforça as conclusões das pesquisas de pequena escala feitas até agora e que identificaram os efeitos negativos dos neonicotinoides nas abelhas. Para cinco espécies, a pesquisa concluiu que os neonitocinoides foram responsáveis por pelo menos 20% das extinções locais.

O autor principal do estudo, Ben Wookcock, do Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido, afirmou, no entanto, que o uso desses pesticidas provavelmente não é a única explicação para o declínio global das populações de abelhas. 

“Embora tenhamos descoberto evidências de que o uso de neonitocinoides é um fator fundamental para o declínio das populações de abelhas, é improvável que eles estejam agindo de forma isolada em relação a outras pressões ambientais. Abelhas selvagens têm sofrido declínio em escala global, que pode estar ligado também à perda e fragmentação de hábitats, a doenças, às mudanças climáticas e outros inseticidas”, disse Wookcock.

Diversos estudos já apontavam que o uso desse tipo de inseticida pode ser nocivo para as abelhas, mas a maior parte deles havia testado apenas os efeitos a curto prazo. O uso da dos neonicotinoides foi parcialmente banido pela Comissão Europeia em 2013, com o apoio da maior parte dos países da União Europeia. O Reino Unido votou contra a proibição.

Foto: Heather Lowther / Centre for Ecology & Hydrology – UK
Estudo britânico liga sumiço de abelhas ao uso de pesticidaDeclínio das populações de abelhas foi três vezes maior entre as espécies que se alimentam regularmente da colza

Os neonicotinoides foram licenciados para uso como pesticidas no Reino Unido em 2002. Em 2011, o uso dessa classe de pesticidas havia crescido 83% nas plantações britânicas de colza. O grupo de cientistas examinou as mudanças na ocorrência das 62 espécies de abelhas em plantações de colza da Inglaterra entre 1994 e 2011, período que permitiu comparar a situação dos insetos antes e depois da introdução do uso comercial do pesticida em larga escala.

Três vezes mais impacto

Segundo o estudo, o declínio das populações de abelhas foi três vezes maior entre as espécies que se alimentam regularmente da colza – como a Bombus terrestris, conhecida no Brasil como mamangaba – em comparação com as espécies que buscam alimento em plantas florestais. De acordo com os autores, isso indica que a colza tem um papel importante para a exposição das abelhas aos neonicotinoides.

Os pesticidas neonicotinoides podem ser aplicados diretamente às sementes antes da plantação. O composto ativo se expressa de forma sistêmica ao longo do crescimento da planta, o que faz com que ele possa ser ingerido pelos insetos quando eles se alimentam do néctar e do pólen das plantas que receberam o pesticida.

“Por produzir flores, a colza é uma planta benéfica para insetos polinizadores. Esse benefício no entanto, parece se mais que anulado pelo efeito das sementes tratadas com neonicotinoides para uma ampla gama de abelhas selvagens”, afirmou Wookcock.

FONTE: http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,estudo-britanico-liga-sumico-de-abelhas-ao-uso-de-pesticida,10000069958

Estudo mostra que 60% dos pães vendidos no Reino Unidos estão contaminados com agrotóxicos

bread, chemicals in bread, pesticides bread, Pesticides In Your Daily Bread report, Food Standards Agency

Um estudo liberado no Reino Unido por um comitê responsável por avaliar a presença de agrotóxicos em alimentos determinou que em 63% das amostras de pães havia a presença de resíduos de pelo menos um agrotóxico, e em 25% a presença de dois destes produtos (Aqui!).  Os produtos mais encontrados nas amostras analisados foram o glifosato (o herbicida mais usado em todo o mundo) e o chlormequat (um regulador de crescimento).

Essa nova descoberta foi minimizada por membros do comitê que indicaram que problemas de saúde não são esperados nas concentrações detectadas.  No entanto,  a Rede de Ação sobre Pesticidas do Reino Unido, que também participou da preparação do relatório aponta que o fato de que os agrotóxicos estão sendo aplicados no nível correto nas culturas agrícolas não tem nada a ver com a condição de saúde dos consumidores, pois a exposição a baixas doses e a contínua exposição a um verdadeiro coquetel de agrotóxicos via alimentos ainda não foram devidamente investigadas pela comunidade científica.

É importante notar que o Brasil hoje ocupa o primeiro lugar no consumo de agrotóxicos no mundo, e não há um programa do mesmo porte do existente no Reino Unido para se ter uma ideia de como anda a contaminação dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. 

Enquanto isso, a banca ruralista comandada pelo dublê de senadora e latifundiária pressiona o governo federal a adotar regras ainda mais frouxas para o uso de agrotóxicos no Brasil!