Cocaina, remédios e agrotóxicos contaminam corpos aquáticos no Reino Unido

riacho

Estudo encontrou contaminação de águas por cocaina, ketamina e agrotóxicos no Reino Unido.

A reportagem abaixo publicada pela rede britânica BBC apresenta os resultados de um estudo publicado no dia de hoje pela revista Environment International cujo autor principal é o professor Thomas H. Miller do King´s College de Londres. 

Este estudo apresenta resultados inesperados até para seus autores onde são mostrados os níveis exposição de animais selvagens que habitam ecossistemas de água doce, como o camarão Gammarus pulex de água doce, a diferentes micropoluentes – produtos químicos encontrados em níveis extremamente baixos, bem como para as quantidades desses compostos encontrados nos animais estudados. 

É importante notar que entre os 67 contaminantes encontrados estavam  drogas ilícitas – incluíndo cocaína (esta presente em todas as amostras analisadas) -, cetamina, e um agrotóxico proibido na União Europeia, o fenuron. 

Outro fato surpreendente é que a coleta de amostras foi realizada em áreas rurais distantes de grandes áreas urbanas onde o processo de contaminação é mais provável. Neste sentido, o que este estudo revela, especialmente em um país como o Brasil onde o processo de regulação é mais frágil do que no Reino Unido é que o processo de difusão da contaminação por drogas ilegais, remédios e agrotóxicos pode ser ainda mais amplo e grave.

Além disso, como recentemente revelado acerca da contaminação de agrotóxicos na água que é consumida em mais de 1.000 municípios brasileiros,  este estudo confirma que existem outras fontes que irão agravar este processo.

Camarões contaminados com cocaína intrigam cientistas no Reino Unido

camarão

Descoberta de cocaína e outras substâncias em camarões foi vista com surpresa por pesquisadores

Como cocaína, remédios e pesticidas foram parar nos corpos de camarões de água doce? Cientistas tentam entender o fenômeno após encontrarem as substâncias nos crustáceos em Suffolk, no Reino Unido.

A descoberta foi feita quando os pesquisadores analisavam a exposição de animais selvagens, como o camarão Gammarus pulex de água doce, a diferentes micropoluentes – produtos químicos encontrados em níveis extremamente baixos – e as quantidades desses compostos nos animais.

A probabilidade de as substâncias nos níveis encontrados afetarem os animais é “baixa”, segundo os pesquisadores, mas eles fazem um alerta.

“Embora as concentrações fossem baixas, conseguimos identificar compostos que podem ser motivo de preocupação ambiental e, fundamentalmente, podem representar um risco para a vida selvagem”, disse o autor principal do estudo, Thomas Miller, pesquisador do King’s College de Londres.

O estudo foi publicado hoje na revista científica Environment International e foi realizado em colaboração com a Universidade de Suffolk.

O que a análise mostrou

Os testes avaliaram amostras colhidas em 15 locais diferentes dos rios Alde, Box, Deben, Gipping e Waveney, em Suffolk.

Os pesquisadores disseram que “pela primeira vez, encontraram um conjunto diversificado de produtos químicos, incluindo drogas ilícitas e pesticidas na vida selvagem do Reino Unido”. E que a cocaína estava presente em todas as amostras.

De acordo com o principal autor do estudo, os compostos mais frequentemente detectados nas amostras foram drogas ilícitas – incluíndo cocaína -, cetamina e um pesticida proibido, o fenuron.

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GEOGRAPH/ROGER JONES. Cientistas coletaram amostras de 15 locais em Suffolk, incluindo o rio Alde

Foi uma descoberta “surpreendente”, disse o pesquisador Leon Barron, também do King’s College.

“Poderíamos esperar encontrar isso em áreas urbanas como Londres, mas não em bacias menores e mais rurais”, disse ele.

Outro pesquisador, Nic Bury, acrescentou que “é preciso investigar se a presença de cocaína em animais aquáticos é um problema apenas para Suffolk, ou uma ocorrência mais generalizada no Reino Unido”.

“A saúde do meio ambiente tem atraído muita atenção do público devido aos desafios associados às mudanças climáticas e à poluição por microplástico. No entanto, o impacto da poluição química ‘invisível’ (como as drogas) na saúde dos animais selvagens precisa de mais foco no Reino Unido”, disse ainda.

Os pesquisadores afirmaram que a presença de pesticidas que há muito tempo foram proibidos no Reino Unido também representa um desafio especial, já que as origens desse material ainda não estão claras.

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Esta reportagem foi inicialmente publicada pela rede BBC [Aqui!]

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