Professora da Uenf é suspensa após acusação de colar cartazes nas dependências da reitoria

Por Andes-SN

A professora Luciane Soares da Silva, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), no Rio de Janeiro, denunciou que tem sido alvo de perseguição institucional e política desde julho de 2024. Ela é acusada de afixar cartazes nas dependências da universidade. O caso culminou com a sua suspensão por 30 dias, ao fim de um processo administrativo que, segundo ela, não apresentou provas concretas de qualquer irregularidade.

O episódio teve início no dia 11 de julho de 2024, quando Luciane foi formalmente questionada, por meio da ouvidoria do estado do Rio, sobre o projeto de extensão que coordena, “Web Rádio Maíra”. Na solicitação, foram exigidas informações sobre relatórios de atividades, registros e outros documentos comprobatórios. Em resposta, a professora apresentou a devida prestação de contas sobre as atividades desenvolvidas no âmbito do projeto.

Já no dia 12 de julho de 2024, a docente tomou conhecimento, após a reunião do Conselho Universitário (Consuni), conduzida pela reitora Rosana Rodrigues, da afixação de cartazes nas dependências da reitoria, contendo denúncias de supostos casos de assédio. Na ocasião, a reitora afirmou que as câmeras de segurança teriam registrado imagens que identificariam a autoria da ação. 

Rosana Rodrigues propôs, então, a elaboração de uma moção de repúdio, que foi divulgada no dia 18 de julho pela universidade, com a assinatura da própria reitora, do vice-reitor e de membros do Consuni — ainda que nem todas as conselheiras e todos os conselheiros tenham efetivamente subscrito o documento.

Poucos dias depois, em 15 de julho, o Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado do Centro de Ciências do Homem (Lesce/CCH) – do qual a professora Luciane Silva faz parte – publicou uma nota de repúdio sobre a situação. No documento, o grupo se declarava chocado “pelo fato de uma servidora, segundo consta em comunicações informais, ter sido filmada conduzindo o material que foi afixado em paredes da instituição”. Cobrava também pronta resposta das autoridades universitárias superiores.

De acordo com a nota, os cartazes faziam menção a uma suposta denúncia de assédio envolvendo o coordenador do curso de Ciências Sociais, também integrante do Lesce/CCH. Na época, as denúncias contra o coordenador resultaram na criação de um grupo de mobilização contra o assédio dentro da Uenf, formado por servidoras, estudantes e ativistas.

Informações sensíveis de integrantes desse grupo – como telefone, fotos e a vinculação política de cada – foram utilizadas, posteriormente, como material no processo administrativo instaurado contra Luciane. “Apesar de diretamente envolvidas nos episódios que motivaram a criação do grupo, nenhuma dessas estudantes foi formalmente ouvida durante o meu processo”, relatou Luciane Silva, chamando atenção para o risco de exposição e de perseguições futuras às e aos estudantes.

A acusação contra a docente teve rápida repercussão e, no dia 20 de julho, um jornal local publicou matéria sobre o incidente, aprofundando ainda mais a exposição pública da professora. 

No dia 24 de julho, foi instaurada a primeira sindicância administrativa para apurar o caso. Menos de uma semana depois, em 30 de julho, um servidor da universidade chegou a solicitar a suspensão cautelar da professora. Entre agosto e outubro de 2024, Luciane prestou depoimentos, enquanto a reitoria continuava tratando a situação publicamente, antes mesmo da conclusão do processo. Ao final dessa primeira sindicância, a comissão responsável reconheceu que não havia provas concretas que a responsabilizassem, apenas o que classificou como “fortes indícios”.

Apesar disso, em 2 de dezembro, um novo parecer recomendou a abertura de uma sindicância punitiva. O segundo processo foi instaurado em 24 de abril de 2025, com os mesmos depoentes e sem a apresentação de novas evidências. Mesmo diante da fragilidade dos elementos reunidos, a sindicância resultou na suspensão da professora por 30 dias, como medida disciplinar.

“A suspensão aplicada ao final da segunda sindicância carece de base concreta e configura instrumento de retaliação, não de responsabilização. Reitero que não houve comprovação de minha participação na afixação dos cartazes. Os procedimentos aos quais fui submetida estão profundamente marcados por irregularidades, violação de garantias e uso indevido de mecanismos institucionais para fins de perseguição”, afirmou a docente.

Defesa

Caroline Lima, encarregada de Assuntos Jurídicos do ANDES-SN e integrante da Comissão Nacional de Enfrentamento à Criminalização e Perseguição Política a Docente, explicou que o processo da professora Luciane chegou à Comissão em 2024 e, desde então, o sindicato tem acompanhado de perto todos os desdobramentos, prestando orientações à professora e identificando diversos problemas no andamento do processo disciplinar. “Não há provas concretas. O processo se baseia em indícios frágeis, com falas acusatórias e ataques direcionados à atuação da professora no laboratório, a partir de uma denúncia que, de fato, não apresenta elementos consistentes”, apontou. 

A diretora do Sindicato Nacional destacou ainda que a decisão de punição foi uma surpresa, pois foi tomada com base apenas nesses indícios e após uma nova oitiva marcada por perguntas abusivas e procedimentos administrativos repletos de falhas.

“Para nós, da Comissão, está evidente que se trata de um caso de perseguição política contra a professora Luciane, acompanhado de inúmeras irregularidades processuais”, reforçou. Ela também criticou a exposição pública da docente em veículos de imprensa locais, o que, segundo avalia, teve o claro objetivo de criminalizá-la para além do ambiente universitário.

“Essa decisão representa também um perfil de perseguição política. Vale lembrar que a professora Luciane é ex-presidenta da Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf – Seção Sindical do ANDES-SN), o que reforça ainda mais o caráter político dessa punição”, alertou Caroline Lima. 

Segundo Rodrigo Torelly, da Assessoria Jurídica Nacional do ANDES-SN (AJN), o segundo processo de sindicância está marcado por “nulidades que inviabilizaram a garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório, para além de demonstrar uma conduta assediadora da Uenf”. Para a AJN, a abertura de uma segunda sindicância desconsiderou o resultado da primeira, que não encontrou provas que responsabilizassem a professora.

Encaminhamentos

Nessa segunda-feira (16), representantes da Comissão Nacional, da Assessoria Jurídica Nacional (AJN) do Sindicato Nacional, da direção da Aduenf SSind., e o advogado da professora Luciane e a própria docente se reuniram para tratar do resultado da sindicância e definiram encaminhamentos para enfrentar o problema de perseguição e punição da servidora. 

Entre as ações deliberadas estão a solicitação de uma reunião com a reitoria para tratar dos equívocos administrativos e cobrar o arquivamento do processo, bem como a suspensão imediata da medida punitiva e, ainda, a elaboração de uma nota de repúdio, que será apresentada para apreciação no 68º Conad. Além disso, ficou definido que será apresentada formalmente à reitoria da Uenf a proposta de Protocolo de Combate aos Assédios e às Diversas Violências, construída pelo ANDES-SN. 

A Aduenf SSind. também dará início a uma campanha local em defesa do protocolo e de prevenção às violências institucionais. A proposta é que a reunião com a reitoria, envolvendo representantes do ANDES-SN e da Aduenf SSind., ocorra entre os dias 30 de junho e 2 de julho.

Em maio, o ANDES-SN havia enviado um e-mail solicitando uma reunião com a reitoria da Uenf para tratar da situação. Em resposta, no dia 11 de junho, a gestão afirmou que a penalidade de suspensão aplicada à professora Luciane decorreu de um processo de sindicância fundamentado em parecer jurídico e relatório da Comissão Especial de Sindicância. 

Segundo a reitoria, o processo respeitou o contraditório e a ampla defesa, e baseou-se em provas como imagens, documentos e depoimentos, que comprovariam a autoria dos fatos imputados à docente. 

Na avaliação de Caroline Lima, o resultado da sindicância não apenas evidencia um processo de perseguição política, como também expõe a falta de capacidade da reitoria em lidar com questões administrativas e enfrentar situações de violência e assédio moral. “Nós, do ANDES-SN, vamos responder à carta enviada pela reitoria, que, inclusive, se colocou à disposição para dialogar conosco. Vamos solicitar uma reunião com a administração central, porque ainda acreditamos que o diálogo e a via administrativa são caminhos possíveis para resolver a situação da professora Luciane, que foi suspensa por 30 dias, sem salário, mesmo sem que o processo tenha apresentado qualquer prova concreta contra ela”, contou. 

A diretora do ANDES-SN também destacou que o caso representa um grave ataque à liberdade de cátedra e que, considerando o perfil da professora Luciane – uma mulher negra, periférica e docente de uma universidade pública do Rio de Janeiro –, o resultado da sindicância pode ser compreendido como um possível caso de racismo institucional. A dirigente reforçou que o ANDES-SN continuará insistindo na via administrativa, cobrando o arquivamento definitivo do processo e a imediata restituição do salário suspenso da professora.

Perseguição política
A ocorrência na Uenf amplia o debate sobre as perseguições políticas dentro das universidades e o uso de medidas administrativas, por parte de reitorias, para lidar com conflitos internos. Diversas ocorrências têm chegado à Comissão Nacional, responsável por acompanhar e denunciar os casos de perseguições, investigações, judicializações e criminalizações de caráter político.

Situações semelhantes ocorreram na Universidade do Distrito Federal (UnDF), na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na Universidade Estadual de Roraima (Uerr) e na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com o caso emblemático da professora Jacyara Paiva.


Fonte: ANDES-SN

Quem não escuta cuidado, escuta coitado. E isso é verdade também na Uenf

Por Douglas Barreto da Mata

Submetida a um estado de permanente penúria, a universidade brasileira mergulhou em um pântano traiçoeiro, onde a pobreza acadêmica se mistura a técnicas de sobrevivência pouco recomendáveis. Com raras exceções, o ambiente universitário nacional foi devastado pelas políticas ultraliberais dos últimos anos, incluídos aí os anos de governo Lula e Dilma.

Como “casa que falta pão, todos gritam e ninguém tem razão”, o que assistimos foi a degradação do senso público de servidores, professores, pesquisadores e alunos, que passaram a mais renhida luta pela sobrevivência.

Como eu já disse antes, neste espaço, a universidade foi capturada pelo capitalismo ao longo dos anos, para funcionar como uma espécie de estuário intelectual e tecnológico, provendo esse modo de produção de formas mais eficientes para a exploração e concentração de renda, a partir do uso de tecnologias e saberes.

Apesar do pessoal das ciências sociais imaginarem que produzem conhecimento “livre”, raramente há algo antissistema nas teses acadêmicas, ou quando há, são prontamente desacreditadas, na maioria das vezes, por pares acadêmicos, que preferem a obediência e a verba.

Ainda estamos no tempo da revolução industrial, no tocante ao entendimento do modo de produção e suas sócio reproduções.  A academia, em geral, acredita que democracia e capitalismo possam conviver.

Pois é, mas voltemos ao principal.  No campo das ciências tecnológicas e naturais não é diferente.  A regra é a obediência. Quem dá o pão, dá o castigo. Pouca gente desafia essa lógica.

O professor Carlos Eduardo de Rezende, professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf,), é um destes irascíveis resistentes.  Ele, comumente, nos brinda com boas observações sobre a fauna da Uenf , como neste texto.

Nos últimos anos, a Uenf conseguiu, a duras penas, não se contaminar pelo escandaloso esquema descoberto na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde milhões de reais foram, supostamente, desviados em contratos duvidosos eram celebrando em convênios para prestação de serviços e alegadas cooperações acadêmicas com mediação de ONGs e etc.

Aqui há um parêntese que precisa ser feito. Apesar de manter a universidade sob controle, o capitalismo sempre que pode, investe contra aquela rebeldia imanente do ambiente acadêmico, que é a chance de questionamento.  A cada ciclo histórico, esse garrote aperta mais ou afrouxa. São tempos sombrios.

O professor Marcos Pedlowski, que mantém esse cantinho de ar fresco intelectual, publicou um sem números de textos sobre a pirataria/parasitismo das revistas e periódicos acadêmicos, que são a referência para a métrica de produtividade da pesquisa, ou seja, quanto mais se publica, e quanto mais citação a publicação tiver, mais valor tem a pesquisa ou o pesquisador.  Isso virou um mercado, um tipo de rede social acadêmica, onde a pós-verdade e a fraude se instalaram, reduzindo tudo a “engajamentos” fabricados.

A Uenf que se salvou  por enquanto, da quadrilha que atuou na Uerj, parece que sucumbiu a um outro tipo de prática, como narrou Rezende em seu texto acima. Incapaz de mobilizar a comunidade para reivindicar o que é justo para toda a universidade, a representação política da Uenf, a reitoria, optou por criar um Frankenstein acadêmico destinado a oferecer um caraminguá a quem se comportar bem.

Sem um critério público e universal, o expediente, que como tudo que é duvidoso, usa um nome pomposo, carece de sustentação legal, mas sobra em marketing.  O mais cruel é a chantagem feita aos “famélicos” da universidade, que desprovidos das condições de dignidade para exercício de suas funções ou de tocarem suas vidas acadêmicas, sairão no tapa para obter um trocado, ignorando as questões éticas, legais e tratando os críticos como traidores ou coisa pior.

Eu gosto muito de uma frase que cunhei, em uma conversa com minha esposa: Dever que não é para todos, é abuso de autoridade, enquanto direito apenas para alguns é privilégio.  Essa é a essência de nossa sociedade.

E a Uenf não é exceção, ao contrário, ela está do lado da triste regra.

A reitoria da Uenf flerta com contratos temporários para docentes e ameaça de morte projeto de universidade de Darcy Ribeiro

temporário

Confrontada com sua própria incapacidade negociar com o governador Cláudio Castro questões básicas como o novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) e a realização de concursos para docentes cuja ocorrência está permitida até pelo draconiano regime de recuperação fiscal (RRF), a atual reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) vem lançando mão de uma série de ações do tipo “band aid” que refletem o grau de incapacidade de gestão existente.

Agora, temos a notícia de que a reitoria da Uenf está flertando com a adoção de um modelo de contratos temporários para cobrir a falta de docentes em determinadas áreas. O modelo que estaria sendo imitado é o da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) que recentemente lançou mão desse expediente para garantir a contratação de 664 professores para atuarem apenas nos anos letivos de 2024 e 2025.

Afora dizer que os modelos institucionais da Uenf e da Faetec são completamente diferentes, o problema é que contratos temporários podem funcionar quando se está pensando apenas no oferecimento de aulas por um período relativamente curto, mas se tornam um verdadeiro Cavalo de Tróia quando se pensa na formação universitária onde é necessário, além das aulas, se ter acesso a atividades de pesquisa e extensão.

Ao flertar com essa hipótese, a reitoria da Uenf esquece que na sua co-irmã mais poderosa, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a contratação de professores temporários acabou há exatamente 10 anos gerando uma intervenção do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro para obrigar a realização de concursos para vagas permanentes após anos de congelamento.  Essa ação do MP/RJ ocorreu após provocação da associação de docentes da Uerj (Asduerj) que demonstrou a piora das condições de trabalho e de performance da qualidade geral das atividades universitárias por causa da quantidade persistente de contratos temporários.

A verdade é que se essa proposta for implementada na Uenf, o que estará se matando é a proposta institucional de Darcy Ribeiro que não apenas tornou a instituição a primeira do Brasil a ter apenas docentes com dedicação exclusiva, mas também pagando os melhores salários do país no ano de sua fundação. Em vez de termos a Universidade do Terceiro Milênio idealizada por Darcy, o que os contratos temporários criarão será uma situação de inviabilização do tripé ensino-pesquisa-extensão e a instalação de um modelo precarizado em que docentes sem estabilidade estarão sempre na  espera da renovação ou não de seus contratos.

Por essas e outras é que essa proposta não pode prosperar e deve ser rejeitada de pronto. É que não se pode admitir que, por falta de capacidade de gestão, se recorra a um expediente que já deu provas que não resolve, mas apenas cria problemas.  O que deixará o governador Cláudio Castro ainda mais livre para impor ainda mais precarização nas universidades fluminenses. Será  tipo sai a Universidade do Terceiro Milênio, e entra a Uberversidade ou a IFoodsidade.

Darcy Ribeiro, o papel nefasto das corporações nas universidades, e as eleições na Uenf

darcy

Quando cheguei na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) no início de 1998 me deparei com uma indisposição para a conexão da nossa associação de docentes à estrutura sindical existente.  Perguntando o porquê daquilo, me foi respondido que essa era mais um dos elementos pensados por Darcy Ribeiro para evitar o que ele considerava o papel nefasto das corporações dentro do meio universitário brasileiro.

Passados exatos 30 anos, eu diria que Darcy Ribeiro estaria se olhando no espelho e lamentando estar mais certo do que esperaria estar. É que olhando o que aconteceu nas eleições para a reitoria da Uenf, veremos ali todos os traços das coisas que levariam o fundador do nosso modelo de gestão a querer não ter estado tão correto em suas análises.

A verdade é que tivemos um uso inédito da estrutura sindical interna para beneficiar a candidatura do continuísmo.  Com isso, houve não um debate democrático das ideias como alguns querem alardear, mas uma disputa desigual para impedir que isso oocorresse. O resultado é que onde o debate houve, a chapa de oposição venceu. Entretanto, com o uso da máquina sindical e fortes pitadas de instrumentos típicos de cyber war, tivemos que assistir ao que eu previ mesmo antes de se saber quem era os candidatos, que foi o emprego de táticas tomadas dos manuais do pensador de extrema-direita estadunidense, Steve Bannon.

Além disso, houve ainda a clara interferência de figuras ligadas aos quadros municipais do Partido dos Trabalhadores (PT), sendo o mais notável o reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), o proto candidato a prefeito, Jefferson Manhães. Ao se alinhar explicitamente à chapa do continuísmo, Manhães fez algo que seria muito criticado se o oposto ocorrer nas próximas eleições de sua própria instituição. Mas com certeza, o reitor do IFF fez o que fez para tentar angariar apoio para uma candidatura que tem tantas chances de derrotar Wladimir Garotinho em 2024 quanto a de se ter um dia frio no inferno.

Além do reitor do IFF, outras figuras menos importantes, mas igualmente ligadas ao PT Campos, transitaram dentro das eleições de forma bem atuante mesmo que sem ter qualquer vínculo com a Uenf, o que apenas reforça a interferência ilegítima de um partido que no plano municipal tem contribuição irrisória para a luta dos trabalhadores e da juventude, mas que encontrou na Uenf um nicho para angariar quadros e outras coisas mais.

O que essa situação toda me diz é que a reitora eleita vai ter que se debruçar sobre um dilema óbvio após a sua posse que será a convivência com aqueles que tornaram sua eleição possível. Alguns professores que votaram na chapa de oposição acreditam que o currículo acadêmico da reitora acabará gerando conflitos de interesse e dissenções tanto com os sindicatos internos quanto com os aliados dentro do PT Campos.  De meu lado, não nutro essa ilusão, pois se fosse para ser assim, a reitora eleita já teria aberto deste tipo de apoio, mas não fez porque sabia que as alianças feitas foram quem viabilizaram suas eleições.

Por último, que ninguém se surpreenda com vários candidatos se identificando como “Fulano da Uenf” ou “Beltrano da Uenf”.  É que não é só o reitor do IFF que atuou nas eleições da Uenf pensando em 2024.

Com perfil fake, eleições para a reitoria da UENF descabam para o vale tudo

fake

Por decisão da comissão eleitoral eleita pelo Conselho Universitário da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), as chapas que concorrem à reitoria para o período de 2024-2027 tiveram que interromper a postagem de novos materiais a partir das 10:00 horas da manhã desta 6a. feira, o que foi efetivamente feito.

O que poderia parecer que haveria normalidade nas eleições que ocorrem amanhã (16/9)  nos polos CEDERJ e na próxima terça-feira (19/9) era apenas aparente. É que assim que os perfis oficiais cessaram a publicação de novos materiais, um perfil de autoria desconhecida (ou seja, um perfil fake) que já atendeu por pelo menos 4 nomes, sendo o último o sugestivo “estudantescomrosana10” começou a postar fotos e vídeos no que se configura em uma flagrante violação das normas eleitorias estabelecida pela comissão eleita pelo colegiado superior da UENF (ver imagens abaixo).

O fato é que ao agirem ao arrepio do que determina uma comissão eleitoral eleita pelo Conselho Universitário da Uenf, os criadores desse perfil agem claramente para minar as possibilidades de que o pleito que se inicia amanhã possa ocorrer de forma equânime.

Além disso, ao desprezar as regras estabelecidas pela Comissão Eleitoral, os criadores desse perfil que dissemina materiais que a estas alturas são ilegais em face das regras eleitorais aceitas por ambas as chapas certamente agem sob a certeza de que permanecerão impunes. 

Caberá agora aos representantes da chapa formada pelos professores Carlos Eduardo de Rezende e Daniela Barros acionarem inicialmente a própria Comissão Eleitoral da Uenf para que este perfil seja descontinuado. Mas se isto não ocorrer de forma imediata, o mais provável é que a derrubada deste perfil tenha ocorrer por via judicial.

Como alguém que já participou de 7 eleições para a reitoria da Uenf desde 1998, eu realmente nunca presenciei nada como o que está ocorrendo nos últimos dias, sempre tendo como protagonistas pessoas ligadas à chapa do continuísmo.

Por fim, eu fico imaginando o que pensaria Darcy Ribeiro se ainda estivesse de tamanha afronta à democracia dentro de uma universidade que ele criou para servir como alicerce científico e da democracia. Certamente Darcy estaria primeiro envergonhado e depois furioso.

No momento decisivo das eleições da reitoria da UENF, Flávio Serafini declara seu apoio à chapa Carlão e Daniela

Flavio-Serafini-RJ-foto-julia-passos

Em uma campanha marcada por seguidas tentativas de desqualificar a trajetória acadêmica e política dos professores Carlos Rezende e Daniela Barros, a verdade é que eles têm conseguido demonstrar que possuem a devida capacidade para reinserir a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) dentro dos circuitos científicos e políticos. 

Uma demonstração disso é a declaração de apoio do professor e deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) que coloca com clareza vários aspectos importantes da ação política desenvolvida por Carlos Rezende em prol dos segmentos que compõe a comunidade universitária da Uenf, a começar pelas demandas estudantis (ver vídeo abaixo).

Como bem explica Serafini, Carlos Rezende tem sido um parceiro importante na formulação de projetos de lei que buscam ampliar a base de sustentação para que seja possível manter estudantes pobres dentro de uma universidade pública. 

Com esse tipo de testemunho fica evidente que os componentes da chapa 30 possuem uma trajetória que os torna capazes de impulsionar a Uenf para tempos melhores do que temos vivido nos últimos 8 anos.

A partir das redes sociais, onda de fake news assombra as eleições para a reitoria da Uenf

PL fake news 800 getty

Abre o pano… Para quem acha que o uso das redes sociais para espalhar mentiras e falsidades sobre candidatos é coisa de eleições paritidárias, pense de novo. É que a tática das “fake news” está sendo usada a todo vapor para tentar colocar a chapa de oposição à atual reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) como uma espécie de bicho papão cuja eleição resultaria em uma série de retrocessos em uma série de melhorias que foram obtidas a partir de um longo processo de lutas.

Entre as coisas que seriam afetadas estão as bolsas acadêmicas e o restaurante universitário, as quais, segundo as “fake news”, seriam encerradas pelo professor Carlos Eduardo de Rezende, candidato a reitor pela chapa de oposição, caso ele seja eleito.

O interessante é que, ao longo dos seus 30 anos de trabalho dentro da Uenf, Carlos Rezende se notabilizou por participar de esforços na obtenção e garantia desses benefícios. Bastaria olhar para documentos e imagens de mobilizações passadas para verificar que o professor Rezende sempre esteve ao lado de quem lutava pelas melhorias que os propagadores de fake news dizem que ele irá acabar, caso seja eleito. Para fazer esses boatos caírem por terra, bastaria verificar documentos e discursos públicos para verificar que os mesmos não passam de mentiras cabeludas.

A situação chegou a tal ponto que o professor Rezende teve que produzir uma série de vídeos para explicar que não pretende fazer o que as “fake news” dizem que ele está pretendendo fazer, caso seja eleito. Mas a força das “fake news” é justamente essa. Fala-se coisas na surdina dentro das redes sociais e elas ganham aspecto de legitimidade, e passam a ser consideradas como verdade por quem é contaminado pelas mentiras espalhadas. E o pior é que “fake news” são como papel picado jogado do teto de um arranha-céu em dia de ventania. Pode-se até pegar parte dele de volta, mas sempre sobrará algum circulando.

Alguém poderia dizer que é surpreendente que em uma universidade pública, isto possa ocorrer. Eu diria que, como as eleições dentro da Uenf não ocorrem fora das disputas políticas existentes fora de suas cercas, não há absolutamente nada de surpreendente nisso.  Aliás, o contrário é que seria surpreendente, já que faz tempo que a reitoria da instituição age como se fosse uma espécie de partido político, agindo por fora dos colegiados superiores da instituição como isso fosse a coisa mais natural do mundo (o caso da reforma do prédio que abriga Arquivo Público Municipal é um belo exemplo disso).. 

Agora, como já foi demonstrado em eleições partidárias, não é difícil se chegar à fonte (ou fontes) de “fake news”. Assim, uma contribuição que a chapa de oposição encabeçada por Carlos Rezende e Daniela Barros seria identificar essa fonte (ou fontes) para que a comunidade universitária da Uenf possa ser informado sobre quem está produzindo essas mentiras. Do contrário, teremos não apenas uma inevitável mácula no processo eleitoral, mas como também estará se legitimando ainda mais o uso de “fake news” como instrumento de disputa eleitoral. É que se na universidade criada por Darcy Ribeiro esse método pode ser usado de forma impune, o que dizer das eleições para cargos públicos?

Uma curiosidade final: não há notícia de ações semelhantes de difusão de “fake news” em relação à chapa que tem o apoio público da reitoria da Uenf. Fecha o pano…

Começa a campanha eleitoral na Uenf e, desde já, declaro meu apoio para a chapa “Carlos Rezende e Daniela Barros”

Na manhã desta 6a. feira (11/8), o Conselho Universitário da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) homologou a inscrição de duas chapas para as eleições que ocorrerão em primeiro turno no mês de setembro.  Prontamente, estou declarando meu apoio integral à chapa formada pelos professores Carlos Eduardo de Rezende, professor do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB) e Daniela Barros, professora associada do Laboratório de Tecnologia de Alimentos do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA).

Este slideshow necessita de JavaScript.

    

Os motivos da minha decisão são muitos, mas o principal é que no momento em que a instituição completa 30 anos, estamos necessitando de um novo rumo após quase 8 anos “sob mesma direção”. E o problema não é apenas mudar por mudar, mas sim porque precisamos recolocar a Uenf dentro de princípios que acredita foram completamente abandonados, a começar pela desvalorização do processo de produção de conhecimento científico, incluindo a formação de nossos alunos de graduação.

Além disso, a forma com que a atual reitoria da Uenf tratou seus colegiados superiores que passaram a ser meros apêndices de decisões já tomadas, em vez de serem os centros de formulação de ações estratégicas para aprofundar a inserção e a contribuição da instituição no processo de desenvolvimento regional. 

O fato é que além de ser um cientista de nível internacional, o professor Carlos Eduardo de Rezende possui uma longa trajetória institucional, a começar por sua participação nos grupos de trabalho liderados por Darcy Ribeiro nos quais se formulou o projeto institucional revolucionário que permitiu à Uenf crescer tanto e tão rápido, e pautada por altíssimos padrões de excelência acadêmica.  Mas como alguém que sempre demonstrou estar pronto para aprender algo novo,  o professor Carlos Eduardo Rezende também contribuiu para a consolidação da associação de docentes da Uenf (Aduenf) onde participou em diferentes cargos, sempre com uma predisposição para o diálogo franco e direto.

Quero ainda dizer que a companheira de chapa, a professora Daniela Barros, é uma docente que se caracteriza não apenas por estar presente no ensino e na pesquisa, mas também se revelou ao longo do tempo uma liderança institucional que é capaz de dialogar e escutar, algo que efetivamente tem faltado aos que dirigiram a Uenf nos últimos ciclos administrativos (2016-2023).

Informo que ao longo da campanha eleitoral, estarei divulgando informações no sentido de demonstrar a correção e a urgência de eleger Carlos Rezende e Daniela Barros para liderarem a Uenf no ciclo 2024-2027.  É que estando na instituição desde janeiro de 1998, me preocupa muito a condição em que nos encontramos neste momento, o que reforça a necessidade de novos rumos na nossa reitoria. Como conheço o professor Carlos Rezende há mais de quatro décadas, e assisti à sua impressionante trajetória pessoal e científica, é com ele e a professora Daniela que penso estaremos melhor servidos para enfrentarmos os duros desafios que estão diante de nós.

As eleições da Reitoria da Uenf sob risco de ser marcada por uma intensa campanha de fake news

uenf fn

Normalmente não ocupa o espaço deste blog com muitos assuntos internos ao cotidiano da Universidade Estadual do Norte Fluminense por uma decisão editorial de não torná-lo muito restrito ao interior da instituição, o que iria de encontro ao próprio propósito de tê-lo criado.

Mas decidi abrir uma exceção e colocar novamente luz sobre um comentário feito pelo estudante de Ciência da Computação Jhonatan Cossetti, que fui informado é membro da atual diretoria do Diretório Central de Estudantes da Uenf (DCE/Uenf), na já comentada postagem feita no perfil “Uenfspotted” na rede social Instagram que foi motivo de outro texto meu na manhã deste sábado (ver imagem abaixo).

dce fn

O comentário do diretor do DCE/UENF joga uma camada a mais de ilações na postagem do Uenfspotted ao afirmar que “e se eu disser que tem futuro candidato que pensa exatamente isso? Cortar bolsas porque estudante não é prioridade”.

Como corretamente observado por três comentadores, as afirmações de Jhonatan Cossetti soam como uma espécie de fofoca pela metade, pois conta o milagre, mas não diz o nome do santo. Além disso, como observado pelo terceiro comentador, o diretor do DCE não informa como sabe quem são os futuros candidatos, nem como chegou à informação de que um deles é favorável ao corte de bolsas estudantis porque os estudantes não seriam prioridade.

Como até agora sequer foi criada a Comissão Eleitoral que organizará a consulta pública sobre o futuro reitor, é impossível saber quem são os candidatos, ainda  que o reitor da Uenf, Professor Raúl Palácio, já tenha dito publicamente quem seria a candidata à sua sucessão. Mas até que se forme a Comissão Eleitoral, qualquer indicação de quem serão os candidatos é, no mínimo, precoce.

Formalidades à parte, fico curioso em saber como o diretor do DCE sabe o que pensa um candidato que não sabemos se existirá. Conversou diretamente com o candidato ou apenas ouviu falar que o candidato defende isso? O problema é que ao ocupar um cargo dirigente, especialmente de um sindicato estudantil, haveria que se tomar mais cuidado com o que se escreve em redes sociais, pois há um peso político  inquestionável nesse tipo de posicionamento dada a condição de dirigente estudantil que o referido estudante possui.

Entretanto, o que me parece mais problemático é que ao se espalhar este tipo de ilação, o diretor do DCE contribui para que a campanha eleitoral da reitoria da Uenf seja marcada por uma indesejável disseminação de fake news. Como vivenciamos os efeitos deste tipo de influência nas últimas duas eleições presidenciais, já sabemos como isto pode agravar uma disputa que deveria estar imune a determinadas táticas de campanha.

Uenfspotted: indo um pouco além da cantada

uenfspotted

Para quem não vive o cotidiano da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) é pouco divulgado que neste ano a instituição elegerá seu novo reitor ou nova reitora. As eleições ainda não possuem calendário estipulado, mas as movimentações eleitorais são perceptíveis entre os apoiadores (e no próprio) atual reitor, professor Raúl Palácio.

Um elemento que esteve pouco presente em todas as eleições anteriores, mas que deverá estar de forma marcante na de 2023, será a disputa dentro das redes sociais, ao menos no tocante aos estudantes que as utilizam para quase tudo, desde acessar material escolar até paquerar.

O sinal de que as redes sociais serão usadas de forma extensa ao longo do calendário eleitoral e antes dele é uma pequena nota publicada em um perfil denominado “Uenfspotted” que existe na rede social Instagram para supostamente ser veículo onde estudantes podem “mandar cantada” ou “expor algo algo que está acontecente na universidade”.

Eis a publicação do “Uenfspotted”:

wp-1680351077726

Algumas observações sobre o conteúdo que mereceriam algum esclarecimento subsequente:

  1. Que professor, de que curso, em qual sala de aula, afirmou que a atual gestão “comprou” os alunos com muitas bolsas e esqueceu dos docentes? Sem essas informações, temos aqui algo que transita entre a fofoca e a “fake news”,
  2. A assistência estudantil da Uenf é uma das melhores do Brasil sob quais critérios e em comparação a quais outras universidades brasileiras? Ainda que se entenda essa pitada de ufanismo, que é uma das marcas das coisas que acontecem dentro da universidade, essa informação careceria de elementos mais sólidos para que pudesse ser posta em público.  Para uma universidade em que não existe sequer um espaço para produção de fotocópias, causando um encarecimento no acesso a materiais de leitura, essa afirmação é, no mínimo, questionável. Mas, apenas como exemplo, temos universidades que oferecem moradia estudantil, e não auxílios financeiros para uma fração dos seus estudantes, Nesse quesito, a assistência estudantil da Uenf é melhor ou pior do que, por exemplo, a Universidade Federal de Minas Gerais?
  3. A nota insinua ainda que exista quem, entre os professores, apoie o corte das bolsas para que se aumenta os salários dos professores. Pois bem, como são verbas que partem de fontes completamente distintas, é óbvio que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aliás, o desejável é que as duas coisas sejam corrigidas pela inflação anualmente. Portanto, a que e a quem serve esta ilação? Aparentemente para contrapor os direitos dos estudantes aos dos professores e, aparentemente, gerar uma indisposição entre os dois segmentos.
  4. Por último, a menção aos salários dos professores onde “R$ 12 mil deve estar ruim demais mesmo“.  A ruindade ou não dos salários, deveria ser exame de uma análise minimamente criteriosa, pois como será que andam os salários de professores em outras universidades públicas?  E esses R$ 12 mil são brutos ou líquidos? Quem entre professores recebe um salário inicial de R$ 12 mil? Vale lembrar que o salário bruto inicial de um professor na Uenf é de R$ 10.252,69, valor que após os descontes de RioPrevidência e Imposto de Renda cai para algo em torno de R$ 8 mil líquidos. E isto é pouco ou muito? Em relação aos salários médios pagos no Brasil (que são miseráveis) é muito. Mas e para a categorias de professores universitários? Como o governo do Rio de Janeiro acaba de romper o acordo de repor até a inflação acumulada, me parece que é  pouco.

As questões acima são apenas para mostrar que, sob a alegação de responder a um professor que questionou a relação entre os estudantes da Uenf e a atual administração, o Uenfspotted apontou para uma série de questões que não podem ficar sem a devida resposta, seja pela atual administração ou por quem desejar substituir o atual grupo que controla há quase 8 anos os rumos da Uenf. É que elas apontam para uma clivagem indesejável para quem precisa que a Uenf esteja efetivamente à altura do que foi idealizado por Darcy Ribeiro.